Two Hearts That Be As One
6 Seis
Notas iniciais
Capítulo VI
Lidar com serial killer é algo que nenhum detetive da homicídios gostava, e Jane era uma dessas pessoas. Ter uma carta endereçada a você, quer dizer que além do serial te conhecer, ele conhece as pessoas mais próximas, seus amigos mais íntimos, sua família, e o pior de tudo: um serial killer psicopata não levanta suspeitas, podia ser qualquer pessoa, algum vizinho, talvez? O fato era que o mundo de Jane praticamente ruíra. Mais um dia de trabalho havia findado, e a morena se encontrava no sofá da legista, com sua garrafa de cerveja na mão assistindo algum esporte. Estava olhando para a TV, mas não estava prestando atenção em nada do que a tela transmitia. Ela estava morando com Maura, os Rizzoli's praticamente invadiram a privacidade da loira, mesmo com seu consentimento, eles tiraram, mesmo que sutilmente, a paz que a loira tinha em sua casa, o silêncio que a loira era costumada a ter todos os dias antes de conhecê-los. “Como você conseguiu se adaptar a nossa bagunça tão fácil, Maura?” Perguntou a morena. Jane detestava que sua mãe fosse ao seu apartamento, imagina só sua mãe morando na parte de trás de sua casa, caso ela tivesse uma casa com outra atrás. “Digo… Você preferia o silêncio antes...” virou-se para olhar a loira, que sorria para ela, Maura se aproximou do sofá com uma taça de vinho, e sentou de frente para a morena. Aquela pergunta era simples de responder. Antes de Jane a loira era totalmente introvertida, não sabia falar com outras pessoas “normais” quer dizer, ela sabia falar de assuntos que a grande maioria das pessoas não estavam interessadas em aprender, afinal, quem quer saber sobre ciência e as causas das coisas? “No início foi assustador, mas depois que o tempo foi passando, eu comecei a deixar minhas neuras pra lá e me permitir, entende?” Maura olhou para o copo, e voltou a encarar a morena, fazendo uma análise rápida de como era a família dela e coma família de Jane “Vocês são acolhedores, sabe? São quentes… A minha família não é assim, eu fui criada sem os meus pais por perto, nem os biológicos tampouco os adotivos, e a bagunça de vocês, bom, eu amo essa bagunça” Maura sorriu, um sorriso que iluminou todo o rosto da loira. Jane sorriu também, feliz em saber que a loira não ficava irritada com a bagunça da sua família “Você é família. Maura. Você nos adotou, ou a gente se adotou, dá no mesmo” E riram.
Aqueles momentos com Jane era algo que Maura mais amava na relação das duas, podiam falar de qualquer assunto, podiam simplesmente ficar caladas, apreciando a presença uma da outra, podiam estar em uma discussão de relacionamento, mas elas sempre terminariam o dia assim, juntas no sofá, jogando conversa fora, tomando suas bebidas favoritas, e sentindo o coração sendo aquecido pela presença uma da outra.
O outro dia parecia chegara, e com ele a esperança de que tudo pudesse se ajeitar em seu lugar. As investigações estavam a todo vapor. A missão era prender o hacker e todos envolvidos, inclusive o enforcador. Nesse meio, o tempo livre de Jane era ir até o laboratório conversar com uma certa médica-legista, saber se havia algum progresso, mas com o pretexto de apenas ir vê-la, saber se estava tudo bem. Não estava entendendo essa necessidade de Maura, parecia que naquela altura, ela veio se dar conta do que era o relacionamento delas, da dimensão deste. Desde que conhecera Maura, sua vida mudou muito, em questão de conhecer novas coisas, em algumas mudanças de hábitos como: praticar yoga, correr pelas manhãs… O ponto chave era que elas sempre estavam juntas, e esse era o fato também de que muitas pessoas as confundiam como namoradas, sorriu lembrando do dia em que estavam no mercado, e estavam brigando porque Jane queria levar miojo.
“Maura, miojo é prático e saboroso, porque cargas d´água que eu não posso levar um simples miojo?” Maura olhava para Jane indignada. Como assim “simples miojo?” aquilo podia matá-la. “Jane, olhe a porcentagem de porcarias que contém esse miojo, olha quanto sódio. Sódio é veneno.” Jane queria enforcar Maura naquele instante. Tudo para aquela médica sabichona era veneno se não fosse verde. Fez uma careta e pegou mais alguns miojos “Eu sei que um dia eu vou precisar disso, Maura.” A loira ia retrucar, mas foram interrompidas pela risada de um casal que estavam no mesmo setor que elas “Vocês formam um belo casal!” e saíram dando risada deixando uma morena de boca aberta e uma loira um tanto quanto espantada. Nunca havia sido tão constrangedor comprar miojo aquele dia.
Jane entrou no escritório da loira, e estavam conversando algumas coisas sobre o caso, quando o telefone de Rizzoli toca, era Korsak querendo saber aonde ela estava, havia um teor de preocupação em sua voz “Estou no escritório de Maura, e sim, ela está comigo, o que aconteceu?” Jane não disse mais nada “Vamos subir, vem” Maura seguiu a morena sem saber o que estava acontecendo, quando chegou no terceiro andar, estavam todos os três detetives da homicídios juntamente com o tenente Sean. “O que aconteceu?” perguntou a morena. Ambos se olharam, e quem tomou a palavra havia sido o tenente “Vocês terão que ir para outra cidade, e serão retiradas do caso durante as investigações” Como assim? Jane não estava entendendo nada, porque ela teria que sair do caso? Maura também estava com a mesma dúvida em sua cabeça, o que havia acontecido de tão grave que elas teriam que sair? “Recebemos uma denúncia de que a casa da doutora Isles pegou fogo por causa de uma explosão, e eu quero que as duas vão para uma cidade de refúgio, vocês não ficarão aqui enquanto não concluirmos esse caso” Maura ficou sem saber o que falar, sua única reação foi grudar nos braços de Jane antes que fosse ao chão.
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