Notas iniciais
Bom espero que gostem... "Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida". (Sócrates)

Já estava cansada dos dias normais, só queria um pouco de distração, alguns cigarros a mais não faziam diferença, queria apenas pensar em sair daqui. Meus pensamentos foram interrompidos pelo chamado de uma das carcereiras.

— Senhorita Evans, tem visita para você.

— Quem é?

— É um homem, deve ser um advogado.

— Obrigada, já estou indo. – Mas quem é esse advogado?
Cruzei os corredores rapidamente, estava curiosa para saber quem mandou esse homem até aqui. Chegando à sala de visitas, avistei um belo homem, de terno preto e gravata azul, cabelos escuros e olhos castanhos claros. Ao me avistar levantou e cordialmente apertou minha mão.

— Como vai senhorita Evans? Sou o doutor Edward.

— Como o senhor se sentiria num lugar como este?

— Provavelmente nada bem. – Ele fez sinal para que me sentasse na cadeira à frente dele. – Bem, estou aqui para avisá-la que vou defender sua causa.

— O que houve com o antigo advogado? E quem mandou o senhor? Porque sei que ninguém lá fora se importa mais comigo e muito menos que tenham dinheiro para pagar-lhe.

— Quem me mandou aqui não importa, o que realmente importa é que tenho que tirá-la
daqui. Fui mandado por um contato particular que tem muito interesses financeiros.

— Quer dizer que agora é conveniente falar disso? O senhor só pode estar brincando comigo.

— Na verdade não.

— O senhor é um dos melhores advogados do país, por que alguém faria isso por mim, por um acaso não sou eu uma criminosa?

— Eu sei muito bem que não é, isso é o que eu vou provar, dará um pouco de trabalho, mas acho que consigo fazer isso pela senhorita que sei muito bem que não deveria estar aqui.

— Sério isso? Por que já estou cheia de ouvir a mesma conversa. – Levantei as sobrancelhas num gesto de rebeldia.

–Parece que a senhorita não entendeu, há pessoas muito importantes envolvidas nisso, a não ser que a senhorita não queira aceitar essa proposta, vai passar os últimos trinta anos de sua vida aqui.

— O senhor só pode estar louco se pensa que não aceito qualquer coisa para sair da prisão

— Achei que a senhorita gostasse daqui, afinal comanda esse lugar.

— É, mas nem sempre foi assim, e mais, não estou a fim de perder a chance de me vingar dos que me colocaram aqui dentro, enquanto estou pagando por um crime que não cometi, os verdadeiros culpados estão por ai.

— Eu sei muito bem disso, não se preocupe, como o seu antigo advogado já deixou alguns papeis adiantados vai ser mais fácil de resolver. Só que tem uma coisa de que ainda não falei senhorita Evans.

— O quê?

— O meu contato é uma pessoa de negócios, ele vai fazer isso pela senhorita, e a senhorita vai ter que fazer algo por ele.

— Estava demorando demais, o que seu contato quer?

— Bem, isso só vamos resolver quando a senhorita estiver fora daqui, mas não se preocupe, não é nada demais.

— Menos mal porque estou disposta a tudo para sair daqui.

— Então vou resolver a papelada para começarmos, isso é tudo, foi um prazer senhorita Evans.

— Igualmente, só mais uma coisa; eu não posso saber quem é esse contato?

— Não, pelo menos não agora, ele prefere que seja assim para não comprometer a imagem dele.

— Sei está bem, o importante é que ele vai me ajudar a sair daqui.

— Logo trarei boas notícias.

Confesso que depois de saber que tem alguém lá fora que se importa comigo me deu um pouco de esperança, algo que não conseguia sentir há muito tempo. Não importa quem seja essa pessoa, o importante é que vai me ajudar a sair daqui. No pátio uma das minhas colegas de cela acenava para mim, fui em direção a ela.

— Cigarro? Então, quem era o bonitão que você estava no maior papo?

— Sim, era um advogado que vai defender a minha causa.

— Sério? Mas e aí? ele vai te ajudar?

— Bom, sim, mas isso vai levar um tempo, você sabe como são essas coisas de justiça.

— Que bom amiga, espero que tudo dê certo para você, afinal você é inocente e não deveria estar aqui.

— Sabe Glory, acho que não sou tão inocente assim, afinal eu sabia dos planos do meu pai e do Rayan, só não sabia que eles iriam armar para mim.

— É amiga, a vida é assim mesmo, tudo serve como aprendizado, quando você estiver fora daqui tudo vai ser diferente.

— Eu sei Glory, mas acho que esse advogado não vai poder fazer nada por mim, mesmo que ele seja um dos melhores do pais.

— O que isso? Não desanima não! tenha um pouco de fé que vai dar tudo certo. – Ela me abraça apertado.

— Obrigada amiga. – Tudo parecia tão simples depois de uma boa conversa com a Glory, ela é uma grande amiga, é uma pena que ela foi condenada a passar o resto de sua vida aqui, mas é uma boa mulher. Sentei e terminei o meu cigarro, conversamos até o fim daquela tarde.

Três meses depois...

Não tive mais notícias daquele advogado maluco, será que ele me abandonou? Se fosse isso já teriam me avisado, deve ter acontecido alguma coisa. Sozinha, num canto do pátio, pensava nessas possibilidades, quando uma carcereira fez sinal para mim. Me aproximei dela.

— Querem que você vá à sala do diretor, parece que é urgente.

— O que foi dessa vez?

— Não se preocupe, é algo relacionado a sua saída, querida.

— O que? Você só pode estar brincando comigo, não é?

— Por que eu faria isso?

— Não sei.

— Ande, vamos pelas escadas.

— E por que temos que ir pelas escadas? – Falei ironicamente.

— Até parece que você não é esperta garota. Vamos,
não tenho o dia todo.

— Está bem! não precisa me empurrar!

Subimos pelas as escadarias escuras do prédio da direção; ao entrar na sala dei de cara com o Doutor Edward, que estava sentado à frente da porta, quando me viu arregalou os olhos e levantou-se para me cumprimentar.

— Como está, senhorita Evans?

— Digamos que passei os últimos meses aflita, esperando respostas do senhor. – Falei sentando em uma cadeira ao lado dele.

— Não se preocupe que sua espera já acabou.

— Como assim? – Meu coração bateu mais forte naquele momento.

— A senhorita vai sair daqui, meus parabéns seu depoimento só serviu para os culpados assumirem a culpa perante o juiz.

— Estou sem palavras, mas como assim? Quando?

— Nesses últimos meses lutei para ter uma oportunidade de conversar com o juiz que cuidava desse caso, apresentei todos meus argumentos e também o seu depoimento, felizmente eles não tinham parado de investigar, os detetives queriam saber mais sobre a origem de tudo. A polícia armou uma emboscada e eles foram pegos em flagrante.

— E meu pai? Ele também foi preso?

— Sim, mas na fuga infelizmente ele sofreu um acidente e ficou em cadeiras de rodas, por isso vai ficar em prisão domiciliar.

— Minha nossa, e o Rayan o que aconteceu com ele?

— Ele também tentou fugir, mas foi pego e já está no presidio.

— Mesmo depois de tudo que eles fizeram, acho que a prisão não é o suficiente.

— Olha lá o que vai fazer mocinha, lembre-se que agora que vai sair daqui, vai me dever um favor.

— Eu sei disso, mais nada vai me tirar o prazer de olhar para a cara daqueles dois e mostrar o quanto eu sou forte, e que nem o tempo que passei aqui foi capaz de me destruir como eles achavam.

— Bom, vamos resolver os pequenos tramites, amanhã a senhorita vai sair daqui, e conhecer o contato que me ajudou a tirá-la daqui.

— Amanhã? Mais achei que seria agora. – Fiz um cara de frustração.

— Sim, hoje não é possível, mas amanhã estarei aqui esperando a senhorita.

— Mal posso acreditar que vou sair desse lugar, mas o que esse seu contato quer comigo, por que até agora não sei quem ele é? Por que ele está fazendo isso por mim?

— Ele quer um favor em troca, é claro, e a senhorita já está ciente disso.

— Ele? Então é um homem?

— Sim, a senhorita só precisa saber que é um homem, um homem muito bom que está fazendo isso por você.
Só amanhã irá saber mais detalhes de tudo.

— O senhor e seus mistérios. – Ele sorriu ironicamente.

Notas finais
Bom espero que tenham gostado, desculpem os erros prometo que vou me aprimorar mais, semana que vem tem mais. Quero agradecer a todas as pessoas que me incentivaram a voltar a escrever, serio vocês não sabem o bem que me faz escrever para vocês o meu muito obrigada a todos. Beijos (Helena)