Twilight: Moonlit Desire

7 Capítulo 7 – Lágrimas de Sangue


Rosalie avançava pela floresta, cada passo afundando na terra úmida como se carregasse o peso de séculos em seus ombros. O ar, pesado com o cheiro de folhas apodrecidas e chuva iminente, trazia consigo o eco de risos perdidos. A noite era uma ferida aberta, lembrando-a de que até os refúgios mais sagrados podiam transformar-se em campos de batalha.

Na casa dos Cullen, o silêncio era um fantasma. Seu quarto, outrora templo de segredos sussurrados entre lençóis, agora era um sarcófago. A cama permanecia intacta, as dobras do cobertor uma afronta à desordem em seu peito. As cortinas, cerradas como lápides, bloqueavam a luz que ela já não ousava enfrentar.

Seus dedos encontraram o colar no pescoço — um rubi em forma de lágrima, presente de Jacob em uma noite em que as estrelas pareciam prometer eternidade. A pedra, agora fria e opaca, era um relicário de promessas desfeitas. Num gesto brusco, ela arrancou-o, sentindo a corrente partir-se como um suspiro sufocado. O rubi estilhaçou-se contra a parede, fragmentos vermelhos saltando em arcos precisos, cada estilhaço uma memória dilacerada: o toque de Jacob sob a lua, seu sorriso rouco ao sussurrar "Você é minha maldição", o pacto de Emmett com os Volturi que agora ameaçava engoli-los.

Você está destruindo tudo — sussurrou ao vazio, mas as palavras retornaram vazias, devoradas pela escuridão.

Na reserva, sob um céu rasgado por nuvens carregadas, a alcateia reunia-se em círculo. Leah, com os braços cruzados e olhos de âmbar incandescentes, cravou um olhar em Jacob.

Morreremos por uma vampira? — cuspiu, cada sílaba um veneno.

Jacob avançou, sua silhueta projetando-se como um titã contra o horizonte noturno. O vento agitou seus cabelos negros, revelando cicatrizes frescas — marcas de batalhas travadas em segredo.

Não lutamos por ela — respondeu, a voz um trovão contido. — Lutamos por um mundo onde lobos não precisem ser caçadores… e vampiros não precisem mentir.

Os uivos que se seguiram rasgaram a noite, um coro ancestral de revolta. Seth, o mais jovem da alcateia, transformou-se primeiro, seu pelo prateado brilhando como uma armadura. Leah seguiu, relutante, mas seus olhos nunca deixaram Jacob.


Os Volturi emergiram das sombras como uma praga. Aro, com seu sorriso de víbora adormecida, deslizou à frente, suas vestes negras arrastando-se como asas de corvo.

Que comovente — sibilou, os dedos entrelaçados em um gesto teatral. — Lobos e vampiros, unidos por… amor?

A batalha irrompeu em um redemoinho de violência. Garras de prata encontraram carne pálida, dentes afiados rasgaram membros. Rosalie, movendo-se como um vendaval, cortou através das fileiras inimigas, seus olhos dourados incendiados por uma fúria ancestral. Cada vampiro que caía era um verso em sua elegia pessoal.

Até que Jane, a torturadora silenciosa, ergueu um dedo esquelético. Seu poder — uma agonia que transcendia a carne — atingiu Rosalie como um raio.

ROSALIE!

Jacob lançou-se entre elas, seu corpo absorvendo o golpe. Ele caiu de joelhos, um gemido abafado escapando de seus lábios enquanto o poder de Jane o consumia por dentro.

Rosalie ajoelhou-se, suas mãos trêmulas pressionando o peito de Jacob, onde o sangue escorria como tinta sobre pergaminho.

Por quê? — perguntou, a voz um sopro cortado pela dor.

Ele ergueu a mão, os dedos manchados de vermelho tocando seu rosto com uma delicadeza que contrastava com o caos ao redor.

Você talvez tenha sido minha maldição... — sussurrou, a voz falhando como uma vela ao vento. — E com certeza... meu grande amor.

Seus olhos fecharam-se, e Rosalie gritou — um som tão visceral que fez a própria floresta calar-se. De seus olhos, escorriam lágrimas rubras, sangue que se misturava ao dele, pintando o chão de um juramento que nem a morte apagaria.

A guerra recuou, deixando um silêncio grávido de espectros. Rosalie vagou até a árvore onde Jacob gravara suas iniciais. Ao lado delas, uma nova inscrição surgira:

"Você talvez tenha sido minha maldição... e com certeza meu grande amor."

O vento trouxe um aroma familiar — terra, fogo e uma verdade que não podia morrer. Ela ergueu o rosto para o horizonte, onde o primeiro raio de sol desafiava a escuridão.

— Jacob... — murmurou, e, pela primeira vez em séculos, um sorriso desabrochou em seus lábios.

Nas profundezas da floresta, um lobo de pelagem negra observava, seus olhos dourados brilhando como faróis em um mar de trevas.