Notas iniciais
Finalmente chegou o feriado! Espero que vocês gostem e não deixem de comentar hein? bjss

POV – Julia

Fomos todos apertados no banco de trás do carro do cunhado da Bia da casa dela até a praia. Eu tive que ir sentada no colo da Sophy aguentando a zoação de todos só porque eu sou a menor. Muito injusto, mas valeu a pena assim que colocamos os pés na areia. Bia e Yuri sorriam satisfeitos pelo plano ter dado certo. Eu fechei os olhos para sentir o vento e ouvir o som do mar.

– Liberdade, finalmente! – Murilo disse levantando os braços.

– Em vez de vocês ficarem aí morgando, podiam me ajudar com as coisas não? – Sophia reclamou.

Olhamos pra ela que estava com uma mochila pendurada em cada ombro e umas sacolas nas mãos. Como somos meio neuróticas, pedimos pros meninos passarem no supermercado e comprar algumas coisas que podíamos estocar dentro das barracas. Assim ninguém ia passar fome e nem ter problemas com insetos, por exemplo.

Corremos para ajudá-la e o cunhado da Bia foi embora antes mesmo que pudéssemos agradecê-lo. Acho que ele estava tão ansioso quanto nós pra esse feriado. Demos uma olhada pela praia pra achar um lugar com sombra pra montar as barracas. Assim que achamos umas árvores grandes, nós colocamos as malas no chão pra começar as montagens.

– Deixa que eu monto a nossa! – Murilo se prontificou pra Yuri.

Bia, Sophy e eu começamos a luta pra montar a nossa. O Yuri então decidiu colocar uma música em seu ipod enquanto fazíamos isso. Charlie Brown Jr, é claro. Essa banda era só o que a gente escutava no colégio. Parecia falar por nós, sabe?

– Mas que preguiça boa, me deixa aqui a toa! — ele cantava alto. Murilo o olhou rindo, mas ele pouco se importou. Yuri era assim mesmo, alegre o tempo todo e sem motivo algum.

Não demorou muito e estávamos com tudo montado, com as malas dentro das barracas e de roupas de banho. Os meninos logo correram para o mar pra surfar enquanto nós ficamos na areia. Bia e eu deitamos pra pegar um bronze mas a Sophy parecia fugir do sol.

– Sophia, sai debaixo desse guarda-sol! Pra quê nós saímos do colégio então? – tentei convencê-la.

– Eu saí pra ver o mar. Estou vendo muito bem daqui! – ela disse se encolhendo mais ainda pra não pegar um raio sequer. – Além do que, vocês sabem que se eu ficar como vocês, amanhã eu to mais vermelha que o Yuri quando bebe demais.

Eu dei de ombros e continuei onde estava. Não adiantava discutir. O celular da Sophy começou a tocar loucamente. Ela olhou no visor e virou os olhos.

– Minha mãe! Vou um pouco mais pra lá pra atender. Já volto!

Bia pegou seu celular e checou o sinal. Fiquei olhando esperando ela se explicar.

– O Henrique não me mandou uma mísera mensagem acredita? – ela reclamou.

– Calma amiga, ele vai mandar! Ele só deve estar ocupado com alguma coisa... – tentei tranquilizá-la. Bia não admite de forma alguma, mas todo mundo sabe que ela gosta muito do Henrique. Eles estão juntos há um tempinho e eu fico muito feliz que ela tenha encontrado alguém que goste e que gosta dela também.

Sophy voltou bufando e pisando duro.

– A minha mãe simplesmente não tem limites! Ela quer que eu faça uma cobertura minuto-a-minuto sobre o que estamos fazendo. Alguém conta pra ela que eu não sou jornalista ainda e que a minha vida não é tão interessante assim para se ficar narrando?

Antes que eu pudesse falar algo, os meninos voltaram do mar largando as pranchas lá perto e tentando nos arrastar para a água. O Yuri abraçou Sophy a molhando inteira e saiu correndo com ela em seus calcanhares morrendo de rir. Murilo jogou um monte de areia em Bia forçando ela a ir pro mar se lavar. Eu apenas me levantei pra correr se fosse necessário e fiquei olhando a cena toda. Todos ao nosso redor que estavam aproveitando a praia no feriado olhavam pra eles rindo. Assim que eles se afastaram, eu voltei a me deitar na toalha para tomar sol. De olhos fechados, eu conseguia ouvir os gritos da Bia e da Sophy e as risadas do Yuri distantes. Foi então que senti umas gotas no meu rosto. Não era possível que começasse a chover justo agora. Eu tinha visto a previsão do tempo e estava lá que ia fazer sol a sexta toda. Senti mais algumas gotas e abri os olhos. Tomei o maior susto do mundo ao ver o rosto do Murilo a apenas alguns centímetros do meu.

– Pensou que ia se livrar, mocinha?

Antes que eu pudesse responder, ele me puxou com tudo e me pegou no colo correndo em direção ao mar.

– Me larga Muriloooooo!

– Com muito prazer! – ele disse me jogando na água.

Assim que subi pra superfície, pulei em cima dele para afundá-lo. Ficamos os cinco brincando quase a tarde toda e só saímos de lá quando a fome bateu. Como não podíamos voltar para o mar até fazer a digestão, resolvemos ficar na areia mesmo brincando de bobinho.

– Podíamos fazer o luau, né? Você trouxe seu violão, Murilo? – Bia deu a ideia.

– Pouts, esqueci!

– O que você não esquece Mumuzinho? – Sophy disse apertando a bochecha dele, o deixando bastante irritado.

Aproveitamos enquanto os meninos arrumavam tudo para o nosso luau e fomos tomar um banho a la Big Brother na ducha comunitária. Era o que tinha pra hoje, fazer o que? Sophy estava embaixo do chuveiro enquanto eu e a Bia esperávamos já trocadas.

– Ele ainda não me mandou nada! – reclamou ela novamente sobre o Henrique.

– Nossa, mas que novidade ele estar sendo um idiota! – Sophy ironizou. Ela não deixava passar uma mancada que o namorado da nossa amiga dava.

Percebi que a Bia ficou ainda mais incomodada e resolvi mudar de assunto.

– Será que tem bicho por aqui? – olhei em volta.

– Nem brinca com essas coisas! – Bia disse olhando em volta também. — Vai Sophia! Termina logo isso daí que eu quero voltar logo pras barracas.

Fizemos uma cabaninha para ela se trocar e saímos correndo de lá antes que um grilo pulasse em alguma de nós. Voltamos pra onde os meninos estavam e eles foram tomar banho. Começamos a preparar alguns lanches e petiscos para comermos durante o luau. Bia olhava em volta o tempo todo como se estivesse fazendo o reconhecimento do local.

– Olha Ju, tem um cara bem gatinho ali! Convida ele pro nosso luau! – ela disse me dando um cutucão com o cotovelo.

Olhei o cara que estava sentado em um banco não muito longe de onde estávamos e realmente era bonito, mas nada a ver levar ele pra lá. Não era uma festa. Era algo pra reunir nós cinco apenas.

– Ai Bia! Para com isso! – eu voltei a preparar nossos lanches.

A Bia ia continuar argumentando mas o celular da Sophy voltou a tocar. Era a décima vez que a mãe dela ligava.

– Gente! Não aguento mais isso! – ela se afastou um pouco de nós para atender e logo voltou. – Pronto! Fingi que tava acabando a bateria e desliguei o celular. Agora nem adianta ficar me ligando!

Os meninos chegaram enquanto ainda riamos do jeitinho explosivo de Sophia. Levamos os comes e bebes pra próximo da fogueira. Todos nós estávamos sentados esperando o Murilo pegar o violão do Yuri e dar início ao luau. Antes de se sentar, ele passou pela Bia e acariciou seus cabelos.

– Adorei a flor! – Murilo disse antes de se sentar entre mim e o Yuri.

– Achei do lado da barraca! Arrasei, né? Tudo a ver com a minha roupa! – ela

tagarelou.

Me ajeitei na cadeira e percebi que a Sophy me olhava como se lesse meus pensamentos. Detesto quando ela faz isso. Murilo começou a dedilhar o violão.

– Com qual eu começo?

– Lanterna dos Afogados – pediu Yuri.

Ele adorava cantar e era ótimo nisso. Nós ficávamos apenas acompanhando, curtindo e pedindo as músicas. Assim foram Novo Mundo do Charlie Brown Jr, Quase sem querer do Legião Urbana, Fácil do Jota Quest e tantas outras. Nunca tinha reparado como o Murilo tocava tão bem. Sophy me deu um cutucão.

– Ta babando no Mumuzinho! – ela cochichou pra mim.

Apenas mostrei a língua pra ela e continuei acompanhando a música.

– Gente, vou buscar uma surpresa pra vocês. Continuem aí que eu já volto. – Yuri disse se levantando e correndo na direção das barracas.

Nosso violeiro oficial já tinha engatado outra música e nos olhava a procura de quem cantasse com ele. Era sacanagem ele tocar a minha música favorita do Lulu Santos! Sophy balançou a cabeça negativamente pra ele e Bia tapou a boca com as mãos. Ele me olhou esperando que eu começasse e antes que percebesse, lá estava eu cantando Apenas mais uma de amor sem tirar os olhos dos dele. Que mico! Eu devo ter ficado vermelha, roxa, azul, multicor enquanto o Yuri não voltava para pegar o seu posto. Pelo menos ele cantou comigo, porque as meninas ficaram completamente mudas.

– Marshmeeeeelooooooows!!!!! – Yuri disse jogando uns saquinhos em cima da gente.

Nós passamos o resto da noite dourando aquilo espetado em palitos de churrasco e cantando músicas bregas. Eu já estava praticamente dormindo na cadeira quando decidimos dormir. Fomos andando até as barracas em silencio. Eu olhei a última vez pro Murilo e ele sorriu, tímido. Acho que no final foi legal cantarmos juntos.

Notas finais
Calma, ainda não acabou o feriado! No próximo capítulo tem mais!