Tudo vai recomeçar!
2 Adiós Elite Way - PARTE II
Notas iniciais
–Não, não, como assim acabou a festa? Hitler, acho que você não esta bem da cabeça.
–O que foi que você disse senhorita Pardo?
–Disse que não podemos pagar pelas idiotices que esse daí faz.
Pascoal parou por um momento, como quem pensava no que Roberta acabara de lhe falar.
–Papai, é verdade, e também hoje e nossa despedida, por favor não termine com a festa por conta das bobagens do Giovanni.
Todos como em um coro, concordaram com Pilar, afinal, uma festa de despedida não deveria se acabar assim.
–Jovens! Jovens! Tudo bem, a festa continua, más, não quero saber de saliências, ou coisas impróprias, lembre — sem que mesmo sendo a ultima festa vocês ainda se encontram nas dependências do colégio.
Ao dizer essas palavras, a musica voltou a tocar, “Plástico de JD- Natasha” invadiu todo o salão e a festa voltou a todo vapor, em um canto encontravam-se Giovanni, Tomás e agora Diego que havia deixado Roberta dançando com Vick e Josi no salão e se juntara a eles.
–Como você dá um furo desses na ultima festa do colégio Giovanni?
–Pior não é isso Tomás, o pior e que por culpa desse maluco, quase que o Pascoal termina com a festa.
–Ta, quem são vocês para me encherem? É você ta falando o que bebê gigante? Você que fica ai, todo romântico com a Pilarzinha, o Diego não se desgruda da “chucky” mais, e, eu tenho que ficar de vela para vocês dois? Afinal essa festa tava muito chata viu, não tenho culpa se as pessoas me tem como um vicio.
–Giovanni, meu rei, você tem que para com essas loucuras, agora vamos para a faculdade cara, faculdade.
Diego repetia a palavra “faculdade” como quem declarava que havia conseguido o maior premio de sua vida.
–Ta, ta , ta, príncipe encantado, eu sei, lá na faculdade vou me sentir no paraíso, cheio de gatinhas.
–Cara você não muda mesmo, tem que tomar juízo Giovanni, tomar juízo.
– Tomás, anãozinho, vai lá cuidar de sua branca de neve e me deixa ok?
Ao terminar a conversa Giovanni caminhou em direção ao restante da turma, que dançava no centro do salão, seguido por Diego e Tomás, que estavam bem atrás dele. Na pista de dança, estavam se divertindo todos juntos, Téo e Josi, Roberta, Vick, Rocco, Miguel, Mia, Max, Celina, Pilar, Santos que insistia em ensinar alguns passos para Lupita.
–Santos, para, você sabe que eu nunca vou conseguir dançar, sei la tenho vergonha.
Disse Lupita pois mesmo que tenta-se não consegui dançar nada além de dois para lá e dois para cá.
–Amor, relaxa você brilha nos palcos para milhões de pessoas, faz as coreografias e não consegue dançar aqui, com seus amigos? Vamos se solta.
Aproximando-se, Santos deu um beijo intenso e apaixonado em Lupita que ficou sem fôlego.
–Já te disse que você foi a melhor coisa que ocorreu na minha vida? Antes de conhecer você e de você me contagiar com sua doçura e conquistar meu coração, minha vida não tinha sentido.
–Assim você me deixa sem graça, eu também amo você Santos, como nunca pensei amar ninguém.
– Sabe, me apaixonei por você desde a primeira vez em que te vi, más senti medo, você era tão linda tão intocável, senti medo de você não gostar de mim, da minha forma estranha de ser.
E de repente uma tristeza tomou conta de Santos, como se uma lembrança ruim tivesse invadido seus pensamentos, Lupita como em um ato de amor, o abraçou forte, olhou em seus olhos como quem diz “Eu te amo pelo o que você é, da forma que você é” e o beijou novamente, atraindo o olhar de todos que pararam de dançar e começaram a os ovacionar como em sinal de aprovação e felicidade pelo amor que ambos estavam demonstrando.
–Roberta, sabia que vendo a Lupi assim tão feliz fico até emocionada, sei lá, me da um sentimento tão bom.
–Josi Lujan emocionada? Isso não é coisa de “mulherzinha”? HAHAH
–Roberta, não seja abusada, é serio cara, e como se me sentisse realizada, feliz como nunca antes tinha me sentido, estou com o Téo, você com Diego, Lupi com o Santos, as três felizes, e agora eu tenho uma família, tenho uma casa, não dá para acreditar cara.
Embora Josi tivesse uma fama de durona e forte, lá no fundo ela era apenas uma menina doce e meiga que precisava de carinho e afeto, que sonhava em ter uma família, em ser feliz, e enfim parecia que seus sonhos de criança estavam se tornando realidade, a amizade que ela havia criado dentro do Elite Way ultrapassava os limites do colégio, pois foi nele que ela descobriu as coisas boas que antes ela na tinha acesso, descobriu que tinha o amor do Gastão, que mesmo de uma forma tórrida se importava e cuidava dela, e agora que ele havia morrido lhe deixará uma herança incalculável que iria lhe permitir cursar uma faculdade, ajudar a outras crianças que viviam também em orfanatos, mesmo que ela não precisava do dinheiro, já que tinha sido adotada por Alma e Franco.
–Josi, minha irmã, não chora — Disse Roberta ao abraçar Josi – Olha as coisas boas que estão ocorrendo ao seu redor!
–Roberta, mais e por isso que estou chorando, é felicidade.
–Meninas, não chorem, ou irão acabar coma maquiagem que fiz em vocês la em casa.
–Ahh Mia, só você mesmo para pensar em maquiagem.
–Ai Roberta, só estou preocupada, pois as irmãs de Mia Colucci não podem ser vistas como um trapo por ai, se não o que vão pensar de mim? Que minha família está podre ou não sei o que? Não mesmo.
Mesmo após tanto brigarem, no fim Mia e Roberta haviam se tornado irmãs, a agora com Josi elas tinham o que sempre haviam sonhado, uma família. Naquele momento, ao se abraçarem as três sentiram que além de irmãs eram amigas, confidentes e que mesmo com algumas brigas aquele era o melhor lugar onde elas sempre queriam estar, juntas uma da outra.
A festa estava quase no fim, quando a galera decidiu dar um ultimo adeus ao colégio, começando pelo salão de entrada, onde passou pela mente de cada um o primeiro momento em que entraram naquele lugar. Mia e Miguel se lembraram da primeira vez que se viram, da forma como se apaixonaram naquele primeiro instante, de como tiveram a certeza de que se amariam para toda vida. Seguindo pelos corredores, Diego se lembrou do beijo dele e Roberta ali, no chão, da emoção que ele sentiu, o misto que foi de ódio e uma espécie de amor, que ele nunca havia sentido antes, de como aquela menina ate então detestável tinha um beijo tão doce, beijo esse que conquistou seu coração.
Quando chegaram aos quartos, se lembraram as brigas, dos momentos em que se divertiram com festas escondidas nas madrugadas, de quantas vezes se sentiram tristes e de como aqueles quartos eram seu refugio, seu lugar secreto para descarregar todas as emoções, enfim após percorrerem todo o colégio, sentiram um misto de tristeza, saudade e alegria: Tristeza por dar adeus aquele lugar tão especial, saudade pela quantidade de emoções que haviam vivido dentro daquelas paredes, tantos amores, tantos conflitos, e de como iriam sentir falta de tudo isso, e sentiram também alegria pois era um ciclo que havia se cumprido, dando início a outro, alegria pois ali aprenderam lições que levariam para vida toa e que agora, caminhando para a faculdade e para ao amadurecimento estavam se despedindo de uma fase louca, inconseqüente porem saiam de cabeça erguida e coração aberto.
–Sabem jovens, quero lhes dizer uma coisa, durante anos, eu fui o diretor desse colégio e sim confesso que tivemos muitas turmas difíceis que deixaram saudades, más nenhuma se compara a vocês. Como vou me esquecer das loucuras do senhor Mendes López que nem na festa de formatura deixou de aprontar? Senhor Goycoléa que agora se tornou meu genro querido, más que estou sempre de olho, Bustamante, jovem Bustamante que tanto amadureceu aqui nesse colégio, se tornou um rapaz forte, elegante, bonitão, aah, que dizer, um bom menino, um bom menino, Victoria Paz, que era uma menina que me dava tantos problemas e se tornou uma moça tão ajuizada, senhorita Celina que resolveu nos dar esse presente e agora será mamãe, acredito eu que será uma ótima mãe senhorita Ferreira, Bezaury, com sua incansável câmera ,sempre filmando tudo, até disso irei sentir saudades, do jovem Téo" Ruiz Palácios, que era tímido, e agora olhem para ele, se transformou, ficou mais seguro de si, mais forte, isso me deixa orgulhoso, Senhorita Luján, acho que boa parte dessa transformação se deve a você, pois passou parte de sua força para o Téo, o passou confiança e fez com que ele aprende se a enfrentar a vida com você, isso foi muito bom, pois um aprendeu com o outro, senhor Echagüe, chegou por ultimo e logo aprendeu com os outros não é? Você também foi importante para a historia dessa turma rapaz, Guadalupe Fernández, a mais ajuizada dessa galera toda, pena que nunca ouviam seus conselhos não e mesmo, como irei me esquecer de quanta dor de cabeça me causou você Arango, você sempre se metendo em confusões, em brigas, ai ai, sem contar você, não e senhorita Colucci, com suas crises de tantas coisas, acho que a convivência com o Arango a fez pegar o estilo de marrento que ele tem, ah e não pense que me esqueci de você senhorita Pardo, do que esta rindo, a senhorita foi a que mais me deu dor de cabeça, com sua mania de defender a tudo e a todos, sempre, sempre que havia uma confusão, estava no meio a senhorita Roberta, eu já tinha ate certeza, a senhorita já era sócia da minha sala, e claro minha filha, minha Pilar, será difícil ficar nesse colégio sem te ver todos os dias querida, não sei se irei me acostumar. A verdade e que todos vocês, se tornaram meus filhos, e o Elite Way nunca mais será o mesmo sem vocês.
Ao pronunciar essas palavras, Pascoal, assim como todos que estavam ali, professores, pais, e alunos, não seguraram o choro, a verdade era uma só, o clico daquela turma com o Elite Way havia chegado ao fim e agora eles não pertenciam mais aquele universo, mesmo que o colégio sem eles parecia não fazer sentido, mais agora eles estavam em uma nova fase, estavam voando para novos horizontes, novas emoções, agora era chegada a fase das decisões que moldariam o futuro, era chegada a hora em que tudo iria recomeçar.
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