Tudo que Vai...volta

19 Capítulo 19 - O acidente.


Eu saí do carro e fui até ele na tentativa de consolá-lo. Me aproximei dele que estava debruçado sobre a tumba pedindo perdão e eu me ajoelhei ao seu lado lhe abraçando. Ficamos assim durante vários minutos calados, só o som do nosso choro dava pra ser ouvido.

-como foi...que...aconteceu? – enfim ele perguntou. Eu olhei pra ele e enxuguei minhas lagrimas e depois as dele. Ele devia saber como foi.

3 anos atrás...

Uma hora da tarde, Los Angeles. Estava na minha casa preparando um bolo de chocolate afinal, aquele dia era especial. Estava colocando o bolo no forno quando ouvi seu choro vindo de seu quarto. abaixei a temperatura do forno e subi as escadas às pressas. Entrei no quarto, o tal quarto escuro nessa época não era ainda escuro. Na verdade ele era todo rosa com personagens da Disney colado pela parede. Quando entrei no quarto ela estava encolhida na cama chorando, tão pequena, frágil e indefesa. Eu me sentei ao seu lado e toquei em seu rosto e ela abriu seus olhos verdes e me abraçou depressa.

-mamãe! – disse ela chorando.

-Calma. Está tudo bem. Foi apenas um sonho. – disse fazendo carinho em seus cabelos finos e loiros que faziam pequenos cachinhos nas pontas. – que foi em? fala pra mamãe meu anjo. O que houve?

-Sonhei que um bicho feio vinha me levar de você.

-Um bicho feio? Que bicho feio?

-Um de capa preta, ele me pegou pelo braço e me levou de você.

-Foi só um pesadelo querida. Ninguém vai te tirar de mim. você é minha. só minha. meu anjinho da guarda.

-Eu to com medo.

-Não precisa ficar com medo. Olha só que dia lindo lá fora? – olhamos pra janela e chovia. – eh...na verdade não tão lindo, mas podemos imaginar um sol lindo lá fora, você consegue? – e ela balançou a cabeça que sim. – então...hoje eh um dia especial, sabe que dia eh hoje?

-Não sei mamãe. – disse esfregando a mão num dos olhos.

-Não sabe? Mas não era você que vivia contando os minutos pra esse dia?

-Hoje eh o meu aniversario?

-Acertou! – e a abracei forte. – parabéns minha pequena.

-A vovó vai vir?

-Ahan. E você não quer estar fedendo quando ela chegar né?

-Não.

-Então vamos tomar um banho bem cheiroso. Upa! Ta ficando pesada em? eh a idade que ta passando. Nem acredito que já ta fazendo quatro anos, parece que foi ontem que você nasceu. – eu a paguei no colo e enchi a banheira e a deixei lá enquanto ia olhar o bolo.

A campainha tocou e eu larguei tudo pra atender já sabendo quem podia ser, afinal eu só esperava por ela.

-mamãe! Que surpresa. – disse irônica. – sabia que era você. – e nos abraçamos.

-Nossa! A viagem foi tão demorada, o avião se atrasou e eu estava ficando nervosa naquele aeroporto frio. Onde esta minha neta?

-Esta lá em cima no banho.

-Você deixa a menina tomando banho sozinha?

-Ela ta na banheira.

-Pior ainda. Não tem medo da garota se afogar?

-Ai mãe! Isola. – disse batendo na madeira três vezes. – ela está bem. Eu nem encho muito a banheira.

-Vovó! – olhamos pra escada e lá vinha ela toda molhada correndo pela escada.

-Olha ela ai. – eu disse ao vê-la. – bonito né Nicole? Toda molhada, molhando a casa toda olha ai.

-Não grite com minha netinha linda. – disse minha mãe rindo pegando-a no colo. – como ela está linda.

-Eu ganhei uma boneca das meninas super poderosas. estamos salvando o mundo na banheira, você quer ver?

-Claro. – disse minha mãe enchendo Nicole de beijos.

-Eu vou terminando o bolo enquanto você olha ela.

-Ta. – disse minha mãe sem pensar duas vezes. Ela amava aquela garota. Nicole realmente era de encantar qualquer um, ela parecia um anjo, meu anjo.

-Parabéns pra você...nessa data querida... – horas depois, cantamos parabéns e cortamos o bolo de chocolate. O predileto dela.

-Assopra filha. – e ela assoprou as quatros velinhas do bolo. – agora faça um pedido. – e ela fechou os olhinhos. – pronto.

-Ta ficando tão velhinha que chega ta ficando sem os dentinhos que nem a vovó. — disse minha mãe. Com essa até eu e Nicole rimos.

-Quer saber o que eu pedi? – disse ela pegando na manga do meu casaco e puxando enquanto eu cortava uma fatia do bolo.

-Se conta não se torna realidade.

-Eu pedi pra ser seu anjo pra sempre. – disse ela com a carinha mais fofa do mundo.

-Você já eh minha linda. Meu anjinho milagroso. – e eu beijei no nariz dela que a fez rir. Eu adorava aquela risada. – toma, vai lá comer. – disse dando um pratinho com o bolo na mão dela.

Estávamos comendo o bolo quando meu celular tocou. Eu não queria atender já sabendo que era trabalho e eu não estava a fim de sair de casa, mas minha mãe me insistiu já que fui selecionada pra ser a futura sócia do meu chefe e ela não queria que eu fizesse feio.

-alô. Oi Sr. Banks. To sim. – eu respirei fundo querendo xinga-lo de tudo quanto eh nome naquele momento, mas me contive. – ta bom. Já estou indo. Tchau. – e desliguei o telefone e continuei comendo meu bolo.

-O que ele queria? – perguntou minha mãe.

-Quer que eu passe no trabalho pra pegar uns papéis. Você pode ficar com ela rapidinho?

-Vai ser rápido?

-Vai, só vou lá e volto.

-Então a gente vai contigo. Só assim damos um passeio.

-Eu também quero ir mamãe.

-Tem certeza? Está frio lá fora.

-A gente nem vai sair do carro.

-Eh mamãe.

-Ok, bota um casaco nela então. tem um rosa que eh bem grosso no armário, isso vai aquece-la bem. E vamos rápido.

-Ta bom chefa. Sua mãe eh uma biruta Nicole. – e Nicole começou a rir.

-Biruta por que? – perguntei rindo.

-Ela vai ficar eh com calor no carro por causa do aquecedor.

-Eu sou a mãe e sei o que estou falando. Está frio lá fora.

-Ta bom. – gritou ela la da sala.

Arrumei a cozinha e pouco depois as duas desceram. Fomos pro carro e minha mãe ficou no banco de trás com a Nicole enquanto eu dirigia. No meio do caminho o celular tocou. Chovia muito e quase não se dava pra enxergar a pista direito e eu já estava ficando nervosa, pois o celular não parava de tocar e a Nicole pulava no banco de trás cantarolando.

-Nicole para! Senta Nicole! – gritava sem sucesso, pois ela não parava.

-Deixa ela.

-Mãe! Manda ela sentar.

-Calma, você está tão estressada.

-Esta me tirando a concentração. Droga! – disse pegando o celular e desligando sem atender.

-Atende o celular.

-Eu estou dirigindo.

-Pode ser importante.

-Ta eu atendo. Mas da pra você sentar a Nicole e fazê-la parar de cantar?

-Eu só to cantando uma musica mamãe.

-Mas ta tirando a concentração da mamãe. Filha fica quietinha, por favor. – e o celular voltou a tocar e eu atendi. – alô. Oi Sr. Banks, já estou quase chegando. Mais dez minutinhos e to ai. Ta bom. Tchau. – e coloquei o telefone no banco e então ouvi minha mãe gritar, mas foi tudo tão de repente que não deu tempo de nada.

-Cuidado!

Eu olhei pra frente e vi um bicho que não consegui identificar. Meu carro o atropelou com tudo e eu bati com a cabeça com muita força no vidro do carro e ouvi algo batendo no vidro também quase que ao mesmo tempo em que eu. Cai pra trás sentindo uma dor imensa e coloquei a mão na testa que sangrava. Doía horrores.

-Nicole! – ouvi minha mãe gritar, eu olhei pro meu lado direito ainda zonza e ela estava caída no banco de carona sangrando. Eu entrei em desespero ao vê-la ali naquele estado, cheia de sangue, desacordada, só que me sentia muito fraca e zonza e não conseguia fazer nada, só conseguia chorar mais e mais vendo tudo aquilo e não podendo fazer nada pra salva-la. – ela não está respirando Natasha! Pelo amor de Deus, Nicole, fala comigo!

Foi então que tudo se apagou e quando acordei já não estava mais no carro. Estava numa cama de hospital. Fiquei em coma por uns três dias e descobri que Nicole não estava mais lá. Ela havia chegado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Preferia ter ido no lugar dela.