Tudo que Vai...volta

4 Capítulo 4 - O passado tão próximo...


Eu comecei a chorar compulsivamente ao lembrar daquele momento. aquele rosto depois de finalizarmos, os carinhos durante o ato...foi tudo tão especial. Agarrei uma das almofadas do sofá e tentei conter as lágrimas e o meu choro alto. Fui respirando fundo até conseguir me conter. Eu me levantei e subi a escada apreensiva. Abri a ultima porta do corredor e liguei a luz. Era um quarto escuro com várias caixas. Comecei a jogar todas as caixas longe a procura de uma única. Quando a achei no canto embaixo de várias outras caixas, eu a peguei e levei até a sala. Sentei-me no chão e assoprei toda a poeira em cima dela. Abri a tampa e a primeira coisa que eu vi nela foi uma foto. Uma foto antiga, uma foto de nós dois. Estávamos dando língua pra câmera. Lembrei daquele momento e ri ao meio de um choro incontrolável. Coloquei a foto no chão e vasculhei até encontrar aquela folha de papel. Uma carta, assinada por ele. Eu reli a carta várias vezes e chorei ainda mais. Abracei aquela carta com amor, ódio, dor, saudades, todos os sentimentos possíveis.

7 anos antes...

Depois dessa vez, nós continuamos a praticar aquele ato várias outras vezes. Quase todos os dias íamos pra casa dele. Os pais dele trabalhavam o dia inteiro e aproveitávamos a casa vazia pra ficarmos fazendo amor. eu deixava ele fazer de tudo comigo, ele dizia as palavras mágicas e eu confiava nele. Mas isso não foi à coisa certa a se fazer e me levou a um arrependimento pro resto da minha vida.

-você é muito gostosa. – disse ele enquanto fazíamos amor. eu estava sobre ele e ele segurava nos meus seios. Ele então chegou ao extremo e gemeu alto. Eu me desencaixei dele e me deitei sobre ele e fiquei brincando com meus dedos sobre seu peito. – que foi? – perguntou ele pois eu estava calada.

-Nada. Estou só pensando em você.

-Pensando em mim? Mas eu não estou aqui?

-Sim. Mas meu pensamento só dá você. você é muito importante pra mim Gerard. – e eu o encarei. Ele passou a mão no meu cabelo e os segurou com delicadeza.

-Você é perfeita Natasha.

-Você também é.

-Eu não te mereço.

-Merece sim. Por que está dizendo isso?

-Eu não presto. Sou um babaca, — e ele deixou algumas lágrimas caírem. Eu me levantei e enrolei o lençol no meu corpo e me sentei numa brecha do sofá e fiz carinho no cabelo dele com uma mão enquanto que com a outra eu enxugava as lágrimas que rolavam no rosto dele.

-Não diga isso Gee. Eu te amo. É isso o que importa. – e eu deitei minha cabeça no peito dele sentindo seus batimentos. Ele então me abraçou.

7 Anos depois...

-“eu não queria fazer aquilo. Não queria que sofresse daquela maneira. Eu não quis te machucar. Me perdoe. Eu sei que nunca irá me perdoar, mas eu te amo Natasha. Sei que não irá acreditar nessas minhas palavras tolas. Mas eu te amo. Amo até mais do que a mim mesmo”. – li em voz alta. — Chega! – disse rasgando aquela carta idiota em vários minúsculos pedaços.

Eu coloquei tudo de volta na caixa e quando subia pra guardar de volta no lugar a campainha tocou. Eu coloquei a caixa no degrau da escada e enxuguei meu rosto e ajeitei minha roupa. Empurrei meus sapatos jogados no chão pra baixo do sofá e fui abrir a porta.

Abri a porta e ao ver quem era fechei na mesma hora ficando encostada nela. A campainha tocou novamente. Eu fechei os olhos e respirei fundo. sai de trás da porta ficando de frente pra ela e a abri.

-o que você quer aqui? – falei assim que abri a porta num tom autoritário.

-Será que podemos conversar? — disse ele calmo com uma mão no bolso e na outro segurava uma pasta.

-Pra que? – abaixei o tom.

-Trabalho. – disse amostrando a pasta como se eu já não a tivesse visto.

-Não pode ser uma outra hora?

-Não. Amanhã terei que voltar pra New Jersey bem cedo.

-Ah... – eu olhei pra cima, mas especificamente pro teto, pensando no que dizer, não tinha escolha senão aceitar. – ta. Entra. – e sai do caminho dando-lhe passagem.

-Bonita casa. – disse ele olhando em volta.

-Então, o que tem na pasta? Por onde começamos?

-Esses quadros, da onde são?

-Veio pra assuntos profissionais, não foi Sr. Way? Então vamos trabalhar. – disse bem séria. Ele se virou pra mim e ficou sério também e abriu a pasta.

- bom, onde podemos nos sentar?

-Aqui mesmo na sala, no chão. Podemos usar a mesa de centro. – não queria que ele explorasse o resto da minha casa, não queria lhe dar essas confianças.

-Sabe o que é, eu tenho um problema de coluna sério...

-Ta. Eu vou preparar a mesa lá no escritório que eu tenho pra trabalhos. Peraí. – eu completei antes mesmo que ele continuasse.

Fui pro escritório e comecei arrumar, estava cheio de papeis na mesa espalhados. De repente parei pensando “por que arrumar o lugar pra ele? não é nenhuma visita bem vinda mesmo”. Mas achei melhor estar arrumado pra ele ver que sou alguém organizada e totalmente bem independente. Eu não demorei muito, mas foi o bastante pra o senhor fofoqueiro mexer nas minhas coisas. Eu cheguei na sala e o peguei mexendo na caixa. Eu parei e fiquei observando ele calada, deixei ele continuar o que fazia por um tempo.

-o que está fazendo? – perguntei cruzando os braços. Ele levou um susto com o som da minha voz dando um salto pra trás.

-Ah...me desculpa... – pude perceber o quão sem graça ele estava pela sua expressão no rosto.

-Não era pra mexer nisso.

-Você...você ainda guarda isso? – e me amostrou a foto. Senti um baque enorme. Eu abri a boca ameaçando dizer algo que não consegui dizer.

-Eu já arrumei a mesa. – não queria tocar naquele assunto. Dei as costas e fui pro escritório e fiquei a porta esperando por ele que apareceu logo.

Nosso compromisso ali no escritório foi estritamente profissional. Quase nem nos falamos direito, ou melhor, nós não paramos de falar, mas só sobre trabalho. Enquanto ele escrevia algo eu fiquei o observando. Ele estava bonito como sempre, seu cabelo estava um pouco mais curto do que antes, agora arrepiado, estava mais magro, mais em forma, sua altura era quase a mesma, exceto por alguns centímetros a mais, seus olhos eram fascinantes e sedutores como sempre, sua boca rosada...De repente fui pega por aqueles olhos verdes expressivos. Eu virei meu rosto sem graça e tentei disfarçar.

-é...o que você acha de mudarmos o contexto? Ficaria legal!? – disfarcei pegando uma folha de papel em cima da mesa com minhas anotações e estendendo à ele sem olha-lo.

-É. poderíamos optar por esse caminho também.

Eu o olhei e ele me encarava ainda. Abaixei a cabeça ainda sem graça. Não conseguia encara-lo. Passado aquele constrangimento, voltamos a discutir o trabalho, de repente naquele meio de conversa ele deu um sorriso de meia boca, o mesmo que ele costumava dar quando ficava sem graça e me veio na cabeça uma lembrança de quando ele me pintava e eu lhe fiz um elogio e ele fez aquele mesmo sorriso de agora. Era tão...não, não era. Esquece. Ele continua sendo o mesmo cara que te apunhalou, o mesmo que te fez sofrer durante anos.

7 anos antes...

Segunda-feira, quatro horas da tarde. Fazia três meses naquele dia que estávamos namorando. Realmente aquilo estava ficando sério, pelo menos eu achava isso. Resolvemos comemorar numa exposição de artes que estava tendo no centro da cidade. Minha mãe não sabia, ela não gostava que eu andasse muito com o Gerard, pois tinha medos comuns de qualquer mãe quando sua filha começa a namorar. Então Kate e eu combinávamos toda a vez que eu saia com o Gerard de eu dizer que estava na casa dela. Nesse dia não foi diferente.

O Gerard adorou minha surpresa quando amostrei-lhe as entradas pra tal exposição. Ele realmente amava aquelas coisas de pinturas o que eu não entendia muito, pra mim tudo não passava de rabiscos, mas eu fingia gostar, tudo por ele.

-o que achou daquela ali? – disse apontando pra uma das pinturas. Aquela ali eu entendi, afinal o desenho era claro. Pelo menos era o que eu achava até o Gerard falar um bando de coisas que confundiu totalmente minha cabeça.

Momentos depois fomos pra casa dele e quando chegamos fomos pra varanda. Ficamos no balanço sentados conversando sobre um filme que tinha passado na tv. Ele empolgado se levantou e começou a representar uma das cenas.

-foi assim mesmo. – disse rindo com a atuação dele.

-Eu morri de rir nessa parte. Foi a parte que eu mais gostei do filme.

-Eu só vi até aí mais ou menos, depois minha mãe me mandou dormir. – disse fazendo bico.

-Tadinha dela. – e ele se ajoelhou na minha frente e me beijou. – sabe por que isso? Por que você é um bebê. O meu bebê. – disse entrelaçando seus dedos nos meus.

-Você me pinta?

-Te pintar? Como assim?

-É, um retrato meu, do rosto.

-Agora? – e eu balancei a cabeça positivamente. Minutos depois ele voltou com todo o material. – pronto. Que tal ali fora?

-Ta. – fomos pro quintal e eu me sentei em baixo de uma arvore. Ventava e meus cabelos esvoaçavam no ar.

-Está linda com esse cabelo voando. – e eu ri sem graça. – ok, to quase terminando.

-Nossa! Com essa cara séria, parece até que está pintando uma rainha. – e ele riu de canto.

-E você é. – disse parando de pintar e vindo até mim. Ele me empurrou de leve e eu cai deitada na grama e ele deitou sobre mim me beijando.

-Não vai terminar o quadro? Assim não vai receber seu pagamento?

-Bobinha. – ele desenhou uma flor no meu rosto enquanto eu morria de rir com a sensação da tinta gelada na minha pele, fazia cócegas.

7 anos depois...

Continuamos com o trabalho durante mais duas horas e resolvemos terminar por ali.

-chega por hoje. – disse ele coçando as vistas que pareciam irritadas.

-bom, você quer um café? – me senti tão burra quando lhe fiz aquela pergunta. Por que oferecer café pra um cara que fez tudo aquilo com você? que recaída.

-Eu aceito. – disse ele se levantando e fomos pra cozinha. Enquanto preparava o café começou uma forte chuva. – ih caramba! – disse ele olhando pela janela da cozinha.

-Ta chovendo forte em. – falei observando o temporal que caia do lado de fora. – coloquei o café numa caneca e dei pra ele.

-Obrigado.

-De nada. – nossas mãos se tocaram depois de tanto tempo, senti um calafrio e acabei soltando a caneca que se espatifou no chão. – caramba! – gritei.

-Deixa que eu limpo.

-Não, eu limpo. Deixa. – quando fui pegar um pano ele foi mais rápido e pegou um na pia e limpou enquanto eu catava os cacos. – ta nervosa? – eu o olhei e ele me olhava com uma das sobrancelhas suspensas.

-* eu o olhei com desprezo * não.

-Eu estou. – disse se levantando.

-Não tem motivo pra isso.

-Tenho mais do que você pensa.