Notas iniciais
Bom gente, graças à (insistência da) Lully, eu vou postar mais um capítulo!
O capítulo está curtinho e rápido, mas espero que contente vocês enquanto escrevo o seguinte. Eu to tão sem imaginação ultimamente :(
Espero que gostem do capítulo, bjus!

“Que lindo dia!” Foi a primeira frase que se passou na minha cabeça quando eu acordei, bom, talvez não a primeira frase, mas a segunda após eu resmungar “Já são cinco horas?” quando o meu celular alarmou. Me sentei na cama me sentindo ótima, leve, descansada. Ok, talvez o dia não estivesse tão lindo, lá fora parecia haver um dilúvio, mas por que tudo parecia tão perfeito naquela manhã? No fundo eu já sabia. Fazia tanto tempo que eu não me sentia assim tão bem, na verdade desde que o... Desde que ele havia me iludido no meu aniversário e ter me dado o meu primeiro beijo. Eu ainda me lembro muito bem daquele dia, para meu desgosto. Lembrar dessas coisas não me faz bem, assim como pensar nele. Mas hoje é um novo dia. Eu tenho certeza que em breve nem me lembrarei dele.

Me levantei, arrumei a cama, lavei meus rosto, troquei de roupa e então quando saia do meu quarto levei um susto com a correria da minha mãe e a Kate.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei assustada correndo atrás delas. Elas entraram no quarto da Jessy, onde também era o quarto da minha mãe e antigamente era apenas um quarto cheio de coisas velhas, uma espécie de porão. Só lá dentro reparei que minha mãe carregava um balde em sua mão.

- Pronto. – Disse minha mãe colocando o balde estrategicamente pra que a gota caísse ali dentro.

- É, acho que você precisa chamar alguém pra cuidar dessas infiltrações. – Diz a Kate pra mim. Cruzeis meus braços e olhei pro teto.

- Pois é. Eu vou ver se o pedreiro que reformou o quarto está disponível nessa semana pra vir resolver isso.

A Jessy se esperneava no berço, silenciosa. Eu a peguei no colo e a beijei carinhosamente.Kate me seguiu quando eu me dirigi pro lado de fora do quarto. Minha mãe continuou por lá olhando pro teto, de onde vinha a gota, tentando arrumar um jeito de concertar aquilo. Ela sempre achava que podia com tudo, até mesmo com goteiras.

- E então, não vai me contar o motivo daquela ligação misteriosa de ontem? – Kate começou quando descíamos a escada. – Quem é o cara?

- O nome dele é Jefferson e ele trabalha na cafeteria em frente ao prédio da empresa. – Eu disse animada. Era bom ela ter perguntado sobre isso, pois eu estava absolutamente ansiosa pra contá-la. Ontem quando cheguei do trabalho, doida pra contar as novidades pra Kate, ela já dormia. Maldito dia de revisão. Eu tive que ficar até tarde esperando a impressão da revista pra análise.

- Um atendente de cafeteria? Hum, interessante. – Ela murmurou como se não fosse nada, mas eu pude notar um tom de desdém na voz dela.

– Ele não é um simples atendente. Ele é gerente do estabelecimento. A foto dele está na parede.

- Uau! Como no Mac Donald’ s. – Ela disse num tom divertido.

Eu a olhei pelo canto dos olhos a repreendendo, o que a fez achar graça, mas não havia nada engraçado no que ela estava dizendo. Passamos pelas crianças dela que estavam brincando na sala ignorando o desenho que passava na TV. Joguei beijos pra elas, mas apenas a menina me retribuiu o cumprimento beijando a palma da mão, já o menino continuou brincando com seu carrinho.

- Qual é o problema em sair com um cara que ganhe menos do que eu? – Eu a questionei indo em direção à cozinha.

- Bem menos, você quer dizer. – Ela disse com ênfase. – Não é pelo salário, é só que geralmente o tipo de pessoa que costuma trabalhar em lugares assim, são pessoas numa faixa etária, como eu posso dizer...? Bem mais novo que você.

- Sim, ele é mais novo do que eu, e daí? – Perguntei como se não ligasse pelo fato dele aparentar ter idade pra ser meu filho. OK, talvez ele não tenha idade suficiente pra ser meu filho, mas um sobrinho.

- Mais novo quanto?

- Eu não sei. Eu ainda não perguntei. – Eu respondi fazendo esforço pra segurar a porta da geladeira com o corpo enquanto pegava uma caixa de leite com a Jessy no colo. Kate se intrometeu na minha frente pegando a caixa pra mim. – Obrigada. — Eu agradeci fechando a porta da geladeira com meu quadril, então fui até o armário e tirei uma leiteira de lá.

- Deixa que eu esquente pra você. – Ela se ofereceu pegando a leiteira de mim.

- Obrigada. – Eu suspendi e abracei forte a Jessy, então beijei sua bochecha macia. Me sentei à mesa, colocando-a sentada sobre esta, mas eu a segurava firme na cintura pra que ela não caísse, afinal, ela não sabia se sentar sozinha ainda.

- Tudo bem, então você vai sair com esse cara. – Diz Kate voltando ao assunto.

- Sim. – Eu disse toda contente, eu me sentia uma verdadeira adolescente que tinha acabado de arrumar o primeiro namorado. Se ela já estava me criticando por sair com um cara mais novo, imagina quando souber pra onde. – E nós vamos ao parque.

- “Ao parque”?

- Sim. – Eu concordei voltando a brincar com a Jessy.

- Você deve estar mesmo ficando louca, viu? É a idade. – Ela disse zombando de mim.

- Eu mal posso esperar por esse encontro. Eu adoro parques, se você quer saber. – Eu disse no meu tom infantil. – E já faz tanto tempo que não vou a um. Eu acho que vai ser um ótimo encontro.

- Mas sabe, — Ela começou observando o céu pela janela acima da pia. -, Acho que esse seu plano de ir ao parque hoje não vai dar muito certo não. Já viu o temporal que está lá fora?

- É mesmo. — Eu nem havia me tocado nisso. Os parques não costumam funcionar na chuva, pelo menos não a maioria dos brinquedos. – Droga!

Eu me levantei e estendi a Jessy pra ela.

- Segura ela pra mim, por favor?

- Mas eu estou preparando seu leite. – Ela disse sem ação.

- É rapidinho, vou pegar meu celular.

- Tudo bem. – Ela pegou Jessy no colo e então eu corri pro segundo andar. Me joguei na cama de bruços e passei a mão por debaixo do travesseiro puxando o celular. Pressionei o botão da agenda telefônica e procurei pelo número do Jefferson que ele havia me dado no dia anterior depois de eu dizer que topava sair com ele. Vocês deviam ter visto a cara dele. Ele ficou tão surpreso e parecia tão ansioso quanto eu quando entramos em acordo com o horário que iríamos nos encontrar. Como ele era ruivo, da pele bem branquinha, seu rosto ficou todo vermelho no mesmo instante. Pressionei a tecla pra fazer a ligação, e ele me atendeu no segundo toque.

- Jefferson, oi, é a Natasha. – Eu disse me identificando. Ele pareceu ficar empolgado com a minha ligação, mas então seu tom mudou e ele pareceu um pouco sem jeito antes de desmarcar o nosso compromisso.

Quando voltei pra cozinha, Kate conversava com Jessy que a olhava como se não entendesse nada. Ta, ela realmente não deveria entender, mas, ah, você me entendeu, certo?

- Vixi, que cara é essa, garota? – Ela me perguntou ao ver meu desânimo. Eu literalmente me arrastava até a pia pra pegar o copo com leite que ela havia me preparado.

- O Jefferson não vai mais poder ir hoje. Ele disse que tem outro compromisso pra hoje, que ele havia se esquecido.

- Isso me cheira a toco. – Ela fez uma cara de aflita.

- Não, ele me pediu desculpas, e me explicou que era algo de família. E também, está chovendo, não é? Não ia rolar do mesmo jeito. – Eu tentei justificar. – Nós marcamos pra depois de amanhã, sexta-feira, assim podemos ficar até mais tarde juntos, pois no dia seguinte é sábado e ele não trabalha.

- Até onde você pretende ir?

- Isso é segredo. – Eu disse mostrando a língua. – Mas eu já posso adiantar que já faz muito, muito, muito, muito tempo que eu não sinto o corpo de um homem sobre o meu. – Eu disse empolgada.

- E vai continuar não sentindo. – Ela cantarolou seguida de uma risada.

Ah, ta, ela pode rir a vontade de mim, mas, o Jefferson pode não ter a idade suficiente pra ser considerado um homem, mas ele com certeza têm o corpo de um. Ele tem os ombros tão largos, e por baixo daquela roupa social toda, eu tenho certeza que se esconde um belo par de braços fortes e um abdômen invejável. Eu devo admitir que o Gerard não tinha nada disso.

Ai, meu Deus! Respira! Um, dois, três, por que eu tive que lembrar o nome dele? Estava tão bom sem tocar no nome dele, ignorando o rosto dele toda vez que aparecia na minha mente. Lembre-se do Jefferson, Natasha. É na imagem dele que você deve se focar de agora em diante. Eu sinto que nós dois teremos um futuro juntos. Talvez ele seja um bom pai pra Jessy. Eu não posso me esquecer disso. Antes de me meter em algum relacionamento sério, eu devo pensar na minha filha. Eu preciso encontrar uma pessoa que substitua o lugar do verdadeiro pai dela.

Estava uma tarde entediante. Como eu havia decidido não ir pro trabalho naquele dia depois de fazer planos pra sair com o Jefferson, resolvi ficar em casa, mesmo depois de tudo ter ido pra água abaixo. Assim eu aproveitaria mais tempo pra ficar com a Jessy. Ela estava crescendo tanto, que eu tinha medo de não aproveitar aquela fase. A cada dia mais ela parecia com o pai. Eu a coloquei pra arrotar depois de dá-la de mamar, então a campainha tocou. A Kate tinha saído com as crianças e a minha mãe pra caminhar. Sim, minha mãe estava destinada a fazer todo mundo se mexer, ela estava viciada nesse negócio de “ter uma vida mais saudável”. Felizmente eu tenho a Jessy pra cuidar, então tive uma boa desculpa pra recusar o convite. Tudo bem que caminhar realmente faz bem pra saúde, e eu jurei pra mim mesma que um dia tomaria coragem pra entrar numa academia, mas eu sou sedentária e sempre detestei fazer exercícios físicos, então é um pouco difícil pra começar com essa nova vida. Me levantei do sofá e coloquei a mamadeira da Jessy na estante, então fui até a porta segurando a cabeça dela rente ao meu ombro enquanto dava palmadinhas de leve em suas costas. Quem poderia ser naquela hora? O carteiro? Talvez. Ou seria o pedreiro? Eu havia ligado mais cedo pra ele vir dar uma olhada na goteira.

É, deve ser realmente ele, eu pensava enquanto me dirigia a porta. Nem me importei em olhar no olho de gato já que estava convencida de que fosse o pedreiro, mas quando eu abri a porta levei um grande susto com aquela pessoa que eu juro que não esperava ver tão cedo na minha frente.