Tudo que Vai Volta Ii
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pois é pessoal, a fic está de volta. Ontem tive um pequeno surto de inspiração e consegui escrever dois capítulos. Vou tentar escrever mais pra semana. Tenho bastante idéias, o único problema é digitar mesmo huahuahua
Desculpe-me o atraso!!! Deixem reviews! bjus
Segunda-feira. Acordei bem cedo já que era dia de trabalho. Kate era quem preparava o café na cozinha. Minha mãe não estava ali como sempre costumava estar todas as manhãs para me desejar um ótimo dia de trabalho e me dar um copo de seu próprio café. Depois que ela veio morar comigo eu meio que parei de freqüentar a cafeteria em frente à empresa. Eu sei que no começo a minha intenção era de parar totalmente com café ou qualquer coisa que levasse cafeína, mas eu não resisti nem uma semana. Nada melhor que uma xícara de café no café da manhã. Eu era viciada. Eu me dirigi até Kate e a abracei forte fazendo um sorriso aparecer em seu rosto. Eu queria fazê-la se sentir melhor, no dia anterior ela estava tão tristinha que me dava dó. Eu também não estava lá aquelas coisas, mas já estava acostumada com tanto drama, minha vida sempre foi desse jeito.
- O que foi? – Ela perguntou desconfiada como sempre.
- Nada ué. Eu não posso abraçar minha amiga? – Pergunto indo até a mesa e pegando um pedaço do bolo que minha mãe havia feito no dia anterior.
- Vai pro trabalho agora?
-É. Infelizmente.
- Ainda é por causa do Gerard? – Ela se virou para poder me ver e então eu balancei a cabeça me sentando à mesa. – O que foi que aconteceu atrás daquele palco, Natasha?
Eu não queria mais falar sobre aquilo. Prometi á mim mesma que não tocaria mais no nome do Gerard no meu dia-a-dia, mas resolvi que aquela seria a última vez. Kate precisava saber de toda a história, eu precisava falar aquilo com mais alguém além da minha mãe. Eu gostava dos conselhos da minha mãe, mas Kate sempre teve ótimos conselhos também e eu precisava saber o que fazer com a minha vida, mesmo que minha intuição já me dissesse o caminho a seguir, esquecer o Gerard, deixá-lo sem notícias, sumir do caminho dele e da noiva, ponto final.
- Nós nos beijamos. – Eu comecei sem gagueira ou qualquer tristeza. — E aí a noiva dele apareceu e tivemos uma pequena discussão.
- Aquela era a noiva dele?
- É. Estava em todos os jornais. Não sei como nunca li uma notícia sobre isso. Não é possível, como eu nunca soube de nada? – Me perguntei.
- E como foi que o Gerard agiu enquanto vocês discutiam?
- Ele defendeu ela.
Kate arregalou os olhos surpresa. Eu sabia que ela ia ficar assim, mas ela não sabia que por trás de todo esse rolo também havia a história de uma criança que os dois acabaram de perder. Agora eu posso entendê-lo um pouco, talvez ele só não queria sobrecarregar a noiva ainda mais depois de tanto sofrimento.
- Como ele fez isso depois de te beijar?
- Você não sabe de nada, Kate. Ela estava esperando um filho dele.
- E você brigou com uma mulher grávida? – Ela perguntou assustada.
- Não. Ela estava grávida antes, mas parece que houve uma complicação na gravidez e ela acabou perdendo a criança. – Eu afundei meu rosto em minhas mãos. Eu estava tão cansada com essa história. Ontem passei toda a tarde pensando nisso e quase nem consegui recuperar minha noite não dormida. Toda vez que o Gerard aparecia na minha vida criava-se um problema. Eu já estava decidida, eu tinha que afastá-lo de vez. Eu não queria mais isso pra mim. Ele tinha a mulher dele, que por enquanto ainda não era oficial, mas se tornaria em breve, então seria mais fácil pra ele também esquecer que eu existo.
- Oh, — Kate fez sem saber o que dizer então se aproximou de mim e me abraçou. -, isso deve fazer você ter recordações de...
- Sim. – Eu confirmei, mas procurei não me abalar, continuando firme. O café transbordou da leiteira sujando todo o fogão. Kate correu para apagar o fogo, mas já era tarde.
- Foi minha culpa. – Eu disse me levantando pra pegar um pano.
- Não, tudo bem, deixa comigo. Não tem problema. – Ela pegou o pano da minha mão e o passava no fogão. Agora teria que fazer mais café, mais da metade que tinha na leiteira evaporara. Olhei rapidamente em volta da cozinha me lembrando que minha mãe, que era quem deveria estar ali, não estava.
- Onde está a minha mãe?
- Saiu. Disse que ia ao médico, tinha um exame marcado.
- Ah, ela nem me falou nada sobre isso. – Eu comentei fazendo um desenho de coração na pia com as gotas de água. – Eu vou indo pro trabalho então. – Passei a mão apagando o desenho. Eu resolvi que tomaria o café da manhã perto do trabalho. — Até mais tarde.
- Não vai querer café?
- Eu tenho que ir. – Disse já saindo da cozinha.
- Tchau. Bom serviço. – Gritou Kate quando eu saia.
\"Aquele dia seria uma exceção\", eu pensei quando entrei na cafeteria. O mesmo rapaz de sempre continuava atendendo no balcão. Já fazia tanto tempo que eu não vinha naquele lugar que eu meio que estranhei sua aparência, ele havia crescido alguns centímetros e seu rosto não tinha mais espinha, ele parecia um homem feito e seu cargo já não era de um simples atendente, sua foto estava colada na parede atrás do balcão, e dizia \"Gerente\" logo abaixo. Ele pareceu me reconhecer, mesmo com meus cabelos agora quase negros. Ele sorriu e fez questão de me atender.
- Oi. – Ele sorriu exibindo seus dentes brancos e muito bem alinhados. Ele não usava mais um aparelho de borrachinha verde como antigamente.
- Oi. – Respondi com um sorriso de surpresa por ele ter me reconhecido. Ou será que ele estava apenas querendo ser simpático, pensei logo após.
- O de sempre? – Ele me perguntou apontando na minha direção. É, ele realmente se lembrava de mim. Eu balancei a cabeça em afirmativo. Eu esperava que ele não tivesse se enganado e me confundido com outra pessoa, ou então ter se esquecido do meu pedido.
Ele olhou pra trás e gritou na direção de um casal que preparavam os pedidos, o meu capuchinno. Ele ainda se lembrava. Do jeito que eu gostava.
- Uau. Você ainda lembra? – Eu sei que foi estúpido o que eu disse, mas eu tive que comentar enquanto pegava a carteira de dentro da minha bolsa. Ele apoiou um braço no balcão jogando o peso de seu corpo sob ele e então sorriu pra mim.
- Você esteve sumida.
- Pois é, eu tentei parar o vício, mas não resisti por muito tempo. – Eu disse toda boba por estar sem graça.
- E como estão as coisas, continua trabalhando por aqui?
- Sim. E você parece que foi promovido. – Olhei rapidamente pra foto dele na parede.
- Pois é. Finalmente fui recompensado. – Ele sorriu novamente, mas não do jeito que ele sorria quando mais novo todo bobinho, agora ele parecia sexy. Eu viajei enquanto olhava para os lábios dele. Talvez ele fosse à solução pros meus problemas. Talvez isso fosse a solução pros meus problemas. Eu precisava encontrar alguém pra substituir o Gerard e arrancá-lo de vez dos meus pensamentos. Talvez o Wallace, o Gerente, me fizesse esquecer o Gerard. Ele é mais novo, pensei me repreendendo, mas logo em seguida outro pensamento invadiu a minha mente, ele não deve ser tão mais novo assim, também não sou nenhuma velha, e além do mais, garotos adoram sair com mulheres mais velha e experiente.
- Que bobagem, desde quando sou experiente? – Disse comigo mesma, para minha sorte não disse isso alto, mas ele viu que eu disse alguma coisa já que me encarava e eu estava com cara de boba.
- Não entendi. – Ele disse como se pedisse pra eu repetir, então sorri sem graça e consegui pensar em algo rapidamente.
- Que bom que você conseguiu a promoção. Fico contente por você.
Ele sorriu fazendo um singelo aceno com a cabeça agradecendo. O que eu estava pensando? Flertando com um cara mais novo que eu, o atendente e agora gerente da cafeteria. Eu podia ser presa por pedofilia. Se bem que ele deve ter mais que dezoito anos agora, eu não sei. Que bobagens! Sacudi minha cabeça fingindo ajeitar meu cabelo, mas na verdade a intenção era espantar aqueles pensamentos loucos. Aquilo não foi legal já que pareceu que eu estava tentando ser sexy, pelo menos foi o que eu achei que estaria parecendo.
A menina que fazia os pedidos se aproximou dele estendendo o copo de capuchinno. Então ele o estendeu pra mim.
- Aqui está.
- Obrigada. – Agradeci sem graça e peguei o copo antes de dar meia volta e fugir dali o mais rápido possível. Quando eu estava abrindo a porta pra sair senti um par de mãos segurando meu braço, quando me virei fiquei surpresa ao ver que o dono das mãos fortes era o rapaz que me atendeu, o Wallace. Na verdade eu não estava entendendo o que ele queria me parando daquele jeito, mesmo assim eu não quis ser grosseira, até por que eu não precisava agir desse jeito já que ele sempre foi tão simpático, então eu sorri meio sem jeito olhando pras mão dele que recuaram rapidamente.
- Me desculpe, — Ele disse parecendo sem graça pelo modo como me abordou. -, mas você me deu uma nota de vinte.
Ele me estendeu o troco. Que cabeça a minha! Eu estava tão ansiosa pra sair dali que nem reparei na quantia que tirei da carteira.
- Obrigada, eu ando tão esquecida. – Falei nervosa puxando o dinheiro da mão dele.
- Tudo bem, trabalhar demais nos deixa desse jeito. Você precisa se distrair de vez em quando. – Então ele continuou me olhando como se esperasse uma resposta minha. Só então eu pensei, ele estaria me fazendo um convite? – Você aceitaria sair comigo um dia desses pra fazer alguma coisa divertida?
Eu continuei imóvel como um poste olhando pra ele pateticamente boquiaberta. Eu não sabia nem o que responder. Ele estava dando em cima de mim. O que eu tinha que fazer, dizer não? Eu não podia sair com o gerente da loja que eu visitava constantemente para comprar capuchinno, e além do mais ele era mais novo que eu. Ficaria tão feio pra mim, sair com um garoto, não que eu fosse tão velha, mas eu era dona de uma empresa de revista, tudo bem que a revista era pra adolescente e as pessoas não ligariam, mas eu não podia mesmo assim, com certeza minha mãe nunca aceitaria.
- Bom, me desculpa, — Eu disse comovida por ter que recusar aquele convite, ele parecia ser tão legal. Eu vi o rosto dele se desmanchar quando já sabia que eu iria recusar o convite. -, eu ando muito atrapalhada, cheia de trabalho, problemas em casa, infelizmente não vai dar.
- Ah, tudo bem. – Ele disse cabisbaixo. – Então deixa pra próxima.
- É, quando der eu te aviso. – Então sorri sem graça e me virei pra ir embora sem olhar novamente pra ele e ver sua cara de desapontado.
Eu precisava atravessar logo aquela rua e fugir das vistas dele. Eu estava tão envergonhada. Eu sempre tive pena de recusar um convite de alguém. Eu sei que as intenções dele eram as melhores, mas pense comigo, nunca daria certo. Eu já tenho uma vida complicada demais pra namorar uma criança. Não que ele seja uma criança ainda. Ai, que droga! Meu café já está praticamente frio. Terei que bebê-lo mesmo assim. Com que cara voltarei aqui agora? Olhei para o sinal que estava amarelo e no segundo seguinte ficou vermelho. Eu estava atravessando a rua quando pareci ter um dejavú. Sim, um dejavú! O Gerard estava à minha frente atravessando a rua. Senti como se milhares de borboletas voavam em minha barriga. Isso sempre acontecia. Eu senti minhas pernas começarem a congelarem no lugar, mas eu fui insistente e continuei andando, ele estava tão distraído que nem tinha me notado. Eu esperava que continuasse assim até eu chegar à outra calcada. Abaixei minha cabeça como se houvesse algo interessante no asfalto e continuei andando. Ele passou ao meu lado, eu reconheci seu all-star preto e surrado. Por um tempo olhei pra trás para espiá-lo e o vi entrar na cafeteria. Apressei meus passos pra entrar no prédio da empresa.
O capuchinno já estava totalmente frio quando o elevador abriu no andar da empresa. A Claudia e alguns funcionários me olharam estranho como se estivessem me analisando. Eu acenei com a cabeça e passei direto. Joguei o copo na minha mão na lixeira da minha sala, então coloquei a bolsa sobre a mesa. Ajeitei meu cabelo observando um quadro de avisos pendurado na parede atrás da minha mesa que eu mantinha com alguns post-it com lembretes colados nele.
Ouvi a porta se abrir e quando me virei a Claudia entrava segurando uma folha de oficio. Cruzei os braços continuando no mesmo lugar esperando ela fechar a porta.
- Bom dia, Natasha. – Ela disse estranha sem coragem de me encarar. Eu franzi o cenho e me aproximei dela ainda de braços cruzados. Me agachei levemente até ficar na altura dela, que era menor que eu, e a olhei bem nos olhos. – O que foi senhora, quero dizer, Natasha?
- O que está acontecendo?
- Nada. – Ela disse desviando o olhar.
- Está mentindo. – Eu voltei a minha postura normal e puxei a folha da mão dela. – O que é isso? – Perguntei passando os olhos no que tinha escrito.
- É uma permissão para uma sessão de fotos com a Miley Cyrus, a próxima capa da revista, pra você assinar.
Eu a encarei novamente brevemente, então me dirigi até a mesa pra assinar. Coloquei minha rubrica então a estendi a folha de volta.
- Agora diz o que está acontecendo. – Eu exigi voltando a cruzar os braços.– Anda. – A pressionei.
- É que anda um boato na empresa de que... – Ela vacilou nervosa. – A senhora e o cantor Gerard Way estavam... – Ela deu um pigarro desconfortável. -... Vocês tiveram um caso no dia da festa da empresa. – Ela contornou a frase pra uma coisa menos vulgar. Eu sabia que o que estavam dizendo era muito pior. Agora eu fugia do olhar dela. – Dizem também que a noiva dele pegou vocês dois atrás do palco. – Ela disse baixinho.
Eu abaixei a cabeça envergonhada. Como sabiam tanto de mim? Quem deve ter sido a pessoa fofoqueira que espalhou aquilo? Olhei em direção a ela e fingi-me despreocupada.
- Bobagens. Gerard e eu somos bons amigos. Nós tivemos um relacionamento quando ele trabalhava nessa empresa, você deve lembrar, mas depois disso não tivemos mais nada. – Eu contornei a mesa e me sentei na minha cadeira de executivo.
- Eu só quero que saiba que não fui eu quem disse essas coisas, eu só ouvi por aí. – Ela disse preocupada.
- Eu sei disso. – Eu sabia que não podia esperar uma fofoca dessa vinda da Claudia. Ela era muito fiel a mim. Não que eu precisava da confiança dela pra alguma coisa, mas eu sabia que poderia contar com a pessoa dela sempre.
- Bom, eu vou voltar ao meu trabalho. Com licença. – Ela fez um gesto de despedida com a mão antes de sair da sala.
Eu me recostei em minha cadeira tentando respirar, mas então quando a Claudia abriu a porta eu o vi do lado de fora pronto pra entrar. Era o Gerard. E ele estava ali por minha causa.
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