Notas iniciais
Gentiii eu prometo que vou dar uma atenção especial pra essa fic com direito a NC e tudo *pensamentos depravados*, mas é q no momento eu estou terminando de escrever a outra fic "Nem tudo que dizem é verdade", tá quase no fim e assim q acabar eu melhoro essa fic. Eu já anotei minhas ideias, só falta colocar em prática e digitar.
Espero que não me abandonem buáááá

Quando cheguei em casa, esta estava silenciosa como sempre costumava ficar nessa hora. Geralmente minha mãe me esperava dormindo no sofá quando eu chegava tarde. Mães. Nunca se convencem que não somos mais aquela criancinha. Hoje quando me virei depois de fechar a porta, quem estava no sofá parecendo à minha espera era a Kate. Ela estava sentada e sua filha dormia deitada com a cabeça em suas pernas. Kate estava acordada e me encarava triste. Pude perceber lágrimas em seus olhos quando me aproximei. Fiquei preocupada de que alguma coisa tivesse acontecido enquanto eu fazia papel de boba com o Gerard. Coloquei a revista e o jornal sobre a mesa de centro e me sentei no sofá ao lado do que Kate estava. Será por isso que ela foi embora mais cedo? Jessy me veio na cabeça. Senti uma pontada no peito.

- O que aconteceu?

- Nada. – Ela balançou a cabeça e forçou um sorriso. Então Jessy estava bem. Agora eu só precisava descobrir o que a fazia chorar.

- Por que está chorando? – Então ela começou a chorar ainda mais e tapou o rosto. – Kate, fala.

- Mark e eu estamos nos divorciando. – Ela disse após abaixar as mãos.

- O que? – Eu arregalei os olhos surpresa.

Ela olhou cautelosa para a filha checando se ela ainda dormia.

- Eu disse que vinha só passar alguns dias aqui, mas na verdade o que eu queria era fugir por um tempo daquela casa e das lembranças dele. Ele me pediu o divórcio.

- Mas por quê?

- Ele tem outra. – Então ela voltou a chorar.

- Kate. – Eu choraminguei antes de me levantar e abraçá-la sem acordar a criança. – Por que não me disse antes?

- Eu ia te contar, mas eu estou tão envergonhada.

- Por que está envergonhada? Você não fez nada errado.

- Eu não queria te preocupar com meus problemas, você já tem os seus, e agora faz tão pouco tempo que você se curou.

- Ei, não diga isso. – Eu a repreendi. -, você é minha amiga. Eu não ligo se estou com problemas, eu sempre estarei disponível pra te ajudar. Eu, a minha mãe, você pode contar conosco. – Ela balançou a cabeça espremendo os lábios enquanto chorava. – Agora me conte tudo. Faz bem desabafar.

- Faz duas semanas. – Ela disse se recordando. – Eu tinha acabado de pôr as crianças pra dormir. – Ela passou a mão carinhosamente no cabelo da filha. – O Mark chegou mais uma vez tarde do trabalho. Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa. Ele estava tão estranho. Fazia um tempo que ele só me ignorava, me tratava mal, não me ouvia por nada, — Ela fez uma pausa enxugando o rosto. -, daí nesse dia ele estava diferente, estava triste, e eu perguntei se tinha acontecido alguma coisa no trabalho e ele me mandou me sentar. Naquele momento eu senti que era preferível não ter feito aquela pergunta. Então quando eu me sentei ele me olhou e disse “eu quero o divórcio”. – Ela terminou voltando a chorar.

- Que canalha. – Eu não resisti. Sei que não deveria me meter nesse assunto, mas eu não consegui me segurar.

- Eu perguntei “Por quê? O que está acontecendo?” e então ele me contou sobre a tal da Suzan, a secretária do chefe dele. – Ela disse com desprezo. – Ele dormiu com ela três noites seguidas, Natasha. Enquanto eu cuidava dos filhos dele, ele estava lá fazendo sexo com outra pessoa.

- Eu sinto muito. – Eu disse com a voz entrecortada. E eu pensando que só eu tinha problemas. Kate estava realmente precisando de mim. Estiquei meu braço e peguei na mão dela tentando consolá-la.

Eu não consegui fazê-la ficar melhor. Só quem poderia fazer isso era o marido dela, o canalha que fez tudo aquilo com ela. Eu sabia que ela ainda estava muito abalada, mas ela tentou me garantir que estava melhor e foi com a filha para o quarto, improvisado no meu escritório, dormir. Eu continuei sentada no sofá observando a revista e o jornal sobre a mesa. Ler aquilo valeria a pena? Pra que me martirizar mais? Ele estava em outra, não estava? Mas eu peguei a revista e li a entrevista com ele. Não tinha nada sobre àquela mulher, a tal de Jasmine, só havia coisas sobre a banda. Quando peguei o jornal levei um choque imenso, estava em letras grandes bem na capa onde havia uma foto do Gerard e ela juntos numa premiação “Futura mulher de Gerard Way perde o bebê”. Só quem sabe o que é perder um filho que sabe o quando é tão doloroso. Quando eu li aquilo eu senti remorso pelo que aconteceu atrás daquele palco. Ela tinha acabado de perder uma criança e ainda descobriu que estava sendo traída pelo Gerard comigo, a ex dele. Eu fiquei péssima, tanto por mim quanto por ela. Eu sei que ela estava com o cara que eu amava e também me lembro do que ela me fez, todos os xingamentos, arranhões e puxões de cabelos, mas eu conseguia entendê-la agora. Não que uma traição fosse normal, mas a dor da perda de um filho não tinha nem comparação. Aquela mulher já estava sofrendo demais pra ter que passar por mais decepções. Coloquei o jornal sobre a mesa sem nem continuar a ler. Eu estava péssima. Perdi até o sono. Me levantei e preparei um pouco de café. O relógio da parede da cozinha marcava quatro horas. Eu só não sabia se estava certo. A casa estava bastante silenciosa, todos faziam o que eu deveria estar fazendo também, mas meu cérebro não me deixaria ter um sono tranqüilo. Eu não conseguia parar de pensar na Jasmine. Eu ficava imaginando como ela deve ter levado um baque ao me ver com o Gerard atrás daquele palco. Aquela cena passava repetidamente em minha cabeça. Que droga! Definitivamente eu não dormiria naquele dia. Me levantei e preparei mais café. Eu precisava de mais pra me manter acordada.

Minha mãe entrou na cozinha e deu um pequeno salto ao me ver. Tudo bem que a minha aparência não era das melhores. Eu deveria estar abatida, eu me sentia o bagaço da laranja. Ela ajeitou o casaco em seu corpo, o fechando, pois fazia bastante frio naquela manhã, então se aproximou vagarosamente.

- O que está fazendo acordada essa hora? – Ela virou o rosto para olhar o relógio da cozinha. Eram sete e vinte e cinco naquele momento.

- Eu só não consegui dormir.

- A festa foi longa?

- Eu não sei dizer. Eu saí de lá quando eram uma duas horas da manhã.

- Teve insônia? – Ela perguntou enquanto ia até a cafeteira. – Ué, fez café?

- Tive que beber algo que me deixasse desperta.

Ela ficou silenciosa. Eu sentia que ela estava me encarando naquela hora, só esperando uma explicação.

- O que foi que aconteceu dessa vez?

Eu me virei na cadeira e peguei o jornal sobre a mesa amostrando a capa.

- Naquele dia que o Gerard saiu daqui daquele jeito, provavelmente foi por causa disso. – Eu expliquei. Minha mãe pegou o jornal e leu o título.

- Meu Deus! Você sabia disso?

- Não até agora.

- Coitado.

- Coitada. – Eu disse culpada. – Ontem na festa ela me flagrou com o Gerard.

- Você e o Gerard? – Ela arregalou os olhos. – Juntos?

Eu balancei a cabeça.

- Eu me arrependo tanto. – Eu passo uma mão jogando meu cabelo pra trás. – Se eu soubesse, eu juro que nada disso teria acontecido. Ela deve estar arrasada.

- Você e o Gerard...?

- Nós nos beijamos. – Eu a interrompi. – Na verdade ele tomou a iniciativa, depois eu que tomei a frente, mas isso não importa agora. – Eu digo cansada. – O que importa é que o Gerard acaba de perder outro filho e ele não pode deixar a garota sozinha nesse momento. É como eu gostaria de estar quando aconteceu aquilo com a Nicole. Eu queria ter ele ao meu lado. Seria tão mais fácil.

- Nunca é fácil, Natasha. Superar a dor da perda sempre será difícil. – Minha mãe me disse sentando ao meu lado.

- Você está sabendo da Kate? – Resolvi mudar o assunto antes que eu começasse a chorar sem parar.

- Não, o que houve?

- Ela e o Marcus estão se divorciando.

- Jura? – Minha mãe abriu a boca surpresa. Ouvimos passos no corredor então nos calamos. Minha mãe me olhou como se dissesse que ficaria calada e se levantou indo pra pia da cozinha.

- Bom dia. – A voz da Kate ecoou triste na cozinha.

- Bom dia. – Dissemos minha mãe e eu juntas.

- Tem café pronto, tia? Não dormi nada essa noite.

- Nem eu. – Comentei.

- Eu já vou preparar o café. Senta aí pra esperar. – Minha mãe diz solenemente.

- Eu vou lavar meu rosto e já volto.

Minha mãe e eu balançamos nossas cabeças juntas concordando, então Kate se virou indo pro banheiro.

- Coitada. Duas crianças pra criar sozinha. – Minha mãe comenta chateada.

- Eu vou ver como ela está.

Eu me levanto da cadeira e vou até o corredor de acesso ao banheiro e escritório, que agora temporariamente de quarto para Kate e seus dois filhos. Kate saia do banheiro quando eu parei ao lado da porta.

- Está se sentindo melhor? –Perguntei preocupada. Ela não parecia nada bem. Eu sabia que ela precisava de apoio. Ela estava ao meu lado, mesmo que na maioria das vezes através de um telefonema, quando Gerard se foi.

- Eu não estou muito. Eu não dormi nada nessa noite. A Jessica teve pesadelo, acordou chorando, eu também não parava de pensar no Marcus.

- Eu sei como é isso, mas logo vai passar. – Eu digo passando a mão no braço dela como consolo.

Ela parou silenciosamente enquanto pensava em alguma coisa. Depois sorriu de um jeito irônico.

- Não é engraçado? Ontem eu dizia o mesmo pra você e só agora consigo entender o quanto é doloroso o jeito que soa nos nossos ouvidos essa frase.

- Você estava certa, Kate. Não importa o quanto doa, temos que continuar. Viver desse jeito esperando os dias passarem, na esperança de que tudo volte só é um atraso de vida. Eu estou disposta a desistir do Gerard a partir de hoje.

- Que estranho te ouvir dizer isso. Ontem você pareciam estar bem, quero dizer, pareceu que estavam aos beijos quando eu cheguei atrás do palco.

- E realmente estávamos. – Eu disse triste relembrando mais uma vez tudo aquilo. – A noiva dele apareceu lá também e nos flagrou juntos. Não estávamos nos beijando, mas ela se ligou que estava rolando alguma coisa. Ela não é boba. O pior foi que depois de tudo eu descobri que o Gerard e ela iam ter um filho, mas ela perdeu o bebê na semana passada.

- Nossa!

- Eu sei. Horrível. – Eu passei a mão no rosto cansada. Eu estava morrendo de sono. Era hora de finalmente dormir. – Mas eu não quero falar mais nisso. Pelo menos não agora. Eu vou tentar dormir um pouco. Estou morrendo de sono.

- Vai sim. Qualquer coisa eu cuida da Jessica.

- Obrigada. – Peguei na mão dela agradecida e me virei em direção a sala.

Quando me deitei minha cabeça afundou no travesseiro pesadamente. A cama estava incrivelmente convidativa naquela manhã. Me virei de lado e olhei a parede à minha frente. Eu não estava olhando a parede especificamente, na verdade eu estava perdida em meio aos pensamentos, idéias de esquecer o cara que eu sempre amei. Como eu lutaria contra um amor de quase dez anos? Eu ainda não sabia, mas eu tinha certeza de uma coisa, eu ia tentar com todas as forças. Meus olhos finalmente começaram a se fechar involuntariamente, então, enfim, peguei no sono.