Tudo o Que Se Sente

18 Capítulo 18 - Juntos?


Notas iniciais
Gente, tentei postar essa capítulo umas 5 vezes e não foi, então me desculpem a demora. Espero que gosteem ❤

Acordo sendo sufocada. É como se tivesse uma mão invisível apertando meu pescoço, impedindo o ar até meus pulmões. As lágrimas grossas descem molhando minha face enquanto eu começo a arranhar desesperada minha garganta, implorando mentalmente para voltar a respirar.

— Louise? – escuto a voz rouca de Christopher chamar ao meu lado sonolento. Me sinto começar a ficar tonta sem o oxigênio e me desespero mais ainda. – Louise!? – sua voz sai desesperada enquanto ele percebe minha falta de ar. Engatinha na cama até parar na minha frente e me segura pelos ombros. – se acalma – manda mas não consigo obedecer, enquanto o ar me falta e me debato tentando me afastar do seu toque. – não Lou – me segura mais firme – você precisa se acalmar, por favor – escuto o desespero em sua voz e me forço a ficar quieta – olha pra mim, tem que respirar de vagar – ele leva minha mão ao seu coração e respira fundo e lentamente, e faço o mesmo, sentindo pouco a pouco o ar entrar até meus pulmões.

Quando consigo respirar normalmente, sinto o peso da vergonha cair sobre mim de forma esmagadora. Tanto tempo que algo assim não acontece e tinha que acontecer justo quando Christopher está aqui? Lágrimas silenciosas descem por meu rosto enquanto me afasto das mãos de Christopher e me deito encolhida no meu canto da cama.

Ele continua sentado e sinto seus olhos em mim. Provavelmente se perguntando que porra foi essa. A cama cede lentamente sobre seu corpo quando ele deita e me puxa para si, encaixando sua cabeça entre a curva do ombro e cabeça.

— Quer me contar o que houve? – pergunta em um sussurro calmo. Nego com a cabeça e o sinto respirar fundo. Sei que ele deve estar morrendo pra saber o que foi tudo isso, mas também o conheço bem para saber que ele não vai me forçar a falar sobre algo que eu não esteja confortável.

Como uma noite tão boa virou tudo isso? Depois de uma quase declaração de afeto e eu ter o agarrado para minha cama e ter sido completamente satisfeita sexualmente (e emocionalmente por que a saudade estava difícil), eu tenho essa crise que parece esmagar a noite boa que tivemos.

Olho o relógio e vejo ser quase cinco da manhã somente. Ainda teremos um dia de trabalho e eu simplesmente não me sinto em condições.

— Você está bem? – meu chefe pergunta enquanto alisa a pele do meu braço. Fico quieta uns instantes e assinto com a cabeça – não gosto quando tenta esconder o que sente Louise – me encolho com o tom de repreenda em sua voz. O que ele quer que eu responda?

— Vou ficar bem – murmuro com a voz rouca, encarando a parede. O terror de não poder respirar, vivo em minha mente, e sinto o medo disso acontecer novamente. Me viro para ele e o encaro. Seus fios loiros estão completamente bagunçados e os olhos azuis, tão escuros quanto a noite. Levo minha mão até seu rosto e o caricio de leve, em um carinho calmo e ele fecha os olhos se aconchegando em minha mão. – Desculpa ter assustado você – murmuro e vejo ele abrir os olhos de novo me analisando.

— Eu pensei que ia perder você – ele sorri sem humor e sinto meu coração se aquecer por algum motivo desconhecido.

— Não vai – nego – onde você encontraria outra secretaria tão eficiente? – tento brincar mas vejo ele fechar mais a cara e fico seria também. – Não estou indo a lugar nenhum Chris – Firmo meus olhos no seu e ele concorda me puxando para um abraço.

Ficamos assim por um tempo até Christopher ficar com a respiração leve e voltar a cair na inconsciência. Não consigo tentar me forçar a dormir. Sinto medo. Fico admirando a expressão calma do meu chefe e sentindo meu coração bater forte, bobamente.

“Eu vou me machucar novamente” é o que se repete em minha cabeça, várias e várias vezes, mas respondo para mim mesma que só não posso deixar ele se infiltrar em meu coração, mesmo tendo uma vozinha em minha mente, alertando que talvez já fosse tarde demais.

Me desfaço do seu agarre e rumo em direção ao banheiro decidida a tomar um banho e começar a arrumar as coisas para o dia que está nascendo. Fico quase meia hora debaixo do chuveiro, tentando controlar a torrente de pensamentos e quando saio, vou em direção a cozinha disposta a fazer um bom café da manhã para Christopher.

Faço tudo com calma e quando são 07:20, ando em direção ao quarto e o observo uns instantes com do de acordar ele. Subo sobre seu corpo, colocando uma perna de cada lado dele e encho seu rosto de beijinhos. Ele começa a despertar e vejo um sorriso se abrir lentamente em seu rosto e logo depois seus olhos se abrem fixando em minha face.

— Bom dia – murmuro o encarando e ele me joga de lado me pegando desprevenida e coloca seu corpo sobre o meu e me dá um selinho.

— Agora sim – murmura – Bom dia – sorrio para ele. Mesmo sem eu poder me ver, sei que meus olhos brilham tão intensamente quanto o seu.

— Vamos – falo o empurrando e me levanto – fiz café da manhã pra gente – me afasto indo em direção a cozinha, e sei que ele me segue. Christopher me encara surpreso quando vê a mesa com suco, bolo, frutas e café. Vejo sua expressão surpresa dar lugar a uma expressão preocupada – você não gostou? – Franzo o cenho sem entender.

— Não é isso – murmura – eu adorei, é só que..quando você fez isso? – pergunta e fico vermelha.

— Eu não consegui voltar a dormir – murmuro sem olhar para ele – ai resolvi tomar banho e fazer alguma coisa pra gente comer antes de irmos trabalhar – me viro de costas para ele, fingindo mexer em alguma coisa sobre o balcão. Seu corpo cola ao meu e ele deposita em beijo em meu pescoço.

— Podia ter me acordado – murmura e eu nego – eu adorei, obrigada – me vira e beija minha testa de uma forma tão carinhosa que eu me emociono. Meu coração é traidor. Sorrio para ele e o puxo para a mesa.

Começo a comer e meu chefe faz o mesmo. Escuto meu celular tocar e me levanto o procurando. Quando o acho, volto para a cozinha e me sento, vendo a chamada perdida da minha mãe. Retorno a ligação e espero ela atender.

— É a minha mãe – murmuro – fica quieto Christopher – foi um olhar de aviso para ele e ele sorri travesso – Bom dia mãezinha – cumprimento assim que ela atende.

— Bom dia Lou – responde animada e meu coração se aquece – tudo bem com você filha? – sinto os olhos de Christopher em mim e o olho enquanto ele come e me encara.

— Estou ótima mãe – respondo com sinceridade e escuto ela rir.

— Pelo jeito sim – murmura – você estava tão desanimada essa semana, da pra ver a diferença – sinto meu rosto corar e encaro meu chefe que parece curioso e arqueia a sobrancelha. Vejo seus lábios soltando palavras sem som. Franzo o cenho sem entender, nunca fui boa com leitura labial.

— Que? – falo alto para Christopher sem entender.

— Que o que Lou? – minha mãe ri e rio junto tentando disfarçar. Christopher repete novamente e a única coisa que entendo é “voz”.

— Nada mãe – falo e compreendo o que meu chefe quer e coloco no viva voz – só não tinha entendido uma matéria na televisão – invento qualquer coisa e vejo o sorriso de Christopher.

— Você está muito dispersa ultimamente – sinto o tom zombeteiro em sua voz. – a causa disso tem nome? – me sinto ficar pálida e Christopher me encara surpreso. Fico quieta sem saber o que responder – você sabe que quem cala, consente né Lou?

— Para mãe – bufo – não tem ninguém – encaro meu chefe que me olha com a sobrancelha arqueada e uma expressão desacreditada. Ele revira os olhos e se aproxima de mim e eu me afasto temendo o que ele quer.

— Pois se não tem, deveria ter – murmura – nem todos são como o..

— Mãe! – interrompo ficando nervosa – não tem nada a ver uma coisa com a outra – sinto o toque de Christopher em meu braço e me afasto sem querer olhar pra ele agora.

— Certo – murmura – desculpa Lou, não quis te chatear – escuto o arrependimento em sua voz e sinto meu coração se afundar um pouco. Por que ela tinha que tocar nisso?

— Tudo bem mãe – passo uma falsa felicidade para minha voz – como estão as coisas por aí? – me sento novamente na cadeira e fico brincando com a comida.

— Estão bem – ela responde com a voz cautelosa – tenho várias novidade pra te contar, mas tem que ser pessoalmente – fica animada e eu rio – posso te esperar esse final de semana? – penso um pouco – Por favor Lou, faz tempo que você não vem, tô com saudade.

— Tá bom mãe – concordo – me espere esse final de semana, estou morrendo de saudades suas – aproveito pra descobrir o que ela está me escondendo.

— Que boom meu amor – sua animação é enorme e ela desata a falar fazendo um monte de planos para o final de semana e eu só conseguia rir da sua euforia.

— Mãe – interrompo ela e ela se cala – tenho que desligar, tenho que me arrumar pro trabalho ainda – falo vendo a hora. Nos despedimos e eu desligo o celular.

Me viro e me assusto ao ver Christopher escorado no balcão. Eu tinha esquecido por alguns instantes da presença dele ali. Seus olhos estão grudados em mim e os braços cruzados sobre o peito. Vejo em seus olhos que ele tem coisas para perguntar e fico tensa.

Ele descruza os braços e se aproxima de mim. Toca meu rosto com as pontas dos dedos e desliza seu lábios levemente sobre os meus e eu fecho os olhos apreciando.

— Estou tentando não forçar a barra Louise – respiro fundo ouvindo sua voz falar rouca sobre minha boca – mas você sabe que tenho perguntas – tento me afastar mas ele me segura pelo braço me mantendo próximo a ele. – nem todos são iguais a quem Louise? – encaro seus olhos azuis e endureço minha expressão.

— Christopher – minha voz sai fria – não vai querer trazer o passado para o presente – minha voz sai em um aviso.

Flashes aparecem em minha mente. Vejo borrados e luzes piscando, recordo do cheiro de bebida, do cheiro de cigarro, da música alta, da mão por meu corpo enquanto tudo parecia um sonho, me lembro da humilhação e da decepção de alguém que eu confiava é tinha entregado meu coração.

Respiro fundo ficando aflita e me afasto do toque das mãos de Christopher.

— Precisamos nos arrumar para o trabalho – falo tentando voltar ao normal. Encaro Christopher que me analisa. Ele passa as mãos entre os cabelos e respira fundo, depois concorda com a cabeça e me segue para o quarto.

Ele pega uma roupa em sua mala e anda em direção ao banheiro fora do quarto. Vejo a diferença em sua postura comigo e me recrimino internamente. O jeito cauteloso e distante que ele está agindo, é simplesmente culpa minha.

Pego em meu guarda roupa uma vestido e uma lingerie e entro no banheiro, tentando fazer com que meus pensamentos desacelerem. Tudo com Christopher é sempre muito intenso. Não entendo o por que de sempre que estamos bem, acontecer alguma coisa que nos distância um do outro.

Claro que reconheço minha culpa. Às vezes eu penso que eu mesmo me saboto. Talvez medo da felicidade. Foram tão raras as vezes que fui plenamente feliz sem algo muito ruim acontecer, que eu me mantenho longe da felicidade, propositalmente.

Quando saio do banheiro já vestida, Christopher está sentado em minha cama. Passo por ele e penteio meus cabelos molhados. Passo uma maquiagem rápida e calço meus saltos. Me encaro no espelho e gosto de como o vestido azul céu da contraste com minha pele clara e marca minhas curvas nos lugares certos.

— Você está Linda – meu chefe fala sentado em minha cama. Sorrio para ele e ando em sua direção. Não vou me sabotar dessa vez.

— Você não está nada mal – encaro o terno azul escuro que ele usa e a gravata preta. Os cabelos estão impecavelmente arrumados e a expressão séria.

— Louise? – chama e eu paro em sua frente. Ele segura em meu rosto de forma carinhosa e gruda nossas bocas em um beijo calmo. Quando nos afastamos seus olhos me prendem de forma intensa e eu sinto o frio na barriga – você está comigo? – pergunta me analisando.

Meu coração acelera e não sei o que responder. Estou com ele em qual sentido? Sinto medo de saber e respiro fundo sentindo minhas mãos tremerem. Eu estou com ele? Mas e ele, está comigo? Penso em tudo que vivemos e sei qual é minha resposta.

— Eu estou com você.

Notas finais
Eai pessoinhas? Gostaram?? Espero que siim, entaoo, comentem, favoritem e recomendem ❤ até o proximoo ❤
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.