Tudo estava bem...
7 Capítulo 7
Notas iniciais
E para a imensa alegria do garoto, durante o jantar de Halloween, Quirrell entrou gritando desesperado no salão principal.
Havia um trasgo andando pelos corredores.
Enquanto todos entravam em pânico, Harry olhou para Fred e George, que retirbuiram o olhar, com um satisfeito sorriso. Eles esperaram a multidão sair e dispersar pelos corredores, cada um indo em direção ao respectivo salão comunal. Então se afastaram e sairam correndo em direção ao banheiro das meninas, onde Harry sabia que encontraria o trasgo.
Ron e Hermione não iriam deixar Harry sozinho, e seguiram os três.
"Por que estamos fazendo isso?". Perguntou Ron enquanto corria. "Podemos morrer!".
Todos os cinco pararam na entrada do banheiro. Estavam diante de um trasgo enraivecido e claramente perdido, como um peixe fora d'água.
"Pessoal!". Gritou Harry enquanto a criatura se posicionava para atacar. "Quando eu contar três, todos nos vamos lançar feitiços estuporantes no Trasgo, enquanto isso, Ron vai fazer a clave dele levitar, até cair na cabeça dele! Entendidos? 1... 2..."
Nenhum deles questionou, ou disse mas. No 3, todos lançaram seus feitiços, e como previsto, o trasgo não foi páreo para tantos feitiços simultâneos, somados ao impacto da própria arma.
O monstro caiu desmaiado no chão do banheiro, após fazer um belo estrago, e nisso chegaram os professores, atonitos.
"Eu quero que vocês me expliquem...". Começou Minerva, furiosa.
"Professor Quirrell... O sr. está bem...?". Hermione parecia horrorizada.
A face do professor, mais precisamente sua testa, começou a sangrar e a soltar fumaça, como se estivesse sendo marcado com um ferro quente. O homem se contraiu de dor, enquanto Minerva, Dumbledore e Snape, cuja calça estava rasgada e a perna sangrando, não entendiam o que se passava.
Então, na forma de um corte muito feio, os dizerem "duas caras" apareceram em seu rosto.
Ninguém entendeu o que aquilo queria dizer, mas Ron e Hermione se entreolharam. Harry devia a eles algumas explicações.
No final da história, eles levaram uma advertência, mas nada grave. Minerva parecia felicissima de encontrar os garotos vivos, e orgulhosa por terem conseguido vencer o trasgo.
De volta ao salão comunal, os garotos esperaram Fred e George subirem para o dormitório, após agradecerem milhões de vezes a Harry por ter proporcionado a eles aquele momento.
Então demandaram explicações.
"Harry. O que você fez?"
"Lancei uma maldição na fechadura daquela porta..."
"Harry, o que você fez é magia negra. Artes das trevas. Não é algo bom". Hermione interrompeu. "Aquilo vai sair do rosto dele? E se outra pessoa tivesse tocado na fechadura? Você enlouqueceu?"
"Só apareceriam os dizeres se Quirrell fosse a pessoa. Se snape encostasse primeiro, não ia acontecer nada. Porque Snape não quer o que está guardado ali. E não, não vai sair. É uma punição por ele ser um merda."
"Hermione, Harry tem razão. Ele já tinha dito antes que Quirrell tentou roubar o Gringotes, e estava certo de que Quirrell tentaria entrar naquela sala. Harry, eu questiono seus métodos, mas estou começando a acreditar que ele é um cara ruim".
"Harry, esse tipo de magia não é permitida. É magia para machucar as pessoas."
Mal sabia ela que Harry se inspirou nela própria, quando a garota marcou a amiga de Cho Chang, que denunciou a Armada de Dumbledore para Umbridge.
"E afinal, porque duas caras?". Ron perguntou.
"Porque". Harry abaixou a voz. "Quirrell tem duas caras".
Os garotos riram e Ron empurrou Harry, como quem diz "seu bobo". Harry ficou aborrecido com a inocência dos dois. Mas fazia sentido, naquela idade seria difícil entender as artes das trevas e a maldade, e ele se recordava que naquela época, da vez passada, tinham certeza absoluta que Snape era o vilão da história.
Hermione continuou incomodada com a crueldade de Harry, mas começou a acreditar que talvez ele estivesse certo.
Em pouco tempo começou a temporada de Quadribol na escola, e Harry estava ansioso para sua estréia como apanhador.
O primeiro jogo seria contra a Sonserina, e como praxe, seria cheio de violências, sabotagens, trapaças, etc. Ele estava confiante. O apanhador da Sonserina era uma bela batata.
Antes de ir para o vestiário, Harry chamou Ron e Hernione e disse a ambos:
"Quirrell vai tentar me derrubar da Vassoura como vingança. Eu sei que vai porque ele é mau e sabe que foi eu. Se minha vassoura ficar desgovernada, tentem dar um jeito de confundi-lo, para que ele não consiga, tabom?"
Os garotos se entreolharam. Era um amigo muito estranho esse que eles arranjaram.
O apito de Madame Hooch soou e todos levantaram voo. Era o segundo primeiro jogo de Harry em Hogwarts.
Como Harry se lembrava, o jogo estava sendo extremamente violento. Marcos Flinch era um capitão bem mais agressivo que Olivio Wood, e estava ficando revoltado com a vantagem que a Grifinória botava em seu time, já que Wood era um ótimo goleiro, e o deles já nem tanto.
Enquanto sobrevoava o campo em busca do pomo, Flinch se aproximou após fazer um gol — num aro vazio, já que Wood havia sido atingido propositalmente e não estava mais ali — e disse algo que deixou Harry extremamente desconfortável:
"Esse aqui foi em homenagem à sua amiguinha sangue ruim, Potter. Ouch, se você soubesse o quanto eu me amarro nessa sabe tudo..."
Harry ficou vermelho de raiva, e gitou com ele, mas o garoto já estava longe. Ela era só uma criança! Ok, Flinch também era. Mas aquilo deixou ele transtornado. Flinch era o oposto de qualquer coisa tolerável para Hermione, era mal e perseguiu trouxas após adulto, e Harry botara ele para passar alguns anos em Azkaban.
Naquele instante, sua vassoura deu um tranco, e naquele instante, ele perdeu o controle dela.
Há alguns metros de distância, Hermione, que não desgrudava o binóculo do amigo, percebeu o que acontecia, e junto com Ron, sairam correndo em direção à arquibancada da Sonserina.
Enquanto corriam, a menina pensava no que poderia fazer para interromper Quirrell. Então Ron teve uma idéia.
A torcida vibrava, preocupada com Harry e animada com o jogo, e não percebeu quando Ron apontou para o turbante do professor, e murmurou "wingardium leviosa".
O turbante começou a deslizar para cima da cabeça de Quirrell, o que fez com que ele imediatamente se desconcentrasse e tentasse segurar o que cobria o rosto de Voldemort. Em sua testa ainda estavam os dizeres "duas caras" em carne viva.
No mesmo instante, Harry retomou o controle da vassoura, e o jogo continuou normalmente, até que o garoto pegou o pomo... Com a boca.
Ele fez questão de pegar no pomo com a barra da luva que protegia seus pulsos, e empurrar para sua boca, para que a bolinha dourada primeiro entrasse em contato com seus lábios. Tinha uma razão para isso, e se tudo se repetisse, ele precisava ter certeza de que daria certo.
A torcida da Grifinória vibrou.
A partir daquele dia, Hermione começou a acreditar totalmente no amigo, e a se perguntar como ele sabia tanta coisa.
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