Tudo estava bem...

22 Capítulo 22 - 2o ano.


Notas iniciais
Mais um capítulo. Me contem o que estão achando!

Harry tinha um grande problema. Estava com o diário, mas não fazia a menor ideia de como fazer com que Riddle saísse dele.

Para isso, precisaria que uma alma estivesse muito fraca, quase morrendo. Não poderia se voluntariar, e nem sugerir que qualquer outra pessoa o fizesse.

Pelo menos não teriam mais ataques.

Alguns poucos dias se passaram, e vez ou outra Harry escrevia algo no diário, coisas bobas, como anotações pessoais e lembretes. As vezes comentava como a escola parecia mais segura e que ele sentia que não ocorreriam novos ataques.

Até que um belo dia, Riddle mencionou Gina.

E então Harry entendeu que Voldemort também estava procurando um meio de sair do diário, e sabia que não seria por meio do garoto, que não compartilhava nem um milímetro de sua alma com aquelas páginas estranhamente imaculadas de um diário tão velho.

Riddle foi sorrateiro, disse que o diário pertencia à Gina, e que ela falava muito sobre o garoto para ele. Que talvez ele devesse devolver o objeto à sua verdadeira dona.

Harry disse o faria depois, quando a encontrasse de novo, mas não o fez.

Ginny estava bem. Corada, bonita, se sentindo super forte por ter nocauteado Draco na frente da escola toda. As vezes ela até mesmo falava com Harry, e perguntava coisa ou outra.

Ela continuava machucada, mas parecia que aos poucos ia superando o trauma.

Até que um dia, Gina esperou Harry sair do treino de Quadribol e perguntou, muito séria, se poderiam conversar a sós.

Fred e George lançaram um olhar furtivo para Harry, e seguiram seus caminhos. Harry esperou o restante dos jogadores se dissipar, e sentou-se num banco para ouvir a amiga. Murmurou um feitiço simples para que não fossem ouvidos, assim quem passasse por ali escutaria apenas sussuros.

— O que houve, Ginny?

— Harry, eu andei pensando em tudo o que aconteceu... Eu sei que você está com algum problema, porque te vejo sempre murmurando coisas para si, e saindo tarde da biblioteca... E eu não sou burra, eu sei que tem a ver com Riddle e o diário, porque você ainda não conseguiu resolver... Eu queria que você me contasse o que é, porque eu queria ajudar.

—Ginny, isso é muito perigoso, você sabe que Riddle é Voldmor...

—Eu não quero nem saber se é Voldemort ou qualquer outra pessoa, Harry. Ele me fez muito mal, assim como ainda faz muito mal pra você. Me deixa te ajudar, eu sei que você tem um clube secreto de duelos com meus irmãos e Hermione. Até o Neville está nesse clube!

—Ginny... — Harry pensou um pouco. — é claro que você pode participar do nosso clube de duelos. Mas só se você prometer que vai nocautear Malfoy sempre que tiver a chance.

Ela riu.

— Não é nada formal, você sabe, não é? Saímos algumas tardes livres para uma sala secreta de Hogwarts, e treinamos alguns feitiços. Dumbledore sabe, é claro.

— E com o diário, Harry?

Dumbledore se aproximou dos garotos, sorridente.

—Vejo que do caos surgiu uma estrela, srta. Weasley? A srta. me parece radiante.

Ginny corou, mas se recompôs rápido.

—Eu quero ajudar a se livrar de Riddle. Eu quero fazer alguma coisa, professor. Talvez isso me alivie da culpa que sinto por ter feito o que fiz.

Dumbledore sugeriu que fossem até sua sala, e lá ofereceu bolinhos açucarados para todos.

Folks, a linda fênix de Dumbledore ainda estava em fase de crescimento, mas já estava belíssima, e Ginny ficou encantada com o pássaro. Nunca havia visto nada tão vermelho e vibrante, tirando, talvez, seu próprio cabelo.

Se aproximou com medo, mas logo foi incentivada a não se assustar, o pássaro não lhe causaria mal algum. Afagou a cabeça da ave, que pareceu gostar da menina.

Dumbledore explicou que as fênix eram imortais. Que quando chegada a hora, se desfaziam em cinzas para renascer em seguida, num interminável ciclo de começo e fim.

Gina gostou da história.

Os garotos se sentaram, e Dumbledore, para surpresa de Harry, foi extremamente sincero quanto ao problema que enfrentavam.

—Tudo nos leva a crer que Riddle buscava em você um hospedeiro, para que assim como um verme parasita que se alimenta de outro ser, pudesse sobreviver e viver.

—Riddle queria me matar?

— Sim.

Ginny parecia vermelha, mas não de choro, e sim de raiva.

Houve uma pausa.

— E ele quase conseguiu. E eu não percebi.

—Por meio do diário, Riddle enfraqueceu sua alma, e isso fez a dele mais forte, você sabe disso. O que nos leva ao nosso problema atual. Para Riddle sair do diário, ele precisa estar forte.

— E sem a minha alma, isso não vai acontecer — complementou a garota.

Houve um novo silêncio.

Harry começou a ficar incomodado com o rumo daquela conversa.

— E se eu continuar a escrever no diário?

— Não. — Cortou Harry.

— Por quê não? Você pode estar junto! Talvez eu nem precise falar a verdade, basta escrever coisas que pareçam reais, não?

Dumbledore estava pensativo. Uma alma enfraquecida talvez fosse sentida de uma forma diferente pelo diário... Mas as horcruxes naturalmente provocavam um sentimento ruim nas pessoas que estivessem com a sua posse.

— Srta. Weasley, talvez funcionasse, mas exigiria um sacrifício muito grande, e jamais me atreveria a sugerir que fizesse algo assim.

— Se essa for a única saída... E eu não vou estar sozinha. Eu não vou conseguir aguentar a minha própria cabeça se eu não fizer alguma coisa pra ajudar...

— Ginny, isso envolve enfraquecer a sua alma a tal ponto, que você vai ficar por um fio entre a vida e a morte, você não entende isso? — Harry estava bravo.

— Harry, você não sabe o que está sendo pra mim lidar com isso tudo! — ela gritou — você não entende que todos os dias eu penso no que eu fiz? No que eu quase deixei acontecer? Eu vejo minha família e eu sinto vergonha. Eu entro no nosso salão comunal todos os dias depois da aula e penso em como eu não mereço estar ali.

— Isso é bobagem, Ginny, é claro que você merece! Você protegeu seus amigos da forma que pôde! — Harry disse desesperado, quando a menina começou a chorar.

— Você não entende? Eu não posso conversar sobre isso com ninguém ali, mas ao mesmo tempo lidar com isso sozinha está me deixando doida. Eu penso em como resolver o que fiz o tempo inteiro. "Deixar passar" não funciona pra mim. Harry, eu prefiro morrer do que me sentir covarde.

Sirius tinha dito praticamente a mesma coisa.

Eles tentariam fazer com que Riddle esquecesse dos ataques com o Basilisco, e focasse exclusivamente em Harry.

Porque Gina até poderia ser doida a ponto de querer se sacrificar, mas eles não poderiam comprometer os outros alunos desavisados.

Tentaram fazer como uma continuação das conversas da garota com o diário. Como se ela voltasse de onde havia parado, contando suas agora falsas preocupações, e principalmente, falando sobre como fizera amizade com Harry, seu príncipe encantado, após ele lhe devolver seu diário perdido.

Durante algumas semanas, Riddle pareceu acreditar nas conversas, e por algumas ocasiões, Harry se sentia cansado, e percebia que Ginny também estava cansada. Um cansaço doente, nem um pouco natural.

Harry perguntava o tempo inteiro se Gina não queria parar, e desistir daquele plano, mas ela estava obstinada. Ele, por sua vez, achava que era um plano inútil.

Enquanto isso, ela e os garotos estavam se divertindo com o clube de duelos de Harry.

As vezes, até mesmo sem Harry eles se reuniam na sala precisa para treinar feitiços que tinham aprendido nas aulas, ou lido em algum lugar.

Depois de algumas outras semanas, Gina jogou a toalha, e admitiu que aquilo ali não iria funcionar. Era como se Riddle fosse um verme muito fraquinho tentando sobreviver em um corpo extremamente saudável e medicado.

Porque ela estava muito feliz.

Os ataques tinham parado, Harry estava sempre com ela, ela tinha vários amigos, era cada vez mais respeitada por seus irmãos quando lançava um bom feitiço, suas notas estavam boas e ela conseguia dormir.

Só estava preocupada com Harry, que continuava esquisito e encucado com o que fariam em seguida.

Notas finais
Espero que tenham gostado:)