Tudo estava bem...
18 Capítulo 18 - 2o ano.
Notas iniciais
Harry ia voltando em silêncio para o dormitório, crente de que quando chegasse, todos já estariam dormido. Falaria com os amigos no dia seguinte, e contaria da conversa com Dumbledore...
—Harry! — exclamou Ron.
—Estavamos te esperando, achamos que você tinha sido expulso. — Disse Neville.
Hermione transparecia preocupação, mas suspirou aliviada quando Harry se sentou junto a eles. Não havia mais ninguém no salão.
—Petrificada. A gata do Filch foi petrificada, e nenhum aluno poderia fazer algo assim. Isso é magia avançadissima, ou obra de um monstro. Dumbledore sabe que não fui eu... Eu contei pra ele tudo o que aconteceu. Que estávamos na festa do Nick, e que quando estávamos indo para o banquete, eu ouvi aquela voz e...
— Voz? Que voz, Harry? — Perguntou Hermione curiosa.
— Eu não comentei? É, eu ouvi. Foi uma voz gelada, cortante, parecia vir das paredes. Ela dizia que queria matar. Vocês não ouviram nada? — Harry se fez de sonso. Ele sabia que os amigos não podiam ouvir.
— Nadinha, Harry.
— O que sabemos é o que a lenda diz. — começou Harry. — Salazar Slytherin, fundador da casa Sonserina, achava que os nascidos trouxa não poderiam aprender magia, achava que eles eram indignos. Então os outros fundadores expulsaram ele de Hogwarts, mas antes de ir embora, em segredo, ele decidiu fundar a câmara e criar ali dentro um monstro horrível, que apenas ele poderia controlar. Ele e seu herdeiro. O monstro expurgaria a escola de todos os que, na visão dele, não deveriam estar aqui.
—Expurgar... Você diz...?
—Matar, Hermione. O monstro ataca os nascidos trouxa, e se o ataque for feito com precisão, pode ser letal.
— Filho da mãe! — Exclamou Neville.
— Hermione, se é assim, e considerando que eu, o Harry e Neville somos puro sangue, então devemos te proteger... — Ron recuou um pouco, após Hermione lançar um olhar furioso para ele, como quem diz "eu não preciso de proteção de ninguém", mas ele continuou — Pensa, Hermione. Se o monstro só quer fazer os nascidos trouxa de vítima, ele não vai te atacar enquanto estiver com a gente.
— Ron tem razão, não faria sentido... — Disse Harry. — Fora que eu estou quase sempre na biblioteca, e você também. Só voltaríamos juntos pra cá, e coisas assim. Não iríamos te incomodar.
No final das contas, todos concordaram, e estabeleceram um rodízio, de modo que, na saída de cada aula, um deles acompanharia a amiga, e assim ela não seria atacada.
Os garotos subiram, mas Harry continuou sentado, pensando.
— E como é que esse bicho está vivo até hoje? — perguntou Hermione.
— É uma criatura lendária, capaz de sobreviver por séculos... Eu não sei, Mione... Não conheço nada assim... Mas conhecendo esses fanáticos por pureza de sangue, eu tenho certeza que é algo horrível, perverso...
Harry fez uma pausa poética.
A lareira crepitava, e Harry fingiu divagar por entre as labaredas.
— Na minha opinião, sendo de Salazar Slytherin, o monstro deve ser uma cobra.
O garoto não lançou a informação no ar de forma conclusiva, nem convicta. Disse como quem pensa em voz alta sobre alguma questão complicada. Sabia que a amiga tomaria aquilo como ponto de partida e, com sorte, começaria a andar com um espelho, e recomendaria aos outros que também andassem assim.
A garota assentiu, e fixou o olhar na janela, também reflexiva.
—Mas Harry, a pergunta então seria quem reabriu a câmara secreta? Quem é o herdeiro?
Harry balançou a cabeça, essa era a questão para a qual ele também não tinha a resposta.
Na manhã seguinte, um burburinho na mesa da Grifinória anunciou que Neville havia se voluntariado para ajudar a professora Sprout com o manejo das mandrágoras.
— Eu quero fazer algo para ajudar na luta contra esse tal herdeiro, mesmo preferindo a Madame Nora do jeito que ela está — disse ele todo orgulhoso, na mesa, enquanto as pessoas tomavam o café da manhã.
Neville era bom em herbologia, e pelo que parecia, havia descoberto esse talento bem antes do que o esperado.
Depois que o garoto se afastou, Hermione e Ron informaram a Harry que gostariam de saber se Draco era o herdeiro ou não. Disseram que tinham um plano para descobrir, mas que seria perigoso.
—Ah, qual é pessoal. É lógico que não é o Malfoy. O Malfoy fala muito, mas é só um bobão metido. Ele não açularia monstro nenhum contra nada. Eu não gosto dele, e na verdade pretendo dar uma surra nele hoje no jogo, mas não acredito verdadeiramente que ele faria algo assim.
—Harry, nós vamos investigar com ou sem você! — Exclamou Ron.
—Tudo bem, que seja. Eu ajudo vocês com os preparativos, mas não vou perguntar pra ele se ele é ou não. Eu sei que ele não é. De toda forma, eu aprovo completamente a idéia de vocês. Quem sou eu para convencer alguém a seguir as regras, não é mesmo?
Ron riu.
Harry se preparou para o jogo no vestiário, e entrou em campo para o que ele sabia que seria mais uma partida violenta contra a Sonserina.
Draco estava estreando como apanhador, e por isso seu pai, Lucius, estaria ali na arquibancada, assistindo o inevitável fracasso do filho.
O apito tocou, e a partida começou.
Com as vassouras novas de ambos os times, Grifinória e Sonserina jogavam como iguais, e nenhuma delas tinha realmente vantagem sobre a outra. O time da Grifinória ia avançando no placar, enquanto Harry buscava pelo Pomo de Ouro.
Draco apareceu para provocá-lo.
Harry mando o garoto calar a boca e se concentrar no jogo. O Sonserino se speoximou mais.
—Assustado, Potter? — Começou Draco — Na última vez que a câmara secreta foi aberta, uma sangue ruim morreu. Dessa vez, eu torço para ser a Granger.
Antes que Harry pudesse se controlar, sua varinha estava apontada para o rosto de Malfoy, a pouquíssimos centímetros dele. Ia amaldiçoá-lo, e iria derrubá-lo da vassoura.
Toda a paciência que Harry costumava ter com as provocações do garoto pareceu se esvair com a maldade e intensidade daquele comentário.
Draco parecia assustado, mas abriu um enrome sorriso quando um balaço cortou os ares e por centímetros não atingiu o braço de Harry.
O maldito balaço! Harry se esquecera completamente dele, e de que Dobby estava na arquibancada naquela partida. A sorte é que como sempre, estava com sua varinha a postos.
Numa jogada de mestre, fingiu fugir do balaço que o perseguia, mas havia na verdade avistado o Pomo. Já longe de Malfoy e próximo à bolinha alada, explodiu a bola que o perseguia em milhões de pedacinhos com ajuda de sua varinha, e apanhou a bola que fugia dele com a outra mão. Vitória da Grifinória!
De volta ao salão comunal, a Grifinória estava em festa. Fred e Jorge explodiam seus fogos de artifício mágicos, e cantavam canções folclóricas bruxas enquanto os fogos brilhavam. Os alunos bebiam cerveja amanteigada e comiam variados doces e salgados que os gêmeos conseguiram, diretamente da cozinha do castelo. Harry não sabia como eram as festas das outras casas, mas era impossível que fossem melhores do que as da Grifinória.
Enquanto as horas foram passando, o salão comunal foi se esvaziando, até que poucos alunos sobraram ali.
Harry se sentou exausto numa poltrona, e Colin Creevy sentou-se ao seu lado. Os dois garotos conversaram sobre as diferenças do mundo bruxo e mundo trouxa, e no final das contas Harry nem achava mais o menininho tão chato.
Ambos voltaram para seus dormitórios, deitaram e dormiram. Colin não foi atacado, constatou Harry, feliz. Era possível mudar o passado!
Na manhã seguinte, para horror do garoto, uma nascida trouxa havia sido encontrada petrificada, próxima à biblioteca. Harry levantou apavorado da cama, seu coração a mil, achando que teria sido Hermione. Queria matar Simas por ter acordado ele assim.
Desceu correndo as escadas do dormitório, mas ali encontrou apenas uma Hermione concentrada, ainda de pijama, lendo uma pilha de livros.
Exclamou o nome da amiga, aliviado. Disse que achava que tinha sido ela, mas a amiga balançou a cabeça, impaciente por estar sendo interrompida.
—Foi uma menina da Corvinal, acho que se chama Penélope. Ela e o irmão do Ron deviam ter alguma coisa, porque ele estava aos prantos hoje mais cedo. Coitada, Harry... Eu quero descobrir quem está por trás disso. Precisamos dos ingredientes que estão no armário do Snape.
—Ótimo. Eu sei como distraí-lo. — Harry sorriuַ, e todo o seu eu interior de 12 anos de idade sorriu também.
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