Tudo acontece por uma razão

28 Insegurança, nervos e novos planos


MAURA: Mamãe, depois desse ataque, a Jane passou um ano num hospital em Paris, depois o pai a levou com ele para os Estados Unidos. Durante o ano seguinte, por vontade própria, ela permaneceu trancada em quatro paredes, sem ver ninguém, sem falar com ninguém, exceto com o pai. Então eu apareci, levei-a comigo para Miami, eu a operei na clínica e ela se mudou para minha casa. Nós nos declaramos lá. — Maura sorriu com a lembrança daquela noite especial e acrescentou. — Eu vivi os dias mais maravilhosos da minha vida nestas últimas semanas, ao lado dela. Mas se ela for para a faculdade, ela conhecerá pessoas da sua idade. O que acontece se ela perceber que tudo isso foi um sonho, uma fantasia da juventude? Mãe, eu sou oito anos mais velha que ela. O que acontece se ela encontrar alguém da sua idade e ...

CONSTANCE: E o que?

MAURA: Por Deus, eu não sei. Estou com medo, é isso. Não me entendas mal, eu conheço a Jane, mais do que qualquer outra pessoa, ela tem o direito de retomar a vida que tinha antes daquele ataque, mas temo que ela perceba que eu não estava nessa vida e que não deveria estar, que tudo isso, nós, foi apenas um sonho e que ao entrar na universidade ela acorde.

CONSTANCE: Filha, por que és tão insegura? Na verdade, sempre foste, mas como resultado da infidelidade do teu ex-marido, te tornaste ainda mais insegura. És tão tonta em não perceber que a Jane te ama, que ela nunca faria nada contigo como o que Erick fez? Por Deus! Tu não notaste o jeito que ela olha para ti? — Esticando a mão no braço da filha, Constance acrescentou. — Maur, tens que aprender a confiar novamente, a confiar em Jane. Além disso, tu sabes melhor do que eu, quando Erick foi infiel o teu casamento já tinha problemas. Acredita em mim, infidelidade não é um prato comido sozinho, geralmente é o esboço de um mal maior.

MAURA: Eu sei mãe, só que o medo, é livre, e não posso deixar de sentir. Todos os dias eu me apaixono mais pela Jane, estou com medo de perdê-la e, em pânico, que ela conheça alguém mais novo que eu e ...

CONSTANCE: Para! Não continues com essa linha de pensamento, por favor! Dá a Jane um voto de confiança. Ela é louca por ti, tão apaixonada por ti quanto tu, então para. Es uma tolo por desconfiar, por não perceber o que significas para ela.

MAURA: Parece haver um consenso entre todas as pessoas que me conhecem, Kent diz que eu sou bitonta, mas de qualquer forma, acho que estás certa, eu prometo, vou tentar não pensar mais nisso. E agora, vamos mudar de assunto, Jane já está a chegar.

Depois de compartilhar um grande momento, enquanto comiam no "Caffe Strada" Constance, Jane e Maura foram para o mercado onde compraram tudo que o precisavam para preparar o jantar do dia de ação das graças. Depois de quase quatro horas, voltaram para casa, o pai de Maura ainda não havia chegado. Enquanto arrumava as compras na cozinha, Jane perguntou:

JANE: Estão com fome, certo?

Constance e Maura responderam em coro:

CONSTANCE E MAURA: SííííííííííííííííííM

Jane sorriu e disse:

JANE: Eu imaginei isso, então incluí isso na minha lista de compras.

CONSTANCE: Muito bem pensado Jane

Constance disse. Diz-me, o que vais preparar? ou é uma surpresa?

JANE: Seria, mas tu estás dentro da cozinha.

CONSTANCE: Isso significa que quando fores preparar a tua sobremesa surpresa para o jantar de amanhã, Maura e eu teremos que sair da cozinha, certo?

JANE: Isso mesmo — Jane respondeu sorrindo, e acrescentou — mas isso será depois que me ajudarem a marinar o peru.

Constance ficou curiosa e perguntou a Jane:

CONSTANCE: E como fazes para surpreender a Maur em Miami? Naquela "casa de vidro", o que preparas na cozinha, quase, pode ser visto na rua.

Maura respondeu sorrindo:

MAURA: Normalmente, a Jane me envia para o quarto.

CONSTANCE: Como uma menina castigada?

JANE: Algo assim — Jane respondeu com um sorriso nos lábios.

MAURA: No entanto, o que me espera depois não é um castigo. Mãe — disse Maura solenemente — estás prestes a ver. — Então, a olhar para Jane, ela perguntou a ela — Diz-me meu amor, o que vais preparar para o jantar?

CONSTANCE: Ta, ta, ta, taaaannn, tambor batendo, — "Constance interrompeu brincando. Jane respondeu em francês:

JANE: Coq au vin.

CONSTANCE: hummmm, só por isso, a minha boca já esta a dar sinal

MAURA: Jane é especialista em hidratação ... na boca — disse Maura num tom cheio de malícia. Ao ouvir esse mal, Jane empurrou ligeiramente Maura com o corpo, enquanto ambas riam. Tentando passar despercebida antes de Constance, que sorriu, mas não comentou.

CONSTANCE: Filha, eu vou pegar uma expressão muito tua: Posimhaa! — As três mulheres riram e, enquanto o fizeram, Constance acrescentou — Diz-nos Jane, como podemos ajudar-te?

JANE: Eu cuido do galo. Vocês podem me ajudar a cortar os ingredientes para marinar o peru.

CONSTANCE: Mas vais nos dizer o que fazer e como, passo a passo, certo? Sou tão ruim na cozinha que a primeira vez que eu preparei o peru no Dia de Ação de Graças, o meu marido pensou que era para comemorar Pearl Harbor.

Maura e Jane soltaram uma risada alta quando ouviram a anedota de Constance.

Em meio a essa atmosfera agradável, as três mulheres iniciaram o seu trabalho culinário, Jane era responsável por preparar o galo, enquanto dava instruções precisas a Maura e asua mãe para ajudá-la com o peru. Poucos minutos depois, no momento em que Jane estava a colocar o galo no forno, o pai de Maura chegou em casa. Guiado pelo delicioso aroma que vinha da cozinha, Artur Isles entrou no local, dizendo:

ARTUR: Por um momento, pensei ter-me enganado na casa, o aroma é espetacular.

Constance cumprimentou o marido com um breve beijo nos lábios, enquanto Maura foi ao seu encontro para abraçá-lo. Depois de cumprimentar-lo com afeto, Maura, sorridente, pegou a mão do pai e levou-o ao lado de Jane, dizendo com orgulho:

MAURA: Pai, ela é Jane.

Com um gesto cavalheiresco, Artur sorriu e ofereceu a mão a Jane, a quem ele disse com um forte sotaque, muito parecido com o de sua filha:

ARTUR: Jane, é um prazer conhecê-la. — Por mais ocupada que estivesse no trabalho da cozinha, Jane não teve tempo para pensar na chegada iminente do pai de Maura e, portanto, ela não teve a oportunidade de se sentir nervosa com isso, embora naquele exato momento o sentisse. Artur Isles era um homem atraente, alto, de rosto magro e traços finos, pequenos olhos negros; com cabelos curtos, mas bem cortados e cuidadosos, que antes eram grisalhos. Tentando esconder os nervos, Jane limpou as mãos com um pano limpo e disse a ele, enquanto lhe oferecia a mão para cumprimentá-lo:

JANE: O prazer é meu, senhor Isles.

ARTUR: Então tu es a autora intelectual e material, pelo que eu vejo, desse delicioso aroma que me atraiu para cá, como se fosse um feitiço.

JANE: Parece que sim — Jane respondeu com um sorriso nervoso.

ARTUR: Bem, eu estou realmente feliz Jane, isso realmente cheira deliciosamente.

JANE: Obrigada — Jane respondeu timidamente.

Naquele momento, Constance interveio, ela notou os nervos óbvios de Jane, então ela queria dar-lhe uma folga, pensou que, se Artur estivesse ocupado ajudando-os, esses nervos desapareceriam. Então ela disse:

CONSTANCE: Artur, vá e troca-te para que possas vir nos ajudar aqui, sim?

ARTUR: Ok, volto já.

Depois de alguns minutos, quando o jantar estava pronto, Artur disse que iria arrumar a mesa, e a própria Jane se ofereceu para ajudá-lo. Naquele momento o seu nervosismo inicial já havia desaparecido. O jantar foi maravilhoso, especialmente para Constance e Artur. Foi a primeira vez que provaram uma refeição preparada por Jane e, como esperado, ficaram encantados, eles não pararam de elogiar as suas habilidades culinárias inegáveis. Depois do jantar e de retirar a mesa, os quatro foram para a cozinha. Enquanto Artur estava encarregado de introduzir os pratos usados ​​na lava-louças, Maura, Jane e Constance continuaram com os preliminares do jantar de Ação de Graças. Quando terminaram, era hora de preparar a sobremesa surpresa que Jane havia planejado. Era um cheesecake de abóbora e caramelo, que precisava ser feito para deixar esfriar a noite toda. Portanto, ela disse:

JANE: É hora de preparar a sobremesa surpresa. — Assumindo a liderança imediatamente, Constance agarrou as mãos de Maura e do marido, e os levou para fora da cozinha, e disse:

CONSTANCE: É hora de deixar a nossa chef sozinha.

Opondo-se a alguma resistência, Artur respondeu:

ARTUR: Mas a Jane ainda não terminou. Além disso, ainda tem um cheiro riquissimo aqui dentro.

CONSTANCE: Tu continuarás curtindo os aromas vindos desta cozinha, da sala de estar, a Jane quer nos surpreender amanhã.

ARTUR: Eu entendo — disse Artur sorrindo, enquanto os três saíam da cozinha. Constance se acomodou no sofá da sala para ler um livro, Maura disse para sua mãe, em voz baixa:

MAURA: Eu acho que é um bom momento para conversarmos sobre o que eu quero perguntar sobre Jane.

CONSTANCE: Eu acho que é perfeito. Nós poderíamos ir para a varanda conversar, o que achas?

MAURA: Sim, vamos lá — respondeu Maura. Ambas se dirigiram para a frente da casa, uma vez lá, sentaram-se lado a lado no banco da galeria e Maura falou:

MAURA: Mãe, anos atrás, quando eu te confessei e falei sobre a minha bissexualidade, há algo que você me disse que eu nunca esqueci.

CONSTANCE: Sim, o que foi?

MAURA: Eu lembro dessas palavras, quase literalmente, tu me disseste "Filha, eu sempre tive muito orgulho de ti, e o fato de você ser bissexual não muda nada, apenas o oposto, eu já tinha intuído aquilo que e disseste, e seres honesta comigo, faz-me sentir ainda mais orgulhosa. Mas quero-te dizer mais uma coisa, tu certamente encontrarás pessoas intransigentes que se sentem no direito de lhe indicar e até julgar. Filha, nunca permitas, porque acredita em mim se a situação é analisada em profundidade, parece-me que a direção daqueles dedos acusadores, mudaria para o lugar oposto ".

CONSTANCE: Sim Maur, eu lmbro disso é a verdade, hoje em dia, estou mais do que convencida disso.

MAURA: Eu sei mãe, é por isso que eu quero te perguntar uma coisa.

CONSTANCE: Fala filha

MAURA: Embora a terapia de Jane comece na segunda-feira, algo me diz que até agora, ela só viu um lado da moeda, o da sua mãe ultra religiosa, ainda mais, depois de sofrer aquele ataque do qual ela foi uma vítima. Até agora, ela só esteve em posição de ver aquelas mãos acusadoras, apontando com o dedo. Eu acho que é hora da Jane ver o outro lado e nisso, parece-me que tu me pode ajudar.

CONSTANCE: Ok. Qual é a tua ideia?

MAURA: Tu ainda fazes com seus alunos aquele exercício em que tu escolhes um tema controverso e discutes isso na sala de aula? Eu lembro que era uma especie de debate.

CONSTANCE: Sim, eu ainda faço; embora tenha mudado a dinâmica.

MAURA: Ah sim? Interessante Diz-me, o que estás a fazer agora?

CONSTANCE: Da mesma forma, escolho um tema polêmico, mas discutimos isso em uma espécie de tentativa simulada, com alunos do meu curso. Alguns são designados como defensores, outros como promotores e outros, como testemunhas ou especialistas. Eu sou o juiz, embora não para emitir um veredicto, mas para qualificar os meus alunos, para deixá-los ver o que eles fizeram certo e o que eles falharam no desenvolvimento desse julgamento simulado.

MAURA: Isso é perfeito mãe, melhor ainda do que eu esperava. Diz-me, já escolheste um tema para este ano?

CONSTANCE: Eu tenho várias ideias, mas ainda não decidi.

MAURA: Posso propor um?

CONSTANCE: Claro, embora eu possa imaginar, mas diz-me

MAURA: Homofobia, mãe, eu gostaria que este ano levasses a homofobia a julgamento, achas que é possível?

CONSTANCE: Claro, filha, esse tema atende a todos os parâmetros do programa, é polêmico, atual e também tem uma "base legal", por assim dizer.

MAURA: Base legal, o que queres dizer?

CONSTANCE: Eu falo da Bíblia. Afinal, a homofobia baseia muitos dos seus argumentos na Bíblia, e seria muito interessante para meus alunos discutir esses argumentos no tribunal, tomando-os como uma estrutura legal. Claro, de um ponto de vista abstrato, deixando de lado o tema religioso ou a fé, isso não é uma questão de lei, ou pelo menos, não seria o assunto deste julgamento.

MAURA: Quer dizer que o que seria o assunto do julgamento é a Bíblia?

CONSTANCE: Não, a homofobia iria a julgamento, cujo marco legal é a Bíblia. O certo é que há algo que posso te assegurar: pelo meu conhecimento da Bíblia, e referindo-me especificamente ao tema da homofobia, é muito possível que ao deixar aquele julgamento seja necessário fio e agulha.

MAURA: Fio e agulha! Porquê mãe?

CONSTANCE: Para costurar a Bíblia novamente.

MAURA: Oh mãe, pensas em tudo.