Notas iniciais
Um novo capitulo e especial. Espero que gostem.

Quando Maura terminou de dizer essas palavras, os seus lábios e os de Jane estavam a milímetros de distância, roçando um no outro. Levou apenas um segundo a mais para se fundirem num beijo, que se tornou a resposta definitiva, não havia necessidade de palavras que, até aquele momento, nenhuma delas ousara proferir. Naquele momento, as paredes que Jane construíra para esconder os seus sentimentos, caíram, dissolvidas como um castelo de areia que cruza o caminho de um furacão. Gemendo e chorando de felicidade ao mesmo tempo, Jane envolveu os seus braços ao redor do corpo de Maura com toda a sua força, e se rendeu àqueles lábios, àquela boca, que ela sempre desejara beijar. Maura estremeceu ao ver o corpo de Jane tão perto, sentindo os seus lábios, o seu calor, escutando os seus gemidos, enquanto o remoinho de dúvidas, que até agora abrigava na sua própria alma, tornaram-se uma certeza absoluta: ela estava apaixonada por Jane, amava-a com todo o seu ser. Por um momento elas separaram os lábios para respirar, ainda os roçando, Maura abriu os seus olhos e sussurrou:

MAURA: Jane, diz agora, diz que sente por mim a mesma coisa que eu sinto por tu, diz meu amor.

Com lágrimas nos olhos, enquanto teu coração batia mil vezes por hora dentro do peito, Jane finalmente o reconheceu:

JANE: Eu amo-te Maura, eu amo-te desde o primeiro dia em que te vi.

Maura sorriu enquanto o seu próprio corpo ainda estava a vibrar, ela sentiu que algo no meio do peito parecia querer explodir, então ela disse:

MAURA: Eua mo-te Jane. Estou apaixonada por ti.

Desta vez foi Jane quem atacou Maura, ela a beijou, devorando-a, como se a sua boca sedenta tivesse viajado por um imenso deserto para finalmente encontrar o oásis nos seus lábios. As suas lágrimas, agora de felicidade, continuaram a fluir dos seus olhos. Nunca, em toda a sua vida, ela se sentiu tão feliz. Os beijos que compartilhavam se tornavam mais intensos, mais apaixonados e assim, esse amor recém-declarado estava dando lugar ao desejo, à imperiosa necessidade de entrega mútua.

Com a respiração irregular, sentindo o seu corpo a queimar mais e mais, Maura parou um pouco e roçou os lábios contra o pescoço de Jane, e sussurrou no seu ouvido:

MAURA: Eu amo-te Jane... eu quero-te.

As palavras de Maura eram como faíscas de corrente que percorriam todo o corpo de Jane, se ao vê-la se excitava, os seus beijos e agora aquelas palavras que sussurrava no seu ouvido a sacudiram, ela sentiu como se uma nova torrente de umidade transbordasse dentro dela. No entanto, enquanto caminhavam de mãos dadas em direção ao quarto de Maura, Jane hesitou. Maura notou a mudança subtil, parou ao seu lado e perguntou:

MAURA: Aconteceu alguma coisa?

JANE: Maura as minhas cicatrizes

Maura sabia que algo assim poderia passar pela mente de Jane, alguém que por meses se havia escondido do mundo, escondendo o seu corpo, envergonhada, mas ela não se importava com essas cicatrizes e este era o momento de provar isso, então ela se aproximou de Jane, abraçou-a e disse a olhar-lhe nos olhos:

MAURA: Jane, tu não entendes? Eu amo-te, estou apaixonada por ti. Se alguém viu as tuas cicatrizes, fui eu, e tu sabe, eu não ligo, eu juro. Eu amo-te e quero provar-te. Por favor, entrega-te a mim sem pensar em outra coisa senão esse amor que sinto por ti e que tu sentes por mim.

Ainda duvidando, Jane disse:

JANE: Maur, tu poderia ter escolhido quem tu quisesses. Tu és uma mulher linda e maravilhosa ...

Maura aproximou-se ainda mais de Jane, abraçou-a ainda mais forte e levou os seus lábios aos dela e disse antes de beijá-la

MAURA: Tu também és, tu és para mim. Eu sou fascinada pela forma do teu corpo, pelos teus lábios, pelos teus olhos, pelo teu sorriso e o que é ainda mais importante: eu estou apaixonada por ti, eu escolhi a ti, eu te amo a ti.

Enquanto elas estavam se beijando, Maura levou Jane para o quarto dela. Quando chegou à beira da cama, ela olhou nos seus olhos e notou neles uma sombra de dúvida, de medo. Ela acariciou o seu cabelo com ternura e perguntou:

MAURA: Tu estás com medo, certo?

JANE: Maur, acordei e dormi. sonhei tantas vezes com esse momento, tive fantasias contigo, sempre convencida de que era um amor impossível, mas agora, a um passo disso tornar-se realidade...

MAURA: Tu tiveste fantasias comigo?

JANE: Muitas — confessou Jane timidamente.

MAURA: Nesse caso, tenho uma ideia. Espera por mim aqui sim? Não farei nada que tu não queiras meu amor, mas pelo menos, deixe-me tentar.

JANE: Ok.

Maura foi até ao vestiário, tirou algo do armário e saiu do quarto, indo para o andar térreo. Jane sentou-se na beira da cama para esperá-la. Momentos depois, Maura entrou no quarto novamente. Jane engoliu em seco e todo o seu corpo estremeceu.

Maura tinha mudado de roupa, em vez do vestido apertado que usava, a única coisa que a separava da nudez era um roupão de seda sensual, que lhe permitia admirar a delicada linha do busto e as pernas exuberantes. Maura trouxe nas suas mãos uma garrafa de vinho recém-aberto e dois copos de cristal. Jane perguntou num tom de inocência, que suavizou Maura e a fez sorrir:

JANE: Tu estás pensando em ficar bêbada?

MAURA: Não meu amor, será apenas uma bebida para cada uma, para relaxar um pouco, nada mais. Acredites ou não, eu também estou nervosa — respondeu Maura, entregando-lhe a taça de vinho já servida e sentando-se ao lado de Jane.

JANE: Mas ... porque é que tu está nervosa?

Maura respondeu, a olhar-lhe nos olhos:

MAURA: Porque eu amo-te. Esta não será uma noite de paixão passageira. Eu amo-te e eu não quero estragar tudo.

Apesar dos nervos, Jane sorriu. Depois de brindar, elas encontraram os olhos novamente, em silêncio. O poder magnético dos belos traços de Maura não permitia que Jane parasse de a olhar. Era como uma força invisível que a obrigava a apreciar aqueles olhos cor de mel, aquela linda mulher, enigmática, com aquela boca de labios perfeitos, sedutores, sublimes, atraentes.

Para Maura, a situação não era diferente. Esse mesmo poder magnético, misterioso, inevitável, pegou a sua vontade. Ela também não conseguia tirar os olhos de Jane. Aquela lindo olhar dizia muito, muito mais do que a própria Jane se atrevia a expressar com palavras. Uma maravilhosa mistura de amor, ternura, devoção, inocência e ao mesmo tempo, de paixão, de luxúria. Sob o feitiço daquele olhar hipnótico, Maura percebeu, novamente, uma agradável opressão no meio do peito. E então ela entendeu, o que oprimia o seu peito, o que ela estava a ver naquele olhar, além do medo, era a alma de Jane. Percebendo isso, isso a fez entender por que ela se havia apaixonado por ela.

Notas finais
Será que a Maura conseguirá tirar os medos e angustias da cabeça de Jane?