Tudo Que Os Garotos Fazem - CIP

1 Capítulo Único - Tudo Que Os Garotos Fazem


Estrelas brilhavam intensamente iluminando varias motocicletas ao lado de fora da casa enquanto uma festa do pijama rolava dentro do quarto de Lela. Todas as meninas estavam ansiosas para ver que vestido a garota estava escolhendo há tanto tempo dentro do closet.

Mas, na verdade, Lela não estava nem um pouco concentrada nas roupas diante de seus olhos, pois seus pensamentos estavam perdidos em uma terra longínqua e acastanhada chamada “Os Olhos de Brady”.

A motoqueira ficava repassando em sua mente cada momento que passara com o loiro, desde que ele salvou sua vida e foi modesto quanto ao ato heroico até o passeio na praia onde quase se beijaram.

QUASE! Argh!

Por que Brady não a beijou era a principal dúvida de Lela.

“Talvez ele só me respeite muito. Mas ele não precisava, eu queria aquele beijo. Os garotos são tão complicados. Ain, é melhor parar de pensar nisso e escolher logo o vestido, as meninas estão me esperando. Vejamos, esse não, esse não... ARN! Achei”.

Era uma peça azul com bolinhas brancas, pareceu perfeito. Lela saiu do closet com ele em mãos. — O que acham? — perguntou para as meninas que murmuram animadamente sobre como ele era lindo. — Uso isso pra me encontrar com o Brady? Ele adora surfar, a água é azul e esse vestido é azul, da próxima vez que ele for surfar, vai ver a água azul e vai pensar em mim.

Todas as garotas afirmavam entusiasmadas, menos Mack que sacodiu a cabeça de forma afetada. — Por que um garoto deve influenciar o que você veste? Ou o que você faz?

— Simples, uma garota olha o seu vestido. Um garoto olha como você fica nele. — disse Cheechee, uma garota com penteado alto, soltando uma risadinha e sendo acompanhada pelas outras.

— O que tem de errado em deixar o garoto controlar? — disse Struts, uma motoqueira de cabelo ondulado que estava de pé ao lado de Lela, e novamente uma onda de risinhos preencheu o quarto.

— A vida é de vocês. — exclamou Mack como se fosse óbvio, e era. — Vocês podem decidir o que querem fazer.

— Eu decido deixar os garotos decidirem. — Cheechee falou de novo.

— E nos chamarem pra sair. — Struts completou.

— E porque vocês não chamam? — Mack deu de ombros e logo foi bombardeada com uma chuva de “arn’s” e olhares incrédulos.

— Você perdeu um parafuso?! — Cheechee exclamou completamente indignada.

— É. — Struts concordou outra vez. — Nós não chamamos ninguém pra sair.

— Nós podemos fazer tudo que os garotos fazem. — Mack exclamou orgulhosamente.

***

Depois de comer um sanduiche delicioso no Mãezona, Brady e Lela estavam caminhando na praia, como na noite anterior. Outra vez a batida de Meant To Be começou a tocar e a motoqueira colocou todos os seus sentimentos na voz enquanto cantava olhando nos olhos do surfista.

Brady não reagiu ao fim da música, apenas permaneceu encarando Lela que já começava a ficar sem paciência com a falta de iniciativa do loiro. Por que ele não a beijava logo?

Foi nesse momento que a voz de Mack ecoou em sua mente “As garotas podem fazer tudo que os garotos fazem. Podem fazer tudo o que os garotos fazem. TUDO QUE OS GAROTOS FAZEM”.

Munida de uma coragem que nunca sonhara ter, Lela segurou a nuca de Brady, ficou na ponta dos pés e selou seus lábios em um beijo doce e longo que revirou as borboletas no estômago de ambos e os fez sentir como se flutuassem na nuvens.

Mack observou tudo a alguns metros de distância e se enfureceu. Enquanto ela estava tentando arrumar um jeito de voltarem para casa, Brady estava se divertindo um “broto” dos anos 60. Abandonando Tenner, que nem fez questão de ir atrás, Mackenzie seguiu para o laboratório “secreto” de Les Camembert. O empresário clichê ultra ganancioso e o cientista maluco clichê estavam conversando enquanto esperavam o plutónio nuclear atingir sua cor verde, então a surfista teve a chance de encontrar a maquina e, depois de algumas tentativas frustradas, destruí-la.

Nesse meio tempo, Brady tentava explicar para Lela que ela não era real. Foi muito esforço e era bem provável que a motoqueira não tivesse entendido de fato, mas o loiro conseguiu dizer. — Me desculpa, Lela. Eu sonho em te conhecer desde a quinta série, mas... Não posso me prender a alguém que não é real.

— Tudo bem, Brady. Pode apenas me dar um último beijo. — Lela pediu.

E não dava para negar nada àqueles lindos olhos azuis. — Ok, um último beijo.

O surfista se aproximou devagar até estar a menos de cinco centímetros dos lábios da motoqueira, porém um som muito alto de explosão fez os dois se afastarem em um salto, assustados.

— O que foi isso? — Lela questionou, confusa.

— Mack. — Brady murmurou pensativo, mas logo arregalou os olhos. — Mack! — exclamou e saiu correndo pela areia da praia.

Lela o seguiu sem entender nada do que estava acontecendo enquanto o céu ficava cada vez mais escuro, formando um clima de tempestade, mas ao chegar perto do Mãezona, Mackenzie já estava correndo estabelecimento a fora com a prancha na mão.

— Mack não! — Brady gritou tentando alcança-la.

— Se quer ficar aqui brincando de “Ai Como Eu Tenho Uma Vida Perfeita”, beleza. — a surfista gritou de volta. — Mas eu vou pra casa.

— Não! Você entendeu errado! Mack! — o loiro tentou alcançar a morena, porém era tarde demais.

Mackenzie terminou o caminho para a água, subiu na prancha e remou o mais rápido que pôde mar adentro. Não demorou nem um minuto para que ela sumisse de vista e Brady caiu de joelhos no chão.

— O que houve? — Lela se abaixou ao lado do surfista e lhe tocou o ombro.

— Ela voltou. — respondeu de cabeça baixa, tentando não chorar.

— Voltou? Pra onde? — perguntou ainda mais confusa.

— Pra realidade. — Brady encarou-a com os olhos cheios de lágrimas. — A tempestade. Era a única maneira de retornar, agora eu vou ficar preso aqui.

— Então vai ficar comigo? — Lela tentou, mas não conseguiu segurar um sorriso.

— Você não entende. — o loiro voltou a olhar para a água. — Eu não pertenço a esse mundo.

— Quando me explicou tudo, você disse algo sobre estar sofrendo uma metamorfose pra dentro do filme, não é?

— Sim.

— Deixe ela se completar. A vida aqui é sempre... Perfeita. Você não gosta daqui?

— Gosto pra caramba. Mas no original você fica com o... — Brady olhou para trás e viu na varanda do Mãezona Tenner e Butchy conversando na maior intimidade e trocando sorrisinhos bobos. — E-e-eu acho que posso me habituar a estar nesse mundo.

Lela soltou uma risadinha animada e se jogou em cima do surfista, fazendo-o cair na areia e ambos começaram a rir antes de trocar beijos apaixonados.

Brady, Butchy, Lela e Tenner mudaram a história do filme e consequentemente, Brady e Mack não chegaram a se conhecer.

Certo dia, Lela falou de Mackenzie e Brady disse “quem?”, a morena ficou feliz por achar que o loiro havia superado a surfista, quando na verdade ele não fazia ideia de quem era ela.

Já Mack foi para o colégio interno que tia Antonete lhe recomendou e ficou triste por alguns dias até as memórias de Brady sumiram pouco a pouco de sua cabeça e a morena não entendia mais por que não queria ir para aquela escola antes, então logo se enturmou e começou a se dedicar as novas matérias. Não demorou muito a amar aquele lugar e conhecer um garoto bonito que fazia suas pernas tremerem.

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