Trying Understand Him
11 De coração partido
Notas iniciais
Demorou minutos para Lisanna conseguir processar tudo o que Natsu havia acabado de revelar. Não conseguia deixar de o observar cética. Totalmente descrente que Igneel cometesse assassinato, e que história era aquela de pais biológicos? Era tudo tão confuso, mas não parecia ser nenhuma brincadeira de mau gosto do rosado, bastava ver o estado tremulo em que se mantinha.
– Tem certeza que isso não passou de um pesadelo? – perguntou receosa da reação que seu amigo pudesse proceder, estava nervoso incapaz de pensar em seus atos, o que poderia o levar a loucuras que se arrependeria no dia seguinte.
– Acha mesmo que iria confundir a realidade com algo de minha imaginação durante o sono? – perguntou irônico. A ultima coisa que precisava era ouvir Lisanna tentando achar formas para comprovar que quem estava sendo louco era ele e que com certeza nada daquilo havia acontecido, tudo fruto se sua imaginação.
– Como? – a albina continuava sem entender. – Que pais biológicos Natsu? Que história é essa? Sr Igneel assassino? Não estou conseguindo raciocinar direito. – Perguntas rondavam sua mente, mas nenhuma captava a resposta, Natsu precisava esclarecer todas suas duvidas se não quem daria em louca seria ela.
– Eu também não acreditei, mas é impossível negar o obvio, ainda mais quando o próprio autor foi obrigado a revelar a verdade. – continuou o rosado respirando fundo tentando acalmar-se.
– O que ele contou? Me diga o que ele fez. – Lisanna levantou-se do sofá agarrando na mão do rosado de forma a que ele volta-se novamente para seu acento, algo lhe dizia que a historia ainda iria se prolongar durante uns bons minutos.
Dragneel pensou se deveria contar, mas já que havia começado o melhor seria revelar tudo de uma vez, precisava conversar com alguém, e a única pessoa próxima de si era a albina.
Retrocedendo umas horas
Sexta Feira (15h05) (2010)
Jogava divertido na consola esparramado no sofá sem nada com que fazer, culpava Gray por decidir passar o fim de semana fora com a família, agora não teria ninguém para se divertir. Passou uns minutos tentando matar os inimigos no jogo, estava tão concentrado em sua estratégia quando foi interrompido de seu lazer pela campainha, estava pronto a matar quem se atrevia a incomoda-lo, ainda mais logo agora que estava a ponto de passar de nível, mandou o controlo para um recanto do sofá e apressou-se a ir abrir a porta para despachar quem quer que fosse, mas fora surpreendido pela policia a entrada de sua casa apontando seus distintivos no seu rosto. Arregalou os olhos perante a presença dos oficiais, depressa o pânico apoderou-se de seu consciente imaginando o pior.
– O que aconteceu com meu pai? – o rosado perguntou logo preocupado sem ao menos deixar um dos policias pronunciar-se. Não era todos os dias que a pessoa tinha as autoridades batendo a porta, e quando apareciam nunca era para dar boas noticias.
– Por acaso seu pai chama-se Igneel Dragneel? – questionou um dos policias colocando novamente seu distintivo no seu devido lugar.
– Sim. – ele afirmou com a cabeça. — …mas o que aconteceu? – Natsu perguntou novamente com receio de ouvir a resposta.
– Gostaríamos de trocar umas palavras com seu pai. – desta vez o outro companheiro pronunciou-se enquanto observava os recantos do comodo tentando captar alguma movimentação.
– Do que se trata o assunto? – o rosado perguntou mais aliviado por afinal não ter ocorrido nada de grave, mas deveras confuso, não estava percebendo o que a autoridade poderia então ter para conversar com Igneel.
– São assuntos confidencias. – este responde.
– Eu tenho todo o direito de saber em que coisas ilegais meu pai anda metido para envolver a policia. – Natsu revida casmurro, não ia dar informações absolutamente nenhumas enquanto não soubesse do que se tratava o problema.
– Estamos resolvendo um caso de acidente que provocou a morte de um casal, Aya e Hayato Miyamoto, apenas precisamos fazer umas questões, se seu pai for inocente não tem nada a temer. – disse o policia entregando um pedaço de papel juntamente com uma caneta, aguardando que Natsu resolve-se escrever o endereço onde o senhor estava metido.
– Acho isso tudo uma barbaridade, meu pai não vai saber o que demónios aconteceu com esse casal, vão apenas perder o vosso tempo. – rabiscou o endereço as pressas, queria logo voltar para o seu jogo. Entregou o pequeno papel, fez uma reverencia por educação e apressou-se a fechar a porta e voltar para o sofá.
Depois de tentar pela décima vez passar o mesmo nível acabou adormecendo, só despertou devido ao estrondo que ecoou por toda a extensão da casa. Alarmado caiu do sofá observando todos os recantos para saber quem havia causado o barulho. Percebeu ser seu pai quando o viu passar como um foguete em direção ao quarto. Aquilo era estranho, por mais que Igneel estivesse sempre ocupado com seu trabalho, ainda assim trocava no mínimo duas palavras com Natsu, e não batia com a porta com tanta força, pelos vistos o dia não havia corrido tão bem.
Espreguiçou-se assim que se levantou do chão e decidiu ver o que seu pai estava fazendo. Ao entrar no comodo arregalou seus olhos com o que estava acontecendo. O quarto estava virado totalmente do avesso, roupas espalhadas pela cama, chão, malas de viagem. Iam viajar? Refletiu um pouco sobre o que raios seu pai estava fazendo, mas não demorou muito a esboçar um sorriso de satisfação.
– Natsu, ainda bem que você está em casa, vamos se apresse fazendo suas malas, vamos partir ainda hoje. – Igneel avisou assim que avistou seu filho a entrada do quarto parado esboçando um sorriso nos lábios.
– Vamos passar o fim de semana na aldeia? – perguntou com os olhos reluzentes, finalmente seu pai fazia a sua vontade, havia perdido a conta as vezes que havia pedido a Igneel para irem mais vezes a aldeia de Fiore, afinal ele tinha mais férias do que apenas as de verão, mas como sempre era negado.
– Natsu… — ele suspirou largando o que estava fazendo enquanto voltava-se para seu filho. – Nós vamos viajar, mas é para outro país, eu….- demorou uns segundos pensando em uma desculpa para a mudança repentina. – …fui promovido e acabei sendo reencaminhado. – Virou novamente costas ao filho apressando-se a colocar todos seus pertences na mala de viagem.
– O quê? Como assim? Isso não….e a Lucy…
– Esquece isso, vamos refazer nossa vida fora de Magnólia, você vai conhecer novas pessoas, fazer novos amigos, vai correr tudo bem. – respondeu tentando esboçar um sorriso convincente, não haveria solução se não sair do país, Natsu era jovem, quebrar laços poderia ser difícil mas nada que o tempo não ajuda-se a criar novas amizades.
– Você enlouqueceu! – este gritou enervado. – Eu não vou para lado nenhum, não vou abandonar meus amigos assim subitamente por causa de uma proposta repentina, e meus estudos como ficam? O meu sonho para onde vai? Você sabe que eu sempre quis fazer parte da academia Fairy Tail. – seu pai estava louco se achava que do nada ia concordar partir para outro país destruindo seus sonhos, suas amizades.
– Acabou aqui a conversa Natsu, vá fazer as malas, vamos partir imediatamente. Você é menor de idade, ainda está sobre meus cuidados, tem de respeitar seu tutor, se eu decido sair do país você só tem que me seguir e calar o bico. – estava tão nervoso que acabou nem medindo suas palavras sendo grosso. O desespero estava o consumindo.
Fechou as malas colocando ambas no chão enquanto se dirigia apressado ao quarto do rosado.
– Pare com isso! – o rosado gritou ao ver seu pai abrindo seus armários e mandando suas roupas para dentro de uma mala todas amarrotadas.
– Temos que nos apressar, o avião vai partir daqui a duas horas, já tratei dos passaportes, vista o casaco e vamos. – O que raio estava acontecendo com seu pai? Que atitude repentina era aquela?
– Quem são Aya e Hayato Miyamoto? Você os conhecia?– perguntou, era estranho depois dos policias virem procurar seu pai, do nada ele decidir sair do país, algo não estava certo, e ele precisava descobrir o que havia acontecido com o casal. Observou nitidamente as feições de seu pai mudaram para espanto, inquietude, nervosismo…medo, não mais colocava suas roupas dentro da mala, agora apenas se encontrava estático, parado no mesmo sitio tremendo pela pergunta, tentando buscar respostas. – Me diga que esta súbita viagem nada tem a ver com uma tentativa de fuga. – tremia pelo que seu pai poderia dizer, não queria acreditar, mas tudo indicava o que menos queria que fosse real. – ME DIGA QUE É INOCENTE! – berrou com os nervos a flor da pele, seu pai sendo um assassino, aquilo só poderia ser um pesadelo.
– Você precisa entender... – gaguejava enquanto continuava colocando as roupas do rosado dentro da mala com as mãos tremulas.
– Estou esperando! – Natsu gritou agarrando na mala ao qual seu pai continuava colocando as roupas, perdendo a calma a arregaçou contra o armário com força.
– Foi um acidente, eu não queria que nada disso tivesse sucedido. – Igneel respondeu não se admirando da forma como seu filho havia retirado a mala de suas mãos.
– Pai. – seu olhar não era nada amistoso, estava claro o quanto queria a verdade, estava cansado de rodeios. – Me explica o que aconteceu no dia do acidente.
O pai de Natsu respirou fundo tentando buscar as palavras certas para iniciar o dialogo, finalmente havia chegado o dia que temia, revelar toda a verdade ao rosado.
– Tinha acabado de vir de uma festa com meus colegas de trabalho. – começou. – Já passava da madrugada, não tinha por habito ingerir álcool, acabei abusando na bebida, mesmo sabendo que não devia, resolvi arriscar conduzindo ate casa em vez de chamar um táxi para me transportar. – suspirou fundo observando as feições de seu filho que continuava atento as suas explicações. – Devido ao efeito do álcool, me encontrava a uma velocidade superior a permitida no local, não percebi estar dirigindo fora de mão e ainda com os máximos ligados, devido a isso acabei descontrolado o jipe,…. indo de frente contra um outro veiculo. Demorei uns minutos a perceber o que havia acontecido, percebi que as rodas do jipe não mais se encontravam na via mas sim no capo do carro, desesperado tentei arranjar forças para sair do veiculo com esperança que ninguém tivesse se ferido ou pelo menos nada de grave tivesse acontecido, mesmo sabendo que seria algo impossível, o choque não havia sido leve. – Natsu observou o rosto de seu pai captando tudo o que ele lhe dizia não tendo intenções de interromper. – Percebi que o choque frontal havia feito muitos mais danos na viatura deles devido ao jipe, desesperado tentei alcançar as vitimas zonzo ainda sobre o efeito do álcool.
– Eles morreram devido ao impacto… enquanto você fugiu, é isso que está me querendo dizer? – o rosado havia decidido interromper, já havia topado tudo, nem queria ouvir mais nada, nem valeria a pena.
– Natsu, você tem de perceber eu podia ser preso, matei duas pessoas por estar com excesso de álcool, não tinha mais nada que pudesse fazer pelas vitimas, não tive outra escolha, já estou pagando caro por meus erros me sentindo todos os dias culpado pela morte do casal….
– Eu entendo, mas por fugir só foi piorar seu caso, seria preferível que tivesse explicado os acontecimentos. – Não podia ficar com raiva de seu pai, afinal estava bêbado, não devia ter se metido no volante, mas aquilo poderia também ter retirado a vida de Igneel e antes morrer aquele casal que não conhecia de lado nenhum do que seu pai. – Fugir só vai comprovar que é culpado, eles não devem ter provas, depois de tantos anos é que resolvem investigar o caso, é de certa forma estranho.
– Você não entende Natsu, se descobrem que sou o culpado eles vão leva-lo para uma instituição, você pode ate mesmo ser recaminhado para fora de Magnólia, conviver com uma família que não conhece. – Aquela maldita velha jurou que nunca revelaria nada, por viver em uma cabana perto do local assistiu ao acidente, percebendo o estado de Igneel fingiu não haver visto nada, mas com toda a certeza contou a seus netos, filhos, o raio,e eles haviam dado com a língua nos dentes mal a idosa bateu as botas.
– Você como meu tutor pode dizer que vou ficar com um familiar... – mantinha a esperança que o caso seria fechado e Igneel nunca seria acusado, não havia provas concretas de nada.
– Não quando fizerem o teste do ADN com você. – ai estava algo que nunca pensou ter de chegar ao ponto de revelar. Era perceptível os orbes negros arregalados totalmente abismados por o que haviam acabado de escutar.
– Do que você está falando? – Natsu perguntou confuso, teste de ADN? O que isso impedia de ficar ou não em Magnólia, sentia-se totalmente perdido. Igneel não tinha outra opção se não proceder com o que havia começado.
– No momento que vi que ambas as vitimas haviam falecido, eu..es.. escutei um choro nos bancos de trás, senti alivio por pelo menos a tragédia ter poupado a vida do bebe, a parte da frente se encontrava toda amolgada, mas a parte traseira se mantinha estável, daí a criança não ter sofrido danos...e...bom..
– Não está querendo insinuar que... a criança era.. não... – Aquilo só podia ser uma brincadeira, de muito mau gosto, um pesadelo ao qual não queria se ver envolvido.
– Eles se fizerem o teste de ADN a você vão saber que é compatível com o casal que morreu, vão saber logo que eu sou o responsável pelo acidente. – terminou por fim. Precisava revelar que não era seu pai biológico, precisava fazer entende-lo os motivos de querer fugir, os motivos de o querer levar consigo. Não pensou que com essa revelação apenas fosse piorar ainda mais as coisas. – Natsu ....
– QUE MERDA VOCÊ FEZ! – gritou fuzilando Igneel como se não passa-se de um monstro, seus punhos contorciam-se tentando manter a calma, não bastava saber que seu pai havia causado um acidente agora descobria que o casal morto era nada mais nada menos que seus pais.
– Cuidei de um filho que não era meu, dei tudo o que podia e estava a meu alcance. – O jovem de cabelo vermelho defendeu-se, verdade que não seria fácil Natsu perdoar, mas pelo menos poderiam sair de Magnólia e começar tudo do zero.
– Você matou meus pais.. – não mais conseguia encara-lo, mantinha seus orbes fixos no assoalho de madeira, se continua-se observando Igneel tinha medo de suas ações, entrar em uma guilda FT proteger empresários, apenas algemava isso por se enervar com facilidade não medindo seus atos, só depois de os feitos mas isso já seria tarde para remedia-los. – Você me enganou esse tempo todo, mãe morreu no parto? – soltou uma risada irónica mostrando toda sua frustração.
– Me perdoe, vamos esquecer o passado, vamos começar uma vida nova longe daqui, novas identidades, por favor Natsu. – Não era altura para discussões teria de fugir do continente o mais depressa que fosse possível, não havia tempo para discussões com o rosado, sabia que ele tinha todo o direito de ficar chateado, mas poderiam discutir isso quando estivessem bem longe de Magnólia.
– Perdão? Esquecer? Como pode me pedir para esquecer que matou meus pais e ainda me mentiu esses anos todos, agora só pensa em fugir não querendo saber de como me sinto. – Natsu revidou enraivecido.
– Voce disse que percebia meus motivos….
– Isso foi antes de saber que o casal fazia parte de minha família. Esqueça que eu existo, não vou com você para lado algum. – cuspiu as palavras por fim desta vez encarando os olhos negros de seu pai, estava agindo de cabeça quente.
Correu para a porta, precisava sair dali, não aguentava olhar para o rosto do homem que julgou durante todos aqueles anos ser seu pai, revelando não passar de um sujeito inconsciente que provocou a morte de seus pais, como sentimento de culpa resolveu cuidar dele. Igneel gritou tentando alcançar seu filho, mas parou quando percebeu que seria uma missão impossível. O que não esperava era em seu regresso a casa se encontrar totalmente desabitada, seu pai havia partido, deixando para trás apenas uma carta explicando novamente seus motivos e como o amava acima de tudo, mas não podia se manter naquela cidade, não podia acabar com sua reputação acabando na cadeia por um crime acidental sem maldade alguma.
Voltando a casa de Lisanna.
– Seu pai… Sr Igneel esse tempo todo… era um assassino. – Lisanna não pode deixar de arregalar seus bonitos olhos azuis com todas as declarações que Natsu havia revelado sobre o dialogo que ambos tinham tido, era tudo tão surreal, parecia envolvida em um pesadelo, que a única coisa boa contida nele era a presença do rosado em sua casa. – Onde ele está agora? Você precisa fazer queixa, ir na policia e… — foi interrompida pela mão quente dele sobre sua boca a impedindo de continuar, era impressionante como seu corpo mantinha-se quente.
– Não! – apressou a responder elevando seu tom de voz mais do que queria, só percebeu na borrada que havia feito quando a albina colocou policia ao barulho, verdade que estava irritado, queria que seu pai paga-se por seus males, por suas mentiras, mas não teria audácia em denuncia-lo, não queria, não podia, ele continuava sendo seu pai, o que o criou durante aqueles anos todos, sendo ou não pai biológico, Igneel já estava pagando por seus pecados ao ter de fugir para outro continente, sabia que não voltaria a ver seu pai nunca mais, ele nunca ousaria voltar a Magnólia, e isso é o que custava, saber que nunca mais poderia estar com ele. – Prometa que este assunto morre connosco.
– Natsu como pode me contar uma coisa dessas e agora pedir que não conte a ninguém sobre algo tão grave. E você onde vai ficar, você ainda é menor e…
– Por favor, se é realmente minha amiga aceite meu pedido e não conte a ninguém, muito menos ao Gray. – agora percebia que mais valia ter ficado calado, confiava em Lisanna, mas tinha receio que ela acaba-se contando a alguém e que sucessivamente vira-se fofoca pela Akademi. — Quanto a onde fico não tem problema eu me arranjo com o diretor. – Teria de omitir a historia, que havia sido abandonado, não teria outra opção se realmente algema-se proteger seu pai.
– Estamos de férias, até lá como pensa fazer? – perguntou novamente a albina imaginando o rosado vestindo farrapos pedindo esmola na rua, sem duvidas era uma imagem que nunca quereria presenciar em toda a sua vida.
– Colocando a casa a venda, ganho uma grana, não se preocupe eu sobrevivo, apenas preciso de seu silencio.
– Você podia ficar aqui. – tentou convence-lo, passar as férias com Natsu seria um sonho. — Arranjamos uma boa desculpa ate pelo menos passar as férias e você conversar com o Makarov. – seus olhos brilhavam esperando o tão ansiado sim como resposta.
– E ter minhas costelas partidas no processo por Elfman e sua irmã? Dispenso. – fez um esforço para sorrir mas tudo o que menos tinha vontade era esboçar sorrisos, uma magoa havia apoderando-se de seu coração e agora para arranca-la apenas com o tempo seria possível, era estranho como de um dia para o outro acabava tendo de se sustentar sozinho.
Natsu por instinto abraçou a albina que se surpreendeu pelo ato do rosado, ele não era de mostrar afeto com ninguém, sabendo que ele havia aproximado ambos os corpos a fazia fraquejar, mais uma vez sua mente perversa vagueava imaginando “N” coisas que poderiam fazer os dois sozinhos na sala, mas como sempre o consciente alertava que o caso era sério e não era altura para pensar em baboseiras, só que seu erro foi inspirar a fragrância do garoto, oh sim quem controlaria seus desejos insanos agora? Afastou seu rosto do pescoço de Natsu enquanto seus lábios roçavam de leve a face deste percorrendo o caminho que tanto algemava.
Tendo total acesso aos lábios carnudos do garoto, não pensou nas consequências de seus atos, muito menos que poderia ser errado aproveitar-se de sua fragilidade, tantos anos aguardando provar os lábios de Dragneel, poder sentir sua fragrância de mais perto, o dia que ele a passaria a ver como uma garota e não apenas como sua melhor amiga, precisava de mais, queria que ele a amasse queria ser dele. Finalmente o que a muito não passava de simples sonhos iria se tornar realidade. Com sua mão pegou no queixo do jovem o inclinando para cima podendo contemplar os olhos onix cobertos de lágrimas, sem aguentar nem mais um segundo tendo seu rosto tão próximo do rosado, avançou confiante apoderando-se por fim da boca do garoto que não deixou de arregalar seus olhos negros surpreso pelo ato inesperado da albina.
Se sentia nas nuvens, nada poderia se comparar a alegria de conseguir beijar a pessoa amada, e Lisanna estava comprovando isso. Ele emanava um calor incomum, mesmo encharcado seu corpo se mantinha quente, era surpreendente, teria prolongado o beijo se Dragneel não tivesse quebrado o contato se afastando.
– O que foi isto? – Perguntou agarrado aos braços de Lisanna ao qual usou para a afastar de si. Estava tão absorto em suas lamurias, e sua tristeza que nem percebeu que todo aquele ato da albina era para no fim beija-lo.
– Vai dizer que durante esses anos todos nunca percebeu meus sentimentos? Talvez fingiu que eles não existissem não é? Ou será assim tão bobo para não entender que se aproximando de mim meu coração dispara, que fico feliz só o vendo sorrindo? NÃO ENTENDE QUE ESTOU PERDIDAMENTE APAIXONADA POR VOCÊ! É tão cego assim para não enxergar isso? Sei que não é o momento indicado mas não sei se teria arranjado coragem para me declarar em outra ocasião que não essa.
Natsu não sabia o que responder, seria hipócrita se disse-se que nunca notou na forma estranha como sua amiga o observava, em como sua palpitação aumentava em frações de segundos apenas por estar perto dela, preferia fazer-se de desentendido, nunca passaria por sua cabeça a fazer sofrer, não queria perder sua amizade por uma paixoneta que com o tempo acabaria sumindo.
– Não me deixe no vaco tudo menos isso, responda. – continuou Lisanna, agora sim se sentia ridícula, ambos chorando por coisas totalmente diferentes.
– Porquê? Porque está me metendo nesta situação, você é como uma irmã para mim, eu… — não queria magoa-la, mas como recusar seus sentimentos sem a fazer sofrer? Sua cabeça latejava, não era a melhor altura para resolver problemas amorosos.
– Não! Tudo menos isso Natsu, quero mais, você não sabe como dói ouvir da pessoa que gostamos que não passamos de irmãs, pois é o mesmo que atirar a cara que nunca haverá esperanças. – a questão era mesmo essa, ele nunca se imaginou com a albina, nem nunca se atreveria a pensar em uma coisa dessas, só em imaginar ficava com náuseas, não por a achar feia, ela era das garotas mais bonitas que havia conhecido, havia puxado a beleza de sua irmã MiraJane, mas seria como envolver-se com uma irmã, se sentiria estranho.
– Com tantos garotos gentis, sensatos, porquê eu? Não lhe mereço, a minha vida virou uma bagunça, não sou o tipo indicado para a fazer feliz. – tentava de certa forma colocar as culpas em si mesmo, poderia ser que assim percebesse que ele não era de todo o garoto indicado para futuro namorado e assim pudesse tudo voltar ao normal.
– Não me interessa, você podia ser o demónio em pessoa, mas não tenho como negar meus sentimentos, por mais que tente esquece-lo nada vai mudar, se durante esses anos não o esqueci, agora com o caso de seu pai apenas o quero ajudar…eu quero o confortar. – tentou se aproximar do rosado, mas este se apressou a afastar-se, seus olhos já se igualavam ao inchaço dos de Natsu, sabia que aquele dia viria, ao qual confessaria sua paixão secreta por ele, mas não imaginaria que custaria tanto levar uma negação.
– Eu não queria magoa-la mas o melhor é ser direto, mesmo que tudo isso custe. – não mais chorava, parecia que toda aquela historia e acontecimentos repentinos o havia feito esquecer um pouco de seu pai e suas desgraças. – Eu não vou iludi-la Lisanna, como disse apenas a vejo como uma irmã, custa mas é a verdade, não posso enganar a mim mesmo, muito menos a você, você seria infeliz em um relacionamento de fachada. Desculpe mas é para o seu próprio bem. Não vou deixar de ser seu amigo, mas se preferir eu afasto-me, talvez ajude a..esquecer..
– Nunca pense em se afastar de mim, tudo menos isso. – sussurrou em meio aos soluços consecutivos. Antes não ser correspondida mas poder tê-lo de perto, do que não ser correspondida e tê-lo afastado.
Não queria continuar na casa de Lisanna, não agora que tudo tinha virado uma merda, não bastava ele sofrendo, tinha logo que colocar uma das pessoas mais importantes de sua vida chorando também. Escutou o grito de Lisanna o chamando, mas não conseguia encara-la, tudo seria o mesmo mas sabia que a albina apenas continuaria sofrendo estando perto dele, mas se era esse o seu desejo manter-se-ia junto a ela, como apenas amigos como sempre foram. Não ligava a chuva chocando sobre sua pele quente, corria em meio as poças, não tinha rumo, apenas deixava seu corpo seguir uma rota desconhecida.
Flash Back off
– Agradeço por aquela noite, mas não foi pelo beijo que me afastei, foi muito depois disso, mas nem preciso comentar não é verdade, você sabe muito bem a merda que fez. – respondeu por fim a Lisanna acabando de vez com toda aquela conversa.
– Por mais que você continue se afastando, meu coração vai continuar lentamente se despedaçando, mas eu sei que esses pedaços iram sempre pertencer a você, por mais que tente esquecer as memórias, tente seguir em frente, tente o esquecer... – fingiu nem escutar o que agarota continuava tagarelando, estava sendo maldoso ele sabia, mas era esse o objectivo, ela o esquecer de vez, o largar do pé, por mais que ela tivesse feito a maior borrada consigo não a conseguia detestar, foi sua amiga de infância caramba, mas agora só queria ficar sozinho, só queria que o deixassem seguir com sua vida tal como ele havia escolhido.
Em uma sala vazia.
– Aquele maldito. – Lucy bufou irritada enquanto batia com ambas as palmas de suas mãos contra a mesa. – Não fui assistir as provas de natação tudo para o ajudar nos estudos, e logo hoje ele decide faltar. – levantou-se furiosa. – Que ódio! – Queria matar aquele rosado cretino.
Havia perguntado a Levy se tinha como manter a aula de estudo com Natsu, a prova estaria próxima e assim seria uma boa oportunidade para conversar com ele já que todos os restantes aproveitariam o dia para assistir as competições, mas claro que e o maldito burro que mais precisava de estudar decidia faltar. Estava a ponto de esganar a primeira pessoa que aparecesse na sua frente. Não valeria a pena continuar na sala com esperanças que o rosado ainda resolve-se comparecer. Ah mas ele não esperava pela demora, quando chega-se no prédio ele iria ajuda-la nas limpezas das escadas, nem morta iria fazer o trabalho sozinha, e teria muito com que conversar com o garoto.
Estava colocando seus livros na sua bolsa xingando Natsu mentalmente, que nem ao menos percebeu alguém fechando a porta atrás de si. Pensou seguir para a zona da piscina onde decorria as provas, mais valia ir ter com Levy. Estava a ponto de voltar-se para a zona de saída da sala quando seu corpo foi jogado contra a mesa, sentiu seu braço sendo puxado para trás das costas. “Merda”, gemeu ao sentir um ardor em seu pulso. O que demônios era aquilo? Apavorou-se quando sentiu o corpo de alguém que ate então continuava no anonimato se colocando sobre o seu a imobilizado ainda mais sobre a mesa, não conseguia se mover, encontrava-se em uma posição deprimente.
– Não achava que se tinha livrado de mim, não é...loirinha. – sussurrou mordiscando a orelha da jovem provocando arrepios na mesma, não de prazer mas sim de pavor ao reconhecer a voz. Sting...Ele não estava blefando quando havia dito que a pegaria de jeito, e apanha-la em uma sala vazia com as competições de natação decorrendo, com certeza a sorte estava de seu lado. A posição de Lucy só o estava excitando mais ainda, debruçada na mesa com a bunda empinada, se usa-se saias típicas de lideres de torcida com certeza ele teria uma boa visualização de sua calcinha. – Chegou a hora de acabar com sua inocência.
Continua...
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