Trying Understand Him
14 Como suportar
Notas iniciais
Seu lábio ardia cada vez que passava sua língua pelo corte profundo. Estava exausto, deprimido e revoltado com tudo o que havia acontecido naquela maldita sala de explicações, a ultima coisa que precisava para acabar com seu dia infernal era seu pai em casa e para piorar bêbado.
Esparramado no sofá, assistia uma partida de basquetebol com as pernas esticadas na mesinha de centro rodeado de garrafas de cerveja
O odor a álcool despregava das roupas o dando enjoo, principalmente por ele próprio se encontrar no mesmo estado deplorável.
– Isso que são horas de chegar em casa vagabundo? Por onde andou? – já começava os insultos.
– Por aí. – Sting respondeu pronto a começar a subir as escadas e trancafiar-se em seu quarto, o único lugar seguro naquela casa.
– Quando eu faço uma pergunta é para me responder direito. – voltou-se para o filho reparando que o mesmo começava a subir as escadas. – ME RESPONDA PORRA! – lançou a garrafa que tinha entre as mãos em direção a Eucliffes que só teve tempo de afastar o rosto antes do vidro chocar contra a parede e dividir-se em mil bocados.
Levantou-se cambaleante aproximando-se do filho que tentava conter os gemidos de dor por alguns cacos de vidro terem perfurado seu braço.
– É isso que você anda aprendendo naquela a-academia das fadas? – soluçou. – É para isso que ando investindo meu dinheiro? Para você ficar vagabundeando por ai?
– O pai que insistiu que eu fosse estudar naquela academia. – voltou-se para o homem a sua frente, ao contrario do progenitor encontrava-se mais sóbrio.
– Pra você se tornar um homem digno de ser meu filho! – gritou. – Você é um imprestável, nasceu para apanhar e ser pisado por todos, um zé ninguém. Tenho vergonha de você ser do meu sangue.
– É como dizem, tal pai tal filho. – ripostou revirando os olhos, aquilo para si não passava de rotina.
– Sua mãe devia ter feito o aborto como eu bem pedi, mal o vi no berço percebi logo que não passava de um espermatozoide estragado. – Era sempre assim, embebedava-se e só falava merda.
– Cala a boca! – Sting estava no seu limite, não suportava mais os desaforos de seu pai e suas embriaguezes.
– A quem está mandando calar? Hein? – empurrou o loiro com força contra a parede o fazendo perder o equilíbrio e cair do terceiro degrau das escadas. – Não passa mesmo de um banana, você é um fraco, uma desilusão.
– Fecha a porra da boca, ninguém é obrigado a levar com esse bafo. – fez uma careta conseguindo irritar ainda mais o Sr Eucliffes.
– Me escute bem seu imundo. – o segurou firme pela gola do uniforme o puxando violentamente para a frente e o conseguindo levantar do chão. – Hoje eu vou rebentar com sua cara, andava evitando para não haver problemas no colégio, mas agora que veio todo rebentado, vou mostrar a você como um homem de verdade bate.
Deferiu um soco certeiro no rosto do loiro que com o impacto bateu a cabeça na parede.
Sting cuspiu o sangue no chão sorrindo cínico tentando se mostrar indiferente a dor que se alastrava por seu queixo onde o golpe havia sido atingido.
– Claro, você so vive de aparências, o que os outros iriam achar se soubessem que espanca todos os dias seu filho e fica enchendo a cara o tempo todo? Em casa um monstro, fora dela o pai perfeito.
– Você não passa de um ingrato, muita sorte teve você de eu retirar todas as queixas a cada merda feita.
– Só o fazia para ninguém descobrir que seu filho afinal não era tão santo.
Novamente outro soco seguindo de um chute certeiro em seu estomago.
– Mais uma razão de merecer apanhar, talvez assim aprenda a se comportar. – começou a tirar o cinto das calças preparando-se para acertar nas pernas do garoto, precavendo-se para não o acertar com a fivela, seria muito problemático explicar as marcas depois na pele do garoto.
– Chifrudo alcoólatra! – Sting gritou furioso enquanto se levantava sentindo uma pontada de dor nas costelas. – O único imprestável aqui é você, que só sabe ficar bebendo e esbanjando dinheiro em joias para mamãe que esta pouco se fodendo para você. Você é um merda que fica se apoiando nos negócios do tio para conseguir enriquecer, não tem mérito próprio e fica se vangloriando da riqueza que nem mexeu um pau para conseguir. – o fato de estar com álcool no sangue o fazia ripostar o pai como nunca o havia feito, amava o pai, ele nem sempre era assim, apenas quando bebia, o que era praticamente todos os dias, quando estava sóbrio agia normalmente mas desde que começou bebendo com mais frequência aquilo havia se tornado um vicio ao ponto de descontar suas frustrações no próprio filho, já Sting acabava descontando na escola, no fim não passava apenas de um garoto revoltado com a vida.
– Seu filho da puta. – tentou acerta-lo com o cinto mas Sting desviou conseguindo retirar o objeto das mãos do pai.
– CORNO! Você não passa de um corno, é tão burro que nem entendeu que mamãe esta o traindo com o personal trainer, você se diz tão homem que nem consegue satisfazer sua mulher na cama. Se para-se de beber ia perceber o que esta acontecendo a sua volta.
Aquilo foi o estopim, um ardor forte atingiu-lhe o olho o fazendo apagar.
Quando acordou estava deitado em sua cama com o rosto dolorido.
XxX
Três dias haviam passado .
Erza aproveitando que era Domingo, foi visitar a campa de seus avós.
Trocou as flores murchas por umas novas e agachou-se ao nível do memorial.
Aquele lugar lhe transmitia paz, tudo o que mais apreciava, sossego. Conversou sobre o colégio, seus treinamentos e como faltava ainda uns bons meses para poder finalmente sair da academia e começar a ser selecionada para proteger figuras publicas. Falou sobre MiraJane e o quanto era cabeça dura por nunca tentar reatar a amizade e também sobre o idiota do Jellal.
– Falando de mim? – estremeceu, não podia ser quem estava pensando, podia?
Voltou-se para trás ainda descrente de ser o defesa da equipe de futebol americano.
– O que você está aqui fazendo?
– O mesmo que você. – deu de ombros.
– Já te ouvi inventar desculpas melhores, porque não para de uma vez por todas de me seguir. É preciso eu dar uma coça em você para se colocar no seu devido lugar?
– Bruta como sempre. – ele disse sorrindo de lado. – Eu estava apenas visitando a campa de meus pais, juro que não estava seguindo-a.
Erza desviou sua atenção para onde Jellal apontava, e realmente os pais do Fernandez haviam morrido em um acidente de automóvel, então foi estupido de sua parte desconfiar dele. O ambiente ficou silencioso durante uns minutos, Scarlet não sabia o que dizer para desfazer suas palavras maldosas.
– Eu desculpo se me acompanhar no café da manhã, estou morrendo de fome.
– Mas quem aqui pediu desculpas? Não venha colocar palavras em minha boca.
– Não fui eu que fiquei perturbado agora a pouco. – ele revidou.
– Eu tenho uma lista de coisas para fazer, e nada consta atura-lo pela manhã.
– Deixe de ser cabeça dura Erza, eu não estou pedindo para ficar o dia todo comigo.
– Deus me livre aguentar você o dia todo, de todo o modo não tenho fome.
– Nem para uma torta de morango? – foi o suficiente para os olhos de Erza brilharem, não era muito difícil persuadir Erza e Jellal sabia bem os gostos da Scarlet.
– Temos dez minutos, é o tempo de eu comer três tortas.
Aquela garota era impossível.
Acomodaram-se na pastelaria, Jellal pediu uma torta de limão para ele e outra de morango, enquanto isso Erza já se preparava para devorar o máximo de torta que suporta-se, ninguém o mandou a convidar, agora tinha mais era que pagar.
– O que você quer falar comigo, afinal? – perguntou assim que as tortas chegaram a mesa.
– Eu disse que queria que me acompanha-se, não que queria conversar, mas já que toca nesse assunto. Quando pensa me dar uma chance?
– Lá vem com a mesma conversa de sempre. – deu a ultima garfada de sua primeira torta surpreendendo Jellal que ainda nem havia começado. – O que pretende?
– O que acha?
– Eu acho que pode começar pedindo minha segunda torta. – sorriu trocista, não tinha vontade nenhuma de voltar ao mesmo assunto, aquele garoto não desistia.
– Eu estou falando sério, Erza. – suspirou fazendo sinal para o empregado trazer duas tortas, assim não estaria sempre interrompendo a cada frase mal acaba-se de comer o maldito doce.
– Jellal pela milésima vez, eu não saio com jogadores de futebol, porque continua insistindo nisso?
– Pare de colocar todos no mesmo nível que Laxus, só porque sua amiga se lascou no amor não quer dizer que o mesmo vá acontecer com você. – respondeu firme, um arrepio percorreu toda a extensão do corpo de Erza que não esperava ver Jellal tão sério em suas palavras.
– E q-quem garante que eu tenho algum interesse em relacionar-me com você? – xingou-se mentalmente por gaguejar. A verdade é que tinha interesse sim, porque se não tivesse não continuaria respondendo as picardias do azulado e já teria lançado um soco como aviso para não se aproximar mais. O que podia afirmar ter acontecido com vários.
– Ninguém, mas ao menos deixe-me tentar, eu não consigo me aproximar sem que me esculache. Eu nunca fiz nada de errado.
– Então porque não desiste logo de uma vez?
– Não é obvio? Porque eu te amo. – Como uma estaca cravada em seu coração, era assim que Erza sentia-se, deslocada. Por mais que não fosse a primeira vez que Jellal confessava-se, nunca diminuía suas pulsações que agora bombavam frenéticas dentro de sua caixa torácica. – E não desisto fácil das coisas que desejo, você não me deu motivos para me afastar. – verdade, e ela sabia bem disso.
– Então vai ficar me perseguindo feito um cachorro ate eu ceder?
– Se for preciso. – não mudava a firmeza de suas palavras. – Só preciso de um encontro para a fazer mudar de ideias.
– Esqueça, isso não vai acontecer.
– Então vamos fazer uma aposta.
Erza ate se engasgou com o pedaço de sua terceira torta.
– O q-quê? – tossiu.
– Vamos duelar. – aquilo foi o suficiente para Scarlet cair na risada.
– Está zoando não é?
– Está me vendo rir? – perguntou sério. – Se eu ganhar no duelo de esgrima você tem de sair em um encontro comigo sem protestar.
– E se perder? – estava gostando do rumo da conversa.
– Faço o que você quiser. – respondeu.
– Tudo o que eu quiser?
– Sim, tudo.
– E se eu pedir para largar do meu pé?
– Se for mesmo isso que você quer, então sim, o farei. – respondeu firme.
– Então nem sei porque vamos perder tempo com o duelo, já está mais que visto quem vai ganhar. Você sabe com quem está falando?
– Com a campeã feminina de esgrima.
– Isso mesmo campeã, e mesmo assim, acha que tem alguma hipótese?
– Como disse, da ala Feminina. – soletrou a ultima palavra.
– Não pense que por ser homem alguma coisa vai mudar, esgrima não tem haver com força e sim agilidade, e quem nem ao menos faz parte da equipe não tem como vencer-me. Você vai apenas facilitar minha vida. – no fundo não sabia se realmente queria se livrar de Jellal, por mais que fosse orgulhosa e o enxota-se a todo o momento, gostava de o ter por perto lhe moendo o juízo, sinal que alguém se importava consigo, mas como sempre era cabeça dura e não deixava ninguém ultrapassar as barreiras que havia criado para não ser magoada. Sempre foi conhecida por ser pedra de gelo, se soubessem que na realidade tinha um coração mole e só queria carinho e atenção, sua reputação ia pelo cano a baixo e teria mais hipóteses dos garotos aproximarem-se apenas para a magoar e destruir seu escudo. O único insistente era sempre o azulado.
– Amanhã na sala de esgrima, 17h00 estarei a esperando.
– Tudo certo. – falou despreocupadamente, sabia que ia ganhar apenas tinha que ignorar seus sentimentos e não se deixar levar pela afeição e perder de propósito só para ir naquele maldito encontro, porque no fundo era o que mais desejava fazer. – Nos vemos amanhã. – se levantou depois de limpar os lábios. — Considere isto como o primeiro e ultimo encontro que algum dia terá comigo. – respondeu antes de virar costas e sair da pastelaria deixando jellal para pagar as tortas.
XxX
Permiti que fosse para Magnólia mas até hoje não vi um tostão sendo transferido, pensa que vou ficar de braços cruzados enquanto você, uma ingrata fica vagabundeando por aí e esquece seu pai na aldeia morrendo a fome?
Vou me mudar para onde você está daqui dois meses, se ajeite com o dinheiro, faça o que for preciso, se mostre útil uma vez na vida Lucy, não criei você sozinho para não receber ajudas.
Pague duas viagens para Magnólia, envie o dinheiro por correio.
Nos veremos em breve.
Jude Heartfilia
Foi assim que Lucy começou logo o dia de segunda feira, lendo uma carta enviada por seu pai exigindo dinheiro, aquilo nem seria novidade, tinha escrito nem a um mês uma carta para Jude dizendo que estava tudo correndo bem, que não estava pagando aluguel e que estava se focando nos estudos, achando que isso fosse o suficiente para o pai perceber que por enquanto não poderia arranjar trabalho, mas claro Jude só vê dinheiro a frente.
Largou a carta na mesa, mais tarde pensaria o que responder e como arranjaria o dinheiro para as passagens. Pegou na bolsa, ajeitou o uniforme e saiu de casa rumo a academia.
Enquanto isso Levy esperava Lucy a entrada do prédio para irem juntas para o colégio.
– Eu quero que seja você baixinha.
– Já disse que não dá seu idiota, preciso fazer um desenho para entender que estou dando explicação a três alunos. – revirou os olhos cansada de aturar Gajeel. – Se só eles já me dão uma enorme dor de cabeça, então com você era caso para me ir enforcar.
– Mas isso é simples, mande seus amigos viados embora e me coloque no lugar deles. – sorriu debochado irritando ainda mais a azulada.
– Gajeel, a sala de explicações é para pessoas que tenham vontade de aprender e melhorar nas notas, não para burros encrenqueiros irem para destabilizar.
– Eu preciso melhorar minhas notas.
– Você já vem tarde, de qualquer forma já disse que pode ficar com o Eve, ou com um dos explicadores, não vou o meter com Lucy porque coitada, estudar com Natsu é o mesmo que ter 5 alunos burros em um só espaço para ensinar.
– Eu quero você baixinha. – voltou a repetir, não ia perder a oportunidade de ficar mais perto de Levy.
– M-mas p-porquê? – porque estava corando? – Não basta me atazanar na escola, agora quer vir me encher o saco no único lugar que tenho sossego. Era só o que faltava.
– E eu achando que você tinha gosto em ensinar. Fica so ajudando os amiguinhos trogloditas com medo que percebam que afinal você não leva jeito. Eu que tinha razão, você não presta para limpar prédio, nem para nada físico, e agora comprova-se que nem para ensinar. – espicaçou.
Adorava irritar a azulada, talvez por estar viciado no rostinho que Levy expressava cada vez que a tirava do sério. Ou como corava com seus comentários. Ela era extremamente fofa, e não sabia o que estava acontecendo consigo, não era suposto gostar de coisas fofas, muito menos pequenas e de cabelo azul. Nunca se interessou por nerds, mas Mcgarden sempre despertou algo dentro de si que não sabia explicar, algo possessivo. Não suportava que fizessem troça dela, o único que podia faze-lo era exclusivamente ele. E deus sabe o quanto teve que se controlar para não partir os dentes de Sting naquele dia.
– Se tinha o mínimo de vontade em ajuda-lo a passar nos exames, agora ela se foi. Boa sorte repetindo o ano. – estava a ponto de ir embora mas lembrou-se que só estava parada na entrada porque estava esperando Lucy descer.
– Eu preciso mesmo passar na prova. – a virou de forma a ficarem frente a frente. – Eu sou péssimo a matemática.
– Só? – Gajeel revirou os olhos, como ela conseguia ser irritante ao mesmo tempo que fofa.
– Nem é preciso ser na porcaria de sala das explicações, podemos estudar na minha casa.
Foi o suficiente para Levy gargalhar alto.
– Eu? Metida naquela pocilga que chama de casa? É que nem que me paguem.
– Bom podia ter dito logo que preferia que eu fosse na sua casa.
Levy nem teve tempo de responder um belo NÃO, na cara do moreno porque foram interrompidos por Lucy que já se aproximava do não tão casal.
– Fica combinado. – ele piscou o olho fazendo Levy trincar os dentes furiosa.
– Aconteceu alguma coisa? – Lucy perguntou o vendo se afastar assim que se colocou ao lado da azulada.
– Melhor nem saber. – Levy bufou.
Caminharam juntas em direção a academia conversando sobre o descaramento de Gajeel já que Lucy não parava de perguntar se tinham marcado um encontro e aquilo estava irritando a azulada, que negava com todos os dentes que tinha na boca, só pararam o assunto quando foram interrompidas pelo toque do celular de Levy.
– O que se passa? – Levy observava o ecrã do celular pálida, como se tivesse recebido uma noticia trágica. – Levy?
– L-lucy… — estava estática.
– Você está pálida, está se sentindo bem? – ela perguntou preocupada com receio do que pudesse conter aquela mensagem.
– Ah não. – sorriu forçado tentando se mostrar calma. – Vamos voltar. – arrastou Lucy em direção ao prédio a deixando confusa.
– Porquê? – continuava sem receber resposta. – O que aconteceu? Porque estás agindo assim?
– Apenas faça o que estou pedindo Lucy. – não se voltou para trás um segundo enquanto continuava arrastando Heartfilia.
– Mas e o colégio?
– Acredita amiga, você não vai querer entrar na academia hoje, e provavelmente nunca mais.
– Eu não estou entendendo. – estava ficando assustada com o rumo da conversa.
Levy suspirou antes de se voltar para Lucy.
– Lucy, porque você não me contou. – sua expressão mostrava pena e decepção, o que estava acontecendo? Era a única coisa que martelava na cabeça da loira.
– Eu não estou a perceber nada, não contei o quê?
– Que você estava se envolvendo com Sting. – aquilo ate espantava Levy que nunca imaginou Lucy envolvida com um encrenqueiro daqueles
– Mas que absurdo é esse? – arregalou os olhos em choque.
– Vocês não? Você sabe… — arqueou uma sobrancelha, agora que não estava a entender nada era a azulada.
– Levy como pôde pensar que eu fosse ter alguma coisa com aquele babaca, eu não acredito… — estava perdida, como sua amiga poderia pensar uma coisa dessas.
– Mas no colégio… as imagens. – Mcgarden estava totalmente confusa.
– Eu não fiz nada… imagens? Que imagens?
– Lucy, eu lamento. – desviou seu olhar do rosto aterrorizado de Heartfilia.
– Levy você está me assustando, o que esta nessa mensagem que você recebeu?
– Melhor você nem ver, podíamos ir comer um sorvete de morango, aproveitar que hoje está bom tempo e esquecer tudo isso. – onde tinha a cabeça? Se fosse consigo iria querer saber o que continham as imagens.
– Levy! – elevou a voz. – Me deixe ver isso.
– Fique calma. – não sabia se mostrar seria o certo, mas mais cedo ou mais tarde Lucy iria descobrir, não valia a pena adiar.
Lucy tirou o aparelho das mãos da pequena, e realmente preferia nunca ter o feito.
Imagens suas com Sting, todas as cenas vergonhosas, e o pior de tudo, quem visse de fora acharia que estavam se preparando para transar na sala de aula.
Aquilo era tão vergonhoso, tão humilhante.
– Q-quem, quem e-enviou … quem f-foi? – sua voz saiu tremula, mostrando sua raiva contida.
– Eu não sei. – Levy tentou consolar a amiga deslizando sua mão sobre as costas de Lucy que tremia por todos os lados. – Foi em anonimo, mas se eu recebi…
– Todos do colégio também receberam. – finalizou a sentença sentindo as lágrimas querendo escorrer por seu rosto.
– O que aconteceu? Como essas imagens parecem ser tão … reais. – Levy estava tao confusa, acreditava piamente em Lucy e sabia que ela nunca esconderia nada caso tivesse um relacionamento na escola, mas então como tudo aquilo era possível?
– Levy, eu juro. – as lagrimas já deslizavam livremente pelo rosto de Lucy, estava se sentindo tao perdida, como encararia agora os professores? Os colegas? Pior, como encararia Natsu? Logo agora que ele parecia estar diferente, não tão amargo como no inicio. – Eu não fiz nada, eu não fiz nada, eu não fiz nada, acredita em mim. – repetia a mesma coisa desesperada, soluçando com o rosto banhado em lágrimas.
O que iria acontecer se as imagens chegassem ao diretor? Seria expulsa do colégio por praticar indecências na sala de aula? Como se defenderia? Quem iria acreditar em si? Sting nunca admitiria a culpa.
– Calma Lucy. – Levy chorava abraçada a amiga. – Eu acredito em você, vamos arranjar um jeito. Nós temos de falar com o diretor.
– A-agora? – não queria entrar na academia, tudo menos isso.
– Infelizmente quanto mais rápido explicarmos o ocorrido mais rápido acabamos com o mal entendido. Eu fui a primeira a não querer levar você para o colégio, mas agora vejo que é a melhor solução.
– Levy eu não consigo, estou com tanta vergonha, eu não vou suportar os comentários, muito menos a forma como vão me encarar.
– Coloque isso. – estendeu um lenço para Lucy cobrir a cabeça, não ajudaria de muito já que seu rosto estaria visível para quem quisesse observar. – Eu acredito em você e tenho certeza que quando o diretor escutar a tua versão, ele vai acabar com todos os rumores falsos e descobrir o responsável por tamanho infame.
– Obrigada. – Lucy agradeceu abraçando a baixinha.
Não tinha escolha, teria de enfrentar o inferno até conseguir chegar a directoria.
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