Tranquei a escola e segui o caminho mais longo para minha casa. O vento assobiava de tão violento, estava frio. Já iria colocar os fones quando ouvi gritos.

"Socorro! Socorro"

Era a voz de Bianca. Corri e a encontrei com um cara.

– Solte ela.

O homem virou e me viu.

– E se eu não quiser.

– Vou ser obrigado a machuca-lo.

– É mesmo?

Dei um soco em seu olho, mas, ele revidou. Eu tinha alguns anos de Muay Thai e estava na hora de usar alguns golpes. Por sorte ele caiu logo, mas, eu estava destruído.

– EU FALEI PARA ME DEIXAR TE LEVAR PRA CASA.

– Não grite comigo.

– Não é hora de drama garota.

Ela me olhou e vi seu medo desaparecer e uma lágrima surgir.

– Ei, desculpe.

– Desculpe eu João. Tá doendo muito?

– Não, tá fazendo cócegas.

– Vamos para minha casa. Eu cuido de você por lá.

– Nã...

– Pare de bancar o difícil e vamos logo.

Ela me carregou com dificuldade, mas, eu me sentia bem perto dela.

– Senta ai. Vou pegar o Kit. Não sai dai.

– Como se eu pudesse.

Dois minutos depois ela voltou com o kit. Pegou uma das gases e colocou um liquido que não reconheci.

– Vai arder viu.

– Eu aguento né.

Segurei-me para não gritar, ardeu e muito. Ela estava rindo da minha expressão e eu não podia culpa-la.

– Bem. Eu avisei.

Não demorou muito e ele já tinha desinfectado o machucado em minha boca e um arranhão no rosto.

– Duarte, preciso ir.

– Você consegue ir?

– Consigo, você não me seduziu o bastante.

– Idiota, me referi aos machucados.

– Claro, Duarte.

Ela me levou até a porta. Já ia virar as costas quando ela me chamou.

– João?

– Obrigada.

Sorri para ela e fui para casa. Afinal, eu teria problemas. Tentei fazer o mínimo de barulho possível, mas, minha mãe aprecia ter ouvido biônico.

– João? Que isso? Você tá machucado.

– Fui defender uma amiga de um cara e bem... não podia sair sem alguns machucados.

– Oh meu cavalheiro.

– Mãe, menos. Vou info.

Subi as escadas correndo e me joguei na cama. Eu a salvei e ela me ajudou. Isso era bom não é?