Tryin To Find A Reason Why
2 Capítulo II – Myself Was Never Enough For Me
Notas iniciais
Quinn chegou em casa e tudo que queria fazer era se jogar no sofá e comer um pote de sorvete bem grande. Jesse e Rachel não se desgrudavam um segundo sequer. Talvez porque hoje era o dia que os dois fariam um ano de namoro. Quinn não acreditava que ela realmente aguentou tudo isso por um ano.
Pensou em ir para a cozinha, procurar um sorvete de chocolate, ou o seu preferido, que era de mousse de , mas quando chegou na sala, seu pai estava sentado na mesa de jantar e tinha um notebook na frente, ele tinha um sorriso e falava com alguém pela câmera do notebook.
– Pai? – Chamou e viu seu pai corar antes de olhar para ela com um sorriso nervoso. – Com quem está falando?
– Quinn! – Ele guinchou e uma risada alta foi escutada pelo auto falante do notebook.
Quinn olhou para o notebook, então voltou para o seu pai com uma sobrancelha erguida, se aproximou e ficou atrás do seu pai, se inclinando sobre o seu ombro e vendo a pessoa que estava na tela. Era uma mulher morena de olhos castanhos com feições latinas. Quinn sorriu confusa e olhou para o perfil do seu pai.
– Olá! Você deve ser a Quinn. – A mulher disse e Quinn voltou seus olhos para a tela do notebook.
– Sim, eu sou a Quinn, e você é...?
– Rose. Rose Dasher. – A mulher respondeu e Quinn sorriu mais ainda. – Vejo que seu pai não fala muito de mim.
– Na verdade... – Seu pai tento falar e Quinn riu.
– Não, ele não fala mesmo.
– Russel! – A mulher guinchou, sua voz saindo brincalhona. Seu pai se encolheu na cadeira, as bochechas corando mais ainda. – Own, Quinn, aperta as bochechas dele.
E Quinn o fez.
– Quinn! – Seu pai guinchou e Quinn gargalhou.
Puxou uma cadeira e sentou ao lado dele. Com alguns minutos de conversa com Rose, Quinn descobriu que ela era uma amiga do trabalho do seu pai. E ela estava na Espanha visitando a família. Quinn entendeu que seu pai tinha uma quedinha pela mulher. E não, ela não estava triste pela sua mãe. Sua mãe tinha morrido a muito tempo, seu pai merecia ter alguém para ele.
Então seu pai teve que ir trabalhar e Quinn subiu para seu quarto. Tomou um longo banho e desceu para pegar o seu pote de sorvete. Preparou algum filme e na tevê e foi para a cozinha, pegou o seu sorvete de frutas vermelhas e sentou no sofá, um cobertor em suas pernas e confortavelmente sentada. Respirou fundo e deu play no filme.
Então a campainha tocou.
Rosnou e jogou o cobertor para o lado, colocou o sorvete na mesa de centro e se levantou irritada. Andou pisando fundo até a porta e abriu, dando de cara com Rachel.
– Oi? Achei que fosse ficar com o Jesse hoje a noite. – Murmurou enquanto abria espaço para a morena. Rachel respirou fundo. Quinn percebeu que ela parecia ligeiramente triste. – Aconteceu alguma coisa?
– Não exatamente. Bem, não aconteceu nada comigo. É que... o pai do Jesse teve uma briga com a sua mãe e ele saiu de casa. Agora Jesse tem que levar a mãe dele para a casa da avó, e não tem tempo para mim. – Resmungou e Quinn tentou não pensar o quão egoísta isso era. – Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas é que... hoje fazemos um ano!
– Eu fui lembrada disso por bastante tempo hoje. – Quinn murmurou distraidamente, mas Rachel não escutou.
– Ele disse que estava tudo bem com a mãe dele, mas que ele teria que passar a noite na casa da avó, e amanhã ele vai procurar o seu pai e tentar resolver a situação, e isso significa que não vou poder vê-lo amanhã. Isso já é demais para mim!- Rachel se jogou no sofá e colocou as mãos no rosto.
– Isso é demais para mim. – Quinn resmungou mais uma vez, e mais uma vez, Rachel não escutou.
– Acha que eu estou sendo muito grudenta? Sei que temos uma ano de namoro, mas... será que é isso? Ele não quer mais ficar comigo? O que eu fiz de errado? – Rachel guinchou e agarrou o pote de sorvete. – Isso é vegan?
– Não.
– Urgh! – Soltou o pote de volta na mesa de centro e Quinn foi até a mesa, pegou e sentou no sofá, pegando uma colherada do pote e enfiando na boca, gemendo baixinho como o gosto de frutas vermelhas explodia na sua boca. – Pode largar esse sorvete e responder as minhas perguntas?
Quinn revirou os olhos e gemeu irritada.
– Porque você simplesmente não pergunta para ele? Afinal, ele é o seu namorado! – Gritou irritada e viu Rachel a olhar assustada. Um flash de dor passou pelos olhos castanhos e Quinn se arrependeu. – Rae...
– Eu sei que eu falo demais no meu relacionamento, sei que isso deve ser demais para você, mas não é minha culpa! – Rachel se levantou e Quinn a olhou assustada. – Talvez, se você não ficasse o tempo todo lendo seus livros idiotas, estaria arrumando um namorado. Ou talvez se você percebesse que tem um zilhão de pessoas olhando para você, você iria ter um namorado. Até mesmo o Finn!
– Rachel. – Quinn falou séria. Rachel estava vermelha e ofegante. Seria sexy se Quinn não estivesse tão irritada. – Saia da minha casa.
– O que? – Rachel parecia que tinha levado um tapa. – Quinn você...
– Rachel? – Quinn falou mais uma vez. Se inclinou e colocou o sorvete em cima da mesa de centro. – Vá para sua casa, e se acalme. Você não quer discutir comigo sobre isso. Acredite.
– Porque não? Podemos arrumar um namorado para você, Quinn. Não vai ser difícil. Tem uma lista bem grande de pessoas interessadas em você. – Rachel foi falando e Quinn sentiu que sua cabeça iria explodir.
– Essa lista não me interessa! – Gritou e Rachel deu um passo para trás. Recuando assustada. – Essa lista não me interessa se a pessoa que eu realmente quero, não está nela.
– Como você sabe que essa pessoa não está? Tenho certeza de que Finn...
– EU SOU GAY! – Gritou e se afastou da morena. – Saia da minha casa, Rachel.
– Quinn...
– Saia agora, e eu não vou pedir novamente.
E o silêncio se fez. Quinn sabia que a morena ainda olhava para suas costas. Sentia sua nuca queimando com os olhares da morena. Esfregou o rosto e respirou fundo.
– Quinn, eu...
– Eu não vou pedir, Rachel. Apenas vá embora.
– Ainda somos amigas? – Rachel perguntou depois de alguns segundos, sua voz soando tão assustada que a loira não conseguiu respirar. Quinn sentiu seu peito apertar dolorosamente e respirou fundo, achando que seria impossível. – Quinn?
– Amanhã nós conversamos, okay? – Murmurou e passou uma mão pelo cabelo.
– Me responde.
– Rachel...
– Não me chama de Rachel! Me chame de Rae!
– Rae... – Quinn virou para ela e forçou um sorriso. – Eu te mando uma mensagem antes de dormir. Apenas vá para casa, amanhã conversaremos.
– Okay... Eu te amo, tá? Você é minha melhor amiga, e eu só quero o melhor para você. – Rachel murmurou baixinho e Quinn sentiu seu lábio interior tremer.
Talvez eu não queira ser só sua melhor amiga, Rae.
– Ainda somos amigas. Não se preocupe. Vá para casa, ligue para o Jesse, pergunte se está tudo bem. E... diga que eu mandei um abraço. – Disse e viu Rachel assentir com os lábios comprimidos.
– Eu vou indo. – A morena murmurou e se virou.
Quinn a viu saindo pela porta e quando a porta se fechou. Ela caiu no chão, chorando copiosamente.
O problema era que... ela nunca teria coragem de dizer para Rachel como ela realmente se sentia. E... esse era o maior clichê da sua vida.
__
Depois do curto surto. Quinn voltou para o sofá e continuou comendo o seu sorvete parcialmente mole. Assistia Black Swan. Tentava se concentrar em alguma coisa do filme, mas só conseguia pensar em como Mila Kunis era quente e como ela queria ligar para Rachel. Mas pensava outra vez e desistia de ligar para a morena. Seu celular vibrava loucamente ao seu lado, aumentando mais ainda a curiosidade e a vontade de ligar para a morena.
Então o filme acabou e ela arrumou as coisas. Pegou o celular, apertou ele entre os dedos e respirou fundo antes de subir as escadas correndo. Se arrastou sob as cobertas e ligou a tela do celular, vendo que tinha cinco mensagens de Rachel e oito ligações perdidas da morena. Revirou os olhos.
Abriu a primeira mensagem.
Eu sei que você provavelmente está muito irritada comigo, mas preciso saber. Ainda somos amigas? Porque eu sei que eu fui muito insensível e eu realmente quero me desculpar com você. Me perdoa?
Suspirou e abriu a outra mensagem.
Okay, você não respondeu a minha ultima mensagem, e nem atendeu minhas ligações. Estou ficando preocupada. Por favor, me liga, ou responde essa mensagem!
Sorriu rapidamente e comprimiu os lábios, abriu a próxima mensagem.
Okay, eu não vou surtar. Vou ficar aqui esperando você me responder. Estou morrendo de preocupação, mas vou esperar você responder.
Revirou os olhos e rolou na cama até ficar de barriga para baixo e o celular em seu rosto.
Quinn? Eu te amo tá? Você ainda é minha melhor amiga?
Seu peito apertou e ela desistiu de ler a ultima mensagem e simplesmente começou a digitar.
Eu estou aqui, Rae. Estou bem, só estava terminando de assistir o filme que você me atrapalhou de começar a assistir. – Q.
Enviou e respirou fundo fechando os olhos. Não deu um minuto quando seu celular apitou e Quinn viu que Rachel tinha lhe respondido.
Oh. Okay. Então... você é mesmo gay? – Rae.
Sim, Rae. Eu sou gay. Não sei porque está tão surpresa. Nunca escondi isso de ninguém. – Q.
É. Talvez eu não estou tão surpresa, mas achei que você fosse me dizer de outro jeito. – Rae.
Você meio que não me deu outra escolha. – Q.
Me perdoa? Eu fui muito idiota hoje. Não deveria ter jogado minhas frustrações em você. – Rae.
Tudo bem, mas conversar por mensagem está me irritando, vou ligar. – Q.
Antes mesmo que Quinn se desse o trabalho de ligar, a foto de Rachel apareceu na tela do celular e ele vibrava na sua mão. Suspirou sorrindo e atendeu.
– Você nem me deu tempo de ligar. – Foi a primeira coisa que disse depois de encostar o celular no ouvido.
– Não queria que você tivesse o trabalho de me ligar, sei que ainda está chateada comigo. – Rachel murmura e Quinn percebeu que sua voz estava levemente embargada.
– Está chorando, Rae?
– Não! É que... bem... sim eu estava.
– Porque? Eu já disse para não se preocupar.
– Porque você está chateada comigo!
– Rach... – Suspirou e passou a mão pelo rosto, sentindo-se cansada. Mais emocionalmente do que fisicamente.
– Você parecia tão irritada quando falou comigo, que eu achei que não iríamos nunca mais ser amigas novamente. – A morena divagou e Quinn tirou a mão do rosto. – Você... você gritou comigo...
Quinn respirou fundo e sentou na cama. Passou uma mão pela nuca, sentindo a tensão se localizar sob seus dedos.
– Eu sei, desculpa por aquilo. Eu fui idiota. – Murmurou e seus olhos fixaram na parede branca do seu quarto. – Eu achei que você já sabia.
– Eu desconfiava. – A morena retrucou e Quinn assentiu, então lembrou que Rachel não estava vendo. – Mas... sabe o que doeu?
– Hm?
– Ver que você ficou machucada. Quinn... eu nunca quero ver você machucada. Nunca.
O peito de Quinn apertou dolorosamente e ela suspirou para tentar aliviar. Abriu os olhos que nem percebeu que os tinha fechado.
– Rach...
– Quando você me mandou ir embora da sua casa... Quinn, isso foi besteira em comparação ao olhar que você tinha no rosto.
A voz da morena estava séria e, ao mesmo tempo, embargada. Quinn cerrou os dentes. Apertando a mandíbula fechada. A vontade que ela tinha de chorar de novo, era tão grande que ela teve que afastar o celular um pouco do rosto para que Rachel não percebesse a sua respiração acelerando.
– Me perdoa por te mandar ir embora? — Murmurou baixinho e se encolheu de volta na cama. — Eu não deveria ter feito isso. Foi um insensível da minha parte...
– Insensível? Quinn... eu não deveria ter me exaltado com você por besteira. Na verdade, eu nunca deveria ter me exaltado com você. Porque você só estava querendo ajudar eu que... Me perdoa? Por favor... — E a voz da morena se quebrou em um choro quase inconsolável.
Quinn fechou os olhos apertados e virou na cama, apertando o celular contra a orelha. Sentia as lágrimas caindo por seus olhos e comprimiu os lábios, para que não soluçasse. Respirou fundo, sua respiração saindo trêmula e abriu os olhos.
– Rae...
– Me perdoa... por favor...
– Não tenho que te perdoar, Rach. Está tudo bem. Tudo bem. — Tentou acalmar a morena.
Ficou por alguns minutos, escutando a morena chorar e se encolheu sentindo seu peito doer. Doía ver que Rachel estava machucada. Mesmo que ela estivesse tentando não machucá-la. Fechou os olhos com força e respirou fundo, esperando a morena parar de chorar.
– Obrigada. — Rachel murmurou depois que parou de chorar. — Eu estou cansada.
– Vai dormir. — Quinn respondeu escutando a morena resmungar baixinho. Sorriu quando percebeu que ela estava ficando sonolenta. — Quer que eu fique com você até que durma?
– Você faria isso? — A voz da morena estava baixinha. Quinn sentiu seu lábio se contorcer em um sorriso.
– Claro que faria.
– Obrigada.
– Pare de me agradecer. — Sussurrou e rolou na cama, virando par ao outro lado.
E ela continuou com Rachel. A morena não disse nada, apenas ficou em silencio. Quinn escutava a morena respirando e o sorriso não saia do seu rosto.
Ela amava tanto Rachel Berry que não sabia como conseguia esconder isso da própria Rachel Berry. Ou até mesmo não escondia, mas Rachel era muito alheia para perceber que a melhor amiga dela a amava, mais do que uma amiga. Mais do que uma melhor amiga.
Fechou os olhos quando percebeu que Rachel tinha adormecido.
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