Tryin To Find A Reason Why
28 Capítulo XXIIIV – Please, Let Me Talk To You
Notas iniciais
Capítulo XXIIIV – Please, Let Me Talk To You
– Tem certeza disso?
Rachel é atraída para a voz da pessoa ao seu lado. Finn dividia o olhar preocupado entre Rachel e a estrada a sua frente. Eles estavam chegando no Carmel High e a cada metro, Rachel sentia seu corpo ficar mais tenso. Queria que Quinn estivesse ali para ajudá-la a se acalmar.
– Sim. Tenho certeza. – Respondeu rápido e respirou fundo. – Só queria que Quinn estivesse aqui comigo.
Finn solta um longo suspiro.
– Porque você não disse para ela que iria ver a sua mãe?
Rachel olha para o garoto com os olhos cheios de culpa. Tinha muito medo de que Quinn ficasse magoada com ela por não ter avisado sobre viajar para Akron sem ela e ir visitar sua mãe. Mas como tinham conversado na semana passada, Quinn não queria que ela se encontrasse com Shelby.
Mas Rachel não conseguiu evitar. Era sua mãe afinal! Poderia ter feito muita coisa ruim para ela no passado, mas o que Rachel queria, era um olhar de orgulho daquele que lhe deu a vida. Não era sua culpa por ter esta necessidade.
– Quinn precisa entender. – Diz rapidamente e olha para a janela do carro. Se desligando de Finn, que não diz mais nada e continua dirigindo.
Distraida, Rachel não percebeu quando Finn estacionou a caminhonete no grande estacionamento do Carmel High. Seu carro distoava dos carros enormes que tinham ali. Rachel sempre soube que os estudantes daquela escola eram ricos e filhinhos de papai. Jesse era rico e filho de papai. Mesmo que seu pai tenha abandonado sua mãe a pouco tempo, ele ainda mimava o seu filho e provavelmente estava pagando para que ele estudasse na Carmel.
– Esse lugar me deixa enjoado. – Finn comenta e abre a porta da caminhonete, saindo logo em seguida.
– Eu não me sinto muito diferente.
Finn lhe lança um olhar triste. Rachel estava arrependida por ter escolhido-o para lhe levar ali. Mas não conseguia ir sozinha. Apesar de estar ali por vontade própria, Rachel ainda tinha medo da rejeição.
Eles entraram juntos na escola e não tinha uma só pessoa pelos longos corredores brancos da Carmel. Não era horário de aula. Rachel franziu o rosto e continuou andando pelos corredores com Finn a dois passos atrás. Finalmente achando a placa onde apontava para o lado, demonstrando onde era o auditório. As portas estavam fechadas. Rachel ficou repentinamente tensa.
– Quer que eu entre com você?- Finn questiona atrás dela e Rachel vira para encará-lo.
– Você faria isso? – Ela pede e vê Finn abrir um sorriso calmo e carinhoso.
– Claro que faria! – Ele diz e seu sorriso aumenta. – E se não o fizesse, Quinn me mataria.
Rachel solta uma risada. A tensão escapando um pouco de seus ombros e ela respirou fundo. Sentindo que poderia abrir aquela porta e enfrentar o que tinha do outro lado.
E ela o fez.
Agora entendia o porque de não ter uma só pessoa andando pelos corredores. Todos estavam no auditório assistindo uma performance que ocorria no palco. Vocal Adrenaline performava no palco, quase todos usavam vermelho, menos o casal que cantava.
E Rachel conhecia os dois. Eram Jesse e Claire.
Ambos usavam roupas em cores escutas. Claire usava uma calça e uma camisa de manga curta, ambas pretas. Já Jesse, vestia um azul escuro.
Rachel não reconhecia a música que cantavam, mas parecia algum tipo de rock. Finn cantarolou um pouco e ela notou que ele parecia empolgado com a música.. Andou mais um pouco e sentou em uma poltrona mais escondida de qualquer luz e Finn sentou-se ao seu lado, ainda batendo os pés com a música.
Suspirando pesadamente, Rachel esperou que a performance acabasse, olhava para cada canto do auditório com olhos curiosos. Tinha a esperança de encontrar Shelby em algum lugar, mas o auditório estava cheio demais para distinguir uma pessoa que ela não vê à dois anos. Sim, era pouco, mas também era muito para mãe e filha.
Quando finalmente terminou, Rachel riu ao ver Finn se levantar para aplaudir, mas logo se sentou ao lembrar que eram inimigos que estavam performando.
– Nós somos melhores. – Ele fala com um dar de ombros forçado.
– Claro que sim. – Rachel murmura e vê todos se levantando e saindo do auditório com sorrisos estampados em seus rostos.
O Vocal Adrenaline ainda estava no palco. Alguns conversavam entre si, outros se alongavam. Rachel viu Claire bebendo água em um lugar mais afastado e revirava os olhos para o pessoal no palco. Sabia que a morena odiava estar ali, e recebia um dinheiro pra estar ali. Então ela era obrigada.
Se levantou e andou por trás do auditório, mas algo chamou sua atenção.
Uma mulher aparentemente mais velha do que todos que estavam ali, se levantou e subiu no palco calmamente. Ao se virar, Rachel a reconheceu.
– Essa é... – Finn começou a murmurar e Rachel só conseguiu assentir.
Quando Finn foi falar mais alguma coisa, uma voz no palco o cortou.
– Por favor, New Directions... – Rachel ficou tensa quando o olhar da mulher parou nela. – Queiram nos presentear com sua presença.
Finn a olhou com os olhos arregalados e se levantou lentamente, limpando as mãos nas calças jeans. Rachel ainda demorou antes de levantar com um suspiro. Shelby tina os olhos treinados neles, assim como todos do Vocal Adrenaline. Pelo olhar despreocupado de Shelby, Rachel sabia que ela não estava lhe reconhecendo.
– Vou dar dois minutos para se explicarem. – Shelby diz com a voz dura.
Isso irritou Rachel profundamente. Ela andou até a escadaria e desceu com a cabeça abaixada. Queria ver qual seria a reação de Shelby quando levantasse o rosto para encará-la.
– Espiões! – Uma dançarina guinchou. Rachel quase revirou os olhos, mas preferiu ignorar.
– Nomes. – Shelby pediu com um tom de ordem. Deixando claro que era realmente uma ordem, mas Rachel preferiu colocar na própria cabeça que era um pedido, não queria sentir mais ódio da mãe agora.
– Finn Hudson. – Ela escuta atrás dela. Finn tinha a voz forte e firme, Rachel quase o agradeceu por isso. – Não viemos pra espionagem.
– E porque deveríamos acreditar nisso?- A voz de Jesse se fez presente. – Está obvio que vocês querem nos espionar e...
– Calado.
A voz de Shelby o cortou, não só a ele, mas também a respiração de Rachel e os passos de Finn. Sentia os olhos da mãe pousados nela.
– E você? – Sim. Shelby tinha dirigido essa pergunta a ela. Seu corpo congelou. Parou de andar e respirou fundo antes de levantar a cabeça e seus olhos encontrarem os da sua mãe.
Shelby não disse uma só palavra. Seus olhos estavam fixos em Rachel. Rachel não conseguia desviar o olhar. Ela queria. Muito. Mas não conseguia.
– Rachel? – A voz de Shelby saiu ofegante.
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– Porque voltou? – Questionou quando sentou no banco do piano. Shelby tinha a cabeça baixa e estava mais afastada.
Depois de uns minutos se encarando, Shelby ordenou que todos saíssem do auditório. Inclusive Finn. E quando ele saiu, Rachel desejou que ele chamasse Quinn. Queria muito ter a loira com ela naquele momento.
– Tem momentos na vida que... que você começa a relembrar tudo o que fez na vida, e deseja poder consertar tudo que deu errado. – Shelby começou a explicar, sua voz saiu cheia de uma emoção que Rachel não quis decifrar.
– E o que a faz pensar que isso é algo que pode consertar? – Sussurrou passando os dedos pelas teclas do piano. Sentiu os olhos de Shelby nela e suspirou. – O que a faz pensar que eu quero consertar isso?
Levantou os olhos e encontrou Shelby com um sorriso pequeno e as mãos cruzadas na frente do corpo.
– Porque eu conheço você.
Isso irritou Rachel.
– Não! – Se levantou batendo as mãos no piano. – Você não me conhece!
– Rach...
– Não me chame assim!
Shelby ergueu as mãos em rendição. Rachel conseguia ver em seus olhos a mágoa que a outra sentia. Odiava ser parecida com sua mãe. Odiava ter que lembrar dela sempre que se olhava no espelho. Odiava reconhecer emoções no rosto da sua mãe.
– Me desculpe. – Ela pede com um suspiro e volta com as mãos para frente do corpo. – Sei que não deveria ter dito isso...
– Você não deveria nem estar aqui.
– Rachel... – Ela murmura e anda para mais perto da morena. Rachel vira o rosto e reprime a vontade de sair correndo. – Eu me arrependo das cosias que fiz... que disse. Me arrependo de tudo que não fiz. E queria muito poder voltar a ter contato com você e que tudo se...
– Não. – Uma voz masculina ecoou pelo auditório.
Ambas as morenas levantaram os olhos para a entrada e encontraram um homem alto de óculos e uma loira um pouco menor ao seu lado.
Quinn e seu pai, Hiram.
– Papai?
Seus olhos voaram para Shelby, que tinha os braços cruzados e parecia tensa. Rachel não sabia como Quinn e seu pai tinham ido parar ali, mas se sentia grata por isso.
– Você fez a minha filha chorar, a fez questionar a sua existência! – Hiram esbraveja. Sua voz tremendo no final da frase. Ele andou até o palco e parou ao lado de Rachel. – O que te faz pensar que eu vou ficar de braços cruzados enquanto você a faz sofrer?
Rachel voltou os olhos para Shelby e seu peito apertou quando viu o olhar dolorido naquela que lhe deu a vida.
– Sinto muito, Hiram. Mas eu não vim aqui com o objetivo de fazer Rachel sofrer mais uma vez. – Shelby se explica e olha para Rachel com os olhos brilhando. Rachel não conseguiu distinguir o que era. – Rachel... por favor...
Sentia que os olhos de Quinn e seu pai estavam nela. Mas seus olhos estavam fixos nos da sua mãe. Shelby estava implorando para conversar com ela. E Rachel estava muito inclinada a aceitar. Era sua mãe, afinal!
– Estrelinha. – Seu pai lhe chamou. Rachel o olha com os olhos grandes e Hiram sorri docemente. – Faça o que achar que for certo. Eu irei te apoiar.
Rachel assentiu e levou os olhos até os verdes de Quinn. A loira tinha um olhar perturbado. Rachel sabia que ela queria lhe tirar daí e abraçá-la para proteger de todo o mundo lá fora, mas Rachel precisava enfrentar esse mundo.
– Onde podemos conversar?
O olhar chocado de Shelby quase a fez sorrir, mas apenas respirou fundo e escutou sua mãe dizer que a levaria para um café próximo a Carmel. Shelby saiu do auditório dizendo que estaria esperando Rachel do lado de fora. Hiram logo se virou para Rachel com um sorriso de lábios fechados e Quinn estava um pouco afastada com as mãos nos bolsos.
– Como você está? – Seu pai pergunta se aproximando e passando um braço ao redor dela, beijando sua testa logo em seguida.
– Estou bem, papai. – Responde com um suspiro e seus olhos vão para Quinn, que estava mais afastada com os olhos perdidos para o chão. – Me perdoe por não ter avisado sobre Shelby estar em Ohio.
– Não se preocupe, querida. Seu pai não via ficar muito feliz com isso, mas vou conversar com ele. Eu também não fiquei muito feliz com isso, mas... entendo que você precisa de um encerramento. Ou, quem sabe, de um recomeço.
Rachel assente com um sorriso e suspira mais uma vez.
– Obrigada papai.
Hiram sorri e acaricia seu braço, soltando um longo suspiro.
– Agora você tem que ter uma longa conversa com a senhora emburradinha ali. – Ele acena com a cabeça e Rachel olha para sua namorada mais uma vez.
Hiram se afastou dizendo que precisava voltar para o trabalho e Rachel ficou sozinha com a loira. Rachel logo viu que Quinn não estava feliz com a escolha que ela tinha tomado.
– Quinn...
– O que eu fiz de errado? – A loira questionou passando uma mão no rosto e respirou fundo, voltando a olhar para a morena. Seu olhar tão triste que Rachel comprimiu os lábios para não chorar.
– Nada! Quinn, por favor...
– Eu fiz alguma coisa muito ruim pra você não confiar em mim?
– Não! Meu amor.. – Ela se aproxima rapidamente, segurando o rosto da loira e aproximando seus rostos. Era uma tática boa para fazer com que Quinn prestasse atenção somente nela. – Eu sei que deveria ter te dito, sei disso. Mas eu sabia que você não iria deixar que...
– Eu não ia deixar? – Quinn guincha e se solta da morena com um olhar chocado. – Quem sou eu pra deixar ou não você tomar suas decisões? Não sou sua dona, Rachel. Você faz o que quiser da sua vida, não precisa que eu deixe ou não você fazer algo!
Okay, Rachel escolheu péssimas palavras. Quinn sempre foi muito tranquila com as decisões que Rachel tomava, mesmo não concordando com a maioria, ela sempre lhe apoiou e sempre a segurou enquanto chorava desesperada por que sua mãe disse que não poderia fazer parte da sua vida.
E por esse motivo, por Quinn apoiá-la tanto, que ela estava tão magoada por Rachel não ter dito o que ia fazer. Nem mesmo o que pensava sobre o assunto. Rachel enxergava exatamente isso nos olhos da loira. Mas porque Rachel fez isso? Porque escondeu de Quinn?
Olhando nos olhos dela agora, Rachel soube responder.
– Eu não queria decepcionar você. – Explicou com a voz baixa e pequena. Respirando fundo e cruzando os braços quando o coração doeu ao ver como a loira estava afastada. – Queria que não me olhasse como está fazendo agora.
Quinn balançou a cabeça e soltou uma longa respiração.
– Você sabe que mesmo decepcionada, eu vou te abraçar quando chorar. Porque eu te amo, Rachel. Muito. E você disse que me amava também...
– E eu amo! – Rachel exclama, sentindo seu peito apertar dolorosamente, acreditando que Quinn não acreditava no seu amor por ela. Quinn não deveria questionar isso! – Por favor, Quinn. Não questione o meu amor por você.
– Eu não questiono. E nem duvido.
– Então porque...
– Você não confia em mim! – A loira guincha, o tom incrédulo fez Rachel ofegar. – Eu sou sua melhor amiga desde que nos entendemos por gente, começamos a namorar à quase um mês. Quando éramos somente amigas, você confiava em mim. Agora que namoramos, você não confia. O que eu fiz de errado pra isso acontecer? Eu posso ser sua namorada, mas acima de tudo, Rachel, eu sou sua melhor amiga.
Rachel fechou os olhos. Certo. Ela tinha esse problema que deveria trabalhar. Rachel nunca confiou em seus namorados. Sempre pensou que eles estavam namorando-a porque queriam algo dela. Mas Quinn não era assim. Quinn a amava de verdade. E era uma amor completamente recíproco.
Mesmo namorando a loira, esse hábito ainda existia. Ela nem mesmo pensou em mudar isso, pelo menos não até agora. Agora ela, abrindo os olhos e olhando para sua namorada, pensou nela como sua melhor amiga, e então como namorada.
– Eu confio em você, Quinn. – Rachel afirma. Sua voz saindo profunda e determinada. Porque era a mais pura verdade. Ela sempre confiou na loira. – Eu te amo, e confio em você.
– Eu não sou os seus namorados. Sou sua namorada. Sua melhor amiga. – Quinn sussurrou com os olhos começando a se encher de lágrimas e Rachel sentiu seu peito apertar. Seus próprios olhos começando a se encher.
– Eu sei que não. Me perdoe por isso, eu só não quis te desapontar. Não tem nada a ver com confiança.
Quinn assente e ergue a cabeça para o teto, respirando fundo e assentindo mais uma vez antes de abaixar o olhar para ela.
– Claire que me ligou. – Quinn murmura e fecha os olhos, um sorriso formando em seus lábios. – Ela achou preocupante você aparecer aqui e ainda ser muito parecida com a Shelby.
Rachel solta uma risada e vê os olhos verdes lhe encarando com amor e carinho. Respirando fundo, Rachel andou até ela, abraçando-a pela cintura e enterrando o rosto no ombro da loira.
– Eu te amo. – Sussurrou contra a jaqueta azul marinho da loira. Levantou a cabeça quando sentiu a risada de Quinn. – O que foi?
A loira tinha um olhar carinhoso direcionado a ela.
– Eu sei que você me ama. – Ela fala cheia de ganância.
Rachel solta uma gargalhada antes de se inclinar e colar os lábios nos da loira, ambas gemendo com o prazer de ter seus lábios juntos mais uma vez. Elas não se beijavam desde que discutiram no quarto da loira. E finalmente estar beijando-a lhe dava uma sensação maravilhosa.
E ela queria que nada mais desse errado. É uma pena que nem sempre acontece o que queremos.
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