Tryin To Find A Reason Why
21 Capítulo XXI – FriendZone Is A Bitch
Notas iniciais
Capítulo XXI – FriendZone Is A Bitch
Finn estava sentado no sofá olhando para a televisão, que passava algum jogo de futebol. Quinn estava sentada lendo um livro e Rachel estava ao seu lado, olhando para o celular e colocando músicas bem baixinho para que pudessem escutar sem que atrapalhasse.
Suspirando quando a morena passou uma música e voltou a se recostar no ombro loira, Quinn finalmente resolveu falar.
– Quando é que você vai começar a falar sobre as Seletivas? – Indagou baixinho, não querendo chamar Finn para a conversa.
Rachel ficou tensa, Quinn conseguiu sentir.
– Quinn... nós não precisamos...
Fechando o livro, Quinn se vira para Rachel.
– Eu não vou participar, você sabe disso. – Lembrou e viu a morena desviar o olhar. – É amanhã Rachel.
– Eu só... não queria lembrar que você não vai estar lá.
– Não, eu não vou estar lá. – Enfatiza e vê que Rachel parecia estar pensando. Bufando ela continua a falar. – E você nem pense em dizer que não vai estar lá.
Rachel franziu as sobrancelhas.
– Você não pode me obrigar a ir! – Guinchou a morena e Finn apurou os ouvidos para prestar atenção na conversa. – Não vou deixar você sozinha aqui enquanto...
– Você vai! – Retrucou irritada. – Você não pode ficar aqui enquanto eles precisam de você!
– E quem vai ficar com você?!
– Claire pode ficar, afinal, o Vocal Adrenaline não vai fazer nenhuma apresentação amanhã.
E Rachel ficou vermelha, se afastando de Quinn para sentar na poltrona. A loira sabia que tinha dito algo que não devia. Rachel estava começando a ficar sensível quando se falava em Claire. Todos os dias que ela passou no hospital, Rachel estava ao seu lado, até mesmo quando Claire entrava para vê-la, a morena estava sentada no sofá, um olhar bem atento sobre elas.
Sempre que Claire a beijava na frente de Rachel, Quinn conseguia escutar um rosnado vindo do sofá, e sabia que a morena também escutava, mas fingia que não o fazia.
– Eu não vou me intrometer nisso, mas devo dizer que a Quinn está certa. – Finn fala do sofá, seus olhos ainda fixados na televisão.
– Obrigada, Finn!
– Fica calado, Hudson! – Rachel rosna e cruza os braços com força na poltrona. – Eu não vou discutir nada disso agora. Você tem que descansar. – Ela avisa para Quinn e se levanta da poltrona. – Vou pegar um café.
E sai do quarto sem dizer mais nada.
Bufando, Quinn se volta para Finn, que estava olhando para ela com um olhar triste.
– Eu disse que não deveria ter começado a namorar com a Claire. – Ele avisa e Quinn respira fundo.
Sim, isso tinha acontecido. Dois dias atrás, quando Rachel estava no colégio, Claire tinha pulado as aulas para ir ver Quinn, e acabou pedindo para namorar com a loira, que não conseguiu hesitar. Ela aceitou com um sorriso, porque Claire a fazia sorrir.
– Eu sei que não, mas eu não consegui. Eu gosto de Claire, ela me faz sentir algo bom, e é realmente bom. Ela me faz tomar decisões, ela me faz feliz. – Se explica e suspira ao ver o sorriso de Finn. – Sempre que penso em Rachel do mesmo jeito, lembro que ela está com Jesse e que ela diz estar feliz com ele.
Finn assentiu e se levantou do sofá, sentando na cama e pegando a mão da loira.
– Mas não foi ela que te beijou há três dias?
Corando, Quinn assentiu. Ela ainda tinha sequelas daquele beijo na sua mente. Tinha certeza de que nunca iria esquecer-se de como seus lábios ficaram dormentes e de como seu coração bateu, parecendo que iria sair pela boca, e seu cérebro tinha derretido e escorrido pelo seu corpo.
– É, e foi ela mesma que trouxe Jesse para me ver no dia seguinte, dizendo que ele estava com saudades de mim, sendo que eu conseguia ver nos olhos dele que ele não estava nada feliz em estar aqui. E que tinha sido completamente forçado.
– Okay, então, Rachel é a pessoa mais confusa do mundo.
– E eu tenho certeza de que ela só trouxe Jesse aqui porque se arrependeu do beijo, e para mostrar que não significou nada pra ela, me traz o namorado.
Rindo, Finn assentiu e se levantou, a tempo de a porta se abrir e uma Rachel emburrada entrar com Claire atrás dela.
– Encontrei na recepção. – Rachel anuncia rapidamente e vai para o sofá.
Finn cumprimenta Claire rapidamente e senta ao lado de Rachel, passando um braço pelos seus ombros.
Claire se aproxima de Quinn e se senta na cama, se inclinando e beijando os lábios da loira, sorrindo quando ela levou a mão até a sua nuca, puxando-a para mais perto. Não, isso não era pelo ciúme, claro que ela iria pensar nisso, mas é sério, Claire beijava muito bem!
– Calma ai, loirinha. – Brincou Claire e se afastou para arrumar o cabelo de Quinn. – Como está se sentindo?
Suspirando, Quinn balança a cabeça.
– Cansada, mas muito bem. Pronta pra outra! – Brincou e viu a morena rir lindamente.
– Só espero que não seja outra dessa, sério, você me assustou. – Sussurrou Claire e suspirou. – Me desculpa por não estar fazendo visitas mais frequentes, mas é que o VA está começando a me cobrar mais nos ensaios, e está me matando. Ando tendo ensaios de madrugada!
– Tudo isso porque as Seletivas estão perto? – Indagou a loira. Ela sabia que as Seletivas do Vocal Adrenalina estavam perto, mas não eram no mesmo dia do New Directions.
– Sim, por isso que ando sem tempo. – Se explica lamentando quase que dramaticamente, mas logo um sorriso brincalhão surgiu em seus lábios. – Tudo o que eu quero quando chego em casa é um banho quente e uma namorada para me aconchegar a noite toda.
E Quinn enrubesceu com isso. Claire e ela não tinha conversado sobre como seria daqui para frente. Afinal, a loira ainda estava no hospital.
– E eu posso ser essa namorada? – Brincou vendo Claire rir e se aproximar para depositar mais um beijo em seus lábios.
Quinn escutou um leve bufo vindo do sofá e sentiu o sorriso de Claire em seus lábios. Isso sempre acontecia e Quinn estava começando a se sentir verdadeiramente culpada por causa disso. Ela já tinha pedido para Rachel sair uma vez quando a morena tinha reclamado sobre os beijos exagerados que Claire lhe dava, mas ela se recusou a sair.
– Bom, eu terei que ir. – Claire lamenta enquanto se afasta e leva a mão até o rosto da loira, acariciando abaixo dos seus olhos.
– Por quê? – Choramingou a loira, sentia seu lábio inferior se projetar para frente, formando um beicinho.
Rindo, Claire se aproximou e a beijou mais uma vez, se afastando um suspiro feliz.
– Porque eu estou no meu intervalo dos ensaios, e sinceramente, não quero ouvir Trevor falando merda no meu ouvido como da ultima vez.
Sim, várias outras vezes, Claire se atrasava para ir para o ensaio do Vocal Adrenaline porque queria ficar com Quinn por mais tempo, mas então, Trevor lhe ligava loucamente, irritado pela demora. Claire odiava tudo isso, mas ela tinha que continuar fazendo, era um bom dinheiro.
– Okay, quando você passa aqui mais uma vez? – Outro bufo veio do sofá e Quinn fechou os olhos para respirar fundo, abrindo-os para encontrar o olhar divertido de Claire. Ela tem uma paciência maior do que a sua.
– Amanhã cedo eu devo estar aqui, portanto terei que voltar para o ensaio, mas eu volto pra cá quando terminar. – Ela anuncia e Quinn assente.
Claire se inclina para beijá-la outra vez, e dessa vez, não ouve bufo do sofá.
Quando ela foi embora, Quinn virou para o sofá e viu que Finn estava com os olhos atentos na televisão e Rachel tinha os olhos no celular. Respirando fundo, Quinn se arrumou na cama e deitou, pegando o livro para ler.
Rachel agora iria lhe ignorar até que sua diva anterior se acalmasse.
__
Rachel não tinha ido ver Quinn de manhã no dia seguinte. Quinn sabia que isso iria acontecer. Ela implorou para a morena na noite anterior, que ela não deveria deixar de ir para as Seletivas, que iriam precisar dela lá. Rachel não ficou nada feliz com essa insistência, mas foi embora só uma hora depois quando Russell saiu do trabalho para passar a noite com Quinn.
Ela iria sair do hospital hoje.
Russell estava arrumando suas malas enquanto ela tomava banho. Ao sair do banheiro, sorriu para o seu pai que já estava arrumando as malas no sofá. Ele estava muito animado com a ideia de não ter que ir mais para o hospital. Quinn o entendia, ela odiava ter que ficar no hospital, sempre lhe lembrava dos dias horríveis que passou esperando que sua mãe e sua irmã iriam acordar do coma e iriam para casa.
Mas não foi bem assim.
Russel tinha a mão fria da sua esposa entre as suas. Ele olhava para o rosto pálido e sereno de Judy, esperando o momento em que ela iria abrir os olhos. Quinn entrou no quarto e suspirou ao ver a cena. Era sempre assim. O dia inteiro. Olhou para o lado da cama da sua mãe, e sorriu tristemente.
Frannie estava na mesma situação. Olhos fechados e uma expressão serena. Parecia até que estava dormindo. Se aproximando, Quinn sentou na cama e passou a mão pelo rosto frio de Frannie. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e ela respirou fundo para impedir que mais alguma caísse.
Alguns minutos depois, alguém entra no quarto, Russell se levanta da poltrona quando vê que é o médico que estava cuidando de Frannie e Judy, mas ele não solta a mão da sua esposa.
– Algum problema, doutor? – Russell pergunta, Quinn o olha e seu coração se parte ao ver o quanto ele tremia. Seu pai sempre foi um homem forte, seu cabelo sempre penteado para trás e uma expressão fria e presunçosa. Agora, Russell era um homem com os cabelos desarrumados e um semblante triste. Suas roupas pareciam ser as mesmas do dia anterior.
Ao olhar para a prancheta que tinha em mãos, o médico suspirou pesadamente.
– Senhor Fabray, será que posso falar com o senhor em particular? – Ele indaga e Russell olha para Quinn, fazendo um pedido silencioso para que ela tomasse conta das duas mulheres deitadas nas camas.
Ele saiu da sala com o médico e só voltou duas horas depois. Quinn estava quase dormindo no sofá quando seu pai entra na sala com os olhos vermelhos e o cabelo mais desarrumado ainda. Ele parecia inconsolável. Se levantando assustada, Quinn vai até ele.
– O que aconteceu? – Ela pergunta nervosa.
Russell a olhou e Quinn já conseguia entender o que era.
Cinco meses elas passaram deitadas naquelas camas. Longos cinco meses que eles passaram naquela esperança de que elas iriam acordar. A noticia que Russell lhe deu, foi que ele tinha acabado de assinar os papeis para que desligassem os equipamentos.
Equipamentos aqueles que estavam mantendo sua mãe e sua irmã viva.
Quinn poderia ter feito um escândalo. Ela poderia ter chorado desesperada, implorado para não desligar, poderia ter feito várias coisas para que os impedissem, mas ela apenas assentiu e se afastou. No dia seguinte, um médico os chamou para que desligassem os equipamentos.
Quando o fez, foi como se nada tivesse acontecido.
Foi ai que Quinn percebeu que ela já tinha se despedido da sua mãe e da sua irmã há muito tempo. Russell também não ficou tão triste assim. Ele abraçou Quinn e chorou com ela. Mas foi somente isso.
– Pronta? – Russell pergunta com um sorriso animado. Quinn riu levemente, levando a mão te onde estava a cicatriz da cirurgia pela qual passou há alguns dias. Não doía tanto, apenas quando ela ria um pouco.
– Sim, Claire vai nos encontrar lá em casa. – Ela anuncia e vai até a mala. – Está tudo aqui?
– Sim, agora nós podemos ir sem problema. Dr. Brandon assinou a sua alta enquanto você estava no banho. – Seu pai avisa e ela sorri mais animada, era muito bom saber que não precisaria ter que ficar mais tempo esperando até que seu médico.
__
Mais tarde naquele dia, Claire apareceu na sua casa com um grande pote de sorvete. Elas sentaram no sofá e comeram assistindo filmes aleatórios no Netflix. Apesar de estar se divertindo com Claire, Quinn estava muito ansiosa para saber os resultados das Seletivas. Queria muito ligar para Rachel e perguntar se já tinham apresentado, ou se ainda iria, mas temeu que eles estivessem apresentando quando ligasse.
Então esperou.
Enquanto assistiam a um filme qualquer, Claire rapidamente se distraiu e começou a atacar o pescoço de Quinn. Suspirando se sentindo repentinamente quente, Quinn apenas levou uma mão até a nuca da morena, apertando-a contra ela.
Logo seus lábios estavam juntos, Claire tinha as mãos no rosto de Quinn, enquanto a loira puxava a morena pela camisa. Quinn nunca pensou que estaria nos amassos com alguém. Portanto ela não sabia exatamente como agir. As mãos de Claire desceram para os ombros da loira e ela achou que também deveria descer as mãos. As suas encontraram as pernas de Claire.
Seu corpo tremeu ao escutar um leve gemido da morena quando apertou sua coxa. Foi ai que achou que tinha ido longe demais e se afastou lentamente, olhando para a morena timidamente.
Seu coração acelerou quando encontrou os olhos castanhos, por um segundo – e somente por um segundo – ela tinha visto os castanhos que tanto amava. Mordeu o lábio e desviou o olhar, deixando Claire mais confusa.
– Fiz algo de errado? Está doendo? – Ela levou uma mão até onde estava o curativo da cirurgia de Quinn.
Negando com cabeça, Quinn suspirou resignada.
– Porque pediu para namorar comigo? – Indagou realmente curiosa, deixando Claire surpresa.
– Porque está me perguntando isso? – Retrucou e Quinn não soube como responder.
Sem saber como responder, resolveu falar o que estava rondando sua mente.
– Você sabe que tenho sentimentos pela Rachel, sabe que estou encurralada nisso... então... Por quê? Porque alguém iria querer se envolver nisso?
Claire pareceu não ter resposta para isso, levou um tempo até que ela respirasse fundo e olhasse intensamente nos olhos de Quinn. Seus lábios estavam comprimidos, mas dava para notar o quão inchado estavam por causa dos beijos trocados anteriormente.
– Porque eu sei o quanto uma friendzone pode doer. – Ela diz e Quinn a olha incrédula. Como alguém deixaria Claire Young na Friendzone?
– Mas...
– Não, eu não fui deixada na friendzone, — Ela explica rapidamente, rindo do olhar de Quinn, mas logo sua expressão escureceu e ela respirou pesadamente. – mas já deixei alguém na friendzone, e me sinto muito mal por isso.
Quinn preferiu não perguntar como foi que isso aconteceu, apenas se aproximou da morena e olhou nos olhos castanhos.
– Você está comigo por remorso? – Indagou quase que brincando, mas Claire sabia que era sério.
– Claro que não! Eu realmente gosto de você, Quinn. É difícil achar pessoas com quem eu posso conversar tranquilamente. Você é incrível. Realmente espero que seus sentimentos por Rachel desapareçam em algum momento, porque realmente gostaria de ter um relacionamento completo com você, mesmo que não venha, eu ainda vou estar aqui por você.
Olhando nos olhos castanhos, Quinn sentiu seu coração inchar, era como se ela estivesse percebendo que tinha sentimentos pela Claire, e que eram sentimentos reais, não era amor, mas era alguma coisa. E ela tinha certeza disso.
– Eu... realmente não sei o que dizer agora. – Murmura bem baixinho, rindo depois que as palavras saem da sua boca. Claire ri com ela, colando suas testas e suspirando contra seus lábios.
– Isso é uma coisa boa, sabe? Deixar as mulheres sem palavras. – A morena brinca e Quinn bufa se separando, mas sendo puxada para o beijo quente e languido.
Mesmo que ela tentasse, Rachel voltava para a sua mente, mas não tão dolorosamente quanto antes.
A noite se passou. Antes da meia noite, Claire foi embora e Quinn ficou sentada no sofá com o seu pai, que lhe levaria para a cama depois que adormecesse.
E seu celular nunca tocou.
Fale com o autor