Trust
8 Esses sentimentos...
Notas iniciais
–Então... Qual é a melhor? –O castanho perguntou para a fabray que estava na tela do seu Notebook. Suas mãos seguravam duas camisas e ambas tinha a cor azul.
–Ah Kurt, pare de usar azul, tente um vermelho ou um preto. –A mulher bufou.
O castanho respirou fundo e olhou novamente as roupas no seu armário. Kurt amava azul, sempre foi sua cor favorita desde que ele era uma criança, sempre amou a cor do céu, sempre amou a cor do mar e seus olhos. Era a parte que o castanho mais admirava em seu corpo, era o lugar onde ele mais se achava bonito. Para ele, seus olhos eram maravilhosos.
Provavelmente era a cor dos olhos de sua mãe, na verdade Kurt era muito parecido com a mesma, os cabelos castanhos, olhos azuis e pele bem clara. O castanho era uma versão masculina da mesma e ele sabia disso, sem contar que se pai sempre lhe falava isso.
–Bom, eu tenho essa regata preta. –O castanho mostrou para a fabray que aplaudiu ao ver o seu amigo – Finalmente – Segurando outra roupa que não tivesse a cor azul.
–Está ótima, mas aí em Nova York não faz frio? –Perguntou cruzando os braços, o castanho assentiu e olhou novamente as roupas em seu armário.
–Olha eu tenho esse blazer azul, o que acha? –Perguntou dando um leve sorriso e a loura revirou os olhos.
–Desisto de você Hummel.
Kurt deu de ombros e correu para o banheiro se vestir, ele deixou a porta aberta, para poder ouvir as palavras que a loira dizia.
–Não entendo, você está todo nervoso, é apenas um encontro normal com o seu amigo colorido certo? –Perguntou simples.
–Nem eu sei o motivo de ficar nervoso. –O castanho suspirou e olhou-se no espelho.
Aquela roupa estava bonita nele. Porém ainda não o deixava satisfeito, voltou ao armário e de lá tirou uma camisa branca, com mangas curtas e com alguns desenhos na frente. Voltou ao banheiro, vestiu-a e voltou para o seu Notebook, onde se encontrava uma Quinn tomando chocolate quente.
–Ei, olhe como estou. –Mostrou sua roupa. Não era muito formal, porém não era muito simples. –Como estou?
–Falta só ajeitar o cabelo. –A loura respondeu.
–Eu sei Quinn. –Disse mostrando língua e acabou fechando a tela do Notebook, faltava uma hora para o seu encontro com Blaine.
Aquilo não seria um encontro romântico, bom no fundo Kurt queria que fosse, mas ele não gostava de admitir que queria isso. Bufou e entrou no chuveiro. Ficou alguns minutos tomando seu banho e voltou para o seu quarto.
Olhou para o céu e já estava escurecendo, deu um leve sorriso ao imaginar Blaine colocando gel em seu cabelo.
(...)
–Sem gel! –Sam disse segurando o pote de gel que Blaine sempre usava.
–Vamos Sam, me devolva! –O moreno esbravejou. –Eu tenho um encontro importante com o Kurt, por favor, me devolva. –Choramingou e o louro correu até a sala.
–Você vai sem gel. –Sam disse, dando um leve sorriso.
–Mas... Mas, eu vou com esse cabelo? –Mostrou os seus cachos desarrumados.
–Ah Blaine, pra isso existe o pente.
–Mas, ele não ajuda muito, devolva o meu gel! –O moreno gritou, irritado.
–Ok... –Sam suspirou e entregou o gel para o mesmo, que começou a pular de alegria ao ter o gel em suas mãos. –Mas, eu recomendo você não usar muito gel.
–Sam, meu cabelo é horrível sem gel ou com pouco gel, olha como ele é, eu fico parecendo um urso. –O moreno bufou e foi até ao banheiro, ajeitar os seus cachos rebeldes.
–Mas, Blaine, você fica bonitinho com os cabelos sem gel, digo... Ok, as vezes fica assustador, mas geralmente é quando fica muito desarrumado e agora, ele está bonito, apenas tem alguns cachos aqui. –O louro pegou o gel da mão do Anderson.
–Sam, não vá estragar meu cabelo. –Blaine fechou os olhos, ele tinha medo que Sam lhe deixasse careca, porém, o mesmo apenas estava lhe passando gel.
–Pronto! –O louro sorriu e o moreno olhou-se no espelho.
Não estava muito ruim. Ele pegou nos cachos que estavam para cima e viu que Sam passou certo neles, deu um leve sorriso e olhou para o amigo.
–Cara, você é um gênio, assim não vai aparecer que uso muito gel! –Blaine deu um enorme sorriso.
–Muito gel? Blaine parecia que você usava um quilo! –Sam disse rindo, porém o moreno deu de ombros e caminhou até ao quarto e começou a calçar seus sapatos.
–Bom, agora eu vou encontrar o Kurt no parque de diversões, eu espero que ele goste do meu novo penteado e que, role algo a mais. –Deu uma piscadela para o louro que apenas sorriu e se escorou no batente da porta.
–Bom, boa sorte no seu encontro. –Sam disse e Blaine sorriu.
–Obrigado.
(...)
Kurt estava segurando os ingressos e esperando o moreno na entrada do parque. Estava bem movimentado, havia várias crianças, adolescentes, adultos e até mesmo idosos.
O castanho havia chegado um pouco mais cedo para poder comprar os ingressos para entrar no parque. O mesmo era um tanto longe, Kurt gostava de caminhar, mas dessa vez ele não queria suar ou ficar ofegante, então apenas pegou seu carro e foi.
O mesmo estava em um estacionamento ali perto. O hummel continuava em pé parado, observando as estrelas do céu azul que tanto gostava e a lua cheia, deu um leve sorriso.
–Ei, demorei muito? –Blaine perguntou. Kurt se assustou, porém viu que era apenas o moreno, deu um leve sorriso e começou a admirar seus cabelos. Ele também ficava muito bonito sem gel.
–Nossa, você sem gel. –O castanho deixou escapar e a preocupação tomou conta do moreno que estava na sua frente.
–E-Está ruim? –Perguntou preocupado e o castanho apenas sorriu.
–Você está fofo. –Kurt sorriu e pegou na mão do moreno. –Vamos. – O castanho entregou os dois ingressos e ambos entraram no parque.
Havia vários brinquedos por lá, onde eles poderiam ir, ouviam-se barulhos de alguns gritos das pessoas que estavam na montanha russa, também se ouvia barulhos de outros brinquedos.
–Nossa, que lugar agitado. –Kurt disse ainda segurando a mão do moreno.
Blaine apenas admirava aquela cena, o Hummel segurava suas mãos, ok, poderia ser um ato simples, mas o moreno, no momento que sentia a pele do castanho, sentia seu coração se acelerar. O Kurt também não estava diferente.
Na verdade, aquilo era um teste, para ele ver como se sentia ao tocar na mão do moreno, seu coração começou a ficar acelerado e suas pernas ficaram um tanto bambas, porém ele tentava aguentar firme.
Além de que, as mãos do moreno eram macias e Kurt estava gostando de segura-las, então, não as soltou, continuou segurando, ele odiava a sensação, mas gostava ao mesmo tempo.
–Então... Vamos na montanha russa? –Blaine perguntou alegremente, o castanho apenas abriu a boca, porém nenhuma barulho era emitido.
Blaine continuou lhe observando e então, viu que o castanho não iria querer. Apenas suspirou e fez seus olhos de cachorro pidão.
–Vamos Kurt, é apenas uma vez, você vai se diverti. –No momento que olhos azuis do castanho se encontraram com o Anderson, ele começou a gargalhar.
–Tudo bem. –Suspirou e ambos – Ainda de mãos dadas- Caminharam até a fila.
Começaram a esperar e então uma conversa alegre surgiu ali, cada vez conhecendo mais um ao outro. Até que estava perto da vez deles, Kurt no momento que viu as pessoas de cabeça para baixo e gritando, engoliu seco e olhou para o moreno.
–T-Tem certeza que é seguro? –Perguntou com medo e o Anderson começou a rir.
–Sim, digo... Acho que não vai ser como o filme premonição. –Blaine disse, fazendo Kurt arregalar os olhos.
–E-Eu não vou. –Disse olhando as pessoas saindo do lugar, com os cabelos todo desarrumados e outras um tanto tontas, porém felizes.
–Vem logo Kurt, deixe de medo. –O moreno pegou a mão do castanho e ambos correram até as cadeiras da montanha russa.
–Blaine, e se for igual no filme premonição? –Perguntou com medo. Blaine apenas sorriu e beijou a bochecha do castanho. De algum modo, no momento que o castanho sentiu os lábios do moreno em sua bochecha, ele se sentiu confortável.
Ambos entrelaçaram suas mãos e o moreno deu um enorme sorriso e o brinquedo começou a funcionar e nesse momento, o castanho apertou a mão do moreno e fechou os olhos.
–Espero que não seja como no filme premonição. –Sussurrou para si e então a mesma desceu os trilhos, fazendo Kurt gritar.
(...)
–Nossa, seu cabelo está todo desarrumado. –O moreno disse gargalhando e o castanho cruzou os braços e revirou os olhos.
–Tudo isso é culpa sua, meu deus, acho que foi a maior loucura que já fiz. –Disse apontando para si e então colocou suas mãos sobre o cabelo, para poder ajeitar.
– Você escreveu um livro e nunca fez essas coisas? –O moreno perguntou rindo e o autor lhe jogou um olhar de reprovação.
–Alice nunca foi para uma montanha russa, além de que... Isso deu uma inspiração de fazer ela ir em um lugar parecido. –O castanho deu um leve sorriso.
–Lembre-se de me agradecer nas paginas finais do livro. –O moreno fechou seus olhos e começou a se gabar e o Hummel revirou os olhos, porém sorrindo.
–Bom, eu já vivi muitas coisas e já vi também e eu já fui em uma montanha russa! –O castanho cruzou os braços e Blaine ergueu a sobrancelha.
–Mas, você agia como se nunca tivesse ido a uma.
–Eu fui uma vez com... –O castanho então engasgou, seria muito estranho falar aquele nome, principalmente para o Anderson. –Com meus amigos, mas isso foi no ensino médio, faz muito tempo e eu nem lembrava mais como era a sensação e é de noite, imagina se acontece como o filme premonição?
–Só porque eu citei o filme. –O moreno começou a gargalhar. –Era só pra te deixar com medo bobinho, obviamente que isso não iria acontecer. –Blaine então pegou a mão do castanho.
Kurt sentiu suas bochechas se esquentarem, porém ele tentou ignorar isso e apenas se focar em se sentir bem, ele estava se sentindo. Blaine lhe deixava bem.
–Estou com fome, quer comer algo? -Perguntou e o castanho assentiu. -Ok, vamos. -E puxou Kurt para ir em algum lugar comer alguma coisa.
(...)
O castanho jogou sua latinha de refrigerante de uva no lixeiro e juntou-se ao moreno que observava os algodões doces, haviam azuis, rosas e brancos, o castanho sorriu e disse:
–Vem, vou comprar um para nós dois. –Kurt pegou a mão do moreno e ambos caminharam até o homem que vendia os mesmo. – Um, por favor.
–Obrigado. –O moreno apertou a mão do castanho que sem querer, se estremeceu ao toque. Tentou ignorar e então olhou para o moreno e sorriu.
–Eu também quero seu bobo. –E então o Anderson lhe mostrou língua e ambos começaram a comer o mesmo.
–Vamos na roda gigante? –Perguntou e Kurt sem pensar, assentiu.
A fila não estava muito grande e então, foram logo.
Sentaram-se e ainda comendo o algodão doce.
–Nossa, o céu está maravilhoso. –Blaine disse olhando para cima e Kurt fez o mesmo.
Havia várias estrelas no céu, Kurt lembra-se de que ele e sua mãe ficavam observando as estrelas antes de dormir, sorriu com a lembrança e olhou para Blaine continuava olhando para o céu.
Ambos ficaram calados, porém não era um silencio desconfortável, apenas... Não queriam falar nada. Kurt o tempo todo ficou observando o moreno que não parava de olhar para o céu.
Pela primeira vez, o castanho preferia admirar o moreno do que o céu que tanto amava.
Quando acabou o tempo, ambos saíram e Kurt olhou para o seu relógio e viu que já estava ficando tarde.
–Blaine, o parque já vai fechar. –Disse simples e o moreno assentiu.
Ambos caminharam até a saída. Quando Kurt virou para o lado esquerdo, viu Blaine indo ao direito, estranhou e então correu até ao moreno.
–Onde você pensa que vai? –Perguntou se aproximando do mesmo.
–Para casa.
–Andando?
–Sim. –Respondeu simples.
–Negativo, você vem comigo. –Kurt pegou a mão do mesmo e lhe levou até ao seu carro.
Ambos entraram e o castanho começou a dirigir. Fazia muito tempo que o castanho dava uma carona para alguém, geralmente era Quinn, porém a loura não lhe visitava há meses.
Blaine foi mostrando o caminho. O lugar era um tanto distante do parque, Kurt não sabia como o moreno encontrava tanta força e coragem para ir caminhando sozinho até a sua casa, era distante do parque e principalmente, era bem distante da casa do Hummel.
Kurt parou em um pequeno prédio, nem se comparava ao seu, porém era bonitinho. O castanho ficou alguns segundos observando, o prédio tinha a cor azul e isso o castanho aprovou.
–Bom, eu vou indo. –O moreno tirou o cinto e ficou observando Kurt por um tempo, ele queria tanto que acontecesse algo a mais e ele sentia tanta saudade daqueles lábios, porém ele não queria assustar o Hummel.
–Eu vou com você, caso eu te visite, vou saber qual é o lugar. –Kurt tirou seu cinto e saiu do carro. O moreno deu um sorriso e fez o mesmo.
Ambos caminharam e entraram no elevador. Kurt ficou ajeitando seus cabelos no espelho e o moreno apenas lhe observava, com um sorriso bobo no rosto.
–É aqui. –O moreno disse parando em frente a uma porta marrom. –Eu sei, meu apartamento não é como o seu.
–Eu não me importo Blaine. –Kurt revirou os olhos. –E você sabe disso.
–Tudo bem. –Deu um leve sorriso. Tocou na maçaneta da porta, porém Kurt segurou o seu braço, ambos ficaram alguns segundos em silencio, até que o moreno resolveu quebrar. –O que foi?
Kurt ignorou a pergunta e se aproximou para colocar seus lábios sobre os do moreno. A sensação havia voltado, ele tentava ignorar, mais não conseguia, então deixou ela ficar em si, resolveu a aproveitar, ele odiava a sensação, pois não gostava de imaginar ele amando Blaine, porém naqueles minutos beijando o moreno, começou a imaginar isso.
Era bom, na verdade era perfeito. O castanho colocou suas mãos sobre a nuca do moreno e então, colocou seu corpo para mais perto.
O moreno colocou suas mãos na cintura do castanho e apertou as mesmas, Kurt se estremeceu ao toque, porém continuou beijando os lábios. Blaine então, com seus dedos gelados, levantou um pouco a camisa do castanho e colocou seus dedos sobre a costa do mesmo. Ele pôde escutar um leve gemido do Hummel.
Nunca pensou que um dia iria ouvir aquilo, Kurt estava todo arrepiado. Quando estava faltando ar em ambos, se separaram.
–O-Ok. –Kurt disse, sua boca estava entreaberta. O mesmo ajeitou sua camisa e suspirou. –T-Tchau Blaine.
–T-Tchau Kurt. –O moreno disse ofegante e sorrindo.
O autor deu meia volta e entrou no elevador, respirou fundo e olhou-se no espelho. A sensação que ele sentira, era tão boa, ele apenas se deixou levar e quando percebeu, já estava naquela situação com o moreno.
Mas, Kurt não poderia deixar, ele podia ter uma amizade colorida com o moreno, na verdade ele já tinha, eles poderiam se beijar, abraçar e até mesmo transar, porém sem sentimentos, mas o seu coração não queria aquilo.
Suspirou e colocou as mãos sobre os cabelos. Não ia se deixar levar por esse sentimento novamente, iria apenas considerar o moreno como seu amigo e ponto. As portas se abriram e ele caminhou para fora do prédio.
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