Trunfo
25 Se ela gosta de mim...
Anna entrava no Pavilhão do Refeitório finalmente, e Jason sentiu seu coração acelerar. Ela vinha ao lado de Percy, fazendo gestos com as mãos como se discursasse sobre algo importante e interessante, ou contasse uma história complicada. O garoto – mais velho e bem mais alto que ela – às vezes assentia, e outras fazia cara de dúvida.
No entanto, o que realmente importava era que Anna estava radiante entre as estrelas da noite. Blaine, que pulava as regras e jantava escondido com os filhos de Apolo, pareceu notar que Jason encarava a garota Brasileira.
-Aposto vinte dracmas que você está jogando “Se ela gosta de mim” agora. – Comentou Blaine, sorrindo sorrateiramente.
O tal jogo era simples, e os dois jogavam desde pequenos. Quando algum deles ascendia conquistar uma menina, ou se via conquistado por ela, este devia formular – em sua cabeça ou em voz alta – uma condição que a garota supostamente cumpriria se estivesse apaixonada por ele.
O jogo havia decaído desde o começo do namoro de Blaine, e Jason não era paquerador e nem de se apaixonar tão rapidamente – com exceção de Anna. Mas já que Blaine retomara a brincadeira...
Jason riu, e o amigo soube que estava certo.
-Qual a condição? – Blaine perguntou.
-Se ela gosta de mim, virá até aqui. – Disse Jason.
Como se o estivesse ouvindo, os olhos de Anna se moveram e encontraram os de Jason na distância, porém a garota os manteve por pouco tempo e logo voltou a conversar com Percy. Dirigiam-se, então, não mais à mesa de Poseidon, pois aquela já passara, mas a outra...
-Ui, cara! – Exclamou Blaine, sem desanimar. Mudou seu tom para um feminino-fresco – Como assim ela não se seduziu pelos seus olhos azuis fofuchos?
-Nossa, cala a boca! — Riu Jason, escondendo a decepção e observando a garota andar até seu objetivo. – Puts, ela vai arranjar confusão de novo.
-O que ela está fazendo aqui? – Reclamou a voz de Clarisse La Rue, para todo o acampamento ouvir.
-Clarisse, se acalma. – Pediu Percy, mais pacífico. Anna encolhia as sobrancelhas, como se pensasse na péssima ideia que fora a de se sentar com os filhos de Ares. – Ela só está aqui por que...
-Quíron me pediu. – Complementou Anna.
-Não me interessa, palerma! – Rosnou a outra. – Eu mando nesse chalé. E também mando você cair fora.
-Vai chamar o Chris. – Sugeriu Jason à Blaine, que concordou e volto à sua mesa original.
-Wow! – Exclamou Anna, ficando irritada com a atitude impertinente de Clarisse. – Watch out! We got some badass over here!
-Fica na tua, garota. – Ameaçou a filha de Ares. – Quer apanhar?
-Clarisse! – Chamou o reforço especial, Chris Rodrigues.
Porém o pacificador não falava tão alto quanto Clarisse; e Jason foi impedido de ver o resto da cena devido a uma garota que se aproximara e repousara em sua frente. Ele levou um tempo – por estar concentrado no pouco que podia ver de Anna – para entender que na verdade a menina que o atrapalhava era, na verdade, a novata ruiva.
-Oi... – Disse ela tímida, provando que falava o inglês perfeitamente. – Você é Jason?
-Hã... Sim, sou eu. – Respondeu ele.
-Oi! – Repetiu ela, se soltando um pouco mais e estendendo a mão. – Eu sou Bella.
-E...? – Ele rebateu brutamente, ainda desconfiado da manhã daquele dia.
-Queria te pedir desculpas por hoje de manhã. – Confessou Bella. – Quer dizer... Por ter agido daquele jeito estranho.
Jason engoliu um pedaço de sua janta e, limpando a garganta, se levantou. A grota arregalou os olhos quando ele se aproximou dela e então estendeu o braço na direção de Anna.
-Consegue ver aquela menina de cabelos castanhos ali? – Perguntou. Bella assentiu nervosamente reconhecendo quem era Anna. – É para ela que você deve pedir desculpas.
Bella chacoalhou a cabeça novamente e deu um primeiro passo em direção à Anna. No entanto, Jason agarrou seu pulso antes que ela pudesse dar um segundo.
-Não sei quem comprou aquela história de Anna ter raspado a cabeça num galho, mas eu não fui. – Rosnou ele, sussurrando. – Você não me engana, ô novata.
-Meu nome é Bella. – Rebateu ela, reunindo alguma coragem.
Dando-se por satisfeito, Jason soltou o pulso de Bella como se segurasse um pedaço de lixo, e voltou a se sentar. Assim que o fez, sentiu-se mal: não precisava ter falado daquele jeito com a garota, aquele não era ele. Ele havia evoluído! Balançou os pensamentos e lembrou-se do machucado que ela provavelmente provocara em Anna, e no jeito que todo o seu corpo e mente se inclinavam a um objetivo quase irracional de proteger a menina.
Respirou fundo e continuou comendo, vendo com felicidade que Anna já fizera as pazes com Clarisse e era bem recebida a mesa do tal chalé.
Fale com o autor