Trunfo
12 Nico di Angelo
Anna relampejou para fora da Casa Grande, agradecendo por Sr. D. ter mandado seus novos colegas de volta à suas tarefas e atividades. Fazia o possível para segurar as lágrimas nos olhos, mas isso se tornava mais difícil à medida que a lembrança voltava a sua mente.
Quíron continuava no quarto da enfermaria com Percy, provavelmente discutindo sobre sua esquisitice.
Sem saber para onde correr, Anna apenas correu para frente. O que a guiou – desviando dos chalés e lugares “habitados” – até as Florestas do Norte, onde ela havia se perdido na noite anterior.
Mas Anna foi ainda mais além, mergulhando intensamente entre as árvores, até chegar a um ponto onde as árvores se erguiam tão altas e suas copas se expandiam tão poderosas que os raios de Sol mal alcançavam o chão.
Anna avistou algumas corujas dormindo camufladas nas sombras dos galhos, alguns morcegos fazendo o mesmo e ouviu cigarras cantando até a morte. Ali, ela parou de correr e trocou a velocidade pela atenção.
As Florestas não eram de tudo assustadoras, mesmo que seu clima fosse de suspense. Depois de vários minutos caminhando sem destino, a última cigarra terminou sua canção e a deixou a escutar o silêncio.
Mas não por muito tempo.
O eco de um galho sendo quebrado se propagou até seus ouvidos, e Anna parou no mesmo instante. Pôs-se em posição de guarda e olhou para os lados, a procura da origem do barulho.
-Quem é você? – Perguntou uma voz às suas costas.
Tentando não aparentar seu susto, Anna se virou.
Um menino de cabelos negros despenteados, de pele morena e olhos castanhos escuros; provavelmente da sua idade, a escarava desconfiado.
-Quem é você? – Rebateu a pergunta.
-Nico di Angelo. – Respondeu o garoto, cedendo. – Filho de Hades.
“Longa história, mas Nico di Angelo evita ficar muito tempo no Acampamento.” – Dissera Jason, quando explicou sobre a adição de chalés para Deuses menores, junto com um chalé para Hades.
“Hades não teve mais filhos? Achei que os três grandes tivessem filhos pra dar e doar.” – Questionou Anna.
“Eles costumavam ter.” – Jason foi distraído por alguns campistas, e não voltou a falar no assunto.
-Anna. – Ela se apresentou.
-Por que está chorando, Anna?
-Não estou.
-Por que estava?
-Por nada.
-Então você deve ser fraca, para chorar por nada. – Comentou Nico.
Anna sorriu, examinando o garoto. Levantou uma sobrancelha e assentiu.
-Você está certo. – Admitiu. – Estou fugindo de Quíron... Porque estou com medo de saber quem é meu parente Olimpiano.
-Medo? – Duvidou ele. – Você é a primeira semideusa que eu encontro aqui sozinha. Não parece ser medrosa.
-E não sou; só não estou preparada pra saber aquilo. – Retrucou. – Eu tinha pais, sabia?
-Sinto muito... – Disse Nico. Anna deu de ombros. – Você é nova aqui?
E assim passaram eles, conversando sobre assuntos aleatórios e que não se davam em nada com Deuses, semideuses ou qualquer mitologia. Nico pôde relembrar sua vida anterior, quando ele ainda não sabia que era diferente, e Anna pôde desviar do que a atormentava.
Por várias horas os dois foram apenas normais.
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