Trunfo

18 Caindo


As mãos de Anna se sacudiram a procura de algo para agarrar, mas tudo o que tocaram foi o ar. Sua camiseta tremulava e se inclinava em direção à sua barriga devido à queda rápida: Anna caía no nada. O mais profundo nada.

Tentou gritar, mas nenhum som saía de sua boca ou de qualquer lugar; Nem o vento assobiava em seus ouvidos, que se mostravam sem utilidade. Chacoalhava todos os membros do corpo, tentava fazer qualquer coisa para surgir água que pudesse salvá-la, mas nada adiantava e ela continuava a descer.

Seu coração começou a bater mais rapidamente do que o normal, e Anna sentiu que ele poderia pular por sua boca a qualquer momento. Respirava com mais dificuldade à medida que caía mais profundamente.

“A culpa é sua, Anna.” – Retumbou uma voz, provando que Anna não estava realmente surda. – “A culpa é sua.”.

“Culpa?” – Perguntou-se Anna.

“Sim, ah, sim!” – A voz feminina riu. – “Você escolheu ser amiga de Jason Clinn, e você o está fazendo cair.”.

Anna não teve tempo de refletir sobre o comentário, porque a desconhecida continuou.

“E quanto mais ele cai, Anna, mais ele se afasta. E quando ele se afasta, ele vem até mim.”. – Avisou a voz. – “Essa menina que você salvou... Acha que ela vai te salvar quando tiver a chance? Ha!”.

“Não deixaria de ajudar alguém inocente!” – Protestou Anna. Sentiu um calor se aproximando de suas costas, e foi surpreendida por um chão fofo que surgiu embaixo de si; a queda tirando o ar de seus pulmões.

“Você ainda tem uma chance: fuja. Corra o mais rápido que pode e para o mais longe o possível, nós duas sabemos que você tem capacidade para fazer isso” – Propões a voz. “Venha pra mim”

Anna tossiu, buscando então ar.

“Não!” – Gritou com o nada, ficando de pé. Nenhum dos dois deveria ir.

“Eu te avisei.” – Disse a voz, simplesmente.

E então o chão começou a se inclinar rapidamente, sem fazer barulho algum, e se envolver ao redor de Anna. Tocando sua superfície, notou que na verdade o chão se parecia pele, e ao ser enrolada por ele, percebeu que não só se parecia;

O chão envolvia o corpo de Anna com força, se apertando cada vez mais e machucando-a. A pressão forçava o ar para fora de seus pulmões e Anna fazia seu melhor para manter o oxigênio em seu organismo.

“Fuja Anna!” – Apelou mais uma vez a voz. – “Você realmente vai ficar do lado dos covardes? Salvando suas peles divinas enquanto seus amigos morrem? Fugir é sua única chance!”.

Gemendo e soltando um guincho involuntário, ela sentiu seu corpo ser esmagado quase por completo pela mão gigante. A voz repetiu o pedido várias vezes, seguida de risadas cruéis e desalmadas.

“Não!” – Gritou, como um último esforço de rebelião.

A mão se fechou em volta dela como a dela se fecharia ao redor de um mosquito. Sentiu seus ossos quebrarem, um por um e sua mente ser invadida pelo terrível pensamento da morte certa. Sua cabeça estava prestes a explodir.