Trunfo
7 Blaine & Valerie
–Eu estou procurando Blaine, filho de Hermes. – Anna perguntou a uma campista aleatória. Já verificara a mesa que Jason a indicara, mas o tal amigo não estava lá.
A menina deu uma risadela e falou que Anna poderia procurar por Blaine na última mesa do conto direito do pavilhão. Curiosa, ela foi até a mesa.
E encontrou um corpo metade Blaine, metade garota. Afastou-se um pouco do casal, entendendo a risada da informante anterior, e assim trombou em alguém atrás de si.
–Oh, me desculpe! – Anna exclamou, dando meia volta. Isso pareceu interromper Blaine e a parceira.
Um garoto alto, musculoso, de cabelos alternando entre loiro e preto, e com olhos cor de mel sorriu para Anna, levantando os braços como se estivesse ameaçado.
–Desculpo sim. – Ele riu, fazendo pose. – Você eu desculpo sim.
–Mas que diab-
–Cai fora, Filthern! – Anna ouviu outra voz às suas costas. Novamente uma multidão se juntava ao seu redor.
–Ih... Lá vem Blaine Johnson atrapalhando. – Filthern reclamou, revirando os olhos. Então se abaixou, até a altura de Anna, e piscou só com um olho. – Se precisar de um pouco de festa, novata, eu sou de Dionísio.
Anna retirou seu olhar do dele, esperando nunca mais encontrá-lo. Aquela coisa de filhos de Deuses começava a soar menos estranha do que parecia no começo, mas a pretensão de que aquele senhor baixinho que ela conhecera anteriormente pudesse ter criado um filho bonito daqueles era demais.
Tentou tirar a imagem da cabeça enquanto voltava sua atenção para Blaine Johnson.
–Valeu por essa. – Anna diz.
Blaine não era o menino mais bonito que ela já conhecera: seus cabelos eram pretos, encaracolados e cortados para ficar apenas no topo de sua cabeça; ele tinha uma barba por cortar e sobrancelhas reforçadas; era baixo se comparado com a maioria... E apesar de seus olhos serem comuns (castanhos escuros, assim como os de Anna), eles refletiam uma imagem convidativa e amigável.
Já sua namorada era linda: seus cabelos loiros eram amarrados em dois tufos, um para cada lado, e caíam em cachos até seus ombros; ela vestia a camiseta laranja, que aparentemente era o uniforme dali, com um short branco e tênis de corrida da mesma cor. Mas o que mais chamava atenção nela eram seus olhos: A garota era uma das raras pessoas que possuíam olhos lilases.
–Por nada! Ninguém merece aguentar Filthern. E, aliás, acho que é de você que ouvi falar... – Então, sorrindo, Blaine estendeu a mão esquerda para Anna. – Meu nome é Blaine.
–Sou Anna. – Ela chacoalhou sua mão, e olhou para a menina que Blaine beijava por seu ombro.
–Ah, sim. Anna, essa é Valerie; minha namorada. – Valerie distribuiu-lhe um sorriso e a abraçou, logo em seguida beijando Blaine. – Como pôde ver.
Ele passou seu braço pela cintura de Valerie e a apertou. Que fofos.
–Hã... Jason me pediu para encontrar você, mas eu posso procurar outras pessoas mesmo. Eu preciso me enturmar, sabe como é. – Anna de repente fica vermelha, se sentindo como a terceira roda numa bicicleta. – Nova casa por uma semana...
Os dois se entreolharam, primeiro confusos, e depois suavizando.
–Não, a gente tá bem. – Valerie afirmou, convidando todos a voltar para a mesa mais ocupada, a qual originalmente Anna tentou se encaminhar.
–Então, Valerie... Você é filha de quem? – Anna tentou se acostumar ao tipo de pergunta.
–Afrodite. – Pelo canto do olho ela olhou para Blaine. – Pois é.
Anna imaginou se ela não deveria estar na mesa de seu próprio Chalé... Mas também quem se importava?
–Sexy. – Blaine sussurrou, fazendo-a rir. Mais uma vez Anna enrubesceu.
–Enfim, o que vocês costumam fazer aqui? Tem atividades especiais pra cada Chalé?
–Ah, não! A intenção é convivermos todos, ao invés de manter as relações só com os irmãos e irmãs. – Valerie começou a explicar.
–Então eles misturam todos nós, em atividades que ou ajudam o Acampamento, ou treinam nossas habilidades em geral. – E Blaine continuou.
–É claro que cada um tem suas especialidades, mas nós somos obrigados a treinar várias outras... E temos algumas atividades de interação. – Valerie novamente. – Blaine aqui arrasa no Vôlei, e Jason nas cantorias ao redor da fogueira.
–O chalé de Apolo é grande parte do Coral, mas esse é aberto a todos, porque existem filhos de Apolo que não são talentosos com música, já que ele é Deus de outras coisas além. E filhos de outros Deuses que são. – E Blaine.
–Ah... E quando elas acontecem, normalmente? As cantorias, eu quero dizer.
–Das nove às dez da noite, logo depois das atividades avaliativas... Se você quiser participar do C-
–Di Immortalis, Blaine! – Valerie subitamente exclamou, se levantando. – Ela ainda não jantou!
–Ai, droga, é verdade.
–Eu estou bem, também esqueci! – A verdade era que sua barriga roncara durante toda a conversa, mas ela estava distraída demais para ligar. – Eu... Eu ainda não tenho nenhuma agenda marcada, então não devo participar dessa atividade não.
Novamente eles se entreolharam.
–Mas hoje é sexta-feira! – Valerie argumentou, e seu namorado pareceu concordar. Virou-se para Anna.
–Seguinte: hoje vamos ter um jogo chamado Captura à Bandeira. E você não pode perder esse jogo. Ele é o melhor! Eu arranjo alguém pra te conseguir comida na hora da cantoria, o que me diz? Você aguenta?
–Acho que sim.
–Sim?
–Sim!
–Quem bom, porque o tempo acabou de acabar! – Ele se levantou, fingindo bater na mesa. Então sussurrou para Anna. – Tenho que ir falar com certos filhos de Hermes... Então mantêm o olhar nessa daqui por mim.
Valerie riu, e afirmou que não faria nada de mau... Enquanto ela estivesse observada.
Os dois se beijaram e Blaine disparou para o meio da multidão.
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