True Love
8 Capítulo 8
Uma semana já havia se passado desde que Louis e eu nos mudamos para a nossa casa nova. Mas algumas coisas ainda precisavam ser feitas nela, como a pintura.
— Eu deveria tentar um emprego de pintora, o que acha?
— Acho que vai ser contratada na hora. Sua experiência te deixa na frente de qualquer concorrente. — ele disse sem se distrair do trabalho.
Nós rimos.
— Que silêncio. Acho que precisamos de música.
— Eu sei de uma. — Louis disse, largando o pincel em cima do jornal, pegando o celular.
— Mas não é Britney Spears, é?
— Não.
Louis deu o play na música e eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
"I've... had the time of my life... no, I've never felt like this before... I swear... it's the truth... and I owe it all to you..."
— Você está brincado, não é? Dirty Dance, Louis!
— O que é que tem? — ele veio em minha direção me puxando pelo braço. — Vamos dançar.
— Mas eu não sei dançar.
— É só sentir o ritmo.
O toque da música começou e Louis tentava dançar. Eu não conseguia, porque estava rindo daquela cena.
— O refrão está chegando, vai.
— Ir pra onde?
— Você nunca assistiu esse filme?
— Claro que já.
— Então sabe o que tem que fazer.
— Não vou fazer isso. Eu vou cair.
— Vai fazer sim. E não vou te deixar cair. — ele se afastou, deixando um bom espaço entre nós. — Prêt? É agora, vai.
"I've... had the time of my life..."
— Que Deus me ajude.
Corri até ele, que me ergueu, como no filme, mas não demorou muito tempo. Ele se desequilibrou e acabamos caindo no chão.
— Eu disse que ia cair.
— Pelo menos eu amorteci o impacto.
Nós rimos.
Olhei para Louis e o seu rosto estava sujo de tinta. Como aquilo poderia ser tão sexy? Ele então se sentou no chão e enquanto eu limpava o seu rosto ele se aproximou, me beijando.
— Por que você tem que me deixar desse jeito? — ele perguntou.
— De que jeito?
— Eu não sei. É como se eu precisasse de você sempre.
Me sentei em seu colo.
— Eu não sei, mas talvez seja o mesmo que eu sinto. — passei minhas mãos pelos seu cabelo, as prendendo eu seu pescoço.
Louis então me beijou. Sentia sua respiração acelerando. Enquanto ele afastava a alça da minha blusa, beijando meu ombro; arranquei sua camisa revelando os seus braços musculosos e a barriga chapada.
— Ai minha nossa...
— O quê foi?
— Por que você é assim?
— Assim como?
— Assim! — passei minha mão pelo seu abdômen sarado. — Isso é golpe baixo.
— Desculpe por isso então. — ele abriu um sorriso cínico.
— Como conseguiu tudo isso? Nunca me contou.
— Eu sempre fiz luta. Acho que ajudou a manter o meu corpo.
— Luta tipo karatê?
— Tipo isso. — ele falou, rindo.
Louis então tirou minha blusa e me deitou cuidadosamente no chão, ficando por cima de mim. Enquanto me beijava, passava sua mão pela minha perna. Louis beijava a minha clavícula, quando puxei seu cabelo, trazendo sua boca para a minha, fazendo com que o nosso beijo fosse ainda mais quente e ofegante. Eu queria mais, precisava de mais e ele percebia isso, por isso me deu o que eu queria.
***
No Jitters, eu, Liza e Edward tomávamos café. Estávamos nos divertindo, até que Edward paralisou, parecia surpreso. Não sabíamos o que estava havendo, até que ele abriu um sorriso, se levantando.
— Meu Deus. Karen! — ele disse, abraçando uma mulher morena. Ela parecia uma bonequinha de porcelana.
— Ed! Como você está? Já faz... anos
— Pois é. — ele disse meio bobo.
Observava a conversa, quando percebi que Liza não estava gostando muito daquilo.
— Então... Essas são Daphne e Elizabeth, minhas amigas. — ele falou, nos apresentando.
— Prazer em conhece-las. E acho que já fomos apresentadas há alguns anos atrás, não é Liza.
— Sim...
— É verdade. — Edward disse rindo. — Daphne, essa é a Karen. Nós já fomos noivos.
— Ai meu Deus. Sério, Edward? — perguntei surpresa.
— Pois é...
— Prazer em te conhecer, Karen. Você nunca me falou que já foi noivo! — disse rindo. — Você sabia disso, Liza?
— É... Eu sabia. Se não se incomodam, eu já vou embora. — Liza disse levantando.
— Mas já? Nem terminou seu café.
— É... Desculpem. — ela tinha um semblante estranho, parecia triste.
— O que deu nela? — Edward perguntou preocupado, assim que Liza saiu.
— Não sei, mas vou descobrir. Foi ótimo te conhecer, Karen. Até mais.
— Até mais.
Antes de sair, Edward veio até mim.
— Quando encontrar a Liza, me diz, por favor.
— Pode deixar.
Já do lado de fora, procurei por Liza pelas redondezas, mas não a achei. Apesar de ser final de semana, fui ao único lugar que eu achava que ela poderia ter ido. Fui até a Revista.
Assim que entrei na redação, vi Liza sentada no chão da sua sala ainda não acabada.
— O que aconteceu, Liza? Você saiu correndo do Jitters.
— Não foi nada.
— Como nada? Eu já te conheço bem para saber que está estranha. — me aproximei ainda mais dela, foi quando percebi seus olhos inchados. — Você estava chorando? Por que, Liza?
— Chorando? De onde tirou isso? — ela disse, começando a chorar.
— Ei. — a abracei. — O que aconteceu? É por causa do Edward?
— O que tem ele? Por que eu estaria assim por causa dele?
— Liza, todo mundo sabe que você tem uma quedinha por ele. Na verdade, eu diria que é apaixonada.
Liza se soltou do meu abraço, limpando suas lágrimas.
— Da pra perceber tanto assim?
— Aham.
— Ai que droga, Daphne! — ela colocou a mão no rosto. — Eu sou apaixonada pelo Edward desde o dia que a Carly nos apresentou. Eu achava que nós... sei lá... Talvez tivéssemos começando a nos entender, e agora apareceu essa ex noiva dele.
— E o que é que tem? Você mesmo disse. Ex.
— Você não entende. Eles se conhecem desde pequenos. Apesar de o noivado ter acabado há quatro anos, ela ainda mexe muito com o Edward.
— Mas isso não quer dizer nada.
— Claro que quer. Já viu como ela é linda e delicada? Parece uma boneca.
— Liza, você também é linda e parece uma boneca de tão delicada. E sinceramente... Eu prefiro mil vezes essa bonequinha aqui. — disse limpando seu rosto.
Ela sorriu, me abraçando.
— Você é uma ótima amiga.
— Já me disseram isso algumas vezes...
Nós rimos.
— Como exatamente você e o Edward se conheceram?
— Eu e a Carly trabalhávamos juntas. O Edward e ela já eram amigos desde a faculdade. — ela suspirou. — Quando nos conhecemos, ele já estava noivo da Karen. Eles eram tão apaixonados, Daphne! A Karen terminou com ele por causa do trabalho. Ela teve que ir para Washington. E agora está aqui... Se ela tiver voltado de vez... Eu nunca vou ter uma chance contra ela, Daphne... Nunca.
— Você não sabe disso. Já se passaram quatro anos, Liza. E deixa eu te contar uma coisa, o Edward ficou preocupado quando você saiu correndo. Ele sempre se preocupa com você na verdade. Ele gosta de você, Liza.
— Acha mesmo?
— Claro que sim!
Ela parecia começar a se animar.
— E se a Karen tiver voltado para Central City?
— Temos que esperar para ver. — me levantei, ajudando ela a fazer o mesmo. — Enquanto isso, vou te levar para casa... e depois vamos descobrir sobre isso... Ok?
— Tudo bem.
Liza me abraçou e em seguida descemos para o meu carro.
Estava entrando nele, quando vi Barry saindo do CCPD. Ele parecia emburrado e com raiva.
— Liza, se importa se eu demorar um pouquinho?
— Claro que não.
Fechei a porta do carro e atravessei a rua.
— Ei, Barry!
Ele parou.
— Hum... Oi.
— Está bem?
Ele me olhava com dúvida, passando a mão pelo rosto.
— Não, não estou nada bem.
— Quer me contar o que aconteceu?
Barry então me puxou para um canto.
— Lembra daquele DeVoe que eu falei?
— O que deu a informação ao Ralph sobre o prefeito Bellows? Claro. O que tem ele?
— Pois é, eu o achei. O nome dele é Clifford DeVoe.
— Clifford DeVoe...? — falei tentando lembrar de algo. Definitivamente aquele nome me era familiar.
— Sim. O conhece?
— Não. Eu acho que não. Mas e então, o que aconteceu?
— Ele abriu uma ação judicial contra mim. Eu tenho que ficar a 100 metros de distância dele.
— E por que ele faria isso?
— Porque... eu invadi a casa dele.
— O quê? — perguntei confusa.
— Isso não é o que interessa. O que realmente importa é que ele é o DeVoe que Savitar e Abra Kadabra nos falaram.
— Como tem tanta certeza?
— Eu... — Barry parou abruptamente. Olhava para algo atrás de mim. Me virei para ver o que era. Uma mulher acompanhava um homem em uma cadeira de rodas.
— Espero que cumpra seu mandato, Sr. Allen. — o homem disse, indo embora com a mulher.
Barry o olhava com raiva. Ele deu um passo a frente, por isso coloquei minha mão em seu peito, o parando.
— Ei.
— Ele está me provocando... — ele disse, irritado.
— Ei, calma. Por que esse homem estaria tentando te irritar?
— Porque ele é o DeVoe!
— O quê?! Esse homem? — falei perplexa. — Mas... ele é cadeirante, Barry.
— Eu sei! — ele disse furioso. — Mas é ele, Daphne. Eu sei que é. O Wells já me fez de idiota assim uma vez. Ele... o DeVoe, está fazendo a mesma coisa! Ninguém acredita em mim, mas eu sei. Eu sei que é ele, Daphne!
— Ei. — segurei seu rosto, o fazendo olhar para mim. Tinha fúria em seus olhos. — Eu acredito em você, ok? Eu acredito. Não precisa ficar assim.
— Como não? Esse cara ameaçou a cidade para me tirar da Força de Aceleração por um motivo e não deve ser dos bons.
— Você vai descobrir o que ele está planejando, mas não assim. Se continuar irado desse jeito, vai estar fazendo exatamente o que ele quer. Já tem um mandato de distância contra você. Se fizer alguma loucura, pode acabar perdendo o seu emprego... E é exatamente isso que vai fazer o DeVoe vencer. — acariciei o seu rosto.
Barry fechou os seus olhos e pareceu relaxar. Quando voltou a abri-los, tinha aquele olhar doce que eu conhecia.
— Obrigado. — ele deu um meio sorriso.
Não hesitei e o abracei.
— Vai conseguir provar que é ele.
Ele então se afastou, mas manteve seu rosto perto do meu. Barry estava prestes a dizer algo, mas eu o interrompi.
— Hum... Eu preciso ir... Tem uma amiga, Liza, ela está me esperando. No carro. E hum... Eu tenho que ir. — disse atrapalhada, dando um sorriso nervoso.
— Tudo bem. — ele riu. — Obrigado, de novo.
— Não há de que. Sempre que precisar, pode contar comigo.
— Tenho certeza disso.
Atravessei novamente a rua e quando estava entrando no carro, olhei para o Departamento de Policia e Barry ainda estava lá. Um sorriso começava a brotar em seus lábios e senti que eu estava começando a ficar em maus bocados.
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