True Love
5 Capítulo 5
— Alguém viu a chave do meu carro? — gritei do topo da escada.
— Não! — Papai, Octávia e Louis disseram em coro.
— Que droga. Eu tenho certeza que deixei aqui!
— Ainda procurando a chave, ma chérie?
— É. Eu não consigo achar e já estou atrasada.
— Eu vou te ajudar.
— Não. Quer saber, vou pegar um táxi. — peguei o celular, já descendo as escadas, indo para a varanda. Louis veio atrás de mim.
— Quando você chegar eu já vou ter encontrado.
— Ok. Obrigada! — o beijei.
Minutos depois o táxi chegou. Levei mais tempo do que o de costume para chegar ao Saturno. Um engarrafamento infernal tinha se estendido pelo centro da cidade.
Depois de horas, cheguei a sede e ao sair do táxi, pisei em uma poça de lama.
— Droga!
— Está com problemas aí? — Barry disse do outro lado da rua.
— Não... É só um mau dia.
— Hum... Eu... vou entrar. — ele disse desajeitado, apontando para o CCPD. — Até mais.
— Até!
Subindo as escadas, ouvi Liza gritando e em seguida um estrondo. Corri até o segundo andar.
— O que aconteceu? — disse ofegante ao chegar lá.
— Eu levei um choque tentando trocar a lâmpada e acabei deixando ela cair. — Edward disse.
— Eu pensei que você ia... Sei lá... que ia... — Liza disse nervosa.
— Você está bem, Edward?
— Sim. Foi só um susto. — ele desceu da escada, indo falar com Liza. — Eu estou bem, ok?
— Aham. — ela o abraçou.
— Onde é que a Carly está?
— Ela saiu pra comprar café.
— Hum. O que temos para hoje?
— Que tal mais paredes pra pintar?
Nós rimos.
— Vamos nessa.
Agora era a vez de pintar a sala de Liza. E como era de se esperar dela, tivemos que pintar aquelas paredes de laranja.
— Por que você quer essa cor?
— Não sei. Acho que é porque é uma cor alegre.
Logo eu e Liza começamos a pintar as paredes em pontos mais baixos e Edward os mais altos, usando a escada também como apoio para a tinta.
— Daphne, você pode pegar aquele pincel perto da escada? Esse é tão pequeno... — Liza pediu.
— Claro.
Enquanto eu pegava o pincel, Edward ia descendo da escada e acabou se desequilibrando, fazendo com que a tinta, que estava em cima de um dos degraus, caísse bem em cima de mim.
— Ai-meu-Deus.
— Daphne, desculpa!
— Pessoal! — Carly entrou na redação. — Eu fui atropelada por uma bicicleta.
— Mas você está bem? — Edward perguntou preocupado.
— Sim, só um arranhão no braço. Mas todos os cafés caíram no chão, só ficou um.
— Eu quero! — Liza disse.
— O que aconteceu com a Daphne?
— Edward derrubou a tinta nela.
— Não foi por querer. Eu ia caindo.
Enquanto tentava tirar a meleca de tinta do meu rosto, vi Liza tentando abrir a tampa do único copo de café que tinha sobrado.
— Essa coisa não abre? O que acontec... — a tampa se abriu, derramando todo o líquido nas roupas de Liza. — Não acredito!
— É, parece que estamos tendo um dia de azar. — Edward comentou, trazendo um pano para que eu pudesse me limpar.
— Isso é mais que azar. É como se uma nuvem de má sorte estivesse sobre as nossas cabeças! — Carly resmungou, chateada.
— Será que é um meta-humano? — Liza disse rindo. — Brincadeira.
— Não, espera... Você pode estar certa... É um dia completamente incomum em Central City. Acho que tem razão... — eu disse.
— O quê?! Acho que o balde caiu com muita força na sua cabeça. Claro que não existe um meta assim... Ou será que sim?
— Eu preciso sair.
— Mas pra onde você vai assim, toda suja de tinta?
Tinha esquecido desse detalhe, por isso peguei o pano que Edward tinha me dado, e desci tentando me limpar o máximo possível.
— Eu já volto. — disse da escada.
Atravessei a rua, entrando no CCPD. Todos me olhavam estranho por causa da tinta. Subi as escadas, indo até a sala de Barry.
— Ei. — disse entrando.
— Daphne... O que aconteceu? — ele perguntou confuso ao me ver ainda suja com um resto de tinta laranja.
— É uma longa história, mas pra resumir... Nós estamos tendo um grande dia de azar... Sabe algo sobre isso? Algum meta...
— Na verdade sim. Eu estava indo para o STAR Labs agora por causa disso. A propósito, o Harry está na cidade.
— Jura?
— É. Ele veio trazer um recado da Jesse para o Wally... — ele disse, coçando a cabeça.
— Não vai me dizer que eles...
— É, ela terminou com ele.
— Nossa! O Wally gostava tanto dela...
— Pois é.
— Ahm... Barry, eu quero ir com você.
— O que disse?
— Eu quero ir para o STAR Labs com você. Eu não aguento tanta má sorte em um único dia.
— Ah... Então foi por isso... — ele disse, olhando a minha roupa suja de tinta.
— É.
— Então tá.
Antes que eu dissesse mais algo, Barry saiu correndo comigo e em segundos estávamos no Laboratório.
— Uau! Já tinha esquecido como era... — eu disse, tonta.
— Dean? — Harry falou.
— Oi, Harry. — fui em sua direção para abraçá-lo, mas me detive. — Acho melhor não.
— O que aconteceu com você? — Cisco perguntou, confuso? — Quer ser um dos Simpson agora? Desculpe, mas eles são amarelos.
— Engraçadinho.
— Esse é o resultado do azar que a nossa amiga meta-humana está causando. — Barry explicou.
— Eu ainda não entendi muito bem. De onde estão vindo esses novos metas?
— Então... – Cisco começou a falar. – Quando tiramos Barry da Força de Aceleração, espalhamos um pouco de matéria negra... e todos em um ônibus se transformaram em metas. Foi assim que aconteceu.
— Parece que sempre que tentamos fazer algo certo, tudo sai horrivelmente errado. – Caitlin disse.
— Acho que estamos amaldiçoados. — Cisco fez uma careta.
— Não estamos amaldiçoados, pessoal. – Barry tentou amenizar a situação. – Então, o que encontraram sobre ela?
— O nome dela é Becky Sharpe. 24 anos, sem antecedentes...
— Sem antecedentes? E por que está no banco de dados?
— Por que nos últimos 3 anos que viveu em Central City bateu o carro quatro vezes, sua identidade roubada duas vezes, um ladrão de gatos literalmente roubou seu gato. — Caitlin disse, olhando o monitor.
— Viu, Harry? Isso é urucubaca.
— Certo, Ramon. O que você chama de urucubaca, eu chamo de emaranhamento quântico. Partículas quânticas descontinuas são conectadas e quando desencadeadas simulam uma sincronicidade, que para olhos não treinados, pode parecer sorte.
Cocei a cabeça, um pouco confusa.
— Juro que parei de tentar entender no emaranhamento.
Nós rimos.
— Ele quis dizer que se Becky pode afetar as partículas a sua volta de maneira positiva, então suas partículas conectadas podem a girar negativamente. – Barry tentou explicar.
— Isso quer dizer que se algo bom acontece a ela, coisas más acontecem ao redor dela? — tentei entender.
— Exatamente isso, Dean.
— Daphne, acho melhor se limpar. Ainda temos uma calça de corrida da Jesse aí e pode usar o moletom do laboratório do Barry.
— Obrigada, Caitlin.
— O que ela está fazendo aqui? — Iris disse, entrando no córtex.
— Eu só vim saber o que está acontecendo, Iris. Não precisa se preocupar, logo não vai precisar mais me ver. — falei, saindo.
Caitlin me levou até o banheiro, me dando roupas limpas e eu então me limpei.
Com o cabelo molhado, saí do banheiro o enxugando com uma toalha. Barry estava no corredor.
— Eu trouxe essa sacola pra você colocar as roupas sujas.
— Obrigada! — disse colocando-as dentro.
— Você ficou muito bem com o moletom.
— Gostou?
— É. Um pouco grande, mas ficou ótimo.
Nós rimos.
— Hum... Eu não pude deixar de notar que você e a Iris não estão em um clima bom... O que aconteceu?
— Nós brigamos quando você voltou da Força de Aceleração..
— Mas por que? Vocês eram tão amigas.
— É que... A Iris gosta de você, Barry. No ano passado ela me disse isso, mas eu achava que tinha superado, porque ela estava com o Scott...
— E eles terminaram.
— É. Ela te ama, Barry. Depois que você foi para a Força de Aceleração e eu fui embora, parece que ela ficou chateada por achar que eu não estava nem aí para o seu legado como Flash. E quando descobriu que eu estava com outra pessoa... Bem, foi a gota d'água.
— Eu não fazia ideia.
— Pois é.
Barry olhava para o meu rosto, estranho.
— Tem algo aqui ainda... — ele disse, afastando meu cabelo, pegando a toalha e limpando minha bochecha.
Ele então me olhou nos olhos, colocando meu cabelo húmido para trás.
— Barry. — Iris disse, fazendo com que nos afastássemos. — Achamos algo. É melhor vir logo.
— Claro.
Enquanto voltávamos para o córtex, Iris me lançou um olhar estranho.
Chegando lá, Cisco começou a falar.
— Encontramos ela. Está no Jitters.
— Então vendo. Se estivéssemos mesmo amaldiçoados, o Cisco não teria a achado. Becky não é uma má pessoa, talvez eu consiga convencer ela de não usar os seus poderes. Vou agora mesmo até lá falar com ela. – ele disse sorrindo.
— Acha mesmo uma boa ideia, Barry? – Iris falou preocupada.
— Claro! Ela é uma boa pessoa. Posso tentar convence-la e podemos ajuda-la.
— Tudo bem.
— Isso! Logo logo eu volto. – ele disse, saindo correndo.
— Então... Tenho que voltar ao trabalho. Espero que dê tudo certo! — falei.
— Nós também. — Cisco disse concentrado.
— Pode voltar quando quiser. Sentimos sua falta. — Caitlin me abraçou.
— Eu também.
— Até breve, Dean.
— Tchau, Harry. Mas... você não vai ficar na cidade?
— Eu não sei.
— Espero que sim. — o abracei.
— Pessoal, temos que nos concentrar aqui. — Iris disse secamente.
E essa foi a deixa para que eu fosse embora.
***
Voltando ao Saturno, percebi que estava um caos. Tinha água chegando na escada.
— O que está acontecendo?
— Um cano do banheiro estourou. — Liza disse, molhada.
— Pessoal, preciso de ajuda aqui! — Edward gritou.
Entrando no banheiro, tinha água sendo jogada para todo lado. Edward e Carly estavam tentando fechar a passagem de água no cano com as mãos, o que obviamente não estava dando certo.
— Vocês já tentaram fechar a bomba de água? — perguntei.
— Não. É uma boa ideia.
— Então eu vou lá. Mas onde fica?
— No térreo, perto da entrada.
— Tá.
Sai correndo e caí sentada no chão em seguida, porque o piso estava molhado. Me levantei e com cuidado desci as escadas indo até a entrada da Revista.
— Onde fica isso... — falei sozinha, olhando para todos os lados, até que achei.
Era como uma torneira e enquanto girava para fechar a água, acabei fazendo com que ela estourasse, jorrando mais água em cima de mim.
— Que droga! — gritei.
Tentava parar o jato de alguma forma quando escutei um barulho. Olhei para o céu e vi um avião passando relativamente baixo.
— Seja lá o que Barry esteja fazendo, não está dando certo.
Fui para a rua, acompanhando o avião, que cada vez ficava mais baixo, até que do nada, uma luz azul tomou conta do céu e o avião começou a ganhar altitude novamente. Em seguida, a água que saía da bomba começou a parar de jorrar.
— Daphne! — Liza gritou da janela. — Seja lá o que fez, deu certo.
Subi as escadas de novo e Edward, Carly e Liza estavam sentados no chão, encharcados.
— Pensei que nunca mais ia parar de sair água.
— Precisamos chamar um encanador amanhã. — Edward comentou.
— É... Acho que amanhã não vai dar pra fazer nada aqui. — Liza disse.
— Então é melhor começarmos a enxugar essa água toda agora.
— Ai, não... Eu tô cansada. — Carly disse fazendo careta.
— Deixa de preguiça. É melhor fazer tudo agora do quer vir amanhã e ficar escutando barulho de obra.
— Verdade...
— Então vamos logo.
Os três se levantaram e começamos a secar tudo.
***
Já era noite quando terminamos. Fechamos a redação para irmos embora e enquanto descíamos as escadas me lembrei que estava sem carro.
— Liza, você pode me dar uma carona?
— Claro!
— Mas quem é esse gato...? — Carly disse quando já estávamos no térreo.
Olhei para a rua e vi Louis encostado no meu carro.
— É o meu noivo.
— Ah! Desculpa. — Carly riu sem graça.
Fui em direção a Louis, que quando meu viu, abriu um sorriso.
— Oi, mon amour.
— Oi! O que veio fazer aqui?
— Disse que ia achar a chave do seu carro, não foi?
— Obrigada! — o beijei. — Então, esses são Liza, Carly e Edward, meus colegas.
— Enchanté.
— É um prazer conhecer você também. — Liza disse.
— Eu tenho que ir. Foi bom te conhecer, Louis. — Edward disse com um aperto de mãos.
— Eu também vou. — Carly disse. — Tchau pessoal.
— Tchau!
Ficando só eu e Louis, o abracei, beijando-o em seguida.
— Por que está toda molhada?
Me afastei lembrando desse detalhe.
— Desculpe. É que um cano estourou.
— Você se machucou? Está com esse moletom de laboratório...
— Não, não. Foi emprestado...
— Daphne. — Barry se aproximava. — Você está bem? Aconteceu mais alguma coisa por aqui...?
— É... Aconteceu, mas nada muito grave.
— Que bom! — Barry olhava para mim e Louis.
— Fico feliz que tenha conseguido resolver aquele seu caso. Eu vi o avião... — tentei disfarçar por causa de Louis.
— Pois é. Hum... Eu tenho que ir. Só vim saber como estava. Então... boa noite para vocês.
— Boa noite. — Louis respondeu.
— Tchau, Barry.
Eu o observava se afastando, quando Louis tirou minha atenção.
— Vamos?
— Sim, claro.
Assim que comecei a dirigir, Louis disse algo.
— O que aconteceu?
— Nada. Só um dia de azar.
— Hum... Mon amour. — ele colocou sua mão no meu pescoço, por isso tive que me manter ainda mais concentrada no trânsito. — Amanhã quero te levar em um lugar. Quero te mostrar algo.
— O que é? — disse curiosa.
— É surpresa. — ele abriu um sorriso, satisfeito com a minha curiosidade.
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