True Love

18 Capítulo 18


Saía da casa do meu pai para trabalhar, quando vi Barry encostado na escada da varanda.
— Oi, Barry! — o abracei.
— Oi. Hum... Eu não tenho nada para fazer, então... Pensei em passarmos o dia juntos.
— Isso é muito fofo, mas eu tenho que trabalhar.
— Posso ir com você? Se não for te atrapalhar, claro.
— Não, na verdade seria ótimo. Eu tenho que terminar de pintar o meu estúdio... Pode me ajudar?
— Claro. Vai ser bom me ocupar um pouco.
— Então tá.

Entrei no carro e Barry fez o mesmo. Enquanto eu dirigia, percebi o seu incômodo.
— O quê? Faz tanto tempo assim que não entra em um carro?
— Digamos que sim... Isso é tão estranho. Poderíamos estar na Revista em segundos.
— Ei, está dizendo que eu ando devagar? Eu sou uma ótima motorista, ok?
— Não foi isso que eu quis dizer.
— Eu sei, meu amor. Só queria descontrair um pouco. Você tem que aproveitar a sua folga.
— Tá, tá bom. Só cuidado pra não bater o carro.

Olhei para Barry e ele ria. Ele finalmente parecia começar entrar no clima da brincadeira.

Quando chegamos na Revista, fomos direto para o estúdio.
— Bem-vindo a minha sala. — falei, colocando minha bolsa em cima de uma cadeira e prendendo o cabelo.
— É bem grande aqui.
— Pois é. Preciso de espaço para tirar as fotos.
— Você só pintou uma parede até agora?
— Ei! Já viu o tamanho delas? Fico cansada.

Barry gargalhou, vindo me abraçar.
— Vamos terminar isso hoje.

O entreguei um pincel.
— Obrigada por ter vindo.
— Não tem de quê.
— É um belo passatempo para ter um dia normal, não acha?
— Não consigo pensar em outro melhor.

Batemos os pincéis um no outro, como em um brinde.

Comecei pelo lado direito e Barry pelo esquerdo. Às vezes eu o flagrava se divertindo com o passatempo e acabei ficando satisfeita por ter convidando-o.

***

Já era quase noite e preciso dizer que ter alguém me ajudando era ótimo. Eu e Barry tínhamos pintado o cômodo praticamente todo, só faltava uma parede.

Enquanto limpava o suor do meu rosto, percebi Barry me olhando.
— O que foi? Estou suja?
— Não, não é isso. Eu só lembrei de quando ainda éramos apenas amigos. Você tinha chamado a Iris e eu pra te ajudar a pintar seu quarto.
— Eu lembro disso. Você me sujou de tinta.

Nós rimos.
— E você ia caindo e eu te segurei.
— Sempre me perguntei como você tinha sido rápido o suficiente para me segurar...
— Pois é...
— Nós quase nos beijamos pela primeira vez naquele dia, não foi?
— Sim. Se não fosse o Cisco, ligando para falar que a irmã do Snart precisava de ajuda. — Barry riu. — Foi ali que eu percebi que estava encurralado. Estava apaixonado por você e não tinha mais para onde correr.
— Senti a mesma coisa, mas ainda tinha medo de me relacionar de novo. Mas ainda bem que te conheci.
— Eu te amo.

Me aproximei dele, colocando meus braços em volta do seu pescoço.
— Eu também te amo.

Nos beijamos.
— É bom ter você normal por um dia.
— É. — notei sua expressão ficando triste.
— Desculpa. Eu sei o quanto ama ser um velocista.
— Não é só por causa disso. É que o DeVoe está tomando tudo de mim... A minha velocidade fazia parte de mim. Me sinto estranho sem ela.
— Eu sei. Sinto muito. – É...

O seu telefone então tocou.
— Oi, Cisco. — Barry falou e logo sua expressão mudou. Parecia animado. — Eu estou indo aí então. Tchau.
— O que foi?
— O Cisco achou o cara. Vou ter minha velocidade de volta.
— Então o que estamos esperando.
— E a parede? Ainda falta...
— Barry! Depois eu termino. Vamos logo.
— Claro... Hum... Pode me dar uma carona?

Eu ri, pegando as chaves.

Ao chegarmos no STAR Labs, encontramos com todos e mais um homem de boné e olhos puxados.
— Pessoal, esse é o Matthew, o meta-humano que procurávamos. — Iris disse. — Depois que prendi mais uma pessoa que ele tinha trocado os poderes, Matthew, de livre e espontânea vontade, nos procurou.
— Sinto muito por ter feito isso com vocês. — Matthew disse, parecendo arrependido. — Pensei estar limpando a cidade, mas só estava a piorando.
— Nós o detemos. Ele está em Iron Heights e só isso importa agora.
— Tem certeza que vocês dois querem fazer isso? — ele perguntou a Iris e Barry.
— A decisão é sua, Iris.
— Admito que correr sobre a água é muito legal. Mas, se vocês me aceitarem, eu adoraria ficar atrás do painel de novo.
— Claro. — Caitlin disse, doce como sempre.
— Por favor e obrigado. — Cisco completou.
— Tudo pronto?
— Sim. — os dois disseram juntos.
— Ok. — o meta então tocou no ombro de Iris e depois em Barry.
— É isso? Já foi? — perguntei.
— Você está bem, Barry? — Caitlin perguntou.

Nos olhos de Barry pareciam passar eletricidade e ele então correu pelo córtex.
— Eu me sinto ótimo. — ele afirmou, sorrindo feliz ao parar de correr.
— Essa é a última vez que uso esse poder. A cidade quase foi destruída por minha causa.
— Mas você não fazia ideia que isso aconteceria. Não seja duro consigo mesmo, amigão. — Ralph falou.
— Achei que tinha sido escolhido por um propósito maior. Esse não pode ser o plano para mim.
— Mas talvez tenha sido escolhido sim. — Iris disse.
— Como assim?
— Lembra do cara que eu estava falando antes do Barry chegar?
— Sim, Clifford DeVoe.
— Ele não vai parar até ter todos os metas do ônibus. Isso significa que precisamos detê-lo. Toda ajuda é bem-vinda.
— Tem certeza que posso fazer diferença?
— Com certeza. — Barry falou. — DeVoe já mostrou fraqueza contra outros metas do ônibus. Com a sua ajuda, talvez possamos ter uma chance.
— Como começamos? — Matthew falou rindo.
— Nós te mostramos o lugar.

Enquanto todos acompanhavam Matthew até o laboratório de velocidade, Iris se afastou, pegando o seu notebook.
— Foram ótimos dias para ser uma super heroína, não acha?
— É, foi sim.

Me sentei ao seu lado.
— Sabe, Daphne, eu achava que precisava provar a mim mesma que não tinha medo.
— E por que achou isso?
— Quando eu era repórter, sempre estive no campo pondo a mim mesma em perigo por uma história e depois do ano passado, por algum motivo isso parou. Talvez por causa do Savitar ou pelo Barry ter ido para a Força de Aceleração... Eu não sei. Mas eu larguei meu emprego, entrei nesse time e agora, na maior parte do tempo eu só fico aqui enquanto eles estão lá fora, arriscando suas vidas.
— Você foi corajosa ao fazer isso, Iris.
— Talvez, mas ainda assim eu precisei ganhar esses poderes para perceber e provar para mim mesma que ainda tenho aquela coragem.
— Sabe que não precisava desistir da sua velocidade, não é? O Barry ama a velocidade dele, mas ele nunca teria pedido que você abrisse mão dela.
— Eu sei, do mesmo jeito que eu também não pediria que ele abrisse mão por mim.
— Você gostou de ser velocista, não foi?
— Sim, mas ser o Flash é muito mais do que gostar de correr por aí... Ele traz esperança a cidade quando ninguém mais pode e esse não é o meu destino. Eu quero ser como os cidadãos de Central City... Ser inspirada pelo Flash a cada dia e mostrar a todos, através dos meus textos, que sempre a uma luz no fim do túnel, como ele sempre nos mostra todos os dias.
— Dos seus textos...? Voltou a escrever no seu blog?
— Sim. — ela me mostrou o notebook, na página do blog.
— Isso é ótimo.
— Eu me sinto bem fazendo isso e não lembrava dessa sensação a muito tempo.
— Eu só queria te dizer que você é um Flash e tanto. Com ou sem traje.

Iris riu, me abraçando.
— Não sei quantas vezes vai ser preciso te pedir perdão, mas me desculpa por fazer aquele papel de ficar contra você. Talvez fosse um reflexo meu, de não me sentir tão importante no time e ver você seguindo a vida tão bem.
— Tudo bem, Iris. Isso já passou, ok?
— Ok.

A abracei novamente e beijei seu rosto.
— Sabia que seria ótimo ter uma coluna sua na revista, falando sobre o Flash...
— Está me oferecendo emprego?
— Nunca é tarde para mais uma pessoa na equipe... — sorri, deixando-a sozinha.