True Love
10 Capítulo 10
Hoje era Natal. A nossa comemoração seria na casa dos meus pais, mas antes disso, eu ainda tinha uma ação da Saturno para fazer e tinha que ir com Louis à uma recepção de casamentos para escolher os doces e bolo da nossa festa de casamento.
No meu primeiro compromisso do dia, encontrei com Liza, Edward e Carly na praça de Central City. Iriamos fazer uma ação social e de marketing, entregando presentes as crianças e chaveiros com um pequeno saturno pendurado.
— Eu tenho que dizer que essa ideia foi maravilhosa. — disse, tirando as caixas de dentro do carro. — De quem foi mesmo?
— Da Liza. — Edward disse ao meu lado, também carregando algumas caixas. — Ela é realmente incrível. — um sorriso bobo começou a brotar da sua boca.
— Ela é mesmo. E então, Edward... A Karen vai vir morar em Central City...?
— Vai sim.
— Mesmo? Hum... E você... achou bom?
— Hum... Não sei dizer. — ele deu um sorriso nervoso. — Por que está perguntando isso?
— Nada.
Nos aproximamos de Carly e Liza, que já organizavam os brinquedos.
— Já acabaram as caixas? — Carly perguntou.
— Não. Ainda falta uma. Eu vou buscar. Não precisa ir, Edward.
— Tudo bem.
Voltei ao carro e peguei a última caixa. O dia começava a nevar, então, quando fechava a mala do carro, escorreguei em uma camada fina de gelo. Por pouco não caí, alguém havia me segurado.
— Ai meu Deus. — eu disse, segurando firme a caixa contra mim.
Olhei para o lado e vi quem tinha me salvado. Ele abriu um sorriso.
— Foi por pouco.
— Foi sim. Obrigada, Barry!
— Não tem de que. O que está fazendo?
— Eu e meus amigos da Saturno vamos distribuir presentes de Natal para as crianças.
— Isso é ótimo. — ele disse, caminhando ao meu lado. — Quer que eu leve essa caixa?
— Não precisa, nem está tão pesada assim. — menti. Meus braços já doíam.
— Por favor!
— Tá. — cedi, o entregando a caixa.
— Lembrei do Natal de dois anos atrás. Lembra?
— Ah, claro... Mardon me puxando pelo cabelo e depois te espancando junto com o Vigarista... Impossível esquecer.
— É. — ele riu. — Depois daquilo, eu sempre duvidei de caixas bonitas sendo distribuídas no Natal.
Nós rimos.
— Pode confiar, nessas caixas não tem nenhuma bomba.
Nos aproximamos de Liza, Edward e Carly.
— Aqui. — Barry me entregou a caixa. Coloquei junto das outras.
— Pessoal, esse é Barry Allen. Ele é... um amigo.
Todos cumprimentaram Barry.
— Acho que já te vi antes. — Edward disse.
— Provavelmente. Eu trabalho no CCPD.
— Então é provável que seja de lá mesmo. O que faz lá?
Edward e Barry começaram a conversar. Eu então me juntei as meninas.
— Ele é um gatinho. — Carly comentou.
— É só seu amigo mesmo, Daphne? — Liza perguntou curiosa.
— Claro que sim.
— Se eu não te conhecesse e soubesse que tem um noivo... Eu ia jurar que tinham algo.
— Por que acha isso? — dei um sorriso nervoso.
— Olha só pra ele, Daphne. Mesmo estando conversando com o Edward, não para de te olhar.
Olhei para Barry e realmente vi seu olhar em mim. Ele sorriu e fiz o mesmo.
— Vocês já tiveram algo, não foi? — Carly perguntou, tirando agora os chaveiros de dentro das caixas.
— Nós já fomos noivos.
— O quê? — Liza disse arregalando os olhos. — Como assim? Você nunca me falou sobre isso!
— Você nunca perguntou.
— Então fala agora.
— Não tem o que dizer, Liza. Eu e o Barry éramos noivos... e agora não somos mais.
— Por que terminaram?
Pensei no que iria dizer. Falar que o meu ex-noivo tinha ido para a Força de Aceleração estava fora de cogitação.
— Ele teve que ir embora da cidade.
— Sério?
— Muito.
— Isso parece um carma! Noivos que vão embora e depois voltam querendo destruir tudo. Claro que não estou falando de você e Barry. Sei que ama o Louis.
— Está falando do Edward, não é?
— Opa, opa. Do que estão falando? — Carly perguntou.
— Não ficou sabendo? A Karen voltou. — Liza explicou triste.
— O quê? Está brincando?
— Pior que não.
— Agora que o Edward enlouquece de vez...
— Não está ajudando muito, Carly... — falei.
— Desculpa, Liza. Sei que é apaixonada pelo Edward.
— Como sabe disso?
— Está falando sério, Liza? Está escrito na sua testa. É só você ver ele que seus olhos brilham... Feito agora...
Edward e Barry se aproximavam.
— Então, posso ajudar vocês? — Barry perguntou.
— Claro!
Terminamos de organizar todos os brinquedos e começamos as entregas. A cada brinquedo entregue a uma criança, um sorriso era nos devolvido como resposta do que fazíamos. Aquela sensação era tão boa.
Ia pegar mais alguns, quando vi o pai de uma das criança falando com Barry.
— E o por que desse saturno? — o homem perguntava.
— Bem... Hum... — Barry não sabia muito bem o que dizer, por isso me aproximei deles.
— É sobre a nossa revista que vai ser lançada. O nome é Saturno. Estamos fazendo essa ação de marketing para anunciar a nossa marca a população de Central City.
— Isso foi muito inteligente. — o homem riu. — E sobre o que vai ser?
— De tudo um pouco que acontece na cidade, senhor. Será online, então todos terão ainda mais facilidade para acessar.
— Eu gostei muito, mocinha. — ele olhava o chaveiro. — Espero que lancem logo. Estou curioso. Parabéns para todos vocês pela bela ação para as crianças aqui.
— Obrigada.
Quando o homem saiu, Barry me olhou.
— Quase arruinei seus negócios. — ele ria. — Dessa vez foi você que me salvou.
— Está vendo, Barry Allen, as vezes os heróis também precisam ser salvos.
Nós rimos, voltando ao trabalho.
***
A noite já tinha tomado conta da cidade, quando finalmente terminamos.
— Hoje foi trabalhoso. — Liza disse.
— Eu diria trabalhoso e gratificante. Você é incrível, Liza. — Edward dizia sorrindo.
Liza parecia surpresa com o elogio. Eles se olhavam por um logo momento, até que Carly os interrompeu.
— Então, pessoal... Não sei vocês, mas eu estou congelando aqui! — apesar das várias blusas, do casaco enorme e da touca, Carly tinha a pontinha do nariz vermelho. — Por favor, vamos embora. Eu preciso de um banho quente urgente.
Nós rimos.
— Feliz Natal, pessoal! — os abracei.
— Feliz Natal. Pra você também, Barry. — Liza disse sorrindo.
— Obrigado. Para vocês também.
Edward e Carly seguiram até o carro de Liza, com ela.
— Posso te acompanhar até o seu carro? — Barry perguntou.
— Claro.
Caminhamos lado a lado e eu sentia muito frio. Esfregava minhas mãos uma contra a outra, tentando esquenta-las.
— Então... Onde vai ser o Natal da família Dean esse ano?
— O Louis queria que fosse na nossa casa, mas o meu pai faz questão que seja na dele. E você, onde vai ficar?
— Como todos os anos, na casa do Joe.
Chegando ao meu carro, parei, me despedindo de Barry.
— Espero que tenham uma boa noite.
— Você também.
Olhei para Barry e senti meu coração acelerar. Lembrei dos meus últimos dois Natais e todos tinham sido ao seu lado. Inclusive, em um deles foi quando o contei que estava grávida...
Afastei aqueles pensamentos da minha cabeça.
— Eu já vou indo. Ainda tenho que ir com o Louis em uma recepção de casamentos... Vamos começar a organizar tudo...
— Ah... Isso é... ótimo. — ele tentou sorrir.
— Pois é... Tchau, Barry.
Enquanto colocava a chave na porta do carro, escutei algo se aproximando. Não entendi muito bem o que estava acontecendo... Um homem flutuava em um tipo de cadeira. Eu poderia dizer que aquilo, com certeza, era futurista.
Barry se colocou em minha frente, me protegendo.
— O que faz aqui? — ele perguntou, o encarando
— Olá, Srta. Dean. — o homem falou.
— Não dirija a palavra a ela! O que faz aqui!?
— Só vim conversar um pouco, Sr. Allen.
— Sinto muito desaponta-lo, mas não vai acontecer.
— É uma pena então que terei que fazer isso de uma forma um pouco mais... agressiva.
DeVoe soltou um raio em direção a Barry, que conseguiu desviar. Ele então foi em direção à cadeira, mas antes disso, dela saíram alguns braços mecânicos, parecidos com garras, segurando Barry pelo pescoço.
— Até mais, querida. – DeVoe disse, levando Barry consigo.
— Barry! — eu gritava. — Meu Deus! E agora?
Eu não sabia muito bem o que fazer, então fiz a única coisa que ajudaria Barry. Fui ao STAR Labs.
— Cisco! — entrei gritando no córtex.
— Ei, o que foi? — Cisco disse sem entender.
— O Barry.
— O que tem ele?
— Ele foi levado.
— Do que está falando? — Iris entrou.
— O Barry foi levado por... Por alguma coisa. Eu não sei o que é aquilo.
— Ok. Onde estavam quando isso aconteceu? — Cisco perguntou.
— Perto do Parque, no estacionamento.
— Tudo bem... — Cisco mexia no computador, olhando algumas câmeras de vigilância. — Só mais um pouquinho... Aqui, achei. Mas o que é isso... — ele falava do homem na cadeira.
— Pessoal! — Harry entrou ofegante e machucado no córtex. – Amunet levou a Caitlin.
— É sério? Só pode estar de brincadeira!
— Dois sequestros no mesmo dia... – Ralph Dibny disse, também entrando. – Que coincidência.
— É uma ótima observação, capitão óbvio. – Cisco falou nervoso.
— Use o satélite para procurar a energia criocinética da Caitlin ou a assinatura da Força de Aceleração do Barry. — Harry disse a Iris.
— Não, não. Temos que procurar os dois! Cisco, preciso que vibre o Barry. Preciso saber se ele está vivo.
Cisco fez o que Iris pediu, mas algo aconteceu com ele, fazendo com que caísse no chão.
— Você está bem? – disse, indo até ele.
— Sim. Só não vou vibrar de novo durante um tempo.
— E o Allen. Conseguiu vê-lo?
— Seja lá onde ele esteja... nunca vi algo parecido.
— Eu sei muito bem onde posso acha-lo. – Joe disse.
— Pai, não acha perigoso ir atrás do DeVoe?
— Não, não vai ser nada perigoso, West. – Harry tinha uma arma na mão. – Eu vou com você, Joe.
— Ótimo. Vamos logo. Não vou deixar meu filho nas mãos daquele maluco.
Joe e Harry saíram atrás de Barry. Foi então quando o meu telefone começou a tocar. Era Louis.
— Chérie, onde está? Era para estar aqui há 10 minutos atrás.
— Ai droga. — falei sozinha. — Desculpa, Louis. Eu tive um imprevisto, mas já estou indo, ok?
— Oui.
Desliguei o telefone.
— Eu preciso ir. Cisco, o que você descobrir me diz, ok? Pode me ligar.
— Tá.
Fui o mais rápido que pude até a recepção. Chegando lá, vi Louis em frente, olhando para o relógio no seu pulso.
— Desculpa. — sai desajeitada do carro, indo em sua direção. — Desculpa a demora... É que aconteceram algumas coisas...
— Você está bem?
— Sim... Claro. Vai ficar tudo bem. Então... Vamos entrar?
— Vamos.
Louis pegou minha mão e entramos. O lugar era simplesmente lindo, vários vasos e arranjos, lustres...
— Olá. — uma senhora sorridente veio em nossa direção. — Vocês devem ser Louis Deville e Daphne Dean, certo?
— Isso.
— É um prazer ter vocês aqui. Meu nome é Martha Steiner.
— Enchanté.
— Posso mostra-los os nossos doces?
— Claro.
A Sra. Steiner nos levou até uma mesa, cheia de doces e fez uma degustação conosco. Todos estavam extremamente deliciosos e as combinações de sabores eram perfeitas. Mas ainda assim, minha cabeça estava a mil. Não conseguia parar de pensar em Barry e Caitlin.
— Daphne? — Louis disse cauteloso.
— Hum...
— Qual você prefere?
— Prefiro o quê?
— Os sabores dos doces e bolo, mon amour.
— Desculpe, Louis. Hum... Por que não escolhe? Você entende disso muito melhor que eu. Além disso eu preciso ir.
— O quê? Mas...
— Eu confio em você, meu amor. — o beijei. — Pode fazer isso?
— Sim... — ele disse um pouco chateado.
— Desculpe! Desculpe, meu amor. — o abracei forte e o beijei.
— Vai pelo menos para o jantar na casa do seu pai?
— Claro. Estarei lá na hora certa.
— Promete?
— Claro. Te vejo lá, tá?
— Oui.
Saí de lá, e voltei ao STAR Labs. Ao entrar no córtex, vi fumaça saindo de um dos equipamentos.
— Que droga! – Cisco disse.
— O que aconteceu?
— Bem, o satélite está tentando procurar a Força de Aceleração do Barry e a assinatura criocinética da Caitlin, então os limitadores da rede estão superaquecendo.
— Isso que consegue quando confia nessas máquinas ao invés de um mestre detetive particular. – Ralph disse. – Já tive muitos casos de pessoas desaparecidas. Havia uma esposa... ela forjou a própria morte. Ela só estava morando no Arizona. — ele deu de ombros.
— Acha que o Barry forjou a própria morte e se mudou para o Arizona? — Cisco perguntou.
— Bem... Não.
— Então cale a boca!
Ouvimos botas vindo até nós. Era Harry.
— Me diga que conseguiram algo, por favor! – Iris disse nervosa.
— Nada. Procurei por toda a casa do DeVoe. Está limpa. Seu pai foi verificar a cena onde Barry foi levado.
— Sabe... também teve um outro caso. – Ralph continuou. – Era uma mulher que não achava o marido. Acontece que ela tinha amnésia. Ele só estava em casa. E eu ainda fui pago. Duas vezes.
— Ralph, por favor! – Cisco disse ainda mais irritado. – Cale-A-Boca!
— Tem algo que queira me falar, Cisco?
— Tenho. Tem algo que eu quero te falar, Ralphiezinho. Caitlin foi sequestrada. É claro que ela não teria saído daqui chateada, se você não tivesse sido um idiota com ela. Mas, no estilo Ralph Dibny, você a afastou com essa boca grande!
— Talvez eu devesse transformar minha mão em um punho grande!
Os ânimos pareciam começar a esquentar, então intervi.
— Ok, meninos! Já chega!
— Por favor, pessoal. Se acalmem! Pessoas que amamos estão em perigo e vocês não conseguem ficar numa boa? Sério? — Iris também disse.
— Tanto faz. Estarei no meu laboratório. – Cisco disse, saindo.
— E eu vou estar em qualquer sala longe de lá. – Ralph falou, dando passadas pesadas. Parecia chateado.
— O que tem de errado com eles? – Iris colocou as mãos na cabeça.
— Hum... Acho que você.
— O que disse? — ela parecia finalmente me dar atenção.
— Você é o que está errado. Você é a líder do time, Iris. E líderes devem tomar as decisões difíceis.
— Eu tomei uma decisão. Falei que devíamos procurar os dois.
— Não. Procurar os dois não é mais uma escolha. Não ouviu o que o Cisco falou?
— Eu concordo com a Dean. — Harry se aproximou. — Estamos esgotando os recursos e nosso pessoal porque você não quer enfrentar a verdade. E a verdade é que não podemos procurar pelos dois. Podemos apenas procurar por um.
— Harry, você quer realmente que eu escolha entre dois dos meus melhores amigos? Não posso fazer isso.
— Tem que fazer. Ou arriscar perder os dois. Você tem que escolher, West. — Harry disse saindo.
Iris então começou a andar de um lado para o outro. Eu queria ajuda-la. Eu realmente queria.
— Iris...
— O quê?! — ela disse, impaciente.
— Iris, olha só... eu sei que está chateada comigo por muitas coisas que aconteceram, mas precisa deixar nossas diferenças de lado agora. Barry e Caitlin sumiram. A equipe precisa de ordens. Precisam de você!
Ela se manteve em silencio por alguns segundos.
— Eu não sei o que fazer.
— Olha, você é uma líder incrível. Ninguém conseguiria fazer o que você fez para manter a equipe unida quando o Barry foi embora. Eu nunca conseguiria. — me aproximei dela, segurando suas mãos. — Você é a pessoa mais forte que eu conheço, Iris. Então precisa tomar uma decisão.
Ela me olhava e eu via o quão difícil estava sendo para ela. Iris mordia os lábios enquanto pensava.
— Tudo bem. — ela agora falava no microfone. — Cisco, Ralph e Harry, preciso que venham aqui.
Ao chegarem no córtex, Iris continuou.
— A Caitlin está vulnerável agora... e o Barry pode cuidar de si mesmo. Então vamos desligar o satélite da Força de Aceleração. Nós vamos atrás da Caitlin.
— Ok. Vamos buscar nossa garota.
Não demorou muito até que Cisco a achasse. Ele então abriu uma fenda e junto com Ralph foram atrás de Caitlin.
Pouco tempo depois, eles estavam de volta.
— Oi! — abracei Caitlin. — Como está?
— Bem, obrigada!
Todos pareciam felizes com a volta de Caitlin, mas Iris estava sentada, pensativa. Se eu a conhecia bem, diria que estava pensando se tinha feito a escolha certa.
Um vento fez meu cabelo sair do lugar.
— Barry! — Iris levantou, o abraçando com força. — Você está bem?
— Sim, sim. Só um pouco... cansado. Eu e o DeVoe meio que... lutamos. Ele é muito inteligente. — ele falou ofegante.
— Filho! — Joe entrou no córtex, abraçando Barry.
— Então, pai... — Iris queria saber sobre alguma pista de DeVoe.
— Sem sinal do DeVoe. A casa está vazia.
— O reconhecimento não está achando ele e a esposa. — Cisco disse.
— Então o quê? Ele evaporou?
— Ou voltou para onde mantinha o Barry.
— Por que acha que ele te levou? — perguntei.
— Não tenho certeza, mas acho que está interessado nos meus poderes.
— Ótimo. Temos a Mary Poppins do mal coletando metas também. — Cisco ironizou.
— Isso. E a Amunet não vai recuar.
— Nada como uma ameaça persistente para nos deixar com o espírito natalino... — Harry ironizou.
— Inclusive, com esse lance do DeVoe e com a Cecile fora da cidade, não pude decorar a casa. Me desculpem, pessoal! — Joe disse.
— Esperem. Ainda temos muito a celebrar. — falei. — Quero que todos estejam na casa do meu pai hoje. Sem exceção de ninguém.
— Falou tudo, Daphne. — Cisco levantou a mão para que eu batesse nela.
— Se importa se eu convidar o Dominic, o meta que salvamos hoje? — Caitlin perguntou.
— Claro que não. Quanto mais melhor.
— Então... Vamos tomar a gemada da vovó Esther. — Joe disse. — Barry, pode me ajudar?
— Claro!
Todos pareciam se animar... Menos Iris. Me aproximei dela.
— Então... Parece que deu tudo certo, hein. — falei.
— Mas e se não tivesse dado? E se ele tivesse matado o Barry por uma decisão que eu fiz? Honestamente, Daphne, não sei se posso continuar fazendo isso.
Segurei sua mão.
— Posso te dizer uma coisa? Terá que fazer muitas mais no futuro. Mas você fez a decisão certa hoje e estou orgulhosa de você por fazer.
Ela me olhou.
— E agora?
— Agora teremos um Natal feliz. — sorri. — Vamos lá.
Nós rimos, saindo do STAR Labs.
***
Na casa do meu pai, todos ajudavam na cozinha quando a campainha tocou. Fui atender.
— Mas o que...
— Ho-ho-ho... — Ralph estava vestido de papai Noel enquanto todos riam atrás dele.
— Eu avisei a ele que ia ser ridículo aparecer aqui assim. — Cisco disse.
— Ah, esperem. – Ralph disse, fazendo com que sua barriga crescesse. — Agora sim.
— Ralph, o que é isso?
— Queria fazer uma coisa legal para os meus amigos. Percebi que geralmente não falo ou faço a coisa certa, então só queria dizer que sinto muito.
— Hum... Você caprichou bem, Ralph, obrigada.
— Fico feliz que gostou.
— Mas, Ralph... Se lembre que só o meu pai sabe sobre tudo isso, ok? Nada de falar de metas ou esticar partes do seu corpo.
— Sem problema. — ele sorriu
— Por favor, entrem.
Enquanto todos entravam, me aproximei de Joe.
— E o Wally? — perguntei.
— Não conseguiu vir.
— Ainda está em Blue Valley?
— Cambódia.
— Uau! Sério?
— Sim.
— Olá, pessoal! — meu pai trazia algumas travessas com comidas, junto com Louis e Octávia. — Joe! Como vai?
— Bem. Trouxe gemada.
— Não precisava!
— Pessoal. — falei. — Esse é o Louis.
— Enchanté. Ouvi muito sobre vocês.
— É um prazer conhece-lo, Louis. — Caitlin disse.
— É... É sim. — Cisco o cumprimentou, olhando para Barry em seguida.
A campainha então tocou novamente. Um rapaz moreno me encarava.
— Dominic, fico feliz que veio. — Caitlin disse atrás de mim.
— Por favor, entre. — falei, percebendo quem era.
— Obrigado. – ele me entregou o que parecia ser um vinho. — Está casa é... — ele parou abruptamente, olhando fixamente para alguém.
— Irada? — Cisco disse.
— Festiva. Hum... Nós nos conhecemos? — ele falava com Louis.
— Hum... Acho que não. A não ser que já tenha ido para a França.
— Ah, não. — ele riu. — Devo ter te confundido com alguém.
— Quer um pouco de gemada? — Caitlin o perguntou.
— Claro.
Fui até a cozinha, colocar um pouco do vinho que Dominic tinha trazido.
— Que droga! — falava sozinha, tentando abri-lo.
— Precisa de uma ajudinha aí? — Barry disse atrás de mim.
— Ah, claro. Por favor.
Em um único movimento Barry o abriu facilmente.
— Obrigada. Quer um pouco?
— Não, obrigado. Eu fico com a gemada.
Enquanto eu colocava um pouco de vinho para mim e Louis, Barry continuou a falar.
— A Iris me disse o que fez hoje.
— Eu? Mas eu não fiz nada.
— Me disse que ajudou ela a por a cabeça no lugar. Que talvez, se não fosse por você, não estaríamos tento um Natal tão feliz agora.
— Ela disse isso?
— Com essas mesmas palavras.
— Nossa... Imagina... Ela que tomou a decisão certa. Só precisava de um empurrãozinho...
— Mesmo assim. Obrigado.
Sorri, bebericando um pouco de vinho em seguida.
O telefone de Barry começou a vibrar. Ele parecia confuso.
— O que foi?
— Segurança do apartamento... Deve ser só alguma encomenda... Eu já volto.
— Tudo bem.
Fui até a sala e me sentei ao lado de Louis, o entregando o vinho.
— Por que o Barry foi embora?
— Parece que o alarme de segurança do apartamento tocou. Ele não vai demorar.
Louis então colocou sua mão no meu rosto.
— Estou muito feliz de passar o Natal com você, mon amour.
Dei um beijo em Louis.
— Eu também.
— Ok. Que tal animarmos isso aqui um pouco. — Cisco disse.
— O que sugere, Ramon?
— Que tal contar uma piada, Harry?
— O meu pai sabe contar piadas ótimas. — comentei.
— Ah não, Daphne! São péssimas! — Octávia reclamou.
— Claro que não, filha. Deixe-me ver uma...
Enquanto meu pai pensava em alguma, via que todos se divertiam. Era bom ter a casa cheia. Percebi então Dominic um pouco mais afastado, ele falava ao telefone. Não quis o interromper.
— Nossa, pai! Essa foi horrível. — Octávia colocou a mão no rosto, nos fazendo rir.
— Deixe-me tentar uma. A Jesse detestava essa... — Harry disse. — Sabe como transformar um giz numa cobra, Ramon?
— Não tenho ideia.
— É só colocar num copo de água que o gizboia. Entendeu? Jiboia... Gizboia...
— Meu Deus, Harry! Você é péssimo nisso.
— Então faça melhor, Ramon.
— Com prazer!
— Com licença. — Dominic se aproximou. — Tenho que ir. Mas muito obrigado pelo jantar.
— Claro. Obrigada por vir.
— Feliz Natal para todos.
— Feliz Natal.
Horas de piadas sem graça e risadas nem um pouco contidas se passaram. Eu amava ter minha família e amigos juntos. Mas faltava alguém...
O telefone de Joe então começou a tocar. Ainda riamos das piadas, quando Joe começou a falar sério até demais.
— O quê? — Joe disse assustado. — Tudo bem, tudo bem. Eu já estou indo.
— Quem era, pai?
— Do CCPD.
— Está tudo bem?
— Não. O Barry foi preso.
— O quê?
Todos ficaram surpresos, principalmente eu. Como alguém como Barry poderia ser preso?
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