True Love
1 Capítulo 1 - (Prólogo)
Notas iniciais
Quando Barry foi para a Força de Aceleração, eu achei que podia ficar sem ele. Sabia que não seria fácil, mas ia conseguir. Na verdade, eu não podia estar mais enganada.
Na primeira semana sem Barry, eu sentia um vazio enorme em mim. Na segunda, já não conseguia dormir na nossa cama sem pensar nele. Na terceira, eu pedi demissão e já não saía mais de casa. Foi quando eu decidi ir embora. Tudo que tinha acontecido nos últimos dois anos eram como um peso nos meus ombros. Eu precisava de um tempo. Precisava ir para o mais longe possível de Central City. Então fui para Mali, na África, onde passei seis meses.
Lá, eu posso dizer que, de alguma forma, eu me encontrei. Vendo a situação daquele lugar, onde tinham muitos refugiados e pessoas passando por necessidades, eu me juntei à uma ONG e tentava ajudá-los de alguma forma. Fiz um blog onde contava suas histórias, mostrava através de fotos seu dia a dia, seus depoimentos. Estava dando certo. Atráves do blog, a ONG nos últimos quatro meses começou a arrecadar mais e mais quantias. Eu me sentia bem em poder ajudá-los.
Durante os seis meses que passei em Mali, eu também conheci um cara, o nome dele era Louis Deville, um francês, filho de pai americano e mãe francesa. Ele era fotógrafo e cineasta, e estava gravando um documentário sobre as belezas escondidas da África.
Nos primeiros três meses, nós já éramos grandes amigos. Louis era completamente aventureiro, já havia viajado por vários países. Em Mali, enquanto gravava seu documentário, ele também me levava para alguns dos poucos lugares maravilhosos que existiam lá.
Certo dia, eu percebi que ele me olhava diferente, mas eu não podia me envolver. Barry ainda era uma memória viva em mim, eu sabia que ele nunca mais voltaria, mas eu ainda o amava e Louis sabia disso. Porém, alguma coisa nele me fazia sentir bem. Quando eu estava com Louis, sentia que todos os problemas sumiam. Ele era extremamente maduro e talvez estivesse me ensinando a ser um pouco mais.
Louis acabou me ajudou em muitas coisas e a principal delas foi a me perdoar. Eu sentia que toda a culpa que eu tinha em relação a Alex, Tommy, minha mãe, JB e meu filho tinham se amenizado. Era como se quase não existisse, porque ele me fez entender que tudo isso que aconteceu, foram consequências, que eu não tinha como controlar nada daquilo. Louis me fazia bem, por isso cedi. Estávamos juntos há três meses e era como se eu começasse a me sentir viva outra vez.
***
Estava no meu apartamento na África, quando recebi um e-mail de uma revista chamada Saturno. Eles eram de um grupo pequeno em Central City e por terem visto o blog que eu tinha feito para ajudar a ONG em Mali, eles me queriam junto deles.
Louis tinha acabado de chegar, com sua mochila e câmera pendurada no pescoço. Hoje tinha sido o seu último dia de filmagens.
— Bonjour!— ele disse cansado, com os fios do cabelo fora do lugar. Eu adorava quando ele falava francês.
— Oi. Você não vai acreditar no que acabou de acontecer.
— O quê?
— Uma revista de Central City acabou de me mandar um e-mail. Eles querem me contratar.
— Sério? E... você vai aceitar...? — ele desviou o olhar.
— Eu não sei. É uma revista, é diferente...
— E o que você iria fazer lá?
— Pelo que eu entendi, as fotos e as capas da revista. Eles são um grupo pequeno... Estão começando agora.
Louis tirou a câmera do pescoço, guardando-a. Em seguida veio até mim, me fazendo ficar de pé e segurando meu quadril, me levando para mais perto dele.
— Eu sei que sente falta de Central City, mon amour. Talvez seja a hora de voltar...
Louis tinha razão, eu sentia falta de lá. Da minha família, dos meus amigos...
— Mas e você? — coloquei meus braços ao redor do seu pescoço. — Terminou de gravar seu documentário hoje e eu tinha combinado de passar um tempo na França com você quando terminasse...
— O que acha de eu terminar de editar as imagens em Central City?
— Mas você não vai à América desde que seu pai morreu, Louis... Eu sei que não gosta de falar sobre isso...
Ele parecia incomodado, mas continuou.
— Já faz anos, Daphne... Já está na hora de enfrentar tudo isso. — ele falava consigo mesmo. — Então, o que acha?
— Eu acho ótimo. Obrigada por fazer isso por mim!
Louis manteve seus olhos fixos no meu rosto, abrindo um sorriso preguiçoso.
— Je t'aime!— ele disse, se aproximando e me dando um beijo doce.
Ao se afastar, liberando minha boca, eu disse a única coisa que poderia ser dita à um homem tão especial quanto ele.
— Eu também te amo.
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