Trough Truth
1 Prólogo
Notas iniciais
Acordei com uma dor de cabeça insanamente forte. Meus cabelos soltos davam-me uma sensação estranha, não sabia o porquê. A minha frente, apenas utensílios médicos e paredes brancas e frias. Havia também uma abertura retangular na parede, coberta por um vidro de grande espessura. Tentei me mexer, mas me sentia fraca demais para mover qualquer músculo. Não me lembrava de nada, milhares de perguntas rondavam minha cabeça. Tossi, sentindo uma sensação de queimação, no fundo da garganta, como se houvesse acabado de vomitar. Percebi que vários daqueles aparelhos médicos estavam ligados a mim. Tudo parecia-me estranho e familiar demais, porém, eu não lembrava de nada. Vasculhando minhas memórias, a única coisa que achei fora meu nome, tal fato me dava alguns calafrios, novamente sem motivo aparente.
Ouvi um tipo de explosão vinda de longe. Um barulho alto, que mesmo abafado pelas paredes e pelo vidro, soaram altos para mim. Assustada, tentei mover-me novamente e, com a sensação de dormência um pouco mais fraca nos membros, consegui sentar na maca dura onde estivera deitada. Mais alguns barulhos. Pareceram mais próximos desta vez. Estavam me deixando cada vez mais preocupada. Minha barriga roncava, mas não havia comida ao meu redor, o que me desanimou. Mais um barulho, desta vez acompanhado pela visão do vidro se quebrando a minha frente e a porta saindo violentamente de seu lugar. Só então percebi que era uma porta de ferro. Um garoto de cabelos de um azul estranhamente escuro, que quase se assemelhava a preto, apareceu. Seus olhos amarelados estavam carregados de pânico, enquanto olhava para os lados e depois corria para mim.
- Não se preocupe. — pegou-me em seu colo. — Eles não vão mais fazer nada a você.
Confusa e ainda sem forças, fui incapaz de reagir, sendo levada por ele para fora do quarto, ao longo de um corredor que parecia estar em caos. Pessoas correndo de um lado para o outro, a maioria prava e tossia devido a fumaça de poeira causada pela explosão. Alguns corriam atrás de mim e do garoto, mas ele era muito rápido. Rápido até demais. Passamos por mais alguns corredores, até percebermos que estávamos cercados. Médicos de um lado e médicos do outro. Rapidamente, o garoto olhou para a frente e pareceu pensar um pouco, enquanto minha visão escurecia e minha cabeça girava.
- Eu vou te tirar daqui. — sussurrou. — Belle.
Foi a última coisa que ouvi, assim que vi um clarão azul, antes de desmaiar.
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