Londres. Eu estava indo para Londres. Sendo afastado da minha cidade natal, do que restava da minha família e principalmente do único lugar aonde eu me sentia bem, meu quarto.

Indo para longe por causa da vaca da minha madrasta que acha que eu tenho que fazer amigos. Eu tenho que ser uma pessoa normal para ela poder ter a vidinha perfeita dela, é muito difícil para uma criança crescer em uma família perfeita quando não se é perfeito. Minha mãe e minha irmã morreram em um acidente de carro quando eu tinha sete anos, me isolei do mundo pois as pessoas que eu mais amava nele tinham acabado de morrer e meu pai virou um bêbado. Estava sozinho.

Três anos depois da morte da morte da minha irmã e da minha mãe, meu pai se casou de novo e Perséfone virou minha madrasta, uma mulher perfeccionista que sonhava naquelas famílias de filmes. E eu estragava tudo por ser irresponsável, anti-social, mau educado e depressivo. Comecei a beber com quatorze anos e aos dezesseis eu já fumava. Perséfone não gostava de mim pelo simples fato de eu estar sujando o nome da "família".

Foram muitos psicólogos, vários colégios diferentes, grupos de apoio, mas nada funcionou então aqui estou eu indo para um internato em Londres.

"Sell kids for food, weather changes moods

Spring is here again, reproductive glands

He's the one who likes all our pretty songs"

A música tocava no fone de ouvido me fazendo esquecer o quanto tudo isso estava sendo ruim e chato. Músicas tinha esse poder sobre mim, me faziam esquecer tudo em minha volta.

– Ei gasparzinho — disse uma menina com cabelos pretos, olhos azuis eletrizantes e um roupa de rock sentada a minha frente me encarando.

– O que foi? — perguntei mau humorado, tirando um dos meus fones de ouvido e a encarando.

– Ta escutando o que? — ela perguntou de uma maneira animada mas sem esboçar nenhum sorriso no rosto

– Nirvana. Por que? — perguntei meio sem jeito. Por que diabos eu ainda estava falando com ela?

– Sério?! Graças aos deuses achei alguém de bom gosto nessa merda de avião -disse ela levando os braços ao alto — Aliás sou Thalia Grace — falou ela estendendo a mão para eu apertar.

– Nico Di Angelo — disse desconfortável em fazer qualquer tipo de contato. Mas o faço e aperto sua mão.

– Prazer gasparzinho — falou ela sorrindo, um sorriso perfeito e branco

– Por que gasparzinho? — perguntei meio confuso

– Você é muito branco — disse ela dando de ombros.

Quando ia fazer algum comentário sobre a cor de pele dela ser a mesma que a minha se não fosse mais palida a mesma me interrompeu

– Então... por que está sendo mandado para um internato? — perguntou ela saindo da sua cadeira e sentando na do meu lado, minha dupla tinha sumido nos cinco primeiros minutos do voo.

– Sou "anti-social". Bom, pelo menos e o que minha madrasta acha — disse, pondo um sarcasmo desconhecido até por mim na paravra anti-social e fazendo aspas com os dedos — E você qual foi a merda que você fez pra estar sendo deportada para um internato de freiras? E não me encare mal mas não faz nem um pouco seu tipo — disse tirando os fones de ouvido e prestando atenção na conversa que estava se desenrolando. Thalia era uma pessoa legal.

– Eu estava vendendo e usando drogas, fui pega e mandada para o reformatório e o babaca do meu irmão queria muito ir estudar em Londres então tive que vir junto. E é claro que meus pais, que no caso seria minha madrasta e meu pai, acharam ótima a ideia de me ter por longe, eles acham que aqui não vou me meter em confusão. Só que na última escola em menos de cinco meses já tinha sido expulsa — ela dizia cada palavra com um ódio no timbre da voz que chegava a dar medo

– Vendendo drogas!? Impressionante Thalia Grace — disse com um sorriso de canto.

– O que foi? Isso dá um bom dinheiro e se não fosse por mim aqueles maconheiros da escola iam morrer de abstinência — ela falou com um tom divertido.

– Falando em abstinência... Você tem alguma coisa ai? — perguntei interessado.

– Não, mas não vai ser difícil achar um oferecedor nesse colégio. Pode até ser colégio de freira mas ninguém aqui é santo — disse ela com um sorriso travesso.

Resolvi então mudar de assunto. Já tinha entendido o recado

– Quem é seu irmão? — perguntei antes de voltar ao assunto de vidas fodidas.

– O loiro ali na frente — disse ela apontando com a cabeça para um loiro uns três assentos a frente na fileira do lado.

– Vocês não são nada parecidos — falei, percebendo que as diferenças são absurdas, o menino era loiro e tinha um bronzeado natural na pele, Thalia era branca que nem papel e cabelos pretos como piche.

– Então, por que a desmiolada da sua madrasta acha que voce é "anti-social"? — perguntou ela fazendo aspas com os desdos do mesmo jeito que tinha feito quando falei para ela.

– Depois que minha mãe e minha irmã morreram eu me fechei. Entrei em depressão, comecei a beber, fumar e me cortar, sou cheio de problemas mas não sou anti-social sou anti-idiotas — falei tudo para Thalia. Não sei porque mas confio nela do mesmo jeito que confiava em Bianca.

– É uma bosta mesmo, sabe, perder alguém que você ama. Comecei a beber por causa disso também perdi minha mãe em um acidente de avião quando eu era pequena, e como uma coisa leva a outra então logo comecei a fumar também. Parei de me importar com o certo e o errado. Vou morrer um dia e eu quero pelo menos ter feito coisas legais antes disso acontecer — disse ela olhando para o chão como se lembrar o que aconteceu fosse a pior coisa do mundo. E realmente era eu me sentia um lixo depois de falar sobre Bianca e minha mãe

– Jason não parece ter tido o mesmo fim que você — falei assim na lata. Depois que você perde alguém você começa a perceber que ficar falando eu sinto muito não vai melhorar nada e muito menos mudar o que aconteceu.

– Ele era muito pequeno não lembra nem quem era a mãe dele. Mas como é um pequeno gênio pulou duas series — disse Thalia com um brilho no olhar. Ela sentia orgulho do irmão e isso era mais que evidente.

– Ei branquelos querem me ajudar a pintar a cara do Connor? — perguntou Travis parando ao lado da cadeira, onde Thalia estava sentada ao meu lado.

– Não me chama de branquelo — dissemos eu e Thalia juntos.

– Mas sim, eu quero. Algumas dessas patricinhas devem ter batom na bolsa vou providenciar um — falou Thalia se levantando da cadeira — Você vem Nico? -perguntou.

– Não, vou dar uma cochilada. Vê se cria juízo ouviu?! — falei sorrindo para ela

– Um dia eu ainda crio juízo. Não tem que ser hoje — falou ela com um sorriso brincalhão no rosto.

Coloquei meus fones de ouvido novamente e me acomodei na cadeira, vai ser um longo voo até Londres. No mesmo minuto em que fecho os olhos a escuridão me preencheu.

Notas finais
Se preprarem para o proximo capitulo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.