Trono de Sangue e Ossos
5 Lembranças Sangrentas
Notas iniciais
Conversamos por tanto tempo que acabei perdendo a noção de quantas horas haviam se passado, Lorian era um ser misterioso que não gostava de falar muito de si mesmo, mas com a conversa e o clima alto astral ele acabou relaxando e se soltando um pouco mais, até mesmo deitou-se ao meu lado na cama para ficar mais confortável, meus olhos já pesão mas não quero parar de conversar, não quero que ele vá embora.
— Você e Leon são amigos a muito tempo? — pergunto curiosa, por um instante parece que ele não vai me contar, mas então ele sorri, o sorriso mais brilhante e bonito que eu já vi, um sorriso totalmente verdadeiro.
— Há mais de quinhentos anos, as fadas em geral são parentes próximos aos vampiros, a unica diferença e que temos que tomar sangue, eles não, Leon era um lutador da corte da rainha do inverno, mas quando completou dezenove ele "morreu em batalha", quando ele se transformou ninguém aceitou ele, revoltado veio ao mundo humano e fui o primeiro vampiro que o encontrou — ele começa a rir se lembrando do passado — Eu já tinha mais de quatrocentos anos, e ele tentou me matar, disse que a culpa era dos vampiros por ele ser um rejeitado, eu lhe disse " você precisa treinar e se adaptar para me matar " então eu o ensinei, ele me salvou da morte e eu o salvei da loucura...
Era uma verdadeira historia de amizade, mais de quinhentos anos, um servindo ao outro, espero que futuramente eu consiga uma amizade assim, o estranho e que estando tão a vontade com Lorian eu não sentia um sentimento de amizade, sempre que ele se aproximava meu coração pulava, quando ele falava eu não poderia negar que mesmo que se eu quisesse ignorar eu não poderia...
Eu nunca me senti assim com ninguém, nunca quis alguém de um modo tão diferente.
— Eu nunca tive verdadeiros amigos, todos são sempre muito educados na vila, mas eu nunca me senti a vontade contando meus segredos a ninguém, bem a não ser meu irmão — sorrio lembrando dos anos anteriores a minha transformação, eramos inseparáveis.
— Espero que possa me confiar seus segredos — Lorian diz me olhando, ele esta tão perto que se eu me aproximasse alguns centímetros nossas bocas se tocariam, seria bom?
— Eu já matei — digo sussurradamente, como se ainda quisesse esconder, esse era um segredo que eu nunca quis que ficasse na memoria, Lorian parece surpreso então o explico enquanto volto ao meu passado ao dia trágico em que matei Isa...
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Quatro Anos Atras
Damon Não conseguia entender, eu queria tanto ter uma amiga, ele dizia que Isa não era uma boa garota e que papai não aprovaria a minha amizade com ela, mas ela era legal comigo, era a unica menina do clã central que era legal comigo, ela tem os olhos verdes como os do pai, senhor Daniano que era o contador de papai.
— Damon eu vou sair com a Isa, ela quer me apresentar para os amigos dela — digo já pronta, pela primeira vez em muito tempo vesti um de meus vestidos e arrumei meu cabelo.
— Eu tenho um mau pressentimento sobre esse encontro Lena, me ouça dessa vez e não vá — diz Damon preocupado, me irrito, tenho quinze anos, as garotas na minha idade tentam aproveitar a vida antes do teste, eu só passo meu tempo com Damon e seus amigos, que embora eu os considere como meus próprios amigos, ter uma amiga garota seria o melhor pra mim.
— Eu vou! Tenta entender Damon, meus únicos amigos são homens, e só são meus amigos por que você é amigo deles — não espero uma resposta e saio porta a fora.
Respiro o ar puro da floresta enquanto ando entre as arvores, a natureza e tão linda, esplendida, o ar da floresta sempre é mais puro, odeio ir para as outras vilas ou para a cidade, o ar toxico desses lugares me incomoda, talvez eu seja uma bruxa, Isa me disse que as bruxas são muito conectadas a natureza, que algumas até mesmo vivem dentro de grandes arvores.
Chego perto do lago onde Isa deveria esta me esperando, ela não esta.
Não me incomodo em lhe esperar, talvez tenha acontecido alguma coisa para ela se atrasar, nos três meses que somos amigas ela nunca se atrasou para um encontro antes.
Espero por meia hora antes de ouvir alguém chegando, olho para trás e encontro Isa com um garoto, ele esta segurando uma espada que provavelmente e mais pesada do que eu, estranho a situação mas ele deve ser algum tipo de segurança.
— Achei que não chegaria mais Isa — digo sorridente, Isa não sorri, ela apenas me olha com escarnio, fico desesperada e olho de novo para o garoto — Quem e o seu amigo? — pergunto delicadamente.
— Não precisa saber o nome dele, a unica coisa que você precisa saber garota e que se você ficar quietinha e seguir minhas ordens, bom ele não ira lhe atravessar com essa espada — diz Isa com um sorriso, começo a me desesperar, se eu tivesse ouvido Damon eu não estaria nessa enrascada.
— Mas por que? Somos amigas Isa — apelo para a amizade.
Isa começa a rir e logo depois seu amigo também esta rindo, não quero acreditar mas a verdade esta bem na minha frente, Isa nunca foi minha amiga.
— Amiga? Sua? Não me faça rir garota, sim eu fingi ser uma boa garota na sua frente, mas acredite, eu nunca fingi ser sua amiga, agora se ajoelha e reze para que seu papai me de toda a grana do cofre, por que se não... ops... cabeças vão rolar.
Lagrimas frias caem pelo meu rosto, uma raiva insana penetra o meu coração e a minha mente, ela me usou para extorquir dinheiro do meu pai, ela me ameaça com esse projeto de menino que provavelmente não deve nem saber como usar uma espada, começo a rir friamente.
— Você mexeu com a garota errada.
Ataco-o primeiro, ele não tem chance nem de levantar a espada, prendo-o no chão cheio de folhas secas e lama e começo a soltar minha raiva em seu rosto, meus dedos e minhas mãos sangram, eu não sinto a dor, apenas continuo batendo enquanto ele se debate de baixo de mim, alguma força sobrenatural me faz conseguir o manter preso ate que ele não se mexe mais, ele ainda respira, minha vontade e continuar a bater até ele parar de respirar mas não me atrevo.
Isa assiste a tudo com uma cara horrorizada, minha raiva volta em dose dupla e começo a ir para cima dela, ela tenta pegar a espada mas sou mais rápida, ela cai no chão e começa a implorar para mim poupa-la diz que seu pai lhe cortou a mesada e que precisava de dinheiro, não me importo, um segundo antes de descer a espada pelo seu pescoço eu penso ironicamente " Cabeças Rolarão"
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Percebo Tardiamente que lagrimas de sangue descem descontroladamente pelos meus olhos, manchando minha camisola.
— Eu tinha o poder de escolha Lorian — digo tentando parecer forte e me controlar — Eu podia escolher não mata-la, mas eu fui em frente e a matei sem misericórdia, eu estava tão cega de ódio e raiva, quando me dei conta Damom estava cavando uma cova funda na floresta, ele me lavou no riu e trocou minhas roupas, ele enterrou minhas roupas cheias de sangue junto a Isa — Não consigo me controlar e choro ainda mais, Lorian se aproxima e tenta me abraçar enquanto ainda estamos deitados.
— Se fosse eu em seu lugar, teria feito a mesma coisa, bom talvez eu mataria o garoto também — diz ele no meu ouvido — Não tem por que se envergonhar, ela lhe traiu, lhe ameaçou, e queria lhe roubar, não existe perdão para pessoa como ela minha deusa — sussurra Lorian
Ele me chamou de deusa, quero beijar-lhe e ao mesmo tempo quero afasta-lo, parece certo e ao mesmo tempo errado que ele me faça esquecer mesmo que por um período tão pequeno que eu era culpada de matar uma pessoa, uma humana.
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