Trono de Sangue e Ossos
2 Capitulo 1 (part 2)
Notas iniciais
Faltam trinta minutos
Tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem
Por mais que eu repita isso constantemente não parece verdade, sinto como se a qualquer minuto minha vida fosse mudar drasticamente, talvez todos sintam isso, ou talvez fosse um tipo de premonição, premonição! Eu posso ser uma bruxa, talvez uma vidente, e se for isso, eu posso estar sentindo meu gene ser ativo?
Tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem
Sim, nada de ruim vai acontecer, vou fazer o teste, o resultado vai ser totalmente humano, irei voltar pra casa, para o meu clã, para a nossa vila na floresta, aonde poderei seguir caminhando tranquilamente em meio as arvores, meu irmão vai me abraçar, e tudo voltara a ser tão normal como sempre foi.
Faltam dez minutos...
Ando silenciosamente para o grande prédio da capital, a única cidade ainda em pê, o maior prédio da antiga Nova Iorque, tudo esta meio destruído, menos o grande prédio, ele continua em pê, como os humanos, tento me acalmar quando chego a portaria, uma senhora atrás do balcão aguarda, seu sorriso e gentio e me alivia um pouco.
–Nervosa senhorita Blood? — a senhora pergunta me assustando, como ela sabe meu nome? — Sou uma Vidente cara senhorita
–Você ouviu meus pensamentos? — pergunto mais assustada
–Não Celaena, apenas vi sua cara de espanto, e bem normal os normais se assustarem ao ver uma bruxa de perto
Considero o que ela disse, "Os normais" gostei disso, relaxo um pouco, eu posso ser normal, posso ser humana, ninguém na minha família nunca teve o gene ativo, por que logo eu teria?
–Celaena Blood se apresentando para o teste — digo mais relaxada
–Eu sei querida, não tenha medo, retiraremos um pouco de sangue, faremos o teste e se por acaso você tiver o gene ativo, faremos a iniciação, não importa o que aconteça você nunca vai estar sozinha querida — a senhora dá outro sorriso carinhoso — Pegue o elevador e suba ate o oitavo andar, o doutor Conan ira recolher seu sangue.
–Obrigado — digo enquanto corro em direção aos elevadores.
Todo o predio esta mudado segundo meu pai, como sede dos testes ele parece mais um hospital muito grande, tudo pintado de branco, no elevador toca uma musica perdida no tempo, nem mesmo os historiadores sabem de quem ela pertenceu, sabemos porem que é uma melodia suave e bonita.
Chego ao oitavo andar, todo meu relaxamento foi embora, um homem alto com o rosto mais lindo que já vi me espera no corredor, suponho que seja o doutor Conan, suponho também que seja um vampiro, meu sangue gela em minhas veias.
–Senhoria Blood me siga por favor — ele diz educadamente, meu sangue volta a esquentar, sua voz e tão relaxante e gostosa
–Sim!
Sigo ele em silencio pelo corredor ate chegarmos em uma porta verde, ele me pede para entrar e deixar a enfermeira tirar meu sangue, obedeço ao seu pedido, a enfermeira tão bonita quanto o doutor sorri pra mim quanto tira pequenos frascos com meu sangue, os dois parecem irmãos, seus cabelos são do mesmo tom de loiro, seus olhos são violetas e suas peles são como porcelana.
Os dois saem com os frascos de sangue me deixando sozinha na sala, tudo e de um branco enlouquecedor, a única coisa na sala e a maca em que estou sentada, não tem janelas, me sinto cada vez mais sozinha, cada vez mais pessimista, penso na possibilidade de nunca mais poder ver meu irmão, na possibilidade de ser mandada para o outro lado do mundo, ate mesmo na possibilidade de ser mandada para uma realidade alternativa junto das fadas.
Parecem que se passaram horas quando o doutor Conan volta, ele me abre um sorriso tão grande e branco que por um segundo cogito a possibilidade de ficar cega.
–Meu nome é Conan, sou o medico especializado nos testes, gostaria de ser o primeiro a lhe dar as boas vindas ao clã Whilom, você esta pronta para a iniciação — ele diz alegremente
E como se meu mundo estivesse acabando, vampira, eu sou uma vampira, impossível, quero gritar que é impossível, quero espernear, dizer que foi um erro, que eu não posso ser vampira, mais fico quieta, o teste nunca esta errado, não há um vampiro de nascimento a muito tempo, eles são muito raros pois seus gene quase nunca fica ativo.
–Esta na hora da iniciação, venha comigo senhorita Blood
Não respondo, apenas o sigo para fora da sala, caminhamos ate o elevador, vamos ate o ultimo andar, caminhamos ate o lado de fora, o vento e muito forte aqui em cima, meus olhos estão molhados com as lagrimas não derramadas, minha pele se arrepia de frio.
Frio! Vampiros não sentem frio, eu não posso ser um vampiro, eu não sinto frio, meu coração bate forte, e minha pele e quente!
–Doutor, creio que cometeu um engano, eu não posso ser um vampiro, ouça meu coração, ele ainda bate forte, minha pele ainda e quente, eu simplesmente não posso ser um vampiro — digo criando coragem
–Sim, você é um vampiro, só que sua iniciação ainda não esta completa, venha comigo — ele anda ate a beirada
Vou atras dele, não por opção, alguma coisa em sua voz me atrai, não posso parar, sinto sinais vermelhos por todos os cantos, quanto mais chego perto da beirada mais me desespero, mais tento parar, minhas pernas não me obedecem.
Pare, pare, pare, por favor pare
Não posso parar, estou a um passo de cair quando minhas pernas finalmente param, o problema e que não consigo me mexer, o vento esta cada vez mais forte, a qualquer minuto eu posso cair simplesmente como uma folha empurrada pelo vento.
O doutor se aproxima, sua boca esta no meu ouvido, ele sussurra
"Bem vinda a sua nova vida senhorita, quando acordar vai estar com sede, não ataque ninguém no trem ok"
Ele me empurra
Minha vida passa diante dos meus olhos, estou caindo, vejo tudo com uma nova luz, meu pai cansado de liderar o clã, minha mãe morrendo, seu funeral, o funeral de papai, vejo meu irmão chorando escondido antes da cerimonia do novo ciclo, então vejo sua reação quando descobrir que sua irmã também esta morta.
Mando uma oração silenciosa a qualquer ser que possa me ouvir
" Por favor, não deixe meu irmão sofrer, traga alguma mulher boa e que se apaixone por ele, que seja tudo que ele precisa "
Em um minuto estou tão perto do chão, e no outro estou no mais escuro abismo, não sinto nada, ate que uma dor brutal me ataca, morrer, achei que tudo acabava quando morríamos, parece que não.
A dor de estende por horas, quero sumir, quero morrer, mas já estou morta, minha cabeça parece estar sendo derretida por acido, grito, ninguém me ouve, ninguém pode me salvar?
Caio no esquecimento, sinto meu corpo novamente, mais estou tão cansada da dor, tão cansada do escuro.
Apago, talvez esse seja meu fim.
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