Trio de Prata: O Início
3 Ano 2, Parte 2
Notas iniciais
Anne recuperou os sentidos, porém não abriu os olhos imediatamente. Sentia-se enjoada e seu corpo inteiro doía. Afinal o que havia acontecido? Ela não se recordava direito. Lembrava-se de estar voando, perseguindo um balaço e se lembrava também de ter soltado seu bastão no ar. A jovem estava confusa, por que suas costelas doíam tanto?
Tentou se mover, porém uma dor aguda tomou conta de seu ser e um gemido de dor escapou de sua garganta antes que ela pudesse sequer pensar em segurar. Escutou passos apressados e uma voz feminina a chamou pelo sobrenome, obrigando-a a abrir os olhos, logo desejando não tê-lo feito.
O mundo girava e as náuseas de Anne aumentaram consideravelmente. Demorou para notar que Madame Pomfrey estava parada ao seu lado, encarando-a com uma expressão preocupada em seu rosto severo. A aluna tornou a fechar os olhos, sentindo que iria vomitar se continuasse com os mesmos abertos, porém a tontura não diminuiu.
Ouviu a enfermeira chamando-a novamente e mais uma vez se obrigou a abrir os olhos. A mulher tinha um pequeno frasco azul aberto em mãos, logo tratando de fazer a sonserina beber.
Black instantaneamente sentiu as náuseas se esvaindo. Agradeceu Madame Pomfrey e olhou ao redor. Draco estava sentado ao seu lado e no leito próximo ao da menina a mesma podia ver Ron e Hermione parados, assim como os gêmeos Weasley. Isso só podia significar uma coisa: Harry Potter tinha sido atingido pelo balaço.
O desespero tomou conta de Anne que, em um momentâneo lapso, resolveu tentar levantar-se para ver o que tinha acontecido ao menino-que-sobreviveu, porém foi impedida novamente pela dor.
A enfermeira a repreendeu, dizendo que a menina precisaria se recuperar e ficar de repouso e que Potter estava bem, a bola só o havia atingido no braço. Ela olhou para os lados procurando Diana, afinal ela tinha certeza que sua irmã de coração estaria ali com ela, mas não a viu em lugar nenhum.
Pareceu que Draco havia lido seus pensamentos e disse que Di teve que ir conversar com seu pai. Anne então apenas assentiu, dando um longo suspiro e voltando sua atenção para Madame Pomfrey, indagando quanto tempo teria que ficar ali. A mais velha se limitou apenas a dizer que Black teria que passar a noite lá, para horror da menina. A enfermeira então saiu, dizendo que ia buscar a poção “Esquelesce” para Potter. A morena acompanhou a mulher com os olhos, implorando para que a mesma a deixasse sair, mas foi completamente ignorada. Ann deu um suspiro resignado e olhou para a direção da saída, pensando em um plano para fugir dali quando viu Di entrando na enfermaria, parecendo frustrada.
Ignorando o que Madame Pomfrey havia dito sobre repouso, Anne deu um jeito de levantar-se da maca, se contraindo de dor ao fazer isso, mas não caiu. Queria ir se arrastando na direção da irmã de coração, porém não foi longe, afinal Draco a segurou no lugar e logo Diana veio correndo ao seu lado, a repreendendo por tentar levantar. Ann apenas sorriu, dizendo que sentira falta dela. Perguntou o que Severus dissera enquanto seu primo a ajudava a sentar novamente. A ruiva fez uma careta e respondeu que ele mandou ela manter sua opinião sobre certos professores para si mesma, que ele não ia livrar a pele dela uma segunda vez. E então resmungou “como se ele e os outros professores não achassem a mesma coisa.” Ann piscou, se perdendo no que Di havia falado. Salvar a pele dela do quê? E de que professor? Apesar de a morena ter ideia de quem era, resolveu perguntar. Resumiu todos os seus questionamentos com um: O que exatamente aconteceu? E quando sua irmã abriu a boca para explicar, os gêmeos Weasley começaram a falar o que havia acontecido enquanto Anne estava desmaiada. Eles realmente pareciam bem impressionados com o que a morena havia feito pelo Potter, assim como com o que a jovem Snape havia dito para Lockhart. A jovem Black ouvira a tudo atentamente, rindo do que Di havia falado ao professor e concordando plenamente com ela.
Sua mente, de repente, voltara ao jogo, e finalmente lembrou-se do momento em que agarrara o balaço, gemendo ao lembrar da dor que isso lhe causara. Logo olhou para sua irmã de coração, perguntando sobre o resultado do jogo e perguntando também sobre a reação de Severus ao saber que Diana estava no time. Ela respondeu que eles ganharam de Gryffindor por 10 pontos, com isso dito, as duas meninas escutaram resmungos vindo do time em questão. Diana então suspirou, seu pai não havia ficado animado como o esperado. Ele apenas perguntou por que não tinha dito nada, pois se ela tivesse dito ele poderia ter a colocado no time na posição que queria. Di explicou então que esse era um dos motivos que ela não falou nada. Sua resposta surpreendeu o quinteto Gryffindor que estava obviamente escutando a conversa dos três. Então, Fred ou George, Anne não sabia qual, exclamou surpreso perguntando se ela realmente não havia contado ao seu pai. Di apenas balançou a cabeça negando. O outro gêmeo igualmente chocado, provavelmente ainda mais, questionou se ela realmente era de Slytherin. A morena viu sua irmã perder toda a cor do rosto por um momento, antes de voltar ao normal e dizer que o Chapéu Seletor gritou alto e claro para todo o salão ouvir que ela foi classificada para Slytherin.
Ann começou a rir da resposta da irmã ao gêmeo e retorquiu que ela mesma não tinha dúvida alguma de que a ruiva pertencia a Slytherin, mas que a mesma realmente tinha um pezinho em Gryffindor, isso não podia negar. A jovem morena continuou o pensamento, dizendo que ela própria tinha uma parte Gryff, ao que Hermione — que tinha entrado na conversa também — concordou, dizendo que nunca tinha visto alguém fazer o que Black fizera e sorriu, fazendo Ann corar sem razão aparente. Di percebeu e olhou para a irmã de coração com uma das sobrancelhas erguidas, cogitando falar alguma coisa, mas decidiu por não fazer, afinal podia estar imaginando coisas, mas comentaria com a menina em outra oportunidade, por hora decidiu apenas observar.
Fred elogiou o desempenho dos três jogadores sonserinos, falando que tinha sido divertido jogar com eles e que iria querer revanche em outra oportunidade, ao que os outros concordaram. Engataram em uma conversa animada, fazendo uma pequena algazarra até o momento em que Madame Pomfrey apareceu ralhando com eles, expulsando todos de lá, exceto Anne e Harry, dizendo que os mesmos precisavam de repouso.
Diana e Draco então se despediram de Ann, falando que a veriam no dia seguinte, assim como os grifinórios fizeram, desejando que ambos os alunos se recuperassem rapidamente.
Logo que os alunos de Gryffindor e Slytherin saíram dali, Potter olhou para Anne, agradecendo-a pelo que ela fizera por ele no momento do jogo e a menina apenas assentiu, dizendo que não fora nada, que não achava justa uma vitória por trapaça. Após essa breve troca de palavras ambos caíram no sono quase que instantaneamente devido às provações pelas quais haviam passado no dia, estavam completamente exaustos.
Momentos mais tarde, deitada em seu leito, Ann estava tendo um sonho maravilhoso, algo com quadribol, porém o mesmo foi interrompido por um guincho esquisito. Ela acordou, e imediatamente abriu os olhos. Virou-se para a maca de Potter e o viu conversando com um elfo doméstico. Não entendia muito do que estavam falando, mas ouvira algo sobre o balaço e sobre a “história que estava para se repetir”, porém ouviram barulhos de passos apressados se aproximando da entrada da enfermaria, então o elfo logo sumiu. Anne e Harry se entreolharam e se deitaram novamente, fingindo que estavam dormindo para prestarem atenção no que se passava. Escutaram as vozes de Madame Pomfrey, Professora McGonagall e de Dumbledore, dizendo que mais um aluno havia sido atacado e que talvez podia ter tirado uma foto do que o atacara. Um estampido veio logo depois e o diretor dissera que Hogwarts não era mais segura, que a Câmara Secreta realmente havia sido aberta outra vez.
Uma semana mais tarde o Trio de Prata quando viu o pessoal aglomerado no quadro de avisos; eles pararam curiosos mas não se aproximaram (se tinha uma coisa que nenhum dos três gostava era aglomeração), e realmente não precisaram, logo viram o trio de ouro sair da multidão e se aproximar deles. Parecia que desde o jogo, no qual Anne fez tudo para ajudar Potter e Diana se levantar contra um professor, os grifinórios os consideravam seus amigos. Quando eles chegaram, Weasley foi logo informando-os que iriam abrir o Clube de Duelos. Anne ergueu uma sobrancelha, com certeza adiantaria duelar com um suposto monstro. Revirou os olhos a esse pensamento, vendo que Di espelhara essa ação, certamente pensando a mesma coisa. Porém, Ann logo se animou com a ideia de um clube de duelos, parecendo uma criança na noite de Natal, afinal seria legal aprenderem a duelar e lhes seria útil se um dia precisassem. Di e Drake também acharam legal, mas não se comparavam à morena. Assim os seis concordaram em ir no primeiro encontro, que seria naquela mesma noite às oito.
Mais tarde naquele dia, os dois trios se encontraram na frente do Salão Principal, onde seria a aula. Ainda faltavam cinco minutos para 20h. As mesas tinham desaparecido e em seu lugar, no centro do salão, havia um palco. Os alunos se aproximaram do mesmo, discutindo sobre quem seria o professor. Di implorava mentalmente para que Lockhart não aparecesse por ali e, para sua surpresa, Potter e Anne externaram o que pensara falando ao mesmo tempo: “Desde que não seja Lockhart…” Mas isso pareceu uma maldição, pois assim que os dois falaram isso, o homem citado apareceu fazendo uma entrada triunfal — para os padrões dele -, fazendo quase todas as garotas suspirarem, inclusive Hermione. Anne e Diana se entreolharam, fazendo cara de nojinho uma para a outra.
O homem loiro começou a falar logo depois, pedindo que os alunos se aproximassem, perguntando se todos o estavam vendo e o ouvindo. Em seguida explicou que Dumbledore havia dado permissão para que o professor criasse um pequeno grupo de duelos para se caso um dia fosse necessário se defender. Ele deu uma pequena pausa dramática, o que fez as duas irmãs revirarem os olhos. Lockhart novamente voltou a falar, dizendo que tinha um assistente, o pai da Diana, Severus Snape e continuou regozijando que iria derrotar o professor de Poções facilmente. Com isso dito, Di viu vermelho de tanta raiva e ergueu os braços indo em direção ao professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, com a intenção de esganá-lo com suas próprias mãos. Só não conseguiu por que Anne a segurou e disse para ela se acalmar. A ruiva se soltou reprimindo um grunhido e olhou novamente para o palco percebendo que seu pai a olhava, mas para a sua surpresa ele não estava bravo, parecia mais que estava tentando esconder um sorriso. Ela levantou uma sobrancelha, como questionasse e ele a respondeu apenas com uma piscadela. Isso fez com que Diana desse um sorriso malicioso. Seu pai iria acabar com o outro professor.
O lábio superior de Snape crispou-se e sua expressão mudou novamente para assassina assim que olhou para Lockhart. Ann ficou imaginando por que este continuava a sorrir; se Snape estivesse olhando para ela daquele jeito, a menina já estaria correndo o mais depressa que pudesse na direção oposta.
Lockhart e Snape se viraram um para o outro e se cumprimentaram com uma reverência; pelo menos, Lockhart cumprimentou com muitos maneios, enquanto Snape curvou a cabeça, irritado. em seguida, os dois ergueram a varinha como empunhassem espadas e o loiro continuou a explicação, falando sobre a posição de combate. E então comentou que iriam lançar os feitiços e de acordo com ele, nenhum deles pretendia se matar, o que fez Harry murmurar para eles: Eu não teria certeza disso. Sua frase fez com que Diana soltasse um bufo divertido, concordando inteiramente com ele.
Logo todo o sexteto prestava atenção no que estava acontecendo sobre o palco, o diretor de Slytherin lançou o feitiço de desarmamento, Expelliarmus, que consistia em um lampejo vermelho saindo da varinha de Severus, que fez com que Gilderoy fosse lançado para o alto, voando para os fundos do palco e colidindo com a parede. O professor foi escorregando e acabou estatelado no chão. O sexteto, salvo Hermione que realmente estava preocupada, e o restante da casa verde e prata comemoraram. A outra grifinória se mantinha nas pontas dos pés tentando ver melhor o estado do professor, ao que Anne e Diana tinham lágrimas nos olhos de tanto rir.
Lockhart se levantou dizendo que era óbvio o que Snape iria fazer, tentando de alguma maneira se sobressair, apesar de ter sido espancado. Com uma resposta ácida do professor de Poções, o loiro resolveu começar a separar os alunos em duplas e Severus fazia o mesmo com a outra metade da turma. Parou em frente aos seis grifinórios e sonserinos, com uma expressão um tanto confusa e descrente, que logo se transformou em um pequeno sorriso de canto de boca. Automaticamente ele juntou a jovem Black e Hermione, Draco e Ronald e por fim parou, encarando a filha e logo depois Harry Potter, ele pareceu considerar por alguns instantes antes de realmente tomar a decisão de fazer de ambos uma dupla.
Anne olhou indignada para Severus e reclamou, afinal ela e Di sempre formavam duplas para tudo. O professor apenas negou com a cabeça, dizendo que não queria que o Grande Salão acabasse em uma explosão e disse que não voltaria atrás nessa decisão. A jovem Black, suspirando, assentiu mostrando que entendera. Talvez — somente talvez — Snape tivesse razão. Sentiu Hermione tocando seu braço levemente, chamando sua atenção e virou-se para ela com uma expressão interrogativa, recebendo em resposta um sorriso de quem ia aprontar. A menina de Gryffindor perguntou em tom de brincadeira se Ann estava pronta para perder. Isso arrancou da outra um sorriso de canto de boca tipicamente sonserino igual ao que seu pai tinha quando jovem — não que ela ou outra pessoa soubesse disso — e a de olhos azuis disse que pagava para ver.
Fazendo beicinho, Di olhou para seu pai e questionou de onde ele havia tirado essa ideia de que elas iriam explodir o Salão. Ele simplesmente a lembrou do que havia acontecido com a sala de estar deles nas férias. A ruiva ficou com o rosto vermelho, igual seu cabelo, e murmurou que aquilo havia sido um pequeno acidente.
O homem apenas negou com a cabeça e Diana o viu olhar na direção de Potter, antes de tornar a ela, assentindo como se estivesse tentando mais afirmar algo a si mesmo do que à filha. Ele se afastou sussurrando algo ininteligível e seguiu caminho formando mais duplas. Di ainda ficou observando o pai por alguns segundos antes de voltar sua atenção ao seu parceiro de duelo, que a olhava com um sorriso sincero. Com isso fez a ruiva sorrir da mesma maneira para o menino-que-sobreviveu. Harry então falou que por essa ele não esperava, fazendo com que a jovem Snape risse, concordando com ele.
Assim que todas as duplas foram formadas, Lockhart deu início aos duelos, fazendo com que os alunos ficassem de frente a seus oponentes e quando ele contasse até três, era para todos lançarem os feitiços, apenas para desarmar os oponentes.
Anne e Hermione se posicionaram uma na frente da outra, aproximadamente cinco metros de distância separando-as.
— Não esqueçam a reverência. — o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas falou alto de algum lugar do salão.
As duas jovens olharam-se nos olhos — Ann sentiu novamente as bochechas avermelharem sem razão aparente, porém logo se recompôs e continuou fitando a menina de Gryffindor — e então a sonserina foi a primeira a se curvar levemente para a frente em um respeitoso cumprimento. Quando voltou à posição normal, ergueu a varinha negra de núcleo composto por pele de basilisco um pouco acima da linha do cotovelo, vendo que sua "rival" segurava a dela de forma semelhante. Ouviu a contagem de Lockhart e quando chegou ao número três, Mione lançou com perfeição o feitiço Expelliarmus, porém a outra rebateu o mesmo, utilizando de uma pequena barreira formada pelo feitiço defensivo que havia lançado, Protego.
Ao tempo em que isso se passava, Diana e Harry se encaravam levemente perto dali com as varinhas erguidas, haviam se cumprimentado já da forma que lhes fora ensinada e naquele momento se preparavam enquanto esperavam pelo sinal do professor. Assim que ouviram o mesmo nenhum dos dois fez feitiço nenhum. Ao redor deles era uma confusão de lampejos, encantamento, gritos e alunos sendo atingidos. A cena era no mínimo ridícula.
Di não conseguiu entender o porquê de não conseguir pensar em feitiço nenhum. Era como se sua mente havia ficado vazia, apesar da demonstração que havia sido feita instantes atrás. Ela franziu a testa e sacudiu a cabeça tentando voltar ao normal. Foi nesse momento que veio um encantamento em sua mente e então enviou o mesmo em direção a Potter, fazendo com que o mesmo caísse no chão de tanto rir; a ruiva o havia acertado com o feitiço Rictumsempra. A jovem Snape arregalou os olhos ao ver que Harry não havia se defendido. Ela olhou para seu pai, que estava ocupado com outra dupla, e Lockhart, que parecia estar em outro planeta (não que iria pedir ajuda para ele, era mais fácil ele atrapalhar que ajudar). A menina, vendo que estava sem alternativa de ajuda, usou Finite para o moreno parar de rir, pedindo a Merlin que aquilo funcionasse. Diana se aproximou dele e ergueu a mão para ajudá-lo a levantar, perguntando se ele estava bem e pediu desculpas por não perceber que ele não estava prestando atenção. Ele respondeu que estava tudo bem e com isso ambos voltaram às posições originais, fazendo novamente a reverência e ficando na posição de duelo. Dessa vez os dois estavam ligados e concentrados, "atacando" e defendendo corretamente. Os dois não conseguiam tirar o sorriso do rosto, apesar de que aquilo era para ser um duelo, eles estavam se divertindo e se Diana tivesse olhado para seu pai, teria visto a raiva estampada no rosto dele.
Próximo dali, Hermione e Anne estavam de uma forma muito parecida. Lançavam algumas azarações desajeitadas, as quais eram um tanto avançadas para o ano em que estavam e nunca haviam tido a oportunidade de usar, outras lançavam com certa maestria, como se sempre fizessem aquilo. Suor escorria pelo rosto da jovem de Slytherin enquanto ela se movia, rebatendo os encantamentos lançados pela outra menina e contra-atacando também. Os feitiços defensivos chamados “Feitiços-Escudo” que estavam no último livro que lera se mostraram muito úteis contra o que Mione lançava em sua direção, não a acertando uma única vez. A morena viu a surpresa estampada no rosto da outra quando utilizou uma pequena barreira de madeira para se proteger de um lampejo vermelho lançado pela garota de olhos cor-de-mel.
Black achava aquilo muito interessante, não havia tido oportunidade de utilizar o que lera nos livros avançados, e Hermione era uma adversária de igual para igual. Certamente não eram exímias duelistas, mas ambas tinham potencial e Ann sabia disso. A madeira de sua varinha — espinheiro-negro — escolhia somente aqueles que tinham potencial para duelos. Granger também tinha começado a suar, a morena podia ver, e estava começando a se cansar. Sorrindo, utilizou uma azaração que ainda não tinha experimentado, mas que também fora rebatida pela Grifinória com certa facilidade. Tirando o dia em que quase explodira a casa de Snape com sua irmã de coração, aquele fora o dia mais divertido. Certamente com Diana seria melhor — e certamente elas explodiriam o Salão -, mas com a menina de Gryffindor também provara ser uma experiência boa.
Após mais alguns feitiços lançados de ambos os lados, algo chamou a atenção da Sonserina, algo rastejante no chão. Ela, por segundos, se distraiu completamente tentando identificar o que era e quando conseguiu definir que era uma cobra nem teve tempo de processar o que via; um feitiço de Mione a atingiu no rosto.
Anne não sentiu nada de diferente, baixou a varinha e voltou a focar sua atenção no animal que rastejava e se dirigia a um aluno de Hufflepuff e se preparava para dar o bote.
— Pare!— disse ela - Não ataque!
O animal parou e se virou para a menina. A jovem sabia que podia conversar com cobras, então seu primeiro ímpeto foi de falar novamente.
— Não faça isso.
Pouco antes disso, ali perto, Diana e Harry continuavam sua brincadeira. Assim como a dupla feminina, os dois não se ativeram apenas ao feitiço de desarmamento. De vez em quando, um acertava alguma azaração no outro e quando isso ocorria, quem tivesse lançado a mesma utilizava o contra-feitiço antes que existisse maiores danos, afinal essa não era a ideia. Nenhum dos dois tinha muita experiência com feitiços defensivos, afinal não lhes fora passado nada sobre isso em sala de aula, era magia um tanto avançada, porém em uma das conversas entre a ruiva e sua irmã de coração, a morena tinha dito algo sobre um feitiço muito útil, um feitiço escudo de nome Protego, que funcionava contra a maior parte dos encantamentos de baixa e média complexidade. Experimentou utilizá-lo e, para sua surpresa e enorme satisfação — afinal era de Slytherin — conseguiu de primeira. Não era um escudo muito grande, mas a protegeu do feitiço que Harry lançara e isso a deixava muito satisfeita. Mal podia esperar para contar isso a Anne. A menina lançou um outro feitiço, na direção do garoto, porém este rodopiou, se esquivando do lampejo azul que o acertaria e faria com que fumaça branca saísse de suas orelhas, como uma chaleira.
Di estava se divertindo muito, claro que se fosse com sua irmã iria ser mil vezes mais divertido, mas com o Harry não era ruim. A ruiva não sabia o que esperava do menino, mas certamente não era isso. Sempre havia aceito o que seu pai falava sobre ele, e começou a perceber que ele estava errado sobre o Potter, que parecia ser um garoto legal. Não era arrogante, muito pelo contrário; era um jovem muito querido e humilde. Parecia carregar certo sofrimento no olhar. Di tinha um certo fraco por pessoas que carregavam algo sobre os ombros ou que sofriam. Ela odiava ver pessoas sofrendo e sempre fazia o seu melhor para ajudar, quando saíssem dali tentaria se aproximar mais do garoto e o faria sorrir mais, ele merecia. Não devia ser fácil para ele ter perdido os pais e ter virado o Menino-Que-Sobreviveu.
Distraída com seus pensamentos, Diana quase fora atingida por um feitiço, com isso ela voltou a prestar a atenção e revidou. O feitiço atingiu o garoto em cheio, e foi nesse momento que a jovem Snape percebeu que ele havia se distraído novamente e para seu completo horror ouviu ele falar uma língua esquisita quando se aproximou de Ann, que estava perto de um aluno lufano, dupla de Theodore Nott. Aparentemente o mesmo havia conjurado um cobra que naquele momento tentava atacar o garoto. Assim fazendo com que Diana (muito pálida) percebesse que Harry Potter também podia falar com ofídios, assim como Anne.
A morena em questão continuava tentando convencer o animal a não machucar o aluno de Hufflepuff e se surpreendeu quando Potter chegara ao seu lado e começara a falar com a cobra também. Desde quando Harry Potter era ofidioglota? Ele não deveria ser de Slytherin então? Foi dito a Ann uma vez que quem possuía essa habilidade certamente pararia na casa verde, por conta de seu símbolo; entretanto, Harry Potter foi uma exceção à regra e mais tarde Black tentaria entender o porquê.
A cobra, naquele ponto, se virara para dar atenção aos dois que lhe dirigiam a palavra e lhes mostrou os dentes, dos quais escorria veneno, porém se aquietou ao encarar Anne, surpreendendo a mesma, que deu um passo na direção do animal, naquele momento a jovem se sentia mais confiante. Não conseguiu, porém, chegar até a cobra, pois Severus Snape utilizara de algum feitiço que a fizera desaparecer naquele instante.
Ann olhou ao redor, assim como Harry, e percebeu olhares confusos, desconfiados e amedrontados na direção dos dois, embora a menina não entendesse o motivo. Qual era o problema de toda aquela gente?
Diana saiu de seu estupor quando ouviu seu pai fazendo com que a cobra sumisse e, ao perceber o silêncio mortal que havia no Salão, agarrou tanto o Potter quanto sua irmã e os arrastou para longe dali. Ela foi indo em direção ao banheiro da Murta, que era um dos poucos lugares que eles poderiam conversar em paz. A ruiva percebeu que o resto do grupo vinha atrás tentando acompanhar seus passos. Uma vez no local que queria, ela largou os dois.
— O que foi? — indagou Anne completamente confusa com a atitude da irmã de coração.
— Vocês dois estão malucos?! — Diana perguntou exasperada e, ao ver as caras confusas de ambos, continuou — Falar a língua das cobras no meio do Salão Principal realmente NÃO é uma boa ideia!!! Muito menos quando a escola inteira está procurando o culpado pela pichação na parede, caso vocês se esqueceram!
— Mas... o que uma coisa tem a ver com a outra? — perguntou Harry, o que fez a ruiva beliscar entre os olhos pedindo paciência.
— Harry, você é um ofidioglota. Por que não contou? — indagou Ron antes de se virar para Anne — E pelo jeito você também é, Black. — ele disse lentamente, porém não em tom acusatório, apenas confuso e curioso.
— Eu sei — responderam os dois em questão e Harry continuou. — Quer dizer... Aticei uma cobra contra o meu primo Duda no zoológico ano passado... Uma vez! Mas e daí? É óbvio que tem um monte de gente aqui que pode fazer isso!
— Não Harry, não pode. — disse Granger e Di cortou a mesma rapidamente:
— Existe uma razão para o símbolo de Slytherin ser uma cobra. — disse a jovem Snape. — Salazar Slytherin era ofidioglota.
— E agora a escola inteira vai achar que um de vocês é o herdeiro de Slytherin. — disse Draco com uma careta, fazendo com que Anne e Harry se entreolhassem.
— Mas... eu não sou... não posso ser. — disse Potter em negação.
O olhar de Ann estava um tanto vazio, seu pensamento longe. Não era ela, não poderia ser. Ela nunca tinha feito mal a ninguém, diabos, nem sabia onde ficava a entrada da maldita Câmara. Suspirou e olhou para sua irmã de coração, perguntando:
— Di.. você não acha que sou eu né?
A menina sustentou o olhar da amiga, parecendo escolher as palavras antes de responder lentamente:
— Eu não sei... você não sabe quem é seu pai... — disse a ruiva.
— E ele viveu há mil anos... Pelo que se sabe um de vocês poderia ser. — disse Hermione, logo completando em um tom preocupado — Sei que não foi nenhum dos dois que atacou o Colin nem a Madame Norris, mas com certeza tem alguém tentando incriminar vocês.
Anne negou com a cabeça, tudo aquilo era demais para ela. A escola toda pensaria que ela era a Herdeira, e que ela tinha atacado os alunos, obviamente. Entre um aluno de Gryffindor e um de Slytherin, certamente quem sairia de ruim era a da casa verde. A morena suspirou.
— Toda a culpa vai cair para cima de mim. Eu sou de Slytherin, Potter é Gryffindor. — disse como se aquilo fosse óbvio — Mas eu não fiz nada!
— Sis, calma. Vamos achar o culpado, então não se preocupe. — Diana disse confiante. — E não deixe os outros chegarem até você, eles não tem prova nenhuma contra vocês. — falou olhando para sua irmã de coração. Foi então que ela realmente parou para olhar para Anne, o que a fez piscar duas até três vezes para garantir que não estava vendo coisas. Ann estava com o cabelo em cores vermelho vivo e dourado, seu rosto estava dividido nas mesmas cores e em cada bochecha o símbolo de Gryffindor. — Ahn... Anne? — ela questionou tentando não rir. — Posso saber desde quando você mudou para Gryffindor?
A menina em questão olhou na direção da irmã de coração completamente confusa, não estava entendendo a pergunta da ruiva. Ao seu redor, os outros quatro passaram por alguns segundos de choque completo, mas logo desataram a rir descontroladamente. Anne ainda não estava entendendo o motivo das risadas. Diana parecia estar à beira de um ataque e quando explodiu, nada mais a segurava.
— Ann… — risadas — Olhe pro... Espelho… — gargalhadas. A ruiva estava rindo tanto que teve que se apoiar na pessoa que estava ao seu lado, que por um acaso era Potter.
A morena, então, olhou seu reflexo no espelho e piscou, completamente chocada. Quando aquilo tinha acontecido? Em que momento do dia ela tinha sido atingida por um feitiço que mudava as cores de seu rosto e cabelo? Ela continuava a encarar os olhos azuis de seu reflexo no espelho, e de repente lhe passou um nome claro em seus pensamentos: Hermione Granger.
Obviamente tinha sido o encantamento que a havia atingido no momento em que estava distraída com a cobra. Olhou na direção da bruxinha com os olhos semicerrados, fingindo estar brava.
A mesma estava rindo curvada na pia, mas pareceu sentir o olhar pois, lentamente, conforme suas risadas a deixavam, ela se virou para Anne. A Grifinória parecia estar pedindo desculpas pelo olhar, já que nenhum dos cinco ali conseguiam falar qualquer coisa inteligível.
Ann apenas negou com a cabeça e se absteve de qualquer resposta. Logo depois olhou na direção de Di e franziu a testa com a visão que teve: Harry Potter estava ruivo e era impossível negar a semelhança entre ele e a jovem Snape. Obviamente eles não podiam ser parentes, mas aquilo aborreceu Black de tal forma que não conseguira evitar o comentário sarcástico que saíra de sua boca:
— Vocês dois estão muito iguais, poderiam até ser gêmeos.
— O que você quer dizer, Ann? — perguntou Di completamente aturdida com a frase completamente fora do lugar da sua irmã de coração.
A morena apenas apontou na direção de Potter, mostrando a Di exatamente do que se tratava.
— Ah sim... Eu acertei o Ha... Potter com um feitiço... — disse a ruiva divertida, analisando o menino que estava com os cabelos da cor da mesma (ruivos) e inclinou a cabeça, completamente alheia aos rostos chocados dos outros ali presentes. — Ficou... diferente.
Anne esperou mais alguns instantes para ver se Di enxergaria por si só aquilo que queria que ela visse, porém isso não aconteceu. A morena então cansou de esperar e revirou os olhos, agarrando tanto Diana quanto Potter pela manga do robe e os posicionou para que eles ficassem na frente do espelho.
— É disso que estou falando! — ela exclamou e deu dois passos para trás, esperando a reação deles.
A ruiva pensou em reclamar da forma com que sua irmã de coração a puxara, porém ao encarar no espelho exatamente aquilo que a menina falara, as palavras morreram em sua boca. Fitou o espelho em puro choque e se perguntava como aquilo era possível. Como duas pessoas que não eram parentes poderiam ser tão... semelhantes? Ela se virou para olhar Potter sem a ajuda do espelho, (e pareceu que ele queria o mesmo, pois se virou para ela também) agora sabendo o que olhar, percebeu algumas características suas nele. Formato do rosto, o nariz, mais o que mais chocava era a exata cor do olhos que ambos tinham. Parecia que com a cor do cabelo modificada do menino era mais fácil de ver as semelhanças entre eles. Di levou as mãos à boca, ainda surpresa com a situação.
A jovem Snape parecia estar em transe, ela levou sua outra mão até o rosto de Potter, querendo ter a certeza de que era o mesmo que ela estava vendo. Ela inclinou a cabeça para o lado e puxou o cabelo do menino longe de sua orelha, e não se surpreendeu quando viu que era parecida com a sua. Foi a vez do moreno (que no momento era ruivo) se movimentar e aparentemente sair de seu choque, pois nesse instante pegou a mão de Di com a sua, encarando elas unidas.
— Isso é... — ele fez uma pausa parecendo procurar a palavra correta e não a achando.
— Estranho? — sugeriu Di ainda tentando processar a situação que se encontrava.
Um pouco afastada dali, Anne assistia um tanto chateada à cena entre os dois, mesmo tendo sido ela mesma quem apontara sobre a aparência de Potter. Tentando não pensar no assunto, ela resolveu dar a volta na pia e estudar um pouco mais aquele banheiro que possuía um ar tão sombrio. Olhou para a antiquada arquitetura e de lá para as torneiras, notando que possuíam desenhos gravados no metal. Aproximou-se para ver se definia o que era, porém foi interrompida por Hermione, que se desculpava novamente pelo feitiço lançado. Black novamente balançou a cabeça, dizendo que não fora nada, e disse que o duelo tinha sido muito divertido. As duas entraram em uma conversa leve e Ann, ainda que por poucos instantes, esqueceu-se do sentimento de incômodo que sentia no peito ao ver Di e Potter tão próximos.
— Já deu de esquisitice vocês dois! — exclamou Ron parecendo indignado com a cena, o que fez Diana e Harry pularem de susto e olharam para o Weasley envergonhados. — Não é como fosse tão difícil achar uma pessoa parecida com você mesmo!
Essa frase fez com que Draco olhasse para ele exasperado.
— É difícil sim! — retorquiu o loiro. — Você diz isso por que tem vinte irmãos que são parecidos com você.
Anne e Hermione prestavam atenção no que os dois meninos falavam e a Grifinória revirou os olhos antes de interromper a discussão, se aproximando e tampando a boca de Weasley, o que fez a morena de Slytherin dar um sorrisinho de canto.
E com uma bronca de Granger, dizendo que já bastava de discussões por um dia, os meninos calaram a boca. Ela se virou para Diana e Harry, como se analisassem e então balançou a cabeça negativamente aparentemente não conseguindo chegar a conclusão nenhuma sobre a situação deles. Com isso virou para Ann parecendo pensar em algo engraçado, pois ela abriu um sorriso e a morena apenas ergueu uma sobrancelha, como se questionasse o que se passava na mente da outra menina, o que fez a mesma alargar o sorriso antes de perguntar se ela queria ficar parecendo um mascote do time de Gryffindor. Black fez uma careta e negou com fervor, fazendo o resto soltar risinhos e Hermione respondeu que imaginava isso, e com isso dito ela fez Anne voltar ao normal, que agradeceu.
Diana estava olhando aquela cena das duas meninas, por fora não mostrando nada, mas por dentro estava incomodada com a troca de sorrisos e gentilezas e suspirou. Não era como se sua irmã fosse abandoná-la se tivesse outra amiga, conhecia Ann melhor que isso. E nesse momento a adrenalina havia baixado e ela soltou um bocejo enorme, fazendo com que falasse para todos que era melhor eles irem para a cama. Todos ali concordaram e saíram do banheiro.
Caminharam juntos até onde seus caminhos se separavam e, quando iam se despedir e dar o óbvio boa noite, Severus Snape apareceu diante do sexteto. Ele pareceu que iria falar alguma coisa mas parou ao encarar Potter e Diana, que por um acaso estavam lado a lado. O professor olhava de um para outro parecendo cada vez mais pálido, e então rapidamente se recompôs a sua postura normal e puxou a varinha apontando para o Grifinório — que engoliu em seco — e desfez o feitiço que deixava o cabelo do mesmo ruivo, voltando ao original, preto.
Com apenas um olhar afiado para o trio de ouro, o qual logo se afastou dali subindo as escadas, o professor se virou para a filha e a mandou para a cama. A ruiva assentiu rapidamente indo em direção às masmorras junto com Anne e Draco.
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