Trio de Prata: O Início
14 Ano 3 - Parte 6
Em poucos minutos as três garotas estavam paradas à porta do Salão Principal com o cão coberto pela capa. Draco, Harry e Ron apareceram pouco depois; o loiro com uma expressão um tanto emburrada e com Maleficent no colo.
— Anne, isso é seu! — disse ele, entregando a pequena tigresa à dona — Ela não queria me deixar em paz até que eu desse minha comida a ela! — seu tom era completamente indignado, o que provocou gargalhadas do restante do grupo.
— O que a gente faz agora? — questionou Mione, visivelmente menos preocupada que antes — Está muito frio para ficarmos lá fora.
— Podemos ir para nosso Salão Comunal. — disse Di pensativa, olhando para seus colegas de casa, que assentiram com a cabeça. — Não ficou ninguém além de nós três, e duvido muito que meu pai vai se importar com vocês lá, se por acaso ele ver.
Após alguns instantes de hesitação os Grifinórios acabaram por concordar, afinal ninguém queria congelar e então o grupo se encaminhou à Sala Comunal de Slytherin. Assim que se reuniram em torno da lareira, Black se sacudiu e a capa de invisibilidade escorregou de seu corpo. Mal encarou o cão com curiosidade e se aproximou dele, cheirando-o desconfiada antes de aninhar-se perto dele para dormir com tranquilidade.
Diana sorriu, acariciando os pelos de Black, antes de se virar para seus amigos e questionar o que eles acharam dos presentes que ganharam, já agradecendo também os que ganhou deles. A garota deu um beijo da bochecha de Draco, agradecendo muito o Pomo de Ouro, dizendo que ele era doido por dar a ela algo tão caro.
O garoto sorriu, dizendo que precisava dar algo importante a ela e também agradeceu pelas abotoaduras que ela havia lhe dado. Ann agradeceu tanto a ele quanto a Hermione os livros que ganhara, ao que a Grifinória também agradeceu pelo livro trouxa que havia ganho da morena, dizendo que estava ansiosa para ler.
O grupo seguiu comentando e agradecendo o que haviam ganho até que Harry tirou algo do punho e estendeu ao grupo: era um relógio de ouro com a inscrição JL.
— Lupin me deu este relógio... Disse que pertenceu ao meu pai. — ele falou em um tom feliz e saudoso ao mesmo tempo.
Di abriu e fechou a boca, parecendo um peixe. Era óbvio o que J e L significavam: James e Lily. Por que o professor Lupin havia dado para ela um medalhão da mãe de Harry Potter e por que ele não se identificou? A ruiva olhou para sua irmã de coração, se sentindo perdida, porém Anne encarava fixamente o relógio.
— Posso? — indagou ela estendendo a mão com gentileza no intuito de pegar o objeto. O menino assentiu e entregou a ela, que o examinou cuidadosamente e, sem dúvida alguma, aquilo era mais uma prova de sua teoria.
— É muito bonito, Harry. — a jovem Black o devolveu — Lupin mandou um bilhete junto? — ela questionou e então encarou Diana, prometendo silenciosamente que não falaria nada sobre o colar.
— Sim, disse que minha mãe havia dado esse relógio de presente para meu pai no dia que eles completaram 1 ano de casados. — respondeu o moreno segurando o relógio como se fosse uma preciosidade. Di estava mais muda que o normal, afinal seu pai havia mentido? Ele não era seu pai? Ela era a irmã do Harry? Por que Lupin daria a ela um colar da mãe do Harry se ela não fosse? Afinal eles eram amigos, pelo menos foi isso que Minerva havia dito. Ela segurou os pelos de Black com força, o que o fez ganir e olhar para ela, que o soltou na mesma hora.
— Desculpa meu amorzinho. — disse ela preocupada com seu amigo peludo.
A conversa do grupo foi interrompida pela chegada de Severus Snape, que não parecia nem um pouco surpreso com a presença dos Grifinórios ali, porém ergueu a sobrancelha ao ver Black ali.
— Imaginei que os encontraria aqui. — falou, dirigindo-se ao grupo e não comentou sobre a presença do cão.
— Oie pai! — disse a ruiva se colocando na frente de Black, lentamente tentando cobrir ele com a capa e torcendo muito que seu pai não o tivesse visto ali e continuou falando para que ele não olhasse muito ao redor — Estava procurando a gente? Tem algo errado?
O homem abriu a boca para responder, porém sua atenção foi roubada no momento em que a mini-tigresa aproximou-se dele e se espreguiçou a seus pés antes de esfregar-se pedindo atenção. Ele pareceu querer ignorá-la, porém os planos da pequena pareciam outros: ela escalou suas pernas até o momento em que não havia outra escolha a não ser pegá-la no colo. Ann engoliu em seco, porém o homem também não comentou sobre isso.
— Estava. — ele respondeu — O frio está muito intenso para que fiquem perambulando pelo castelo, então é melhor que o almoço de vocês seja servido aqui. — falou com tranquilidade antes de colocar Mal no chão. A tigresa reclamou, porém voltou a aproximar-se de Black e ali se aninhou novamente. O professor encarou a filha de maneira penetrante antes de tornar a falar — Não precisa escondê-lo. Está muito frio para que ele fique lá fora.
A garota ficou vermelha, afinal seu pai tinha a pego, de novo. Ela murmurou um obrigada e voltou a se endireitar na cadeira. Os grifinórios respiraram mais aliviados, afinal era Severus Snape, o professor que mais encrencava com eles. O homem em questão apenas balançou a cabeça negativamente.
— Esse seu desprezo pelas regras me lembra... — o homem parou a frase ali e franziu a testa.
Alguns instantes de um silêncio incômodo pairaram no ar, porém o mesmo foi cortado por Harry, que perguntou de maneira ansiosa:
— Meu pai?
Severus o encarou de maneira penetrante, antes de seu rosto tomar uma expressão enigmática.
— Não posso falar muito sobre isso, Potter. Seu pai e eu... — ele fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras — Não conversávamos em nosso tempo escolar.
O grupo escutou um bufo vindo de Black, o que fez todos olharem para ele, inclusive Snape e o encarou por uns longos minutos, como se estivesse analisando Black pela primeira vez.
— Ah... tudo bem... — disse Harry parecendo um pouco frustrado com a falta de informação e isso, claro, fez Severus desviar a atenção para o menino novamente.
— Sinto muito Potter... — ele respondeu obviamente desconfortável com a situação.
O garoto assentiu e pareceu ponderar algo antes de falar:
— Feliz Natal, professor.
Severus não conseguiu esconder a expressão surpresa em seu rosto e pigarreou antes de responder:
— Igualmente. — passou os olhos por todos os alunos presentes ali — A todos. — e virou-se, saindo da Sala Comunal em seguida
O sexteto se entreolhou e todos deram de ombros.
— Desculpa pelo meu pai... Ele não gosta de falar do tempo de escola. — disse Diana soltando um suspiro, ela já havia tentado conseguir informações da sua mãe. E então olhou para o Harry. — Acho mais fácil você conseguir alguma informação com o professor Lupin.
O garoto assentiu um tanto distraído, e logo o grupo voltou a conversar sobre os mais variados assuntos: aulas, feitiços, jogos, quadribol... Até que Ron deu a ideia de jogarem xadrez de bruxo. Anne fez uma careta, afinal não tinha habilidade alguma no jogo e Di resolveu tentar, apesar de ter dito que estava enferrujada, uma vez que havia tempos que não jogava.
Di e Ron se sentaram no chão a frente da lareira, Harry e Draco se sentaram perto dos dois para assistir, e Anne e Hermione se esticaram no sofá atrás dos outros quatro, meio observando o jogo mas ao mesmo tempo conversando sobre Star Wars e logo mudando para livros que gostavam, cada vez mais descobrindo coisas em comum.
Alguns instantes depois o gritinho animado de Di foi ouvido junto de um sonoro "ganhei!" e um lamento audível de Ron. Não demorou muito para que, depois disso, aparecessem seis pratos de comida bastante caprichados sobre uma mesa que havia na Sala Comunal e fora, de alguma forma, aumentada. Os seis se apressaram a rodear o móvel e almoçaram com vontade e animação, Anne e Di tratando seus amigos peludos também.
Ao terminarem eles voltaram a se sentar na frente da lareira. Anne e Mione ensinaram aos outros a jogar Stop. Black se aninhou no colo de Di, que havia sentado no chão para ficar perto dele. Passaram uma boa parte da tarde jogando esse jogo trouxa. Quando cansaram de jogar, se dividiram em grupos de meninas e meninos e ficaram apenas conversando, estavam se divertindo tanto e distraídos, que a tarde passou tão rápido que nem se deram conta.
— Bom saber que às vezes vocês obedecem. — disse uma voz que todos ali conheciam bem: Severus Snape. O sexteto se virou para ele surpreso, pois não haviam notado sua entrada.
— Só às vezes. — respondeu Diana com um sorriso debochado.
O homem apenas ergueu uma sobrancelha em resposta e Anne sorriu igual à irmã de coração.
— Só às vezes mesmo, senhor, afinal temos uma reputação a zelar! — exclamou a morena e ambas escutaram um dos meninos murmurando algo parecido com "me assusto com o quanto elas são parecidas".
Semicerrando os olhos, Severus também não se dignou a retorquir o que Ann dissera e dirigiu-se ao Trio de Ouro:
— Voltem à sua Sala Comunal e se arrumem para o jantar. Logo é hora. — os três saíram apressados e o professor voltou sua atenção à filha — Conversei com Dumbledore e nós chegamos a um consenso. — ele tirou de trás de suas costas uma cama grande e confortável de cachorro e a entregou nas mãos de Diana — Está muito frio para que Black continue lá fora, então você tem autorização para mantê-lo dentro do castelo. Di agradeceu e foi correndo abraçar seu pai, que largou a cama numa poltrona e pegou sua filha no colo. — Não está muito velha para isso? — ele questionou com bom humor.
— Pro seu colo? Nunca. — retorquiu a jovem, o que fez Severus apenas balançar a cabeça divertido. Ele a soltou e mandou os três irem se arrumar para o jantar. Dando um ultimo beijo no seu pai, a ruiva pegou a cama e chamou Black para ir para o quarto das garotas, o tempo todo se repreendendo por sequer cogitar a possibilidade de que seu pai mentira para ela. Era um absurdo, afinal ele era seu pai.
Alguns instantes mais tarde, com o amigo peludo devidamente instalado, as duas sonserinas trocaram de roupa e seguiram ao Salão Principal junto de Draco, tomando seus lugares habituais junto dos amigos grifinórios.
Olhando na direção da mesa dos professores, Anne notou com surpresa a presença da professora de Adivinhação: Sibila Trelawney. A morena franziu a testa, afinal era bastante incomum que a mulher socializasse. Ann admirava-a, apesar de tudo o que falavam sobre ela.
— A professora Trelawney nunca se junta à mesa dos professores. Por que hoje? — questionou confusa.
Di apenas deu de ombros, achava a mulher meio maluca, mas não queria aborrecer sua irmã, pois a opinião de ambas nesse caso era completamente diferente. Ao mesmo tempo, notou algo que parecia que Anne não havia percebido.
— E parece que nós vamos sentar com os professores hoje. — falou a ruiva um tanto ansiosa, e ao mesmo tempo feliz que iria ficar perto de seu pai nesse dia.
A ruiva sentou-se ao lado livre do homem, o outro sendo ocupado por ninguém menos que o diretor. Anne escolheu o assento próximo da professora Minerva, que se encontrava à frente de Snape e ao lado da professora de Adivinhação, e o restante do grupo amontoou-se próximo às Sonserinas.
— Ah, que bom que vocês chegaram, agora só faltam mais dois. — disse Dumbledore com um sorriso. — Balas de Estalo? — ele ofereceu ao recém-chegados e aos professores ali perto. Snape soltou um suspiro resignado e pegou uma, que com um estampido, se rompeu e surgiu um grande chapéu cônico de bruxo encimado por um urubu empalhado. Di fez uma careta e colocou a mão no rosto, lembrando-se vividamente do bicho-papão de Neville, tentando conter uma risada, afinal não queria magoar seu pai.
Logo dois pequenos grifinórios do primeiro ano entraram apressados no Salão Principal, ambos tinham as bochechas muito vermelhas. Eles sentaram-se perto dos alunos mais velhos e o diretor abriu um largo sorriso.
— Agora que estão todos aqui... Podem atacar! — falou o homem referindo-se ao delicioso banquete que acabara de aparecer sobre a mesa.
Logo estavam todos comendo, até que a professora de Adivinhação questionou:
— Onde está o professor Lupin?
— Ah, infelizmente ele não estava se sentindo muito bem e ficou em seus aposentos. — respondeu o diretor se servindo de linguiças, logo esticando a travessa para os grifinórios — Aceita Ronald?
A expressão no rosto de Ron pareceu com a de uma criança que havia recebido o melhor presente de aniversário do mundo e o garoto encheu seu prato com as mesmas. Assim que colocou a primeira salsicha na boca, algo pareceu atravessar sua mente.
— Vocês não acham estranho que o professor Lupin desapareça uma vez por mês? — mastigou mais um pouco e enfiou uma segunda salsicha na boca — Será que ele tem algum problema como as mulheres naqueles dias? — questionou e riu ao fim.
Di bufou um tanto divertida pelo comentário, mas então franziu a testa. Realmente o professor Lupin desaparecia pelo menos uma vez por mês, por uns 4 dias e sempre nas noites de lua cheia.
— Ai meu... — exclamou Di de olhos arregalados e encarou sua irmã de coração. Ao mesmo tempo que sentiu seu pai endurecer ao seu lado.
Anne tinha a mesma expressão de entendimento no rosto e sua boca formou um "o" perfeito. Seria mesmo possível que o homem fosse um lobisomem? Os olhos azuis procuraram os castanhos de Hermione e a garota assentiu levemente, confirmando os questionamentos internos da jovem Black. Os garotos, como sempre, estavam alheios à nova descoberta e rindo da piada mal feita por Ron.
— Parece que vocês descobriram algo que deveria continuar segredo. — disse o diretor em voz baixa um tanto grave, o que fez as três garotas olharem para ele. — Quero deixar claro que deverá continuar assim.
As garotas se entreolharam e assentiram com tranquilidade, demonstrando que em momento algum trairiam a confiança do diretor. Os meninos seguiam alheios à conversa.
— Diretor. — chamou Anne — O professor Lupin é o melhor que tivemos nesse tempo em que frequentamos Hogwarts. De maneira alguma faríamos algo que pudesse prejudicá-lo.
O diretor assentiu, e passou as tigelas de batatas para Hermione que aceitou com as bochechas levemente vermelhas. Severus pareceu sentir que o assunto deveria ser mudado pois questionou:
— Uma coisa que eu gostaria de entender é por que você, Diana, não me pediu ajuda para se defender dos dementadores?
— Ahh... a ideia de pedir ajuda na verdade foi do Harry. — respondeu a menina com um sorriso amarelo, deixando o garoto da grifinória olhando para ela horrorizado; obviamente temendo uma represália de Snape.
O homem ergueu ambas as sobrancelhas, porém não foi desagradável com nenhum dos dois alunos.
— Acredito que faça certo sentido pedir ajuda em um feitiço de tal complexidade ao professor de Defesa. — sua frase tinha um tom levemente ácido, porém logo acrescentou — Estou à disposição se precisarem. Os dois.
— Obrigada, pai. — respondeu a ruiva sabendo que não iria pedir essa ajuda, afinal não queria que seu pai desconfiasse que ela estava vendo coisas.
— Obrigado. — disse Harry, parecendo lutar com algo mentalmente. Anne o encarrou e sinalizou com a cabeça para que ele falasse o que tinha em mente, e isso pareceu encorajá-lo, pois questionou. — Que feitiço é usado contra dementadores?
— O feitiço do Patrono. Ele funciona como um escudo contra os ataques. — respondeu Snape brevemente.
— E, dependendo da força do bruxo, ele pode assumir a forma de um animal. É o que chamamos de Patrono Corpóreo. — a professora McGonagall complementou, entrando na conversa.
Di questionou então se todo bruxo tinha um patrono corpóreo igual. Seu pai respondeu que não, dependia muito de cada um e nem todos conseguiam fazer o feitiço. O assunto perdurou por um tempo e logo foi passando para outros não direcionados a escola e a problemas pessoais.
Por fim, o sexteto resolveu se enfurnar em uma Sala Comunal.
Os dias das férias passaram com certa tranquilidade, o grupo de amigos fazendo de tudo o que gostavam: lendo, jogando xadrez, fazendo guerras de bola de neve, entre outras coisas. Quando chegou a quinta-feira da semana que antecedeu a volta às aulas, o sexteto resolveu se reunir na Sala Comunal de Gryffindor para variar um pouco, com Black e Mal no encalço deles.
Eles se acomodaram nos sofá e poltronas a frente da lareira, afinal tinham acabado de fazer uma guerra de bolas de neve e estavam congelando, um tanto quanto molhados. As meninas estavam regozijando-se, pois haviam ganho lindamente dos meninos, dando belas boladas na cara deles, tiveram até que arrumar os óculos de Harry, pois o haviam quebrado.
Distraídos, eles não perceberam que Black subia as escadas lentamente, como se estivesse procurando algo,com a tigresa silenciosamente em seu encalço e Bichento logo atrás. Eles só notaram que havia algo de errado quando escutaram um barulho muito alto vindo do dormitório dos meninos, como se alguém estivesse derrubando coisas, seguido de vários latidos e miados raivosos, misturados a um guincho agudo de horror.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO? PEREBAS!!! — gritou Ron desesperado subindo os degraus em dois em dois. As meninas se entreolharam e correram ao encontro dos seus bichinhos de estimação gritando seus nomes.
A cena que encontraram no dormitório poderia ser classificada como caótica: Black, Mal e Bichento estavam embolados no chão, parecendo lutar para se desvencilharem uns dos outros; todas as camas bagunçadas com os lençóis espalhados por todo o local, porém o pior veio quando o ruivo levantou seu próprio travesseiro, revelando algumas manchas pequenas de sangue.
O grito que saiu da boca do amigo deixou seus amigos surdos por alguns instantes e logo o ruivo estava berrando na cara das garotas, que estavam pálidas e chocadas. Os três bichinhos haviam matado o rato dele e não era para menos que o garoto estava tão irritado. Di entendia seu sentimento e se sentia arrasada por seu amigo peludo ter causado essa confusão, principalmente após a bondade de Dumbledore de deixá-lo dentro do castelo. A ruiva pegou Black pela nuca, e o puxou o para fora do quarto, sem machucá-lo é claro, pois apesar do acontecido, amava seu animalzinho e era completamente contra a violência.
Anne pegou Mal no colo, ainda muito atordoada e nem sentiu quando a tigresa a arranhou, apenas notou isso quando sentou-se entre Di e Hermione no sofá da sala comunal de Slytherin, com o cão e os dois felinos aos seus pés.
— O que diabos aconteceu? — questionou a morena em voz alta. Por que seus amados amiguinhos haviam armado uma emboscada para o rato?
— Eu não sei... — respondeu a ruiva olhando para o Black que encarava parecendo triste e culpado — Por que vocês fizeram isso? Por que mataram o Perebas? — ela questionou e o cachorro apenas apoiou a cabeça no joelho da ruiva e soltou um choro baixo, como se fosse um pedido de desculpas.
— Se fosse só o Bichento e a Mal eu entenderia. — começou Mione — Afinal os felinos são predadores naturais de ratos... Mas o Black também? Por quê? — perguntou ela encarando os olhos tristes do cão.
— Vocês são tão amigos assim, Black? Para terem caçado juntos... — perguntou Anne, sabendo que ele entenderia. Ela sentia-se culpada pelo que aconteceu e já tentava pensar em uma maneira de redimir-se com o amigo, afinal entendia a tristeza e raiva dele.
As três ficaram sentadas ali contemplando o ocorrido, sem conseguir chegar a conclusão nenhuma.
Nos últimos dias de férias, o grupo havia se separado. Ron estava muitíssimo chateado, e não conversava com nenhuma das meninas, o que elas compreendiam, porém a culpa em si não era delas; elas não tinham obrigado seus animais fazerem isso, aparentemente foi instinto. Mas para não piorar a situação se afastaram e deram o tempo que fosse necessário para o ruivo se acalmar. Harry e Draco acabaram ficando ao lado do jovem Weasley, não por estarem bravos com as garotas, mas para não deixar seu amigo sozinho.
Por fim, o grupo inteiro deu graças a Merlin que os alunos haviam voltado para escola, e os corredores se encheram de gente e ruídos. Alguns alunos estranharam a separação óbvia do sexteto, mas apenas conversavam sobre isso em voz baixa.
As aulas recomeçaram no dia seguinte, passaram tranquilamente. Até mesmo Hagrid havia conseguido fazer uma aula extremamente agradável apesar do dia frio.
Na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas Harry e Diana ficaram para trás para conversar novamente com o professor Lupin, que combinou a aula para a quinta-feira às 8 da noite na sala de História da Magia.
Na hora marcada, os dois se encontraram a frente da sala, e entraram, percebendo que o Professor Lupin ainda não havia chego. Eles acenderam as velas e se sentaram nas cadeiras para esperar.
— Acha que ele pode ter esquecido? — questionou Harry parecendo muito ansioso, na opinião de Diana.
— Duvido muito. Algo deve tê-lo atrasado. — ela respondeu calmamente, apesar de estar uma pilha de nervos por dentro. De alguma forma sabia que as visões voltariam. Tentando não pensar nisso ela mudou de assunto. — Como o Ron está?
— Mais triste do que bravo. — respondeu Harry com um suspiro. — Mas ele ainda não está muito afim de ver vocês.
— Ele sabe que a culpa, não é exatamente nossa, certo? — a ruiva falou com as sobrancelhas erguidas, afinal de contas, foi o instinto animal dos seus bichinhos que fez a situação ocorrer. O menino apenas deu de ombros, não aparentando querer se comprometer, e para a sorte dele a porta se abriu e o professor de Defesa Contra as artes das Trevas entrou carregando uma caixa que depositou na mesa do professor Binns.
— O que é isso? — questionou Diana, seu nervosismo subindo aos níveis mais altos.
— Outro bicho-papão. — respondeu Lupin. — Andei passando o pente fino pelo castelo, e encontrei esse nos arquivos do Filch. É mais fácil trabalhar com ele do que com um dementador de verdade.
— Tudo bem. — responderam os dois juntos, Harry parecia bem mais calmo agora e Diana sentiu seu nervosismo diminuir. Afinal era um dementador falso, então ele não a faria ver aquelas cenas novamente, certo? Pelo menos era isso que ela esperava.
— Então... — o Prof. Lupin apanhou a varinha e fez sinal para a dupla imitá-lo. — O feitiço que vou tentar é chamado o Feitiço do Patrono. Que é uma espécie de antidementador, um guardião que age como um escudo entre vocês e o dementador. Mas preciso preveni-los de que o feitiço talvez seja um pouco avançado para vocês. Muitos bruxos habilitados têm dificuldade de executá-lo.
— E como se conjura? — questionou Harry curioso, enquanto Di apertava sua varinha um tanto receosa de não conseguir.
— Com uma fórmula mágica, que só fará efeito se você estiver concentrado, com todas as suas forças, em uma única lembrança muito feliz. — respondeu o professor, a ruiva percebeu que o grifinório contraiu levemente a testa, obviamente lutando para achar uma lembrança adequada, o que fez a jovem sentir um pouco de pena dele, sua vida com os tios não era nem um pouco fácil. Para seu próprio encantamento ela se recordou de um dia na praia com seu pai, nas últimas férias de verão; nunca havia se divertido tanto com ele, Anne e Draco.
— A fórmula é a seguinte — Lupin pigarreou para limpar a garganta. — Expecto Patronum! — e assim os dois começaram a repetir o encantamento várias vezes. — Não esqueçam de se concentrar com todas as forças em suas lembrança felizes! — O professor falou, o que fez ambos os alunos pararem e olharem para ele. Diana se repreendeu mentalmente, sendo óbvio que daquela forma não estava funcionando e então se concentrou novamente, quase conseguindo ver o que acontecera naquele dia novamente. Com um sorriso no rosto ela falou:
— Expecto Patronum! — ao terminar o encantamento, uma luz forte projetou de sua varinha, um fio grande de gás prateado, o que surpreendeu os outros dois presentes.
— Muito bem Diana! — exclamou o professor Lupin, impressionado com o feito. Harry sorriu, parecendo dividido entre a felicidade porque sua amiga havia conseguido e a frustração por ele ainda não ter. Di agradeceu ao professor e olhou para o grifinório.
— Vai lá Harry! Você também consegue! — disse a menina dando um apoio necessário ao menino que sobreviveu, que assentiu e começou a tentar novamente. Logo alguma coisa se projetou subitamente da ponta de sua varinha dele, mais parecia um fiapo de gás prateado assim como acontecera com a garota segundos antes.
— Viram isso? – perguntou Harry, excitado — Aconteceu uma coisa!
— Viu! eu disse que você iria conseguir também! — disse Diana com um sorriso enquanto Lupin acenava com a cabeça.
— Certo, então, estão prontos para experimentar com um dementador? — ele questionou aos dois, que novamente assentiram e foram para o meio da sala de aula, com Di um pouco atrás, para que o bicho-papão não se confundisse. A ruiva tentou manter o pensamento no dia da praia, mas alguma coisa não parava de interferir... A qualquer segundo agora, poderia voltar a ver aquela cena horrorosa. Não! Não iria! Era apenas um bicho papão.
Lupin segurou a tampa da caixa e levantou-a.
Um dementador se ergueu com o foco todo em Harry. As luzes da sala se apagaram com o vento gelado, a mente de Diana virou um vazio. No fundo ela escutou seu amigo falar o encantamento, mas começou a ver aquela cena novamente.
“Não o Harry não! Por favor, o Harry não” gritava a mulher ruiva, que aparecia em seus sonhos agora.
“Afaste-se mulher!” falou um homem, ou pelo menos Di achava que era um, sem nariz e de olhos vermelhos.
“Por favor, não! Deixe meus filhos! Me mate no lugar dele! O Harry não!” Gritava a mulher desesperada.
— Diana! — chamava Lupin, e a menina despertou de repente. A sala havia sido reacendida, e ela viu Harry sentado parecendo perturbado também. — Você está bem?
— Sim... — respondeu a ruiva rapidamente. O professor não parecia muito convencido, mas Harry o distraiu.
— Está piorando... — disse o menino que sobreviveu. — Eu a ouvi... e ouvi ele... Voldemort.
— Você ouve? Sua mãe? — questionou a sonserina, comendo um pedaço de chocolate.
— Sim... — ele respondeu olhando para ela. — E você? Ouve sua mãe? É isso?
— Eu... eu não sei se é minha mãe... — respondeu ela encarando o chão.
— Olhem... Acho melhor a gente continuar outro dia. — disse Lupin parecendo incomodado e muito pálido.
— Não! — responderam ambos.
— Quero continuar, preciso! — continuou o menino que sobreviveu. — O que vai acontecer se eles aparecerem no jogo de novo!?
— Está bem. — respondeu o professor — Você precisa se concentrar, Diana. — ele disse olhando para a menina que assentiu, sabendo muito bem o quanto isso estava sendo difícil e confuso — E Harry, talvez uma lembrança feliz diferente... Essa parece que não foi muito forte.
O moreno também assentiu e pareceu se concentrar em outra. Enquanto Diana só olhava para caixa com receio. Se sentia perdida, confusa, e seu coração doía.
— Prontos? — questionou o homem mais velho, os dois jovem responderam afirmativamente e assim ele abriu a caixa novamente.
A sala ficou gelada e escura novamente, o dementador avançou na direção deles. Di tentando se concentrar, mas as imagens novamente voltaram a sua mente. Conseguiu apenas murmurar um mísero Expecto... antes da cena ficar clara em sua mente.
A mulher ruiva entrando rapidamente no quarto em que ela estava e se aproximando, dando-lhe um beijo.
“Lily, leve os gêmeos e vá! É ele! Corra!! Eu o atraso!!”
A mulher se levantou e foi a frente de outro berço, parecia estar falando algo, logo a porta foi escancarada e a cena que ela já conhecia de cor se desenrolava a sua frente novamente. E então em um clarão verde, tudo ficou em silêncio, apenas o choro de bebês era escutado, sentia que ela também estava chorando. Di não sabia quanto tempo ficou ali, mas então uma outra pessoa entrou ali. De cabelos escuros e compridos, e abraçou a ruiva começando a chorar, agarrado ao que parecia o corpo da mulher, da sua mãe? Ela se questionou. O homem se levantou, deixando o corpo com delicadeza no chão e fez um feitiço parecido com uma bola prateada. O moreno então se aproximou dela, e finalmente ela conseguiu ver o rosto, era seu pai!
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