Trio de Prata: O Início
12 Ano 3 - Parte 4
Notas iniciais
Draco foi o primeiro a se virar para a garota e franziu a testa ao ver o embrulho que ela carregava. Hermione estava sentada em um dos bancos rindo de Anne que estava rolando com o cachorro no chão. Harry, que estava sentado próximo à sonserina e ao lado de Ron, perguntou:
— Você comprou a vassoura? — e deu um tapa na própria testa — Eu esqueci completamente a minha.
À menção do objeto, o restante voltou sua atenção à ruiva, inclusive o cão.
— Na verdade... eu também esqueci. — disse ela parecendo envergonhada, mas então começou a pular muito animada novamente, o que fez o cachorro preto soltar um bufo divertido, bom, era o que parecia da Di. — Mas o pai lembrou e comprou essa aqui!!! Olhem!
A ruiva então desembrulhou e mostrou a nova vassoura dela.
Anne levantou-se em um pulo e foi a primeira a se aproximar. Levou a mão à frente para tocar, porém parou no meio do caminho e seu queixo caiu.
— Não acredito... — ela falou baixo, como se a vassoura fosse desaparecer — É uma Thunderbolt! — exclamou animada logo depois, como se saísse de um estado de transe. O restante do grupo se aproximou, até Hermione que não era muito fã de quadribol tinha uma expressão admirada no rosto.
— Uau! — foi a única coisa que Ron foi capaz de dizer. Potter e Malfoy também encaravam a vassoura boquiabertos, enquanto Black se aproximou, cheirando o cabo da mesma.
— Vamos testar! — disse a ruiva, já indo em direção ao campo. Os outros seguiram a garota animada, inclusive o cachorro preto que corria ao lado da jovem Snape. Chegaram no campo e Di logo montou na vassoura, voando pra longe rápido, com um sonoro “uhul!”.
Ela nunca tivera uma sensação como aquela; a vassoura que fora sua companhia era rápida, porém nem se comparava à Thunderbolt. Em menos de cinco segundos havia cruzado toda a extensão do campo e voltava com uma velocidade impressionante. Di fez algumas acrobacias enquanto ganhava altitude e seu pai tinha razão quando falara sobre sua estabilidade; parecia que a nova companheira se tornara uma extensão de seu corpo, tamanha sua leveza.
O restante do grupo batia palmas, Anne e Draco com um entusiasmo gigante, afinal não havia possibilidade de perderem a Taça de Quadribol naquele ano. A ruiva deu mais algumas voltas e então pousou perto dos seus amigos, questionando se eles queriam testá-la também.
A outra sonserina foi a primeira a se aproximar com um largo sorriso e pegou a vassoura com cuidado, logo montando e dando o impulso para cima, atingindo quase a velocidade máxima e gritando de felicidade enquanto voava. Ela percorreu o campo e depois alcançou uma altitude considerável para dar um mergulho vertical, freando a poucos centímetros do chão e depois subindo novamente para fazer a mesma coisa. Hermione balançou a cabeça negativamente e murmurou algo sobre a amiga quebrar o pescoço e Di riu antes de se aproximar de seu amigo Black, sentando-se ao lado dele.
Ela viu Harry, Draco e Ron sentarem um tanto longe de onde ela estava, porém foi capaz de escutar os comentários e teorias que eles faziam sobre a velocidade e os movimentos da vassoura. A ruiva então falou que eles podiam dar uma volta assim que sua irmã deixasse e os três viraram para ela com uma expressão de devoção, que a fez rir. Ela escutou Black bufar. Di viu Mione olhar fixamente para o pontinho que era Anne e levantou uma sobrancelha, mas apenas balançou a cabeça e começou a acariciar o pelo do seu cachorro, que deitou com a cabeça em seu colo.
Sabendo que seus amigos estavam ocupados demais para prestarem atenção nela, começou a conversar com seu amigo peludo.
— Desculpa, Black, por não ter conseguido vir cuidar de você. — a menina falou passando a mão desde a cabeça dele até as costas. O cachorro, como se tivesse entendido, olhou para ela e bufou como se dissesse que não se importava, que entendia. A sonserina sorriu pela bondade de seu bichinho e, percebendo o quanto ele estava sujo, fez um feitiço de limpeza. Em instantes Black voltou a estar limpinho e com o pelo solto. Agradecido, o cachorro lambeu a bochecha dela, que riu. — De nada, fofo. — disse divertida e então suspirou, para finalmente começar a tirar do peito o que a incomodava. — To confusa, não sei o que anda acontecendo comigo. — a jovem voltou a acariciar Black, que a olhou e inclinou a cabeça de lado, como se tentasse entender o que ela estava falando. — Deixa eu começar do começo. Harry e eu fomos falar com o professor Lupin, para que ele nos desse aulas para nos proteger dos dementadores. — a ruiva explicou e o peludo assentiu com a cabeça, como se tivesse entendido e que ela deveria continuar. — Eles têm nos atacado e é isso que eu não entendo. O Harry dá pra entender, sabe, mas eu?! — a jovem Snape exclamou meio alto o que fez olhar para cima, verificando seus amigos, mas eles ainda estavam distraídos; o meninos estavam em pé implorando para Anne dar a vez para eles enquanto Mione estava sentada rindo das palhaçadas que a morena fazia no ar. Suspirando de alívio, ela voltou a olhar para Black, que a encarava. — Não quero falar isso para eles ainda, pois nem eu entendo ainda. Mas... Antes de desmaiar por causa daquelas coisas, eu vejo algo... Vejo uma mulher morrendo. Parece ser quando... ah, eu não sei! Pode ser coisa da minha cabeça só, e eu to tentando achar coisa onde não tem. — ela disse, e o cachorro faz um som baixo de choro. — Às vezes parece que é quando o Harry é atacado. Mas isso não é possível, certo? Não posso ter memórias de outra pessoa...
Black sentou-se com o corpo um tanto retesado e os pequenos olhos arregalados, parecia levemente assustado, mas não se afastou. Colocou uma das patas sobre a mão da garota e encostou a cabeça em seu rosto em uma clara tentativa de confortar a jovem Snape, que o abraçou, fazendo de tudo para tentar não chorar. Não queria preocupar seus amigos, sendo que eles já estavam desconfiados que tinha algo errado, até Ron e isso que ele era muito desligado ao sentimentos dos outros. Até começou a estranhar que Anne não tinha forçado algo dela ainda. A morena tinha paciência, mas conhecia sua irmã o suficiente, sabia que ela deveria estar quase explodindo.
A jovem escondeu seu rosto no pescoço de Black e deixou sair um pouco da confusão que sentia.
Como se seus pensamentos tivessem conjurado a jovem Slytherin, Anne Black praticamente largou-se ao lado de Snape, passando um dos braços ao redor de seus ombros em uma demonstração silenciosa de carinho.
— Se anima, Di. Depois das férias você e o Harry vão aprender a explodir aqueles nojentos encapuzados. — a garota falou depois de alguns instantes, apertando a irmã de coração — E tem outra... A Taça de Quadribol este ano vai ser nossa! — ela completou sem ser capaz de conter a felicidade — Parece que o Tio Sev leu seus pensamentos!
— Parece que sim. — disse a garota se animando um pouco e levantando a cabeça. — Não tem para ninguém esse ano!
Percebendo que ainda não havia atingido seu objetivo de animar a irmã de coração como queria, a jovem Black jogou-se contra ela, derrubando-a no chão e iniciando um impiedoso ataque de cócegas.
Ambas caíram na gargalhada igual a duas hienas e isso fez com que o resto do grupo olhasse para elas, começando a rir de suas palhaçadas, e a vassoura ficou por uns momentos esquecida.
No fim eles se despediram de Black, que ficou sentado na porta do castelo com uma carinha tristonha, que fez Di ficar com um pouco revoltada pela proibição de cachorros. O sexteto se encaminhou o Salão Principal na intenção de jantar, ainda discutindo sobre a proibição.
Os dias se passaram com grande rapidez e finalmente o dia do jogo tão esperado pelos sonserinos chegou. O Trio de Prata seguiu para o campo em um clima leve, afinal tinham certeza absoluta de que sairiam vitoriosos. O jogo começou e logo as vassouras estavam no ar.
Diana, logo que saiu do chão, sentiu a adrenalina correndo por suas veias, afinal era sua estreia com a Thunderbolt. A garota percorreu o campo algumas vezes à procura do pomo, porém o mesmo não estava em seu campo de visão e, aparentemente, nem no do apanhador de Hufflepuff. A casa de Slytherin fazia um jogo duro, com exceção de Anne, que não tinha intenção de machucar nenhum jogador do time adversário; ela apenas fazia seu trabalho de não permitir que os balaços se aproximassem da irmã de coração.
A jovem Snape estava tendo um pouco de dificuldade em encontrar o pomo, afinal os balaços seguiam na direção dela e Black ficava entrando em seu campo de visão o tempo todo, então ficava bastante complicado. Ela era obrigada a admitir que os batedores de Hufflepuff estavam fazendo um ótimo trabalho ao atrapalhá-la, e de nada adiantaria ter uma vassoura superveloz se não conseguisse voar atrás da pequena bolinha dourada. Haviam se passado aproximadamente 15 minutos do início partida quando ela conseguiu avistar seu alvo sobrevoando as balizas do time adversário e foi para lá que rumou, tentando acelerar a vassoura o máximo e conseguiu; estava a menos de um metro do pomo e se estava preparando para capturá-lo quando um balaço quase acertou a ponta do cabo da Thunderbolt e a garota precisou mudar a direção rapidamente. Dois segundos depois, Di escutou uma erupção de felicidade vinda da arquibancada de Hufflepuff, o que só podia significar que o apanhador adversário tinha capturado a bolinha dourada e encerrado o jogo.
A garota balançou a cabeça completamente chateada. Desde que tinha virado apanhadora nunca tinha perdido um pomo de ouro e isso deixou-a arrasada, ainda mais com uma vassoura tão boa quanto a que seu pai tinha lhe dado. A ruiva começou sua descida para o chão, lentamente, seu humor despencando junto. Não queria nem imaginar a decepção de seu pai e seus colegas; com certeza agora iriam tirá-la do time.
Diana saiu da vassoura ignorando os gritos ao seu redor, e viu de longe Black à beira do campo, só que ele não a olhava, parecia estar olhando para o seu lado esquerdo. Na verdade, parando para analisar o seu amigo peludo, ele parecia estar bravo, seus pelos das costas estavam todos em pé e sua boca arreganhada mostrando os dentes. Assustada, a menina percebeu que ele caminhava lentamente, como se estivesse indo atrás do que o incomodava.
A garota virou-se para descobrir o que era e ficou atônita, como se tivesse sido atingida pelo feitiço do corpo preso ao enxergar a cena que se passava no campo: Draco e Harry (Di não sabia como ele tinha chego tão rápido ali) tentavam segurar Anne, que tentava com muita insistência atingir Nott com o bastão que segurava.
— VOCÊ VIU O QUE FEZ, IDIOTA? — gritava a morena com raiva, enquanto Hermione estava ao seu lado, aparentemente tentando acalmá-la. Parte do time de Slytherin se encontrava atrás do batedor e Marcus Flint, o capitão, se colocou entre os dois.
— Black! Mais uma palavra e você está fora do time. É óbvio que Theodore tentou acertar o Diggory, mas acabou errando um pouquinho. — falou o garoto — Não me diga que você nunca errou um balaço na vida.
Mesmo estando um tanto longe, Diana percebeu a fúria nos olhos da irmã de coração e decidiu que era momento de agir, caso contrário Anne perderia sua posição no jogo que tanto adorava e ainda acabaria sendo presa em Azkaban por assassinato.
Como se fosse um filme em câmera lenta viu a sua irmã se soltar dos meninos, e pareceu que ela iria partir para cima do capitão, mas um vulto preto passou por ela, que a distraiu. Di arregalou os olhos.
— Black, NÃO! — ela gritou enquanto o cachorro gigante corria atrás de Theodore Nott, que parecia desesperado pois tinha deixado cair a vassoura no susto quando o peludo havia partido para cima dele.
Di entrou em desespero enquanto Anne gritava:
— ISSO AÍ, BLACK!! — a felicidade da morena se misturava aos gritos de desespero de Nott, que tentava lutar contra o cão raivoso. Nenhum dos alunos que também gritavam parecia ter coragem de apartar a briga, com exceção de Flint que tentava chutar o animal, porém sem sucesso, afinal Black se esquivava com facilidade.
A chegada de Dumbledore e do professor Snape à confusão fez com que o silêncio reinasse, sendo possível escutar o barulho de roupa se rasgando. Não demorou para que o cão corresse na direção de Diana com o rabo abanando e um pedaço considerável de tecido na boca, o qual deixou aos pés da garota. Lambeu-lhe a mão e seguiu correndo para fora do campo antes que qualquer um pudesse pensar em ir atrás dele.
A ruiva não sabia se caía na gargalhada ou se escondia, tamanha a vergonha. Black foi incrível, mas sabia que poderia levar uma bronca de seu pai. Ela evitou encarar o pedaço de calça aos seus pés, pois sabia que se o fizesse começaria a rir e a cara de seu pai era irritada o suficiente para matar um aluno com o olhar se uma risadinha fosse escutada.
O diretor observava severamente o grupo de alunos por cima dos óculos de meia-lua, como se esperasse algum deles falar algo, porém a única voz que se ouvia era a de Nott, o qual reclamava do ataque que sofrera. Dumbledore ergueu a mão direita, fazendo com que ele se calasse.
— Suponho que o que aconteceu há pouco no jogo tenha sido um infeliz acidente, senhor Nott, porém não se pode negar que a lealdade dos animais para com seus donos muitas vezes supera a lealdade humana. Também tenho certeza de que a jovem Snape não pediu que seu amigo peludo o atacasse, estou certo, senhorita? — o olhar dele pousou sobre a garota em questão e ela podia jurar ter visto um brilho minimamente divertido nos olhos azuis tão expressivos. Ela negou com a cabeça repetidamente pois realmente não queria que Black atacasse ninguém, nem mesmo o chato do Nott, apesar de que ele merecia. Dumbledore assentiu, voltando a atenção aos outros — Tudo resolvido, então. Agora voltemos todos ao castelo pois há um banquete maravilhoso nos esperando. Vamos, Severus. — falou ele, levando as duas mãos às costas e caminhando na direção do castelo. O professor Snape virou-se para acompanhar o diretor, mas não sem antes olhar na direção da filha com uma das sobrancelhas erguidas. Logo os alunos foram se dispersando, sobrando apenas o sexteto em campo.
A ruiva suspirou fundo, agradecendo por Salazar que ela não tinha levado nenhuma bronca por conta de Black. Ao olhar para baixo ela viu o pedaço da calça de Nott, que ela pegou com as pontas dos dedos e levantou, para mostrar a todos os presentes ali. Eles encararam o pedaço de tecido por uns instantes, antes de se entreolharem e começarem a rir desesperadamente.
Anne apoiou-se em Hermione para tentar recuperar o fôlego, o que se provou ser uma tarefa bastante difícil, porém quando conseguiu, olhou na direção da irmã de coração com um sorriso travesso.
— Di, acho que você não poderia ter dado nome melhor ao Black. — o orgulho estava presente em sua fala.
Os garotos continuaram a rir, as lágrimas escorriam pelos rostos, mas ainda assim concordavam com a cabeça à frase de Anne. Di, que havia sentado para rir, apenas assentiu, mas quando ergueu a cabeça percebeu Nott se aproximando com uma expressão furiosa. A ruiva se levantou em um pulo, já ficando em uma posição de defesa.
A jovem Black, não se fazendo de rogada, se posicionou ao lado da ruiva com o escárnio estampado no rosto.
— Veio ser chutado mais uma vez, Nottzinho? Uma vez não foi suficiente? — provocou ela, fazendo com que o rosto do garoto tomasse uma cor praticamente púrpura tamanha era a raiva que aparentava sentir. Seu olhar enlouquecido fixou-se aos verdes de Di.
— Você é uma vergonha para Slytherin, sabia? — ele praticamente cuspiu as palavras — Primeiro faz amizade com uma sangue-ruim e com esses traidores do sangue, depois perde o pomo que estava tão fácil e depois se esconde atrás do seu bichinho de estimação porque não tem coragem de fazer as coisas sozinhas! Meu pai vai saber disso e é bom que você não se surpreenda se ele virar um casaco de pele, ou um tapete. — um sorriso cruel tomou conta de seu rosto pouco antes de continuar com as ameaças — Você tomou algo que é meu, e não vou te perdoar por isso. Vou recuperar minha posição e não importa o que eu precise fazer para isso!
Diana estava fervendo de raiva, sua vontade era dar um tapa na cara do Nott. Estava se controlando pois era filha do professor de Poções e no fim sabia que se ela fizesse qualquer coisa, poderia acabar refletindo no pai. A sonserina não se importava com xingamentos e ameaças, mas se ele tocasse em um pelo do Black a ruiva iria ficar possessa. O pobrezinho já havia sofrido demais para ter um babaca na cola dele, mas novamente ela não conseguiu se defender sozinha.
Anne, por outro lado, não foi capaz de conter sua fúria; pulou no garoto e o derrubou no chão, caindo por cima dele, porém ela logo sentou-se com uma perna de cada lado de seu corpo, prendendo-o.
— Eu deveria partir seu rostinho em mil pedaços, mas ser suspensa por culpa de um verme como você não está nos meus planos, então escute bem o que eu digo. — ela encarou-o, os olhos arregalados, mostrando que não estava para brincadeiras (ou era isso o que ela queria que ele pensasse — Minha mãe está em Azkaban, porém continua tendo bastante influência aqui fora. Quando contar a seu pai que foi subjugado por um cãozinho, aproveite e diga a ele que Bellatrix mandou lembranças. — um sorriso cruel tomou conta de sua expressão ao notar o olhar assustado do jovem; seu blefe havia funcionado. Ela levantou-se e limpou as mãos, virando-se para Di e piscando para ela, o sorriso em sua face se tornando travesso.
Assim que Anne levantou, Nott se levantou em um pulo, parecendo mais pálido que o normal e saiu correndo dali, fazendo com que Di balançasse a cabeça negativamente, sabia que ele não iria deixar barato. Ele iria se vingar e a ruiva teria que ficar atenta a isso.
Pouco a pouco os alunos que ainda estavam reunidos ali para ver a confusão foram indo em direção ao castelo, sobrando apenas o sexteto, que começou a andar também em direção ao vestiário, pois o trio sonserino tinha que trocar de roupa. Chegando perto de lá, eles viram os integrantes do time de Hufflepuff saindo já com as vestes normais, obviamente ainda comemorando a vitória, o que fez Diana ficar novamente triste e abaixar a cabeça. Anne caminhava ao lado de Hermione e parou ao ver o time que os havia derrotado. Os dois batedores, quintanistas, sorriram para ela de forma amigável, ao que ela respondeu da mesma maneira, porém ergueu a sobrancelha ao ver o apanhador do time, Cedrico Diggory, aproximar-se de sua irmã de coração e tocar seu ombro com gentileza.
— Parabéns pelo jogo, Snape. Você foi muito bem. Achei que eu não conseguiria alcançá-la! — falou ele, também sorrindo e com um tom extremamente amistoso.
A jovem olhou para ele surpresa, com certeza era a última coisa que ela esperava ouvir.
— O.. obrigada... — disse ela sentindo suas bochechas esquentarem por conta do elogio que acabara de receber. A ruiva encarou o apanhador mais velho, que estava com um sorriso torto, fazendo-a perceber o quanto ele era lindo e é claro que com esse pensamento sabia que estava parecendo um pimentão de tão vermelha que havia ficado.
Diggory riu levemente e falou:
— Acho que o novo batedor do time de Slytherin é um tanto ruim de mira, sei que se não fosse por isso, o resultado seria outro. — o garoto parou por alguns instantes e levou uma das mãos ao queixo em uma posição pensativa — Acho que com essa vassoura perfeita você até poderia ter passado ilesa! Se quiser posso te mostrar alguns movimentos de desvio que não afetam o seu caminho ao pomo! Andei estudando alguns e acho que seria útil para você. — disse ele, o sorriso voltando ao seu rosto.
Um muxoxo foi ouvido e Draco passou por eles pisando fundo na direção do vestiário, sem olhar para trás, o que fez a sonserina olhar rapidamente na direção dele, estranhando sua reação antes de se virar novamente para Cedrico com um sorriso, decidindo que perguntaria o que houve com seu melhor amigo depois.
— Quero sim! — respondeu a menina prontamente à oferta, afinal seria ótimo ter algumas dicas para melhorar seu desenvolvimento como apanhadora. Assim dificilmente os outros do time não teriam motivos para expulsá-la do quadribol. — Muito obrigada Diggory!
O garoto assentiu e deu um tapinha no ombro dela antes de se despedir e sair dali com os companheiros de time. Anne apressou-se para ficar ao lado da irmã de coração com um sorriso largo.
— Mandou bem, sis! O Diggory é um ótimo jogador e com certeza vai ser de grande ajuda! — exclamou animada, porém franziu a testa — Mas acho que o Draco não gostou muito.
Diana concordou com sua irmã, assentindo com a cabeça. Ela voltou seu olhar para o vestiário e franziu a testa em confusão, tentando entender o que aconteceu.
— Acho que é por que ele me ensinou a jogar quadribol quando a gente era criança... — disse a menina pensativa, lembrando daqueles dias em que ela passava horas e horas na mansão Malfoy com Draco, aprontando, obviamente. Ela começou a rir ao se lembrar de algo, recebendo um olhar de confusão da irmã de coração.
— Devo perguntar? — brincou a morena fingindo uma expressão preocupada.
— Ah... A gente quebrou umas janelas da mansão uma vez... ou duas... — respondeu a ruiva com uma risada um tanto envergonhada. — Tio Lucius não ficou muito feliz aquele dia…
Por alguns instantes Anne sentiu o coração apertado por conta das lembranças não muito boas de sua própria infância, mas logo sacudiu a cabeça negativamente, espantando esses pensamentos e agarrou o braço da irmã de coração.
— Vamos nos trocar e pegar nosso amigo! — disse animadamente e virou a cabeça para os três que ficaram, piscando para eles e arrastando Di para o vestiário.
Elas entraram e perceberam que praticamente todo o time já tinha se trocado e ido para o castelo, só estavam elas e Draco, que estava no chuveiro ainda.
— Vai indo na frente... Eu vou esperar o Draco, antes que ele suma. — disse Di para sua irmã, que assentiu e foi para o banheiro das meninas, não sem antes pegar sua bolsa com suas roupas e produtos para o banho.
Di suspirou e se sentou à espera do seu amigo de infância. Começou a repassar a situação na sua cabeça, tentando entender o motivo da braveza. Era só porque ela iria pegar dicas com outra pessoa, ou era outra coisa? Afinal, como ela se sentiria se ele pegasse dicas de poções com outra pessoa? A esse pensamento fez uma careta, obviamente não iria gostar também. Mas se fosse além de pegar dicas de quadribol... Seus pensamentos não passaram disso pois foram interrompidos pela saída do loiro do banheiro. O mesmo estava secando o cabelo com uma toalha, mas parou quando a viu parada ali. Os olhos azuis do garoto se estreitaram e ele tentou colocar no rosto uma expressão indiferente, porém não conseguiu, assim como não conseguiu disfarçar uma pontinha de tristeza quando disse sem conseguir encará-la:
— Achei que iria treinar com Diggory.
— Vou pegar umas dicas com ele sim... Preciso melhorar para continuar a ser apanhadora… — disse a menina devagar olhando para ele, vendo que sua expressão ficou mais fechada com sua fala e se aproximou dele, pegando sua mão, o que o fez a olhar e ela notou seu olhar triste. — Você realmente está tão chateado por causa disso?
O garoto respirou fundo, as bochechas corando um pouco e um olhar envergonhado se formou em sua expressão. Ele desviou os olhos e assentiu.
— Fiquei com medo de você preferir treinar com ele. — admitiu em voz baixa, o tom extremamente embaraçado.
A ruiva sorriu para ele.
— Drake... Você ta sendo bobo. — disse ela dando um beijo em seu rosto e o abraçando. — Nunca vou trocar meu melhor amigo, por ninguém.
Ela o sentiu retribuir o abraço e, quando se separaram, Draco parecia ter voltado a ser ele mesmo, exceto pela fragilidade que não conseguia esconder em seu olhar
— Promete? — perguntou ele.
- Sempre! — respondeu ela dando uma piscada para ele.
O garoto sorriu, visivelmente mais relaxado e uma expressão determinada apareceu em seu rosto.
— Você já é uma ótima apanhadora, Di. Acho que com a ajuda do Diggory você vai ser melhor que uma profissional!
— Para Drake!! Sou muito nova pra ser melhor que os profissionais. — disse ela rindo, ficando feliz que seu amigo estava de volta ao normal. Então ela disse que já voltava, tinha que ir se trocar também, avisando também que o restante do grupo estava lá fora esperando por eles.
O fresco novembro deu lugar a um dezembro bastante gelado e não demorou que a neve começasse a cair, para a felicidade do sexteto, afinal isso significava que além de as férias de inverno estarem se aproximando, era chegada a época de guerras de bola de neve. Anne conseguira convencer Hermione de participar junto com eles, uma vez que a Grifinória sempre relutava em se juntar aos garotos, mas não fora capaz de resistir à expressão pidona da Sonserina e, ainda que não admitisse, acabou gostando muito.
A alegria não poderia ser maior quando a nova data para visitar Hogsmeade foi marcada. Nenhum dos seis integrantes parecia lembrar-se de Sirius Black até que, na sexta-feira que antecedeu a visita, o professor Snape chamou a filha para uma conversa em seu escritório após o jantar. Assim que estavam a sós, o homem encarou a filha com seriedade e falou:
— Não acho prudente que Potter vá nessa nova visita, não depois do que aconteceu na noite das bruxas. Se você ficar para trás dessa vez, não permitirei sua ida. — falou ele sem dar espaço para questionamentos.
A garota assentiu com a cabeça, fazendo um leve careta. Sabia que quando seu pai falava sério, não tinha como mudar sua mente.
No momento em que ela se encontrou com seus amigos, passou para eles a informação que seu pai não iria acobertar mais uma ida de Harry a Hogsmeade.
O garoto concordou, mas tinha um sorrisinho de quem aprontou/iria aprontar estampado no rosto, logo dizendo em tom zombeteiro que a capa de invisibilidade seria útil de qualquer modo. Hermione pareceu ficar apreensiva, porém não disse nada, afinal sabia que estava em minoria ali e não adiantaria discutir. Anne notou isso e apertou seu ombro de maneira carinhosa, dizendo que nada de ruim aconteceria, ao que Di assentiu, afinal tinha o mesmo pensamento que a irmã de coração: Sirius Black não estava atrás de Potter para lhe fazer mal.
Chegado o dia, os seis estavam no pátio. Tinha caído uma nevasca forte na noite anterior, e no dia seguinte estava tudo com neve fresca. Diana olhou para Harry, preocupada, assim iria ficar difícil ele passar despercebido.
Todos se entreolharam e Anne externou exatamente o que Di pensara: não seria possível saírem com ele dali sem que alguém notasse. O garoto suspirou resignado e levantou, uma expressão emburrada no rosto e Hermione se ofereceu para ficar na escola também, porém Potter negou com veemência, dizendo que não era culpa de nenhum deles e que provavelmente ficaria na biblioteca. Após alguns instantes de hesitação o quinteto finalmente decidiu sair dali. Quando alcançaram os portões, olharam para trás e enxergaram o momento exato que os gêmeos Weasley puxavam o moreno pelos braços para dentro do castelo novamente. A ruiva balançou a cabeça negativamente, tendo a certeza de que trombariam com o amigo no vilarejo, afinal Fred e George certamente fariam algum milagre.
Eles caminhavam em silêncio, todos sentindo falta de seu companheiro e na esperança de que os ruivos conseguissem ajudar Harry.
Estavam no meio do caminho quando escutaram um latido e se viraram, notando Black correndo na direção deles. Di se abaixou e abraçou o cachorro quando ele se aproximou o suficiente. Com os humores um pouco melhores, o grupo se aproximou das lojas.
Visitaram a Zonko's e gastaram algumas moedas em logros (menos Hermione, que apenas balançava a cabeça), depois foram à Dervixes e Bangues para olharem alguns artigos bruxos como onióculos e bisbilhoscópios, porém ali não gastaram nada. Em seguida foram à loja de penas especiais, Escribas, na qual as garotas acabaram por comprar algumas pernas decoradas e por fim chegaram à Dedosdemel, de onde saíram novamente com os bolsos abarrotados de doces e alguns agrados para Black. Saindo de lá, o grupo decidiu (após grande insistência da parte de Anne) se aproximar da Casa dos Gritos, porém acabaram por encontrar ali as três pessoas que menos queriam ver: Nott, Crabbe e Goyle.
Diana já se preparou psicologicamente para os comentários rudes e malcriados. Mas dessa vez foi desnecessário, pois pareceu que Black reconheceu os sonserinos irritantes, uma vez que começou a latir e rosnar. O que fez com que o trio infame se assustasse, olhando aterrorizados para o cachorro que começou a correr na direção deles. Os garotos rapidamente saíram apressados dali, nem tendo tempo de provocar nenhum dos outros cinco presentes.
Logo o cão retornou abanando o rabo, arrancando risadas do quinteto e uma voz, aparentemente do nada, perguntou:
— Eles não são muito corajosos, não é?
Nenhum deles se assustou, afinal era esperado que Harry aparecesse ali.
— Pensei que não viria mais, Potter. — Anne zombou e o garoto se materializou ali, rindo e guardando a capa de invisibilidade no bolso.
— Vocês não vão acreditar no que Fred e George me deram! — exclamou ele animado e tirou do bolso o que parecia ser um pedaço velho e amarrotado de pergaminho. Di franziu o cenho, estranhando a animação dele por apenas um pedaço de papel.
— O que é isso? — ela questionou curiosa, ao que ele apenas sorriu, puxando a varinha do bolso.
— Eu juro solenemente não fazer nada de bom! — ele disse e deu um tapinha no pergaminho com a varinha, fazendo com que seus amigos se entreolhassem. Eles se aproximaram, e começaram a ver algumas linhas se formando no pergaminho, enquanto Black parecia estar sorrindo de orelha a orelha. (o que certamente era impossível, afinal cães não sorriam, certo?)
— Os senhores Aluado, Rabicho, Amofadinhas e Pontas... — Di começou a ler e Anne terminou:
— Apresentam o Mapa do Maroto! — disse ela com uma exclamação, eles escutaram Black latir animado.
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