Era uma van amassada, com marcas de bala de um pouco com queimaduras. A van era grande, sendo que todos os mercenários estavam dentro. Sniper dirigia com Miss Pauling ao seu lado, enquanto os outros estavam sentados em bancos na parte de trás. A assistente olhava um GPS, que estava instalado no painel da van, mostrando um caminho a ser seguido.

– Porque você nunca disse que a Administradora estava vigiando a Anya? — perguntou Scout.

Miss Pauling olhou para trás e voltou para a frente.

– A Administradora queria manter em segredo — disse Pauling — Ela sabia que se você descobrisse, iria quer ir atrás dela.

– Mas a Anya sabe disso? — perguntou Heavy.

– Ela nem desconfia — disse Pauling.

– Isso é espionagem — disse Spy.

Todos olharam para ele.

– O que? — perguntou Spy.

– Que ironia você falar isso, companheiro — disse Sniper, ainda dirigindo.

– Na verdade, foi engraçado — disse Demoman.

Spy pensou um pouco e entendeu.

– Ah... Entendi agora — disse Spy — E não, isso não é engraçado.

– Já chegamos? — perguntou Soldier.

– Ainda não, Soldier — disse Sniper, ainda dirigindo — Já é a 4ª vez que você pergunta isso, apenas hoje.

– Eu vou avisar quando chegarmos — disse Pauling.

– Tudo bem — disse Soldier.

Ficou um silêncio.

– Já chegamos, Miss Pauling? — perguntou Soldier.

Alguns suspiraram. Pauling olhou para o GPS e percebeu que eles estavam perto do ponto.

– Estamos chegando perto — disse Pauling.

– Ok — disse Sniper — Se segurem!

Sniper freou bruscamente e todos que estavam na parte de trás, foram jogados rudemente para a frente. Sniper e Miss Pauling olham para trás e perceberam a maioria no chão.

– Chegamos! — disse Pauling, rindo.

– Eu disse para se segurarem — disse Sniper.

– Obrigado pelo aviso — disse Engineer — Estamos só olhando o chão.

Eles foram saindo da van e perceberam que pararam em frente a um mercado, onde havia uma pequena cidade atrás. O mercado era uma grande casa, que já estava quase se quebrando e havia uma grande placa no topo da casa.

– O Único Mercado da Parte Do Meio De Badlands — leu Medic.

– Que tipo de mercado é esse? — perguntou Demoman.

– O único mercado dessa parte de Badlands, amigo — disse Scout — Tem certeza de que a Anya está aqui?

– Ela foi vista a pouco tempo aqui — disse Pauling — Talvez alguém aqui possa a reconhecer.

Eles entraram no mercado. Tinha um cheio de mofo, sendo que as prateleiras eram cheias de produtos, de todos os tipos. O lugar era comprido e do lado da porta havia um balcão de madeira, onde estava um homem gordo, baixo e com um comprido bigode.

– Olá — disse o homem — Bem vindos ao mercado de Wappet.

– Wappet? — perguntou Medic — Não era o único mercado da parte do meio de Badlands?

– Aquele é nosso antigo nome — disse o homem — Mas ainda não conseguimos mudar nossa placa. No que eu posso ajudar?

– Nós é que fazemos as perguntas por aqui, homem! — gritou Soldier — Você viu uma garota tímida, de cabelos laranjas e levando uma shotgun?

O homem ficou assustado e Miss Pauling puxou Soldier para trás. Scout foi até o homem.

– Desculpe o comportamento do meu colega, amigo — disse Scout.

– Tudo bem — disse o homem — Já vi coisas muito piores.

– Ele me chamou de coisa? — perguntou Soldier.

– Precisamos de uma ajuda — disse Scout.

Miss Pauling tirou uma foto de Anya do bolso e deu a Scout, dando ao homem.

– Você viu essa garota? — perguntou Scout.

O homem pegou a foto e olhou por um bom tempo.

– Sim, eu já vi ela — disse o homem — Ela tem uma conta aqui e vem todo mês para as compras do mês. Aliás, pelo o que eu me lembro, ela entrou aqui não faz muito e não saiu ainda.

– Quer dizer que ela ainda está aqui? — perguntou Sniper.

– Eu acho que sim — disse o homem. Ele tira um pesado livro de dentro do balcão e coloca em cima, o abrindo e procurando algo — Sim, ela chegou não faz muito, porque pelos meus registros, ela chegou mas ainda não fechou a conta do mês.

Enquanto eles conversavam, Anya sai do meio das prateleiras, indo para o caixa e levando uma cesta de madeira cheia de comida. Ela pára ao perceber as várias pessoas no caixa e percebe que é o time RED. Como eles não a viram, a garota volta para dentro do mercado.

– Nós podemos entrar lá e a procurar? — perguntou Spy.

– Mas é claro, desde que um de vocês fique aqui — disse o homem.

– Podem ir — disse Pauling — Eu fico aqui e não assustem ela. Não sabemos se ela mudou algo.

– Qual é? — perguntou Scout — Ela é a Anya! Ela é uma parte de todos nós. Ela não pode ter simplesmente mudado!

A equipe vai entrando no mercado, se espalhando. Anya percebe que não há outra saída, então joga a cesta no chão e pula em um duto de ventilação que estava aberto. A equipe vai revirando o lugar e Heavy encontra a cesta de madeira com comida dentro, enquanto Demoman vai pegando algumas garrafas de cerveja e as bebe. Passado algum tempo, Scout percebe que há algo errado.

– Ei! Scout! — gritou Heavy — Eu encontrei uma cesta caída no chão que parece ter sido ela que pegou, mas sem sinal dela!

– Já reviramos esse lugar umas três vezes! — disse Engineer.

– Não, ela está aqui sim — disse Scout — Ela só está escondida. Preciso saber pensar como ela.

Ele pensa um pouco e olha para o duto de ventilação. Scout pula no duto e vai andando um pouco, encontrando Anya encolhida no final do duto, ao lado de uma grade.

– Anya? — perguntou Scout. A garota olha para ele — É você mesmo? Nossa! Você...

Anya abre a grade e pula do duto, parando no meio da loja. Todos os mercenários olham para ela.

– É a Anya — disse Sniper.

– Segurem ela! — gritou Scout, de dentro do duto — Ela quer fugir!

Do nada, todos começam a perseguir Anya. A garota, acabou sendo mais rápida e derruba os mercenários, fazendo vários golpes. Ela derruba Soldier e Demoman, agarra Spy pelo braço e o joga na parede, faz Engineer ficar tonto e ele cai no chão, prende Medic prendendo sua manga com uma faca na parede e ela só pára quando Heavy a segura.

– Me larga seu gordo! — disse Anya, se debatendo.

– De você eu aceito isso — disse Heavy — Eu não aceito do Spy.

– Sério? — perguntou Spy, tonto.

Anya se debate mais um pouco e tem uma ideia.

– Olha, aquilo é um sanduíche? — perguntou Anya.

– Onde? — perguntou Heavy.

Anya pisa no pé de Heavy e sai correndo, enquanto o mercenário cai no chão, gritando de dor. A garota iria chegar perto da saída, mas Pyro apareceu e ficou na frente dela, a olhando por um bom tempo. Anya não se mexeu mais.

– Pyro... — disse Anya.

Ele continua a olhar e do nada, a abraça. Anya, sem reação, suspira e abraça também o mercenário. A equipe se recupera, vão se levantando e viram o abraço de Anya e Pyro. Scout desceu do duto, enquanto Anya olhava para os mercenários.

– Está mais calma agora? Não vai fugir? — perguntou Scout. Ele a examinou, vendo como ela estava diferente — Nossa! Anya! Você está... Você linda! Quero dizer... Diferente!

– É claro — disse Anya — Eu não sou mais aquela menina indefesa. Pensou o que? Que eu ia precisar da sua ajuda para me defender para sempre?

– Nossa, ela mudou mesmo — disse Medic, puxando a faca.

– Ei, calma! — disse Scout — Só queremos conversar.

– O que vocês querem? — perguntou Anya.

Passos foram ouvidos. Miss Pauling e o homem entraram correndo no lugar.

– Mas que bagunça é essa? — perguntou o homem — O que vocês fizeram?

Anya viu quem estava com o homem.

– Miss Pauling? — perguntou Anya.

– Oi Anya — disse Pauling — Hã... Nos desculpe por tudo isso. Eu disse para eles não te assustarem.

– Isso não foi me assustar — disse Anya.

– Nós... Nós podemos conversar? — perguntou Pauling — Lá fora?

Anya riu, foi até Medic e puxou a faca que prendia sua manga, fazendo o homem cair no chão.

– Claro — disse Anya.

– Espera! — disse o homem — Você precisa me pagar os danos feitos na loja!

– Mas...

– Calma ai — disse Scout — Miss Pauling, nós não precisamos comprar comida para a viagem?

Ele piscou para a assistente que entendeu a mensagem.

– Ah! Sim! Sim — disse Pauling — Por favor senhor, nosso estoque está acabando. Você poderia juntar muita comida para 11 pessoas? Nós podemos pagar quanto for.

– Mas, se for assim! — disse o homem, rindo — Vou fazer o mais rápido possível e você garota... Foi um prazer te ver novamente.

– O prazer é meu senhor — disse Anya, rindo.

O homem levou Miss Pauling para olhar as prateleiras, enquanto a equipe saía da loja. Scout observa novamente Anya, que estava completamente diferente de um ano atrás. Spy observa as novas armas que a garota tinha no cinto.

– Isso são facas? — perguntou Spy.

– Sim — disse Anya.

– Você aprendeu a mexer com facas? — perguntou Spy.

– Aprendi com alguns piratas — disse Anya.

– Piratas? — perguntou Spy — Passei a parte da minha vida em um campo de batalha, aprendendo sem professores e você aprendeu com piratas?

– Nós aprendemos coisas com as pessoas mais estranhas — disse Anya, rindo.

Miss Pauling, Heavy e Demoman saíram do mercado levando várias caixas. Engineer abre a porta de trás da van e eles colocam as caixas na parte de trás da van.

– Bom, acabamos por aqui — disse Pauling — Quem precisar ir no banheiro, essa é a hora.

Soldier sai correndo para dentro do mercado, enquanto a equipe vai entrando na van. E... A van já estava na estrada novamente, com Sniper dirigindo e Miss Pauling ao seu lado. A maioria dos mercenários estava dormindo, enquanto Anya estava sentada em um canto, pensando. Scout olha para ela, feliz que havia a encontrado novamente. E... Era noite. A equipe resolveu parar uma vez na viagem, onde haviam feito uma fogueira e Demoman misturava coisas em uma panela perto da van. Eles todos estavam em volta da fogueira quando Demoman começou a distribuir potes com um líquido fervendo dentro.

– Hã... Me diz, o que tem aqui dentro? — perguntou Engineer.

– Sopa de atum, com vinagre e meu tempero especial, rum — disse Demoman.

– Acho que eu prefiro passar fome a tomar isso — disse Spy, enjoado.

Soldier tomou toda a sopa.

– Vocês não sabem o que estão perdendo! — disse Soldier. Ele olha para Heavy — Você vai tomar o seu?

Heavy deu o prato a Soldier.

– Toma até estourar — disse Heavy.

– Demoman, se isso for o seu cozinhar, acho melhor chamarmos o antigo cozinheiro — disse Pauling.

– Não se preocupe, Miss Pauling — disse Demoman — A Administradora vai ficar totalmente surpresa com a minha comida.

– Isso não duvido — disse Medic — Hã... Você lavou o atum antes de o transformar em uma sopa?

Anya cheira a sopa e a coloca no chão. Ela observa os mercenários, onde alguns tomavam a sopa e outros apenas a olhavam.

– Engineer? — perguntou Anya. Ele olha para a garota — Será que você podia tocar uma de suas músicas?

– É... É sério? — perguntou Engineer.

– É claro — disse Anya — Eu senti falta.

– Então eu vou pegar o meu violão! — disse Engineer, animado.

Engineer larga o pote no chão e corre para a van, para procurar o violão. Scout larga o pote no chão e vai andando até o lado de Anya, tentando se aproximar dela.

– Nem tente, Scout! — disse Anya.

– Ah, Anya! — disse Scout — Vamos lá! Eu sei que você gosta de mim!

– Ele falou para mim a mesma coisa antes de eu o bater com a prancheta — disse Pauling.

Alguns riram.

– Sim, eu gostava de você — disse Anya — Eu gostava de você antes de perceber o quão arrogante e rude você é.

– Nossa! — disse Heavy — Você podia ter dormido sem ouvir essa!

– Silêncio, cabeçudo! — disse Scout.

– Como é? — perguntou Heavy.

– Deixa eles, Heavy — disse Medic.

– Olha... É claro que tivemos problemas, como... — disse Scout — Como... O fato de quando derrotamos o Gray, invés de você ficar com a gente, você foi embora!

– Eu não podia ficar! — disse Anya — Eu tinha que terminar um assunto!

– E você terminou? — perguntou Medic.

– Talvez sim, talvez não, ainda não sei — disse Anya — Mas, isso leva a minha primeira pergunta. A que eu fiz no mercado e vocês não responderam... O que vocês fazem por aqui e me procurando?

A equipe se olhou, quando Engineer, animado, chega com o violão e senta novamente no círculo da equipe, olhando todos.

– Algo me diz que a comida do Demoman está fazendo seus efeitos agora — disse Engineer.

A equipe se olha novamente.

– Anya... — disse Pauling — Não queríamos chegar a fazer isso...

– Mas eu queria! — disse Scout — Eu queria te ver novamente.

Miss Pauling olha feio para Scout, que abaixa o olhar.

– Continue Miss Pauling — disse Anya.

– Bom... — disse Pauling — Você não percebeu que Badlands está cercada?

– Sim, mas eu pensei que havia sido algum ato do Redmond e Blutarch para proteger as terras deles — disse Anya.

– Ele está de volta — disse Pauling.

– Quem? — perguntou Anya.

– Gray Mann — disse Spy — Ele está de volta.

– Foi ele que cercou Badlands — disse Heavy — Usando os antigos tanques que ele levava os robôs para as cidades.

– O que? — perguntou Anya, surpresa — Porque?

– Ele quer vingança — disse Medic — Ele quer vingança de todo o time RED... E de você.

– E precisamos da sua ajuda — disse Demoman.

– Precisamos saber o que ele está armando e dar um jeito de libertar Badlands — disse Pauling.

Anya suspirou.

– E porque eu deveria ajudar vocês? — perguntou Anya — Ele quer vingança de mim, mas eu podia muito bem sair de Badlands sem ele perceber.

– Iria nos abandonar? — perguntou Scout.

– Depois de tudo... Poderia sim — disse Anya — Me digam, que razão eu tenho para ajudar vocês? Pelo o que eu me lembro, os únicos que me ajudaram foram a Miss Pauling, o Scout e o Pyro. Todos os outros estavam ao lado do Soldier, enquanto eu tentava me esconder do Gray, tentar ser livre... Então, que razão eu tenho para ajudar vocês se nem mesmo vocês puderam me ajudar?

Todos ficaram em silêncio.

– Porque não somos só nós que queremos ajuda — disse Soldier. Todos olharam para ele — É toda Badlands. Gray ameaçou matar todos de Teufort se fizemos alguma bobagem. Anya, sei que fui injusto com você, mas isso não é motivo para você ignorar o pedido de ajuda dos cidadãos de Badlands, porque... Agora você é um deles.

Assim que Soldier terminou, eles olharam para Anya. Ela parou e pensou.

– Bem... Soldier está certo — disse Anya — Eu preciso proteger minha terra. Eu vou com vocês.

A equipe comemorou e Anya olhou para Scout. Os dois trocaram olhares enquanto a equipe comemorava.

– Bom, vamos agora celebrar uma coisa boa — disse Engineer — Anya está de volta, então eu vou começar a tocar.

Engineer começa a tocar a música no violão.

Continua...