Trilogia Badlands - O Útimo Inimigo
4 O plano de ação
A van continuava na estrada. Pyro e Anya estavam dormindo no banco de atrás, com a garota deitada no ombro do mercenário e suas ataduras estavam já ficando vermelhas. Scout olha para trás, observando os dois e volta novamente para a frente.
– Que vida incrível nós temos — disse Scout.
– Eu diria que melhor é impossível — disse Sniper.
Ambos riram, se lembrando de tudo o que já haviam passado nesses anos como mercenários.
– Eu lembro quando Miss Pauling me chamou para fazer o teste para entrar no RED — disse Scout — Quando eu estava indo fazer o teste, eu fiz a primeira cantada para ela. Depois, eu sai com um olho roxo e um emprego.
Sniper riu junto com Scout.
– Sim e depois você fez a cantada quando todos estávamos no refeitório, ninguém se conhecia e a Miss Pauling te deu outro soco — Sniper olha pelo espelho retrovisor, vendo Anya e Pyro — Medic teve que usar pela primeira vez a arma médica, sem ser no campo de batalha.
– Verdade — disse Scout.
Eles não paravam de rir, relembrando sobre coisas, desde que chegaram no RED.
– O que eu fiz com a minha vida? — perguntou Scout.
– Você usou seu dom para ter um emprego que te paga bem e agora namora a sobrinha do nosso chefe — disse Sniper — De ambos os chefes.
– Na verdade, não é muito bem — disse Scout — Eles teriam que pagar em dobro por tudo o que a gente passa, contando os tiros, as mortes e as viagens de cidades em cidades a cada mês.
– Ei, sou eu que dirijo a cada mês — disse Sniper — Você só fica no banco de trás com a Anya enquanto o Soldier e o Demoman ficam roncando.
Scout riu, lembrando da viagem de Gravel Pit até Pipeline, quando Soldier e Demoman ficaram encarregados de colocar as caixas de mudanças para o caminhão e acabaram espalhando mais da metade dos objetos dos mercenários quando as caixas caíram. Heavy e Spy nunca tinham perdoado os dois por isso. A van começa a desacelerar quando Sniper vira em uma rua, entrando no estacionamento de Pipeline.
– Chegamos. Leva a Anya para a enfermaria, enquanto eu e o Pyro vamos falar com a Miss Pauling.
Sniper estaciona a van e sai, enquanto Scout desce do automóvel, abre a porta do passageiro, vendo Pyro já acordado e Anya ainda dormindo. Scout pega Anya nos braços, deixando Pyro sair da van e Sniper abre a porta para a base, onde os mercenários vão se espalhando pelo lugar. Scout já estava perto da enfermaria quando Anya acorda com a dor do ombro.
– Calma ai, amor.
– Já chegamos? — ela estava sonolenta.
– Sim, estamos na base. Vou te levar para a enfermaria para o Medic curar esse tiro.
– Mas... E o Maykon?
– Acho que agora é mais importante você se cuidar. Depois nós vemos o que iremos fazer.
Sniper e Pyro entram correndo no escritório de Miss Pauling, enquanto a assistente escrevia algo nos papéis e não notou a presença dos mercenários. Sniper soca a mesa de Miss Pauling, que percebe os dois e se assusta.
– Ela conhecia — disse Sniper.
– Quem conhecia o que? — perguntou Pauling.
– A Anya conhecia o Ivan. Foi ela quem matou o pai dele.
Miss Pauling colocou as mãos na cabeça e suspirou. Ele entendeu que a assistente estava desapontada, porque Anya havia escondido isso de todos, incluindo seu namorado e sua melhor amiga.
– E quem era o pai dele? — perguntou Pauling.
– Stefan Kovaski — disse Sniper — Mas tem mais...
– Já não bastava isso, ainda tem mais? — perguntou Pauling.
– De acordo com a Anya, esse tal Stefan estava dominando Dustbowl, sem que Redmond ou Blutarch soubessem — disse Sniper.
– Dominando Dustbowl? — ela parou e pensou — Pyro, vai atrás da Anya e descobre mais sobre esse domínio em Dustbowl. Sniper, nós vamos atrás da Administradora.
E... Miss Pauling vai puxando Sniper pelo colete pelo mesmo corredor que Anya havia passado alguns dias atrás.
– Você ainda acha que precisa me puxar para me levar até a sala? — perguntou Sniper.
– Você tentou fugir quando estávamos subindo as escadas — disse Pauling — Confiança é algo que eu não tenho mais em você, até que nós possamos falar com a Administradora.
Eles chegam em frente a uma porta e Miss Pauling digita algo, rapidamente, no pequeno painel que há ao lado. A porta se abre, vendo que a Administradora não estava na sala e todos os monitores estavam ligados, vigiando várias partes da base e outros vigiando partes diferentes de Badlands. Ambos vão entrando, lentamente, parecendo que estavam sozinhos.
– Hã... Administradora? Você está ai?
Enquanto Miss Pauling foi olhar os outros cômodos do lugar, Sniper vai até os monitores e encontra um pequeno envelope destinado a Miss Pauling e Anya.
– Miss Pauling! Aqui!
A assistente veio correndo e viu o envelope. Após o examinar, ela o abre vendo que havia uma pequena carta e outro papel dobrado que Sniper colocou em cima da mesa.
– “Miss Pauling e Anya, sei que já estarei longe quando lerem esta carta, então leiam com atenção. Vocês precisam sair de Pipeline o mais rápido possível. Agora Ivan está atrás, não apenas da Anya, mas de todo o grupo. Ele sabe que se tiver alguém do RED, Anya vai precisar se entregar e foi isso que ele fez com Maykon. Eu sugiro que vocês viajem até Dustbowl e vão atrás do irmão gêmeo de Maykon, que segundo minhas fontes, possuí uma pequena base com equipes que são contra a posse de Ivan na cidade. Ele se localiza no limite de Dustbowl, perto das montanhas. Rápido, antes que eles tentem invadir a base. Boa sorte, Administradora”.
Assim que Miss Pauling parou de ler a carta, Sniper entregou o outro papel, que era o mapa de Dustbowl, com um X vermelho e gigante em cima de uma das montanhas ao redor da cidade. Do nada, um sinal começou a disparar e ambos olharam para todos os monitores, encontrando os homens de Ivan tentando arrombar o portão da frente da base e Miss Pauling aciona o botão do alarme. Imediatamente, toda a equipe vai pegando as armas e correndo para o saguão principal para a entrada da base.
– Hoje não era nosso dia de folga? — perguntou Soldier.
– Mas é — disse Heavy.
Alguém vinha descendo correndo as escadas, até que um deles caiu e foi escorregando até chegar ao chão. Sniper bateu de cara do chão enquanto Miss Pauling descia, delicadamente, as escadas.
– Eu estou bem — disse Sniper.
– Deus do céu, Sniper — disse Pauling — Se levante, estamos com pressa.
– Eu acabei de cair de uma escada e você está me apressando? — perguntou Sniper.
Miss Pauling ajuda Sniper a se levantar.
– Estamos de folga hoje — disse Soldier.
– O que aconteceu? — perguntou Medic.
– Escutem, estamos sendo invadidos — disse Pauling.
– O que? — perguntou Spy, surpreso — Por quem?
– Aposto que é o BLU! — disse Soldier — Eu vou pegar essas maricas!
Demoman segurou Soldier pelo casaco e ele ficou andando no mesmo lugar.
– Não é o BLU, Soldier — disse Pauling — São os homens do Ivan.
– Eles nos seguiram até aqui? — perguntou Anya — Maldição!
– Eu sinto que vocês sabem de algo que nós não sabemos — disse Engineer — O que é?
– Isso não é hora para explicações — disse Pauling — Temos que fugir, vamos para Dustbowl.
– Dustbowl? — perguntou Scout — Mas não é lá que mora o Ivan?
– Eu explico tudo no caminho, mas precisamos dar um jeito de fugir, sem que eles contem ao Ivan que estamos atrás dele — disse Pauling.
– Quem tem alguma ideia? — perguntou Sniper.
E... Os homens de Ivan começam a atirar no portão, mesmo não dando efeito.
– Pensem em outra coisa! O chefe não vai ficar feliz se voltarmos sem a garota.
Ele começa se abrir lentamente, fazendo que os homens se afastem e mostrando quem estava atrás do portão. Os homens correm até Anya, enquanto uns a seguram pelos braços, outro a soca na barriga, fazendo a garota tossir forte e cair, se não fosse pelos homens a segurando.
– Você tem alguma ideia de quanto tempo nós ficamos procurando essa base? Você matou nosso colega, fugiu e ainda quer sair numa boa?
– Pelo o que parece, eu estou fugindo de vocês, então tem mais sentido eu fugir para me salvar — disse Anya.
O homem se irrita e a soca na cara, enquanto Scout observava tudo da van com a equipe, nervoso. Ele queria matar aquele cara por tudo o que estava fazendo com sua namorada.
– Calma, companheiro — disse Sniper — Você já vai matar ele.
Enquanto os mercenários vão se preparando, o homem que havia socado Anya tira uma seringa do bolso, colocando no pescoço da garota.
– Isso vai fazer você dormir até chegarmos em Dustbowl, que é um longo caminho.
Do nada, um dos homens leva um headshot e cai. Os seus colegas olham para trás e veem Sniper apontando o rifle para eles no teto solar da van, com o resto da equipe fora do veículo.
– Ah, desculpe, companheiro — disse Sniper.
– Larguem a garota, agora — disse Engineer.
Os homens jogam Anya no chão e começam a trocar tiros com os mercenários, enquanto o homem que havia a socado, vai a levando para a van.
– Eles estão levando a Anya! — disse Scout.
– Deixa comigo — disse Spy.
Spy ficou invisível, sem que os homens percebessem e vai indo atrás de Anya. Assim que o homem havia a colocado na van, ele percebe que há alguém atrás dele e leva um backstab. Spy puxa a faca das costas do homem e limpa o sangue do terno.
– Você ensanguentou o meu terno — disse Spy.
Ele vai até Anya, percebendo que a garota estava meio grogue.
– Anya, você consegue me ouvir? — perguntou Spy.
– Pyro? — perguntou Anya, grogue.
Spy riu e colocou o braço de Anya no pescoço.
– Achava que você iria dizer Scout — disse Spy.
Percebendo que Anya já estava a salvo, Scout sinalizou para Demoman, que saiu correndo feito louco, soltando stickybombs por tudo. E quando os homens tentaram fugir, tudo explodiu e todos morreram. Scout correu até Anya e Spy.
– Anya? Anya, fala comigo — disse Scout.
– Ela está sedada — disse Spy — Não vai acordar tão cedo.
– Aquele maldito machucou ela? — perguntou Scout.
Medic olhou para o rosto da garota.
– Não, ela está bem — disse Medic. Ele pegou a seringa do chão e a cheirou — Sedativo comum, não muito forte, mas eu acho que ela vai demorar para acordar.
– Quanto tempo você acha? — perguntou Pauling.
– Uma ou duas horas — disse Medic — No máximo.
– Bom, temos um longo caminho até Dustbowl — disse Sniper — Vamos indo, companheiros, recarreguem as armas e vamos.
Scout pega Anya no colo e a equipe vai entrando na van, seguido de Sniper e Miss Pauling, que entram na frente. E... Ela sentia que estava andando, mas não com as pernas. Após conseguir abrir os olhos, Anya observa onde estava, na van do RED, deitada nas pernas de Scout com Pyro dormindo ao seu lado. Já era noite, sendo que sua visão estava um pouco embaçada e tinha dor de cabeça.
– Você acordou.
Ela olha para cima, vendo seu namorado a olhando.
– Acordei? — ela se sentia tonta — Eu nem lembro de ter ido dormir...
– Aquele maldito homem do Ivan te drogou. Você está bem?
– Tonta e com dor de cabeça. Onde estamos?
– Indo em direção de Dustbowl. Miss Pauling explicou tudo e porque estamos indo para lá. Quando chegarmos eu te conto, agora descansa mais um pouco.
Scout a beijou na testa e eles entrelaçaram os dedos, lembrando de um ano atrás, quando eles voltaram a Well e Anya se juntou a equipe. O RED nunca seria o mesmo de antes, com a chegada de uma garota-robô. Enquanto isso, Miss Pauling dirigia a van, com Sniper dormindo ao seu lado no banco do carona, Demoman, Soldier e Heavy dormiam em uma das fileiras dos bancos, igual a Engineer, Medic e Spy em outra fileira. E... Ivan estava no escritório de seu pai, olhando Dustbowl, quase amanhecendo, e fumando, quando ele ouviu alguém entrar na sala.
– Senhor.
– O que foi? — perguntou Ivan — Cadê a garota?
– Os homens que você enviou para a buscar ainda não voltaram. E já faz um bom tempo que você os enviou.
– O que você está insinuando?
– Eu acho que algo aconteceu com eles, senhor.
Ivan suspirou e colocou o cigarro em um cinzeiro, ainda sem se virar para o homem.
– O que você sugere fazer?
– Alguns dos nossos já tentaram ligar para eles, mas sem sucesso, então eu sugiro que você mande outros e cerque a fronteira, assim saberemos quem entra e quem sai.
– Então faça. E é melhor você voltar aqui com boas noticias ou prepare seu caixão.
A porta se fechou atrás de Ivan que pegou novamente seu cigarro do cinzeiro, continuando a olhar para Dustbowl. E... A van chega na fronteira de Dustbowl, com Sniper no volante e Miss Pauling dormindo ao seu lado, na verdade, todos estavam dormindo e estava de dia. Após Sniper estacionar a van perto de rochas, ele observa a fila que havia para entrar em Dustbowl e para sair.
– Gente — disse Sniper. Ele percebeu que todos dormiam — Gente! Pessoal!
Ninguém havia se mexido. Os roncos mais altos eram a cargo de Demoman e Heavy, enquanto o resto da equipe estava dormindo calmamente. Sniper suspirou negativamente e apertou a buzina, fazendo todos acordarem gritando em um salto.
– Meu Deus! — disse Engineer — Qual é o seu problema, seu camper?
– Você podia ter nos matado! — disse Spy.
– Ter matado vocês com a buzina? — perguntou Sniper — Eu não iria acordar cada um de vocês dizendo: Bom dia, companheiro! Se levante e tome o café para irmos para a batalha!
– Seria melhor — disse Soldier.
– Ainda mais com os roncos do Heavy e do Demo — disse Sniper.
– Muito engraçado, mas eu não ronco — disse Demoman.
A equipe olhou para ele, o estranhando.
– O que? — perguntou Demoman.
– Admita logo, cara — disse Heavy — Eu já aprendi a fazer isso.
– Ok, eu sei que estamos todos zangado por o Sniper nos acordar com a buzina, mas parece que chegamos ao limite de Dustbowl — disse Pauling.
Os mercenários olham pela a janela, vendo que os homens de Ivan haviam cercado a fronteira, deixando alguns carros saírem e vários entrarem.
– Precisamos de um motivo para entrarmos lá — disse Scout — Eles não vão nos deixar entrar só porque queremos.
– Ivan já deve ter os avisado quem somos nós — disse Medic — Eles devem estar revisando cada carro que entra em Dustbowl apenas para ver se nós estamos nele.
– Eu tive uma ideia! — disse Engineer — Sniper, tem algo ali nos bancos de trás que não sejam nossas armas e minhas ferramentas?
– Tem as nossas malas, umas lonas que eu uso para proteger os bancos do sol e as tintas para pintar a van, que eu ainda não tive tempo. — disse Sniper.
– Ótimo — disse Engineer — Anya, suas habilidades de se transformar em outra pessoa vão servir agora.
– Entendi, mas o que eu faço? — perguntou Anya.
– Eles estão procurando uma garota ruiva e nove mercenários não é? — perguntou Engineer.
Continua...
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