Tree
1 Catlyn
Aa flores de cerejeira caiam nos jardins do castelo, meu lar. Me aproximei das janelas. Eu podia vê-las caindo mas este ano, não poderia estar lá, entre elas, como estivera todos esses dezenove anos. Esta garota desabrochara em uma rainha, cujo o casamento protegeria os reinos e garantiria o futuro de todos.
A ideia de me casar não me incomodava, nem com um príncipe a que nunca nem vira. Ficar longe de casa doeria um pouco. Uma ou outra lágrima insistia em cair quando pensava em ficar longe de meu pai. Eu poderia superar com o tempo. Mas o fato de que tudo o que eu poderia fazer por meu reino sendo mulher, era entrega-lo aos cuidados de um homem para que tudo ficasse bem, sendo que a ameaça vinha de outro homem, isso eu não poderia superar. Nunca.
Eu não sou uma princesa rebelde. Sempre obedeci a meu pai, que me criou sozinho desde os 3 anos quando minha mãe faleceu sob cirscunstâncias ainda não esclarecidas. Me deixei estar no lugar a que jugalvam serem o de uma princesa. A ser o meu. Eu sou religiosa e sirva a meu senhor. Mas eu sei que estou aqui para servir e não ser servida e é isso o que pretendo fazer.
Nas mais de três horas que minhas criadas, Ella e Lira, passaram entre arrumar meus longos e rebeldes cabelo castanhos com fios de ouro e ajeitando meu vestido que descia reto até a cintura e se abria em camadas de tule branco até quase cobrir meus pés, eu tentei ter uma ideia. Algo que convencesse o príncipe que uma aliança não precisava de um casamento. Quamdo terminaram, eu estava linda e frustrada. Ella, minha mais antiga e queriada criada e amiga, estava preocupada.
— Alteza, alguma coisa errada? — A ansiedade evidente em sua voz.
Me levantei ficando a sua altura, ainda sem meus saltos, e pegando suas mãos nas minhas.
— Eu amei. Não há nada de errado. Eu estou linda como nunca e só tenho a agradecer por todos esses anos. — eu a abraço e ela se desfaz das regras de etiqueta me apertando forte. Dui até Lia, lhe agradecendo também e esta respondeu com uma reverência tímida.
Olhei uma última vez para meu quarto, meu refúgio e confidente de tantos anos mas fui breve, não conseguiria partir se ficasse me lembrando. Coloquei meus sapatos e sai, lhes agradecendo uma ultima vez antes de descer as escadas principais. Meu pai me esperava na entrada entre as pesadas portas de carvalho gravadas com o símbolo do reino, a cachoeira e a cotovia. Ele não tirou os olhos dos meus.
— Você está maravilhosa, Catlyn. — seus olhos brilhavam tristes mas orfulhosos. Ele parecia prestes a chorar mas conseguia manter a pose.
— Pai. — quebro os protocolos como sempre e o abraço que ele retribui sem exitar.
— Você é igualzinha sua mãe. Eu posso vê- la em você.
— Vou orgulha-los. Os dois.
— Nós ja nos orgulhamos, Catlyn. — ele me abraça e uma lágrima teimosa escorre. O percebo limpando uma rapidamente quando nos soltamos.
— Eu virei visitá-lo.
— Sabe que não pode deixar o reino quando bem quiser.
— Virei assim mesmo.
— Estarei esperando com saudades.
Me viro para a porta mas ele me chama uma ultima vez. Faltou seu conselho, ele sempre tem um.
— Sim? — digo ja esperando.
— Não deixe a crueldade do mundo mudar você. — continuo virada. — e tente obedecer seu marido uma vez! — sorri e me viro.
— Não prometo. — e gravo seu sorriso em minha mente.
Toda o caminho até o reino sul tomaria três dias. Uma carruagem me levou junto a duas outras criadas e uma comitiva de guardas, alguns a cavalo, outros a pé, nos cercava. Todos usavam as cores do reino, o azul da cachoeira e o branco da cotovia.
Avançamos cautelosos e paravamos a noite para descansar. Toda vez que eu queria sair um pouco para esticar as pernas e sentir o ar puro da noite, discutia com meu chefe da guarda. Totalmente competente, ele só queria fazer seu trabalho e me proteger mas isso significava um isolamento de tres dias em uma carruagem minúscula. Usei todo esse tempo para pensar e tive uma ou outra ideia, nenhuma realmente plausível e, algumas praticamente impossíveis. Ao final do segundo dia, eu ja estava me entregando e tentando conceber a ideia de ser a rainha de alguém, listando mentalmente as qualidades desse "cargo". O que me deixava curiosa era como seria o príncipe e eu sabia quem tinha essa resposta. Me virei para as criadas, uma a meu lado, a outra, a minha frente.
— Como é o príncipe Kile? — Disse derepente as pegando de surpresa enquanto nossa carruagem chacoalhava com as irregularidades da estrada de terra batida.
Elas me responderam com olhares indecisos e preocupados de quem fora pega e não sabia se realmente podia contar.
— Podem falar, meu pai nunca ficará sabendo, disso podem ter certeza.
Elas ainda pareciam meio incertas e tentando decidir a falar ou se calar quando Emmy, a minha direita, começou.
— Não sabemos muito sobre o príncipe Kile, senhorita, apenas o que nos contam os entregadores dos mercados do sul. Eles dizem que ele é gentil.
— E bonito. — Asha, a minha frente, tomou coragem e disso nos fazendo corar e rir.
— Tenho certeza disso! É tudo o que ouvi! — e nós rimos. — me contem mais por favor!
— Não há muito mais. Eles dizem que de vez enquando aparece na feira acompanhado de guardas e sempre é muito educado com todos.
— Ouvi que as vezes ele cozinha! Uma das mercadoras de frutas uma vez quase caiu de costas quando entrou na cozinha e foi ele quem a ajudou, vestido com avental e tudo!
— Não acredito! — A cada vez o clima entre nós se tornava mais leve e informal e nós nos divertíamos. — Acho que tenho sorte então.
— Muita, com certeza.
— Vai estar muito melho do que com o príncipe do reino do Norte.
Eu ja ouvira falar dele também. Nada muito bom. Seu pai cortara relações com todos nós e se tornara cada vez mais sedento por territórios. Com um reino todo composto de soldados e guerreiros, ele conseguiu, ao longo dos anos, anexar pequenos territórios próximos através da força e violência. A alguns anos seu objetivo tem sido nossas terras e os comerciantes e cidadões que andam pelas estradas fora dos territórios, tem sido atacados. São avisos para nos prepararmos. Ao que dizem, o príncipe Duncan, seu primogênito e único herdeiro, segue pelos mesmos caminhos.
— Ele é terrível. — Emmy me tira de seu devaneio. Como se chama mesmo?
— Duncan.- Eu digo, agora distraída, olhando pela janela. E por causa disso eu percebi a leve movimentação entre as árvores próximas. Tentei me concentrar para ter certeza mas o grito de um de meus guardas foi o alerta.
— ESTAMOS SENDO ATACADOS!
— PROTEJAM A PRINCESA!
No meio dos gritos e a confusão de gente se movendo para todos os lados, vejo minhas criadas encolidas de medo. Sem pensar muito, saio da carruagem para afastar o perigo que eu era delas e me abaixo ao lado da carruagem. Ao chão, um de meus guardas perecia. A espada ainda na mão e a pego pondo-a a frente do corpo como aprendera em minhas aulas de esgrima a gosto de meu pai e mals olhares de seus acessores e ministros.
quando saio, devagar e cautelosa olha para uma colina próxima e acima de nós e frios olhos de um azul esmeralda me encaram. Fico sem reação por alguns segundos com aquela figura alstera. Ele aparentava minha idade mas era mais alto e iponente. A mão sobre o coldre de sua espada repousava calma e segura. Os cabelos negros em contraste aos olhos claros lhe conferiam uma áurea misteriosa e sedutora. Suas roupas, no entanto, não traziam nenhuma cor em específico, o que não ajudava a identifica a região dele e de nossos carrascos. Ele olhava com confiança a toda a cena que se desenrolava abaixo e mesmo tendo claramente me visto, não reagiu. Apenas o esboço de um sorriso suave e desdenhoso surgiu em seu rosto perfeito e quase sem marcas, a não ser por uma pequena cicatriz no canto do olha direito.
Quase me esqueci de onde estava quando ouço alguém se aproximar por tras. Me viro com a espada em punho e as lâminas retinem. Quando ele, um homem bem mais velho, Rosto cansado e roupas sujas, volta sua espada, uso essa brecha para avançar e seguro em seu punho criando uma alavanca com seu corpo e o derrubando. Torço de leve seu punho para que solte a espada. Quando estou dando distância dele sem deixar de encara-lo, sou pega por trás e braços fortes me envolvem me carregando dali. Começo a me debater até perceber as cores azul e branca em seu uniforme.
— Vou tira-la daqui alteza!
— Não! Precisamos salva-las! Elas estão...
— Não sobrou ninguém alteza.
Ele disse aquilo resfolegando com o esforço e claramente tentando manter o controle de seu tom de voz.
— Não, não pode... — Olhei para o lado, para nossa carruagem quando atiraram o corpo das duas para fora. Lágrimas escorreram involuntariamente enquanto ele me colocava no chão ja a uma boa distância. Ainda consegui virar a tempo quando cabelos negros desapareciam pela floresta, junto a seus homens.
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