Notas iniciais
Ora ora, se não é a menina que tem uma fanfic de Glee em andamento / atrasada na postagem, sem falar das one-shots e duas outras originais que estão sendo planejadas, postando uma nova história... rs.
Pois é, cá estou eu, com mais uma “fic” ̶q̶u̶e̶ ̶n̶ã̶o̶ ̶é̶ ̶b̶e̶m̶ ̶u̶m̶a̶ ̶f̶a̶n̶f̶i̶c̶,̶ ̶j̶á̶ ̶q̶u̶e̶ ̶n̶ã̶o̶ ̶é̶ ̶b̶a̶s̶e̶a̶d̶a̶ ̶e̶m̶ ̶n̶a̶d̶a̶,̶ ̶m̶a̶s̶ ̶v̶i̶d̶a̶ ̶q̶u̶e̶ ̶s̶e̶g̶u̶e̶ ̶ que, pra variar, é yuri / yaoi.
Ah, só um adendo: as postagens não serão regularizadas. Posso postar dois capítulos em uma semana, ou nenhum. Por enquanto, não consigo manter uma frequência, mas eu realmente queria postar essa fic, então... É isso.
Espero que gostem ♥

O refrão de “Sugar” do Maroon 5 ecoou pelo quarto, fazendo com que o par de encantadores olhos verdes fossem abertos. Um suspiro escapou pelos lábios da garota que até então dormia tranquilamente. Frustrada, ela esticou o braço, pegando seu celular e atendendo a ligação.

— Que horas são?

— Bom-dia pra você também, Lauren. – respondeu o garoto, zombeteiro. – São seis e meia.

— O quê?! – ela exclamou, olhando para o lado e se lembrando de que seu despertador havia estragado. – Droga, eu me esqueci de colocar o celular pra despertar.

— Imaginei. Estou aqui te esperando há quase dez minutos, se apresse.

— Certo, já estou indo.

Ela encerrou a chamada e correu para o banheiro, tomando um banho rápido e escovando os dentes. Quando saiu, escolheu seu melhor jeans e uma camisa branca curta, porém folgada, com estampa do álbum ARTPOP da Lady Gaga. Por cima, uma jaqueta preta, novinha. Penteou os cabelos loiros e então se olhou no espelho: horrível, teria dito a sua mãe. Ela, no entanto, gostou do que viu. Agora que morava com os tios, podia se vestir de maneira mais descontraída. Seus pais não gostavam nada daquilo, mas pouco importava, afinal, eles quem a tinham colocado para fora de casa. Sentia falta, é verdade, apesar disso, finalmente experimentava algo novo: liberdade.

Desde pequena, fora criada como a “princesinha do papai”, dentro do estereótipo de feminilidade que os familiares esperavam dela e jamais conseguindo se adequar ao mesmo. E, é claro, sendo obrigada a se vestir como uma “boa menina”. Com exceção dos concursos de beleza em que era inscrita, é claro. Odiava tanto aquilo! Ser forçada a ser alguém diferente dela mesma era tão desgastante... De certo modo, podia até dizer que estava feliz em não ser mais obrigada a nada.

Ouviu seu amigo buzinar e se lembrou de que precisava ser rápida. Saiu de casa o mais rápido que pode, sem nem tomar café – compraria algo para comer no colégio, depois – e seguiu até a BMW prateada estacionada do outro lado da rua.

— Finalmente! Achei que me faria esperar pelo resto do dia.

Ela riu.

— Não seja dramático, Ollie. Foram só alguns minutinhos.

— Ah, ‘tá. – ele ironizou. – Minutinhos que pareceram décadas.

Lauren meneou a cabeça, rindo mais. Oliver Anderson era seu melhor amigo há aproximadamente dois anos e meio. Apesar de todas as diferenças, ele a compreendia como ninguém. Tinham uma ligação bastante profunda e isso se originava do fato de ambos terem ajudado um ao outro em seus piores momentos: a de se entenderem como homossexuais e a de se assumirem. Infelizmente, não é nada fácil perceber que não se encaixa na “norma” social, que é diferente e mais ainda, quando sabe que essa sua diferença pode acabar fazendo com que você perca pessoas que até pouco tempo, acreditava que sempre estariam ao seu lado.

— Você ‘tá linda, aliás. – ele elogiou. – Adorei a jaqueta.

— Foi a sua prima que me deu, antes de viajar. O gosto dela para roupas é mesmo incrível.

— Para pessoas também. – sorriu, malicioso. – Não é à toa que ela está caidinha por você.

— Pare de tentar nos juntar, fofo. Não vai rolar. – ela afirmou, revirando os olhos. – Nós apenas brincamos. Nunca vamos ficar de verdade.

— Estarei esperando ansiosamente pelo dia em que poderei dizer: “eu te avisei”. – ele provocou. – Sem falar que eu não desisto dos meus ships, fofa. E vocês duas são meu otp.

Lauren deu de ombros.

— Esse dia nunca vai chegar, mas faça como quiser.

— Ai, não seja tão chata. – disse ele, brincando, enquanto ligava o carro. – Vocês se comem com os olhos sempre que se veem e depois vem negar que se desejam.

— Isso eu nunca neguei. – piscou. – Nós admitimos mutuamente que somos as vadias mais gostosas dessa cidade. Depois de você, é claro.

Ele gargalhou.

— Ninguém me supera, sei disso.

— Jamais. – ela riu junto.

Oliver então deu partida no carro e ligou o rádio. Ao som de uma música que nenhum dos dois conheciam e das próprias vozes e risadas, o tempo passou mais rápido do que imaginavam e logo já estavam parados em frente à escola. Ou melhor, escolas. Tecnicamente, havia duas, uma ao lado da outra, cuja direção era a mesma e ficavam por trás dos mesmos muros e portões, com o objetivo único e exclusivo de separar os meninos das meninas. O que todos consideravam uma idiotice, já que não impedia nada, mas o que mais podiam esperar de uma instituição conservadora?

— Te vejo no intervalo. – ele disse, beijando a bochecha da amiga e seguindo na direção oposta à dela.

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Oliver caminhava pelos corredores de St. Joseph, ignorando os olhares raivosos de alguns dos seus colegas de classe – que não passavam de um bando de trogloditas homofóbicos – e mantendo seu sorriso confiante. Nada o abalaria naquele momento, nem mesmo o grande nervosismo que sentia. Precisava resolver de uma vez por todas aquela situação, entender o que havia de errado, ainda que isso acarretasse no fim definitivo do seu envolvimento com aquele garoto, do qual tanto gostava.

Estava meticulosamente arrumado, vestindo uma calça slim preta e uma camisa de manga longa branca, sobreposta por um cardigã cinza escuro. Os cabelos negros perfeitamente penteados em um topete. Do jeito que sabia que o deixava ainda mais bonito do que já era. Como sempre dizia: “estilo é para quem tem”. E ele, bem, tinha de sobra.

Quando entrou na sala de teatro, sorriu ao ver que quem procurava já estava lá: em cima do palco improvisado, Niall Parker, o garoto pelo qual era apaixonado, andava de um lado para o outro, ensaiando suas falas. Mesmo que não se interessasse muito por clássicos shakespearianos, precisava admitir: ele ficava adorável vestido como Hamlet. Ou talvez, fosse seu somente o cérebro, que não funcionava com clareza, devido à paixão. Ainda assim, Niall era lindo e ficava ainda mais quando concentrado.

– “Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor”. – Oliver parafraseou dramaticamente, ao se cansar de observá-lo sem ser notado.

Niall se virou em sua direção, finalmente. Os olhos avelã o fitaram, arregalados.

— O-Ollie! Ei...

Oliver riu, se aproximando.

— Surpreso em me ver? – perguntou, com deboche. O outro não respondeu. Então, decidiu falar sério: – Por que sumiu desse jeito, Ni?

Ele suspirou, tirando a peruca que parecia deixá-lo bastante desconfortável, deixando assim à mostra os cabelos pretos encaracolados que Oliver achava um charme.

— Sei que não entende, mas eu não posso mais continuar. Só não sabia como explicar...

— Então preferiu fugir e me ignorar por semanas. Entendi. – Oliver disse, deixando transparecer seu ressentimento. – Muito honesto da sua parte, obrigado.

— Ollie...

— Nem perca seu precioso tempo tentando se explicar, eu já entendi: você não está mais interessado. E está tudo bem! Ou estaria. Se tivesse tido a decência de me dizer... – foi franco.

— Não se trata de estar interessado ou não. – Niall contestou. – Se fosse esse o problema, meio que não teríamos um problema.

A expressão acusadora de Oliver murchou. O que diabos aquilo significava?

— Eu não sou gay. – o aspirante a ator afirmou com veemência. – Não posso ser...

Ah... Então é isso. – Oliver murmurou compreensivo. – Ni, eu entendo que esteja um pouco confuso agora. É normal. A autoaceitação é uma estrada muito difícil de percorrer e você não está sozinho nisso. Eu não quero que saiamos de mãos dadas por aí, ou que vá comigo na parada do orgulho LGBT, se não está preparado. Só estou pedindo que não fuja de mim, de nós...

Niall permaneceu calado por alguns breves segundos, como se pensasse na melhor forma de respondê-lo e, então, lhe atirou as palavras como se fossem pedras:

— Do que você está falando, cara? Que papinho idiota é esse? “Autoaceitação”? Não tenho que aceitar nada. Não interessa quantas vezes tenhamos nos beijado ou transado, foi só uma fase. Curiosidade. Eu sou hétero. Minha mãe sempre quis uma filha, mas não serei eu quem cumprirá esse papel.

— Você é ridículo. – Oliver declarou, sentindo um misto de raiva e tristeza. – Eu só estou tentando te ajudar!

— Eu não preciso de ajuda, só que me deixe em paz!

Ollie quis respondê-lo à altura. Quis muito. Mas não conseguiu, simplesmente não pôde, porque àquele ponto já havia lutado demais contra a vontade de chorar. Então, deu as costas ao colega de classe e saiu da sala, permitindo que as lágrimas escorressem livremente pelo seu rosto.

Ele não queria estar se sentindo tão mal. Havia ido até ele para que resolvessem as coisas, não para ter o coração partido. Mas o que poderia fazer? Era perdidamente apaixonado por Niall! Por que as coisas não poderiam ser mais simples?

Com essa e outras perguntas rondando sua mente, é que ele seguiu para as escadarias, que separavam sua escola da de Lauren. Sentou-se ali, esperando o choro cessar ou, pelo menos, até o sinal tocar. Observava alguns garotos do time de hóquei – que, sabe-se lá o motivo, era considerado um esporte “mais apropriado” que futebol pela diretora – conversando com suas namoradas pela grade. Seria mais fácil se ele fosse hétero. Ou pelo menos, se Niall parasse de fugir do que sentia.

Em meio a seus devaneios sobre o assunto, é uma figura em especial chamou sua atenção: um garoto que entrava pelo portão principal, atrasado. Relativamente alto, de cabelos loiros muito bem cuidados e uma boca desproporcionalmente grande, o que ao invés de considerar um defeito, Oliver achou uma graça. Usava uma camisa vermelha com o símbolo do Flash no peito. “Fofo” foi a primeira que pensou para descrevê-lo. E, se fosse para apostar, diria que ele estava ali pela primeira vez. Não somente por seu olhar de desorientação, mas também porque era bonito demais para que não o tivesse notado antes...

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Um sorriso de tirar o fôlego estampava o rosto da linda garota, deixando Lauren encantada. Aliás, tudo em sua melhor amiga lhe causava esse efeito: desde o cabelo, que sempre mudava de cor –surpreendentemente, ela já mantinha o ruivo há quase quatro meses –, o rosto delicado e os lábios finos, que conhecia tão bem, até o seu jeito geralmente alegre e, às vezes, um pouco ciumento. Temia jamais poder contar, mas a amava. Cassie sabia de sua sexualidade, é claro, contudo, namorava um universitário idiota, que nem a merecia. E, com exceção das vezes em que se beijaram, quando mais novas, podia-se dizer que ela era totalmente heterossexual. Porque, oh, sim, já haviam se beijado. Pelo menos nisso ela poderia se considerar sortuda...

Lembrava-se de cada mínimo detalhe, como se tivesse acabado de separar seus lábios naquele instante. Como esquecer? Foi graças àqueles beijos que começou a questionar sua orientação sexual. Antes disso, evitava pensar no assunto, por mais que estranhasse desde o início da pré-adolescência sua incapacidade de sentir algo mais profundo por qualquer menino que fosse. Enquanto Cassie e suas amigas passavam o intervalo surtando sempre que um mais bonitinho sorria para uma delas, ela se limitava a rir e concordar, mesmo que não compreendesse de verdade.

“– Você já deu o seu primeiro beijo? – sua amiga perguntou, de forma um tanto repentina. Ou talvez nem tanto, já que assistiam a “Crepúsculo” pela enésima vez. Lauren não gostava dos filmes, mas Cassie amava e ela fazia qualquer coisa para vê-la sorrir. Na época, não fazia ideia do que aquilo significava. Tinha apenas doze anos e não conhecia ninguém que fosse LGBT+. Seus pais sempre diziam que eram pessoas “promíscuas e pecadoras”, as quais deveria procurar evitar. E assim ela o fazia.

— Não... – Lauren balançou levemente a cabeça de um lado para o outro. – Por quê?

— Sei lá... Às vezes eu me sinto meio “atrasada”. – fez aspas com os dedos. – Você não se sente assim? Como se todas as outras meninas estivessem um passo à nossa frente.

— Eu acho que esse tipo de coisa tem que ser especial. – sorriu. – Com alguém que você ame, ou no mínimo, goste. E, até hoje, eu nunca me apaixonei por nenhum menino...

— Ah... Você deve estar certa. – Cassie suspirou. – Mas quando chegar a hora, você não acha que precisa estar preparada?

— Como assim? – a olhou, confusa.

— Lembra quando a Jenny disse que o primeiro beijo dela foi horrível? Por falta de experiência... – Lauren assentiu. – Então... Eu andei pensando bastante sobre e, quando chegar a hora, não quero que seja horrível. Talvez devêssemos treinar...

A resposta não ajudou muito.

— “Treinar”?

— É, tipo, uma com a outra. A Margot e a Bridget fizeram isso. – Cassie explicou, com uma naturalidade singular. – Elas também disseram que não conta se for com outra menina.

Os olhos de Lauren se arregalaram, em choque. Ela não acreditava no que tinha acabado de ouvir. Uma sensação estranha e gostosa a preencheu... Por alguma razão, a ideia não lhe soou tão ruim. Era quase como se quisesse aquilo. O que não fazia sentido, uma vez que ela não era... Daquele jeito.

— M-Mas é errado! – exclamou, exasperada.

— Por favor, Lauren. – a outra insistiu.

— Por que quer tanto isso? – se arriscou a perguntar.

Cassie ficou em silêncio por alguns segundos, como se guardasse um segredo muito importante. Por fim, ela acabou confessando:

— Eu ‘tô apaixonada.

— S-Sério? – Lauren balbuciou. – P-Por quem?

— Bem, é pelo Seth Hall... – a, na época, também loira disse, sussurrando como se fosse um segredo inconfessável. E, de fato, deveria ser, já que aquele garoto não só era mais velho, como namorava.

— Ah...

Mesmo tentando, não conseguiu esconder tão bem sua decepção. Por mais estúpido que pudesse soar, em sua cabeça, Cassie diria estar apaixonada por ela. O que não fazia muito sentido. Por que diabos havia considerado aquilo? Não, mais importante: por que estava tão chateada?

— Eu sei o que está pensando, mas ele gosta de mim. Prometeu terminar com a namorada se tudo der certo entre nós. – a outra disse, com convicção. Mal imaginava ela que tal fato era a última das preocupações de sua melhor amiga. – Agora... O que me diz? Vai me ajudar ou não?

— Não sei...

— Ah, relaxa, vai. Será só um treino. Seu primeiro beijo ainda pode ser especial, com um garoto lindo, louco por você. – Cassie se sentou de frente para ela, aproximando seus rostos e lhe dando um rápido selinho. – Viu? Não é coisa de outro mundo e ninguém precisa saber. Considere isso como um favor para a sua mais antiga e melhor amiga.

— T-Tudo bem. – acabou cedendo. Em parte, porque queria ajudá-la, mas mais porque, na verdade, queria beijá-la. Ainda que não estivesse confortável com a ideia, era a verdade. Algo dentro dela gritava para que aceitasse.”

Quanto ao beijo, não havia sido, nem de longe, dos melhores. Ambas eram inexperientes e acabou sendo estranho e desajeitado. Apesar disso, despertou nela sentimentos que até então não conhecia. E, os que vieram depois – não sabia ao certo quantos – só pioraram tudo. Com o tempo, os beijos que compartilhavam ficaram realmente bons e, mais tarde, acabaram fazendo com que ela tivesse certeza: estava apaixonada por Cassie.

O curioso era que, anos depois, quando já se aceitava graças ao apoio e ajuda de Oliver, Lauren pôde se assumir e, mesmo sabendo de sua orientação sexual, Cassie em momento algum lhe questionou sobre seus sentimentos por ela. Óbvio que tinha a noção de que terem se beijado a havia ajudado a se descobrir e, inusitadamente, até se dizia orgulhosa disso, mas sequer pensava na hipótese de que, talvez, sua melhor amiga pudesse amá-la e que poderia a estar machucando, todas as inúmeras vezes que falava sobre o seu namoro com engomadinho o aspirante a médico, Bryan Butler...

Saiu de sua completa dispersão, quando sentiu o celular vibrar em seu bolso. Era uma mensagem, da prima de Oliver:

[Fleur]: Oi, linda.

Sorriu.

[Lauren]: Oi ♥♥

[Lauren]: E, eu sei que me ama demais para suportar ficar sem falar comigo, mas não está meio tarde para ficar me mandando mensagem?

Ali, em Nova Iorque, eram oito horas da manhã, o que significava que, em Paris, onde Fleur estava, não passava das duas da madrugada. A garota havia viajado nas férias, após conseguir convencer os pais a permitir que ela fizesse um curso no exterior, que ainda duraria mais dois meses. Para Lauren, era quase uma tortura ficar sem vê-la por tanto tempo.

[Fleur]: Hahaha. Acredite no que quiser. >.<

[Fleur]: E é sim, mas não vou à aula hoje.

[Lauren]: Por quê?

[Fleur]: Segredo.

[Lauren]: Desde quando guarda segredos do amor da sua vida?

[Fleur]: Amor da minha vida?

[Lauren]: Sim. Hahaha.

[Fleur]: Não se iluda, eu só quero te pegar. >.<

Lauren riu, chamando a atenção de Cassie, que até então estava concentrada em suas atividades.

[Lauren]: Também queria, mas você inventou de ir pra Paris...

[Fleur]: Se eu voltar, eu ganho meu beijo de boas vindas? Hahaha.

[Lauren]: Quem sabe...

A mensagem, dessa vez, não veio de imediato e depois de alguns minutos, a loira pensou em perguntar se estava tudo bem. No entanto, antes que pudesse, a resposta chegou:

[Fleur]: Ainda é brincadeira, né? (só checando)

— Que sorriso é esse? – Cassie perguntou, tentando “espiar”. – Ai, me deixa ver com quem você ‘tá falando.

Lauren riu.

— Se você vir, não vai gostar.

— Ah... Ela. – o desprezo em sua voz era evidente. – Não ‘tá meio tarde em Paris pra ela estar falando com você?

— Ela não tem aula amanhã.

[Lauren]: Será?

[Fleur]: Hahaha. É sério, linda...

[Fleur]: Fiquei mesmo na dúvida. >.<

[Lauren]: Sim, ainda tô só brincando. Hahaha.

[Fleur]: Sem beijo então? :(

[Lauren]: No rosto serve?

[Fleur]: Se eu virar o rosto, consigo um selinho. ♥

[Lauren]: Hahaha. Se o Ollie lesse isso, surtaria.

[Fleur]: Somos o otp dele. Hahaha.

[Lauren]: “Fleuren”.

[Fleur]: Não acredito que ele ainda usa esse nome. Hahaha.

— Larga o celular e presta atenção na aula, Lauren. – reclamou Cassie.

— É só porque você não gosta dela...

— Não é isso, o brilho da tela ‘tá me atrapalhando. Não consigo me concentrar. – ela afirmou e Lauren adicionou essa à lista de “piores desculpas já usadas”. – Para de me olhar com essa cara, que saco! – pegou suas coisas e trocou de lugar, se sentando sozinha.

[Lauren]: A Cassie ficou brava por eu estar conversando com você. Hahaha.

[Fleur]: Awwn, diz pra ela que eu também não gosto dela.

[Lauren]: Ela até saiu de perto, acho melhor eu desligar o celular, antes que ela me denuncie para o professor Richard. Hahaha.

[Fleur]: Hahaha. Okay.

[Fleur]: Vejo você mais tarde, linda.

[Lauren]: Espera...

[Lauren]: “Vejo?”

E, pelo resto do dia, Fleur não respondeu. Na saída da escola, Cassie a acompanhou, mas Oliver apareceu, dizendo:

— Sinto muito, Cassandra, mas a rainha da lesbianidade e eu temos um compromisso, então ela vem comigo.

— Nós temos? – Lauren o olhou, sem entender.

— Meus pais estão viajando, lembra?

— Festa? – ele confirmou com a cabeça e ela sorriu, se empolgando. – Vamos!

De ímpeto, o seguiu, mas parou, ao se lembrar da amiga.

— Quer vir também?

— Claro! – Cassie foi até eles.

Quando entraram no carro, Oliver disse:

— Olha, Cassie, você pode até vir, mas não garanto que irá se divertir.

Lauren se perguntou o que ele quis dizer, mas não encontrou uma resposta e acabou desistindo. Não importava. O mais provável era que fosse só implicância por parte do garoto, já que ele não era o maior fã da ruiva...