Treacherous

1 Til you put me down


O primeiro dia de aula é sempre cansativo. Cabelos desarrumados para cá, rostos sonolentos para lá e tudo se mistura em um som de vozes, bocejos e assovios. Mas tudo sempre está normal, pelo menos parece estar. Há uma garota bem no final do corredor distraída lendo um livro, sem nem sequer perceber quem estava ao seu redor; haviam alguns rapazes azarando as garotas que passavam por perto e outros perturbando as pessoas que pareciam ser vulneráveis a eles, simplesmente por exalarem uma espécie de medo e vergonha de si, pois dentro do seu interior não queriam estar ali. Tudo normal. Até os mesmos garotos mais conhecidos estavam por lá, tentando fazer os novatos perceberem sua existência, e como de costume, faziam isso facilmente. O garoto encostado no armário rodeado de pessoas com uma calça jeans desbotada e uma camisa de mangas compridas enroladas até o antebraço chama-se Lui. Seu cabelo castanho está comprido e levemente desgrenhado, o que o faz frequentemente passar as mãos para colocá-lo em ordem. Seus olhos azuis brilham junto com o seu colar, e seu sorriso faz todos sorrirem com ele. É o típico garoto apaixonante. Sua lista de garotas é enorme. É o que se pode esperar de um garoto como ele. Ao seu redor estão seus amigos, incluindo Carlos com quem compartilha toda sua infância e seus segredos. A garota encostada nos ombros de Lui é Barbara, talvez a próxima de sua lista, que é quase o padrão perfeito da beleza do mundo atual. Suas curvas são complexas e seus cabelos lisos e loiros são muito longos. Tudo em seu corpo é harmonioso, e seu rosto parece ter sido esculpido à mão. Só haviam dois principais defeitos. O primeiro é que ela já havia estado na lista de vários outros garotos e o segundo é que ela não possuía um índice elevado de inteligência, se dava mal em todas as matérias mas sempre passava de ano pois afinal, todos têm seus truques.

E no meio de todas as risadas e conversas têm sempre um fator que se destaca. Nesse caso, este fator era uma pessoa. Que no momento aproximava-se do grupo. Não por que queria juntar-se a eles, mas por que estavam ocupando o lugar de seu armário. Ela também tem cabelos loiros porém seu tom beira o branco. Nele formavam-se ondas aleatórias que moviam-se conforme ela andava. Quando ela para, eles decaem sobre seus ombros, passando pelos seios e chegando à cintura. Sua pele extremamente branca, que poderia até mesmo ser comparada a cor do leite,reluzia o brilho do sol, exaltando seus grandes olhos azuis. Ela se vestia de um jeito simples que realçava a beleza de seu corpo. Sua expressão era séria, sem muitos sorrisos, o que a deixava mais intrigante. Ela parou em frente à eles, deixando-os sem reação. Lui levanta uma de suas sobrancelhas, de forma a entender que perguntava ‘o que está fazendo aqui?”. O pensamento se transforma em som.

- O que foi? Precisa... De alguma coisa? – sua voz soava um tanto irônica, fechando a sentença dando a ela um sorriso de canto de boca.

Ela o olha por mais alguns instantes e sorri de volta, mas não é um sorriso amigável, é apenas um sorriso reflexivo.

- Sim, eu preciso que você saia do caminho para.. que eu possa abrir o meu armário. Sabe, a gente precisa fazer estas coisas.

- Claro. – respondeu rapidamente, de um jeito cínico, enquanto deslizava os dedos em seus cabelos. Ela vira os olhos como se não importasse o que ele fazia ou deixava de fazer. Ao abrir o armário ela descarrega sua raiva na forma de um suspiro. No mesmo momento em que o sinal toca e ele se retira de lá, sozinho e com a mochila pendurada por uma única alça.

Ela fecha o armário abruptamente e ao virar depara-se com a única pessoa que lhe faz dar um sorriso sincero. Tinha grandes olhos castanhos esverdeados e os tornavam misteriosos, um sorriso doce e amigável que poderia deixar qualquer um animado, seus longos cabelos roxos davam um destaque a mais à suas feições e à sua pele clara e reluzente, era uma garota doce e ingênua, até mesmo no seu jeito de falar. Ela caminha suavemente, com olhar distraído, até a garota de cabelos loiros, ao chegar em frente à ela, para, sorri e da sua boa saem as palavras de sempre.

-Aconteceu alguma coisa?­–ela parecia preocupada

-Só alguns empecilhos normais. –Falou ironicamente, dirigindo o olhar para onde Lui havia ido.

-Normal, não é Corinne, normal. Retrucou com ironia também.

Elas caminharam para a sua sala de aula que coincidentemente era a mesma, fazendo-as sentirem-se felizes, pois só tinham uma a outra naquele novo colégio, onde assistiram uma tediosa aula de matemática.

No meio da aula entra uma mulher muito bem vestida, com uma feição autoritária que fez todos os alunos reprimirem-se em suas cadeiras, era a coordenadora. Ela rapidamente abriu um sorriso falso e respirou fundo antes de começar a falar:

-Bom dia queridos alunos, sejam bem-vindos. Eu vim aqui para trazer-lhes um comunicado importante.—ela disse como se não importasse.

-Semana que vem estaremos realizando o Grêmio estudantil, onde cada aluno poderá candidatar-se para assumir o posto de presidente de classe.

-Alguém se dispõe?—Ela fita todos os alunos, e apenas uma mão se levanta, e todos os olhares se voltam pra ela. A mão levantada é da garota de mais cedo, Corinne. Ela fica vermelha ao perceber que todos olham para ela e ainda com mão levantada vira o rosto para o chão. A Coordenadora a olha e como se quisesse desencoraja-la rispidamente começa a falar:

-Lembrando que o cargo de presidente exige muita responsabilidade de seu representante, então assuma apenas se sabe que irá conseguir permanecer ate o final do ano.—Disse ela afrontando.Como se não tivesse ouvido nada ela continua de pé.A coordenadora ignorando-a pergunta se alguém mais quer candidatar-se mas todos continuaram imóveis, fazendo com que aceitasse o fato de que só havia uma voluntaria. Num gesto indiferente fez com que a garota a seguisse ate a sala dos professores.

Chegando lá , como se sentisse envergonhada encostou – se na parede com as mãos para trás. A sala estava lotada e no meio dessas pessoas lá estava a extravagante garota loira de mais cedo.

- Como se ela tivesse capacidade de assumir uma responsabilidade tão grande- pensou Corinne, sorrindo silenciosamente ao final. Ela sabia que seria um longo processo mas escreveu seu nome na lista de candidatos à presidente de turma, mesmo não estando muito confiante. Haviam diferentes rostos ali. Mas todos davam a sensação de que eram muito inteligentes. Exceto Bárbara. Ela era a perfeita sátira de uma garota loira e burra. Corinne saiu devagar, decorando rosto a rosto de cada um dos seus oponentes. Não seria nada fácil enfrentar todos aqueles candidatos. Bárbara podia ser o que fosse, mas dali ela era a sua mais forte concorrente pois a sua popularidade era uma arma imprescindível naquela situação. Ela fecha a porta e volta para a sala, onde fica até tocar o sinal anunciando a hora de sair.

Logo na saída, num dos corredores principais avista um grupo de muitas pessoas cujo no seu centro encontram-se Barbara e Lui, pareciam um casal, o mais clichê que Corinne já havia visto. Não precisava estar perto para ouvi-los falar de uma festa, uma festa de comemoração não-se-sabe-porquê mas que fazia todos se animarem para ir.

Não era uma festa exclusiva, todos estavam sendo convidados.

- Estúpido. – pensou Corinne revirando os olhos na mesma hora em que Leyle, a garota de cabelos lilás, se aproxima animada, com um dos panfletos que estavam sendo distribuídos para anunciar a tal comemoração.

-Corinne olha isso, que legal!! Nós vamos não é?-disse ela com um sorriso no rosto.

- Você sabe que eu não gosto desse tipo de eventos. – disse ela ignorando completamente o panfleto que ela havia acabado de dar. — ESSAS PESSOAS FAZEM DE TUDO PARA SE AUTO-PROMOVER.

Ela disse isso no tom mais alto que pode, para justamente ser ouvida. Isso fez com que muitos que estavam ao redor ficassem cochichando da maneira mais indiscreta possível.

-Eu sei, concordo com você, mas acho que desta vez poderíamos abrir uma exceção, principalmente por que é inicio do ano e não conhecemos ninguém.-disse Leyle segurando no braço da amiga enquanto tentava convencê-la.

Corinne suspirou como se estivesse carregando um grande peso e retrucou com um leve sorriso.

- Está bem... Nós iremos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.