Notas iniciais
Segunda parte, qualquer coisa basta me dizerem gente.

Haviam coisas simples como piscar, pensar em algo, respirar e claro! Jantares em família não poderiam fugir da lista. Entretanto mesmo isso essa família incrivelmente diplomática conseguiu. Remexi na pequena salada presente no prato com falta de vontade. Olhei para a mesa perfeitamente polida procurando uma forma de escapar, a prataria impecável acompanhava para cada tipo de comida e na ponta estava meu pai lendo um jornal e na outra minha mãe lendo alguma matéria nos tabloides. Afastei a cadeira de modo rude os fazendo olhar para mim, o prato em minha frente ainda intocado, depois um ao outro concordando e soube que minha saída não teria falta alguma.

Andei firmemente pelo corredor até chegar em um chão de granito claro, olhei pela janela vendo o céu claro com poucas nuvens e as montanhas, tinha os lábios pressionados em uma linha fina e desfiz o mesmo tentando parecer o mais tranquila possível. Estava me sentindo inquieta nessa manhã, havia acordado de um sonho estranhamente intrigante, para uma manhã em que meus pés apenas não parariam quietos, as mensagens que Pietro me enviava eram inúteis para acalmar qualquer coisa.

Como se o efeito que ele tinha sob mim fosse completamente útil.

Ajustei fios que caiam em meu rosto atrás da orelha, peguei o celular branco caro no bolso do short e procurei o numero de Pietro. Os dedos clicaram logo em cima do nome dele e mais impaciente que tudo aguardei enquanto o toque soava no outro lado da linha.

A ideia formigava como uma criatura viva em minha mente: Viajar até a ilha capital.

Estava querendo isso por um tempo, precisamente quando havia visto em um documentário sobre economia em que ela apareceu com um dos maiores e melhores pontos com as principais economias de cada setor de várias nações. Vários setores ajustados e arrumados abrangendo uma ilha artificial completa com biomas de países, um EUA completo em miniatura, com uma Europa e o Brasil pelo que me lembre apenas queria algumas cidades importantes, fora outros países importantes.

Nada além de pura curiosidade rondava em minha cabeça. Aquela ilha era fascinante! As corridas de Mônaco poderiam ser famosas mas... Queria sair.

Já havia escutado mais vezes do que poderia citar que a curiosidade matou o gato, mas não é algo que poderia sequer cogitar agora. A minha família estava pressionando de vários lados, estava ficando completamente sufocante, o impulso estava me fazendo mover involuntariamente os pés em um tique nervoso que achei havia há muito corrigido.

Pietro atendeu quando chamou pela terceira vez.

—Sim minha princesa?- Ele era cordial e atendeu passivamente, não gostei do que faria a seguir mas apenas poderia sair se ele fosse comigo e isso era algo que infelizmente havia agregado em minha vida.

—Pietro, lembra-se daquela viajem que queria fazer?- Prendi a respiração no peito enquanto escutava ele se mover no outro lado da linha, esperei ansiosamente para ele poder se lembrar disso. Parecia ser o momento perfeito.

Meu casamento com Pietro estava planejado para poder unir a família com negócios. Para isso ter uma aproximação menos brusca nos colocaram em constante visão um do outro. Por mais que não nos gostássemos (eu mais que ele) isso havia feito um pouco dos mundos não se colidirem porém quem estavam tentando enganar aqui? Estava claro que isso não daria certo por minha parte, Pietro poderia gostar de mim mas algo nele sempre me jogou para longe.

—Sim, pretende faze-la agora?- Ele parecia animado, soltei o ar que havia prendido e mordi a língua um pouco fazendo um som audível para ele escutar eu concordando. – Isso é incrível Abigail!- Ele falou, sorri com a sutileza de seus pensamentos.

—Sim, podemos ir o quanto antes?- Saber que ele era meu passaporte para fora daquela casa sufocante era algo bom, ultimamente não estava mais conseguindo lidar com isso. Mesmo meu professor de ginastica havia me dito que algo parecia errado com a forma como estava girando o mundo ao redor. Apertei os lábios em uma linha.

—Sim, claro, podemos sair amanhã ou domingo se preferir. – Uma pausa em que o escutei digitando algo. – Ah não ser que seja uma mulher diferente e use poucas roupas... Em uma mala.- Havia entendido a segunda intenção e revirei os olhos apertando os dedos ao redor da colcha. Forcei a voz a sair agradável.

—Existem coisas... Que é bem melhor para você descobrir aos poucos.- Sorri sabendo que havia conseguido ganhar a curiosidade dele.

—Certo, domingo podemos pegar um voo sem escalas para a ilha, se quiser podemos igualmente alugar um motorista para toda a viagem. Apenas locais legais, prometo!- Concordei, pressionei os dedos na coxa tamborilando os dedos e olhei pela janela onde o azul do céu era mais bonito agora onde sabia que iria ficar livre. – Certo Abigail Eclair Marvel, você oficialmente está indo para a ilha da economia. – Ele tinha o tom brincalhão e estreitei os olhos um pouco para o que ele falou.

—Estava procurando as passagens antes de ligar para você?- Ele riu mas concordou, me levantei da cama procurado minha mochila e uma mala. –Certo, vejo você domingo. –

—Sim.- Ele puxou o “O” de uma forma que me fez desligar, não queria ser rude de nenhuma forma mas quando ele fazia isso apenas conseguia me irritar, coloquei o celular branco na mesa de madeira, a mochila estava perfeitamente limpa ao lado do armário branco. Urgh, tanta cor branca...

Suspirei me debruçando sobre a cama com um sorriso incontrolável, nesse momento parecia até que os pássaros cantavam uma canção mais alegre em um tom francês que inegavelmente me fez sentir como uma brisa sendo carregada no ar. A sonolência pairando não poderia me desviar de minha função, involuntariamente me sentei na cama esticando os ombros e me levantando, agora focada na árdua missão de preparar malas para uma viagem, poderia ver a série de possibilidades se desenvolvendo em uma cadeia de acontecimentos, pude sentir o gosto da liberdade e de outros ares, isso parecia ter se tornado um estimulante pois senti as mãos rápidas ao se moverem para poder escolher as roupas em minhas malas e bolsa.

Notas finais
É foi isso, aproveitem
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.