Travelers

3 Capítulo 3 -


Notas iniciais
O problema apresenta sua própria solução.


- Então é essa sua história? — perguntou Diego, exageradamente sério.
- É. — respondi constrangida. Eu devia parar de confundir o Diego real aos Diegos dos meus recortes de revistas.
- Se as coisas na sua casa são tão ruins assim, por que simplesmente não vai embora?
- Falar é fácil. Eu não tenho pra onde ir, Diego! — as lágrimas nos meus olhos já eram visíveis.
- Como não?
- Não tendo. Minha unica família é a minha mãe, que me odeia mais do que qualquer coisa. Pra onde quer que eu vá?
- Essa história é absurda Vi, você tem que ir embora daquela lugar. — ele parecia preocupado.
- O que você quer que eu faça?! — eu já estava em prantos em sua frente.
- Quero que você me diga onde você mora. — ele estava sério de uma forma que cheguei a ficar assustada. Aquele não era o meu Diego bem humorado. Ele era sério, assim como um homem de verdade. Ele, de fato, havia deixado de ser um sonho.
- Hã?
- Quero que você me diga onde você mora. — ele repetiu — vamos buscar as suas coisas agora.
- Você só pode estar louco. — respondi. Mas era tarde demais, ele já estava com a chave do carro em mãos.

Nunca tive tanto medo e tanta certeza em toda a minha vida. Chegamos na frente da minha casa e ele disse:
- Pega tudo que for precisar. Quer ajuda?
- Não, obrigada. — meu constrangimento era mais do aparente.
- Quer que eu fale com a sua mãe?
- Não precisa. Não vou demorar.

Subi correndo as escadas e peguei uma mala enorme, a maior que arranjei. Peguei as coisas do meu guarda-roupa ao montes e joguei dentro da mala. Depois eu arrumava com calma. Peguei só algumas coisas importantes, até porque não queria muitas lembranças do passado. Peguei todos os posters, revistas, encartes, cds, enfim, tudo que me importava, e coloquei numa caixa. Fechei-a com fita adesiva e coloquei na mala. Desci as escada correndo, sendo surpreendida por minha mãe no último degrau.
- Onde você pensa que está indo? — ela perguntou em tom de deboche.
- Embora. — respondi, mais feliz e nervosa impossível.
- No momento que você passar por aquela porta, nunca mais vai entrar, ouviu bem?
- Ouvi, e não pretendo entrar nunca mais. — respondi, levando um tapa na cara. Corri para o carro, onde Diego me esperava. Minha mãe gritava o máximo que podia na porta de nossa casa.
- Já podemos ir? — perguntou ele.
- Sim. — respondi em meio às minhas lágrimas após jogar a mochila para o banco de trás.
- É a sua mãe?
- É. — respondi envergonhada. — Pra onde vamos agora?
- Pra minha casa.

Ele só podia ser louco! O que ele tinha em mente? Achei melhor não discutir. Diego era adulto, sabia mais do que eu. Confiei nele e fomos embora. Fiquei em silêncio o caminho inteiro, e ele respeitou minha opção sem soltar uma palavra também. Chegamos na casa dele e eu estava saindo do carro quando ele pegou a minha mala.
- Não é mais fácil deixarmos aqui? — perguntei sem entender.
- Seria, se você fosse morar no meu carro. — respondeu rindo, coisa que eu não o via fazer desde que nos encontramos à tarde.
- É, mas pra quando você for me levar pra onde eu vou ficar não precisarmos arrastar minha mala, até porque ela está pesada.
- Em primeiro lugar, ela não está pesada. Em segundo lugar, você vai ficar na minha casa até segunda ordem.
- Você só pode estar maluco, Diego. — respondi séria.
- Maluco eu seria se deixasse você lá naquelas condições. — ele disse, no mesmo tom de voz que eu.

Subimos e ele largou minha mala ao lado do sofá, onde se atirou violentamente. Sentei no braço do sofá para podermos conversar.
- Me desculpe, Diego. Sério mesmo. — falei, morrendo de vergonha.
- Você não tem culpa de nada. Vem, senta aqui. — ele disse, se acomodando no outro lado do sofá e batendo com a mão no lugar vazio onde me sentei em seguida.
- Tenho culpa sim. Eu havia dito pra você que era melhor eu não falar sobre os meus problemas.
- Escute aqui — ele disse, segurando forte a minha mão — Eu quero te ajudar, pode confiar em mim. Eu sei como é ruim não termos quem nos ajude nessas horas. Não precisa mais se preocupar, pode contar comigo.

Minha vontade era de segurar seu rosto com minhas duas mãos e dizer a ele que ele era a razão da minha vida, o ar que eu respiro, o motivo das batidas do meu coração. Não podia fazer isso. Ele estava sendo um anjo, estava me cedendo a casa dele, e como eu agradecia? Assustando ele. Só mais uma fã enlouquecida. Agradeci a ele com um abraço. Não havia forma mais pura de agradecê-lo sem assustá-lo. Ele entendeu que eu não tinha palavras para expressar minha gratidão e aceitou o abraço com um sorriso no rosto. Me desvencilhou de seus braços e deitou minha cabeça em seu colo, onde senti meus olhos pesarem ao ouvir sua voz calma me dizer:
- Está tudo bem agora.

Notas finais
Demorei pra postar mas aqui está :D Espero que gostem *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.