Trauma
4 Neve
Hoje está frio. Podia estar nevando, mas é apenas uma chuva gélida, a única neve é a que ocorre aqui dentro das minhas emoções.
Eu não sou frio, mas aparento ser. Falo como se eu fosse, talvez um mecanismo de defesa, ou talvez não. Bom, não importa, é essa a estrada que eu sempre estou trilhando; fria, solitária e sombria.
Sempre estou tentando melhorar, e encontrar um caminho que me leve pra fora dessa nevasca, sempre tive a percepção de ser impossível. Mas é porque sozinho sempre é mais difícil.
Uma tormenta insana e completamente nublada por nuvens e pela geada, pode ficar claramente mais visível e com uma estrada formada apenas por uma existência igual a dessa garota que está aqui do meu lado.
Duas pessoas solitárias e julgadas, como se sempre precisassem ser remodeladas, quando se juntam e dão as mãos, entendem sua particularidade.
Em meio essa neve toda, sinto como se a cada momento eu estivesse derretendo pelo calor, o calor que eu nunca senti antes, é como se ele estivesse vindo de dentro.
Algo novo mudou aqui, não é mais tão frio.
Como consequência, nos acostumamos com a estrada. Cada faísca nos atrai, cada caloroso sentimento nos ferve por dentro. Sentimos muito, muito mesmo. O fogo que borbulha em meu interior não parece mais ter fim. Essa novidade me deixa desconfortável, essa temperatura altíssima não deveria ser introduzida dessa maneira. Se nos deixou para congelar, por que agora retorna e nos faz sofrer com a mesma coisa que negou nos dar? Nos acostumamos com as migalhas, com o frio mais intenso de uma nevasca infinita. Espero que saiba o que esteja fazendo. Despertar um coração de gelo é tão mortífero quanto se deparar com um 10 leões em meio à selva.
Mesmo que isso machuque meu cotidiano, não consigo odiar-te por me apresentar esse fervor. Não me sinto completa, não ainda. Mas, olhando para baixo agora, vejo meu corpo finalmente tomar cor.
Fale com o autor