Trapped in Nightmares
14 Sinto gosto de sangue.
Notas iniciais
14
Sinto algo queimar minhas pernas, é o sol. Aonde eu estou? Meus olhos lacrimejam com a luz do sol. Estou em um paraíso, uma praia linda. Não há pessoas, animais ou qualquer outra coisa, apenas o som das ondas quebrando.
Ando por todos os lados á procura de algum ser vivo, e encontro, encontro o pior ser vivo que eu podia ter imaginado.
Algo quadrúpede, uma calda, parece um réptil ou coisa do tipo, suas escamas, a cor preta de seu corpo, deve ter uns cinco metros, pesar talvez setecentos quilos, mas não importa, não sei o nome daquilo, mas três coisas são perceptíveis: 1 — ele é carnívoro, 2 — ele está com fome, 3 – ele vai me comer.
Saio correndo pela mata da floresta, as árvores são repletas de espinhos, arranhando minhas pernas, não são apenas alguns arranhãozinhos, são cortes profundos, evito olhar para minhas coxas, se ver as cachoeira de sangue sou capaz de me desesperar ainda mais.
Dor.
Dor é psicológico, Jeanie! Vai dar tudo certo. A aberração rosna —ou seja lá que barulho emite, só sei que o barulho é ensurdecedor — e eu grito com dor nos meus ouvidos. Dou graças á Deus por correr em algumas manhãs, isso me deixa com uma boa condição física para fugir do monstro.
Meu pulso direito é arranhado em dos espinhos de alguma árvore. Grito de dor. Olho para analisar a situação e o corte é muito grosso, arrisco até a hipótese de precisar dar alguns pontos naquele corte.
Minha respiração está ofegante, a última saída é a praia, corro até areia, e aquela criatura continua me seguindo, entro no mar, e no pânico de fugir, esqueço me das dezenas — talvez até centenas — de arranhões nas pernas e pelo corpo inteiro.
Meu corpo queima, grito o mais alto que eu posso, o monstro também grita, parece que a água é ácida para ele pois quando joguei nele, sua pele parecia queimar.
Caio na água de joelhos , meu corpo arde. Mesmo debaixo da água gelada, meu corpo está quente, devo estar delirando de febre, o bicho leva sua calda até meu pescoço, e começa a me enforcar, e puxar para fora da água.
Sinto que já estou ficando vermelha ou roxa, meus olhos lacrimejam. Quero berrar, mas a força com que é aplicada no meu pescoço me rende. Os machucados estão queimando, minha pele parece estar corroendo aos pouco para me ver sofrer.
Sinto gosto de sangue, depois vejo-o pingando na água, meus pulmóes estão queimando, estou suando. Ainda estou com as pernas na água. O livro de M. Hermann vem em minha mente novamente, EU QUERO! EU POSSO! Olho para minha mão esquerda com o pulso ferido, ainda está debaixo da água.
Lembro-me dos gritos agudos da criatura, ela tem sensibilidade pela água. Com o restinho de minha força, jogo água na cauda dessa aberração, ela imediatamente me derruba na água.
Caio de bruços, engulo tanta água que meu pulmão já não está aguentando, estou na parte rasa, mas não tenho forças para subir, me jogo para cima e consigo permanecer de pé, meu pulmão está cessando, dor, consigo chegar á superfície.
Puxo todo ar que consigo, respiro, inspiro. Respiro, inspiro. Respiro, inspiro. Minhas vias respiratórias vão voltando ao normal, o bicho ainda está lá, lambendo os ferimentos recém-formados na cauda.
Ele grita ao me ver novamente, agora está com ódio eterno de mim, pela primeira vez consigo ver seu rosto direito. Seus dentes são estraçalhadores, assustadores, sua saliva escorre, como se estivesse com água na boca com fome querendo comer seu almoço que seria eu. Mas eu não pretendo ser seu almoço, quero matá-lo.
Acho a solução. Jogo toda a água que consigo, não sinto mais o meus pulso. A dor agonizando piora a cada segundo debaixo da água. A aberração por sua vez, está moribunda, prestes á morrer. Seu couro está derretendo, ela grita, quero fechar meus ouvidos, mas ao invés disso continuo jogando água, até que ela morra. Saio da água e deito na areia, estou exausta, alguns grãozinhos entram em meus machucados, a dor é terrível, quando grito, sinto agulhadas em minha garganta, engulo sangue. Eu me esqueci que tive minhas cordas vocais estraçalhadas por aquela aberração. Achei que a água salgada melhoraria os meus ferimentos do corpo, mas na verdade só me faz chorar mais, só me faz querer gritar e não conseguir, exausta e totalmente derrotada, deito na areia, e durmo. Deveria morrer agora.
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