Trapped in Nightmares
3 Lindywood imediatamente parou.
Notas iniciais
03
Dias passam, cada vez mais rápido. Mamãe já não é a mesma de sempre, todos os dias pego-a chorando pelos cantos da casa. Consegui superar a morte do papai, estou conformada. Prefiro vê-lo morto a ver seu sofrimento. Sinto a falta dele, mas como dizem, um dia nos encontraremos.
Tardes e tardes na livraria, que vai perdendo o movimento aos poucos. Um marasmo enorme. Sempre as mesmas pessoas, mas mesmo assim me surpreendo com alguns fatos que acontecem na livraria, uma velhinha sorri para mim todas as vezes que vem, isso realmente muda meu humor, ela é tão dócil.
Nessas tardes, leio alguns livros, falo com pessoas, envio torpedos para o Oliver e a Katie, hoje nós iremos nos encontrar na praia, como mais um dia comum. Ou nem tanto.
Um jovem rapaz entra pela porta da livraria, ele olha para mim com seus olhos tão verde que até parecem artificiais, talvez sejam. Cabelo amarelo cor de mel, levemente jogado para o lado direito, o corpo magro e musculoso, definitivamente lindo. Nunca vi esse cara antes, deve ser novo por aqui.
— Boa tarde? Posso ajudar? — Pergunto. Ele sorri e diz em resposta:
— Claro que pode, eu preciso ler Romeu e Julieta.
— Tudo bem.
Pego o livro e ele me encara. Entrego a ele e nossas mãos se tocam, tenho que admitir que ele e essas suas mãos de seda são totalmente irresistíveis. Eu fico sem graça, mas ele não. Dá um sorriso torto no canto da sua boca. Daquele tipo de sorriso de cafajeste. Ele paga o livro e eu pergunto a mesma coisa que pergunto para qualquer cliente:
— Mais alguma coisa?
— Sim.
— O que?
— Como é o seu nome?
— Jeanie. — Respondo um pouco sem jeito.
— Bom, eu sou o Klaus. Klaus Waltrick.
— Prazer em conhecê-lo, Klaus.
— O prazer foi todo o meu, Jeanie. — Ele sorri maliciosamente.
Quando ele fecha a porta, eu suspiro e não consigo pensar em outra coisa a não ser no sorriso do cara gato dos olhos verdes. Imediatamente, lembro-me de Katie e mando um torpedo para ela.
''Kat, você não vai acreditar! Um cara muito lindo veio aqui na livraria, pegou um livro e perguntou meu nome, e você não sabe! Era o livro que você tanto ama! Romeu e Julieta. Cara, eu não acredito!
Na praia a gente se fala, ta?
Beijo.''
No mesmo minuto ela me responde:
''Sério? Não acredito nisso! Que lindo! Hoje, na praia tenho um presente para você! Ansiosa pra hoje à noite! Até daqui duas horas amiga!
Beijo.''
Presente? Que presente? Espero alguma coisa boa, os presentes da Katie até que são legais, mas alguns são meio que estranhos. Agora, de dez em dez minutos dirijo meus olhos ao relógio, e a hora parece não passar.
Seis e meia. Ah! Finalmente seis e meia! Achei que ia demorar mais. Fecho a livraria e volto para casa. Mamãe está, como nos outros dias, chorando pelos cantos da casa, mas tenta disfarçar o máximo, mal sabe ela que eu já cresci e a desculpa de que caiu cisco no seu olho já não funciona mais.
Abro a ducha e meu corpo arrepia com a água exageradamente gelada, tomo um banho demorado lavo meu cabelo curto. Escovo meus dentes, pego um chiclete de menta. Costumo usar vestidos em ocasiões especiais, mas acho que esse está em sintonia com o meu estado de espírito hoje. Ele é azul turquesa com flores amarelas, gosto dele. Coloco sapatilhas amarelas e vou até a penteadeira. Não passo maquiagem, não ouso nem usar uma sombra, apenas um rímel, em ocasiões especiais. Dessa vez passo um gloss rosa claro, arrumo meu cabelo e dou algumas borrifadas de perfume.
Sete e meia. Finalmente chego na praia, Oliver e Katie estão na pedra onde combinamos, aceno para eles de longe e percebo que tem outra pessoa lá. Ando metros e metros até chegar lá.
— Oi gente!— Digo.
— Oi! — Oliver e Katie dizem em uníssono.
— Oi. — Uma voz masculina aveludada diz também, não consigo enxergar quem é, o cara está de costas lendo um livro.
— Bom, eu cheguei! Qual era o meu presente?
— Jen, eu acho que você vai amar. Apenas feche os olhos. Estou de olhos fechados. E Oliver coloca suas mãos em meu rosto para comprovar isso. Escuto algumas risadinhas e quando Kat autoriza, eu abro os olhos e surpreendo-me com a imagem do loiro-cor-de-mel, olhos verdes.
— Klaus? O que faz aqui?
— Bom, vou te explicar! Esse é o meu primo, ele vai vir morar aqui, e disse que ia conhecer a cidade e então eu aproveitei para pedir a ele que comprasse Romeu e Julieta para mim. — Katie responde por ele.
— Sério mesmo? — Pergunto.
— Jen, é meio difícil de acreditar, mas é verdade. — Dessa vez é Oliver quem diz.
Eu rio, quanta coincidência.
— Sabe o que eu acho? — Pergunto, mas só Klaus responde.
— Isso é uma pergunta retórica?
— Tecnicamente não. Mas, então. Sabe o que eu acho?
— O que? — Oliver pergunta.
— Acho que a gente deveria fazer uma surpresa que toda a cidade nunca vai esquecer.
— O que faremos então?
— Bom, será assim... — Chego perto de todos e conto minha idéia. Mesmo hesitando um pouco, Oliver concorda.
Oito da noite, Abrimos uma porta que fez um barulho estrondoso, e provocou um eco por todo o salão escuro.
Oliver pega em minha mão e eu na de Klaus, que pega na mão de Katie. Saímos em corrente subindo os vários lances de escada. Nos três primeiros todos subiram normalmente, e sem muito esforço. Quando terminamos de subir o sexto e último lance, chegamos ofegantes, deitamos no chão empoeirado lado a lado, suados e cansados.
Depois de cinco minutos perdidos deitados nos recompondo no chão, Oliver levanta e diz:
Então nós viemos aqui para deitar ou para fazer isso?
Nós três levantamos sem nenhuma reclamação em silêncio, mesmo ainda cansados. Oliver abre uma porta de vidro que fez um barulho alto, mas não tão alto quanto o da porta da frente. O ar frio entra e alastra por todo o salão rapidamente, o que nos dá um alívio enorme.
— Vamos logo com isso! — Exclamo.
Então Katie e eu vamos até o murinho do terraço lá fora. Esperamos os dois ligarem aquela coisa, mas não aconteceu nada.
— Sabe? O Klaus se encantou com você! — Ela sussurra para apenas eu ouvir.
— Sério?
— Sim. Ele não parou de falar de você a tarde inteira.
— Bom, pode-se dizer que eu também o achei muito lindo e até te mandei a mensagem.
Ficamos novamente em silêncio olhando para as estrelas e a lua minguante.
— Vocês não vão fazer nada? — Katie falou num tom alto até demais.
— Não.
— Por que?— Ela ainda fala alto.
— Vamos fazer todos juntos. — Explica Oliver.
Ouvindo aquilo, Katie e eu fomos na direção dos dois. Oliver arrumou todos os equipamentos, seu pai um dia o ensinou.
De repente, nos assustamos com o barulho que faz um eco pelo salão, mas está tudo bem, o farol, mesmo antigo e não sendo ligado a muitos anos estava lá, mais uma vez iluminando a cidade, aquilo foi lindo. Lindywood imediatamente parou. As luzes das casas, dos postes das ruas, dos comércios e até dos faróis do carro foram desligadas apenas o a luz do farol ligada. Nós girávamos o farol por toda a cidade, os cidadãos aplaudiam e gritavam. Paramos o farol, mas não o apagamos, fomos até a sacada novamente e debruçamos no murinho.
— Podia acontecer algo surpreendente agora, não é? — Sugiro para a todos e o silêncio é a minha resposta.
— Bom, na verdade, eu acho uma ótima idéia. — Klaus responde depois de um tempo.
— O que podemos fazer para nunca sermos esquecidos?
Oliver e Katie continuam em silêncio, Klaus também, mas ele responde apenas com um gesto: Ele me puxa em seus braços e fico nas pontas dos pés, ele é magro e muito alto, suas mãos grandes seguram minha cintura e eu entrelaço meus braços em sua nuca, sinto seu perfume amadeirado e não resisto, ele inclina sua cabeça até encontrar seus lábios com os meus, nos beijamos. Não escuto nada, não vejo nada, apenas sinto nosso beijo, já tinha beijado outros garotos, mas nenhum beijo foi como o dele, parece que estamos sozinhos em uma sala escura onde ninguém pode nos incomodar, nossa sintonia é incrível.
O beijo acaba quando perdemos o fôlego, eu beijo mais uma vez seus lábios rapidamente e ele beija minha testa, depois nos abraçamos. Quando me dou conta de que estou no farol, sinto a luz ofuscante voltada para nós. Rapidamente solto-me de Klaus, e as luzes ainda estão apagadas. Toda a população de Lindywood assistiu nosso beijo, e agora aplaudiam. Katie tinha virado o farol em nossa direção quando começamos a nos beijar. Minhas bochechas queimam. Estou vermelha. Mas a satisfação é grande e depois de mais algum tempo, todos voltam a seus afazeres e as luzes ascendem novamente e a cidade volta ao seu normal.
Nós andamos satisfeitos pela cidade e seguimos por toda a cidade para deixar cada um em suas respectivas casas. A primeira casa é a de Oliver. A mãe dele atende a porta e chora emocionada.
— O que houve, mamãe? — Oliver se assusta.
— O gesto que vocês fizeram hoje foi maravilhoso! Vocês são muito especiais. Esses são melhores amigos de verdade! Eu amo todos vocês. — Ela nos abraça e chora mais.
— Queríamos ter feito mais coisa, mas a única coisa que estava ao nosso alcance era isso. Foi simples, mas de coração, Lílian.
— Foi maravilhoso! Vocês homenagearam meu marido, fizeram com que eu ficasse muito feliz, tudo isso por nós! Muito obrigada mesmo!
— Nós que agradecemos Lílian, Mas agora precisamos ir.
Abraçamos Lílian, e seguimos por toda a cidade, até chegar a minha casa.
Antes de entrar, Katie foi até um arbusto e deixou Klaus e eu sozinhos.
— Hoje foi maravilhoso. — Ele diz.
— Sim, foi. Nunca me esquecerei.
— Nem eu. — Ele me beija e ficamos algum tempo abraçados. Mais um beijo longo e intenso. Mamãe abre a porta. Nos assustamos e nos soltamos.
— Oh! Me desculpe. Não vi vocês ai. — Ela sorri maliciosamente. Claro que ela viu!
— Bom, mamãe... Esse é o... Klaus. — Respondo um pouco sem graça.
— Que ótimo. Prazer em conhecer você sra. Lohmann.
— Pode me chamar de Jeena. Vamos entrar e comer algo. — Pede minha mãe.
— Obrigada Jeena, mas agora eu tenho que ir. Tchau Jen. — Ele beija o meu rosto e depois sai.
Mamãe quer que eu conte tudo, todos os detalhes, mas apenas economizo palavras e digo apenas o necessário, apesar de ela e mais o resto de Lindywood ter visto o nosso beijo.
Já é tarde da noite, estou no meu quarto, quase dormindo, mas me lembrando de todos os momentos que hoje passei, meus olhos estão se fechando quando meu celular vibra. Número desconhecido.
'' Jen, amei te beijar. Seu beijo é tão... Sei lá. Dorme bem, vou sonhar com você. ''
Klaus. É ele!
Não hesito em responder.
'' Klaus, seu beijo também foi muito bom. Tenha uma boa noite.
Jeanie. ''
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